Talento como herança

Por Claudia Mastrange

Tiago Mainenti (E) o lado do pai, Amarildo Silva, e João Francisco: Cambada Mineira (Foto Lucas Werner)

Tal pai, tal filho. Não tem jeito. É muito comum os filhos se espelharem nos pais e buscarem, muitas vezes, seguir o mesmo caminho profissional. Em alguns momentos eles acabam inclusive trabalhando juntos. Exemplo recente, na telinha, é a atriz Letícia Isnard, que divide a cena a filha Teresa, de cinco anos, na série ‘Filhos da Pátria’, na Rede Globo. Na produção, ela vive a personagem da mãe, Leonor, em momentos de flashback. “Ela brincou de ser eu e demonstrou concentração”, declarou a mãe coruja.

O cantor e compositor Amarildo Silva é só alegria com o ingresso de seu filho Tiago Mainenti, no grupo Cambada Mineira, que conta também com João Francisco Neves. A banda comemora 20 anos de estrada, lançando o disco ‘Mineirês’, com show no Teatro Petrobras Rival, em 22 de outubro. “Ele já tinha uma carreira solo como músico e agora traz uma nova energia para o Cambada. É uma felicidade imensa essa parceria!”, conta Amarildo.

Ernesto Ferro e Karen: parceria nos negócios e no tatame

E tem pai e filha no tatame! A empresária Karen Ferro, 34, trabalha junto com o pai, Ernesto Ferro, de 63 anos, tocando a academia franqueada do Team Nogueira, que pertence aos lutadores de MMA Minotauro e Minotouro, no Cachambi. “Trabalhar em família já é uma vantagem, principalmente pela confiança que temos um no outro. Meu pai é o faz tudo da academia. Da administração à manutenção, e ajuda até a organizar os eventos que faço de última hora. Sem ele, não sei o que seria [risos]”, diz Karen, que também treina jiu-jitsu com o paizão.

Alguns jovens desenvolvem até depressão por não terem o mesmo caminho dos pais
Por Adriana Cunha, psicóloga

É comum que os filhos se espelhem nos pais em relação às suas escolhas profissionais. Nós, pais, precisamos entender que a tarefa da escolha profissional não é tarefa da família, apesar de essa ser uma preocupação comum entre os pais. O caminho e a decisão são deles. Cabe a nós, ouvir, orientar e acolher as dúvidas e angústias dos nossos filhos, respeitando suas decisões.

A idade, interferências familiares, o mercado de trabalho, fazem com que muitos jovens que prestam o Enem ainda tenham dúvidas em relação a área de atuação, o que causa abandono nos primeiros períodos da universidade. Alguns jovens desenvolvem depressão por não terem um caminho profissional previamente definido ou não seguirem o mesmo caminho dos pais.

Como ajudá-los? Bem, devemos entender que a escolha profissional dos filhos é um processo, às vezes lento, mas que deve ser respeitado, pois o que existe é a profissão certa para cada um, que pode ser de nível médio ou superior (não agregando nenhum juízo de valor).

Se, por acaso, os filhos seguirem as profissões dos pais, que seja por vontade própria e que tenham nos pais o exemplo de realização e não como uma meta a ser superada ou um objeto de comparação. Para isso, a relação familiar deve ser baseada em alguns conceitos básicos:

− Eduque seus filhos ‘para o mundo’, pois eles precisarão contar com a segurança dos pais diante dos apuros da vida, com os limites, o modelo e a lei. Passar pelo processo é necessário, com dúvidas e/ou certezas, e faz parte do crescimento individual.
− Ensine-os a vencer desafios, bons pais e bons professores são os que estimulam os jovens a vencerem os desafios.
− Habilitar o controle dos impulsos emocionais é ensinar a empatia, como a possibilidade de se colocar no lugar do outro; saber adiar satisfação; tolerar frustrações, já que a falha é inerente ao ser humano atuante.
Devemos lembrar que o trabalho vai preencher uma grande parte da vida e a única maneira de se sentir satisfeito é fazer aquilo em que acreditamos.

Fotos: Divulgação

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