Tunai celebra quatro décadas de carreira em show no Vivo Rio

 

Por Claudia Mastrange

Uma grande celebração. Assim o cantor e compositor Tunai considera o show ‘Tunai – 40 anos Agora’, marcado para o dia 2 de novembro no Vivo Rio, com participação do maestro Wagner Tiso e apoio cultural do Diário do Rio. Motivos não faltam para comemorar. São 40 anos de carreira, que merecem um novo show e a gravação de um DVD incluindo sucessos e também músicas inéditas do novo álbum ‘Caderno de Lembranças’, lançado em janeiro.

Além disso, o artista está feliz da vida por recuperar cerca de 80 músicas de sua autoria, que estavam sob controle da antiga gravadora Poligram (hoje Universal) desde os anos 80. “Esse ‘Agora’, que dá título ao meu show, é por isso. Esse material estava guardado, escondido, inacessível. Só agora está disponível para mim. Eu não tinha acesso à minha obra, não tinha direito a fazer uma coletânea. Tive que negociar, com a mediação da advogada Marilene Gondim, para resgatar tudo. Até hoje só o álbum ‘Certas Canções – Acústico’ está nas plataformas digitais. Agora, e só agora, isso vai mudar. É minha história! Estou muito feliz”, revela Tunai.

No show, o repertório será 90% com base em ‘Caderno de Lembranças’, o trabalho mais recente. Além de clássicas, como ‘Corsário, ‘Certas Canções’ e ‘Maria, Maria’, destaque para a atualíssima ‘Bala Perdida’. “Essa música é o meu grito de alerta pelos tempos sombrios e assustadores que estamos vivendo: a violência, a falta de empatia com os excluídos, as absurdas desigualdades sociais, o desgoverno, a era do retrocesso… Vivemos com medo no Rio. Mas em outros pontos do país não é diferente”, sentencia o cantor que, e em sua frase final da música, cita sutil e certeiramente os Beatles: ‘help me!’”.

O público também vai poder conferir em ‘Tunai – 40 anos agora’ as músicas do EP que ele lançou, em 2018, com os cinco singles inéditos que, após o acervo recuperado, marcaram sua estreia nas plataformas de streaming. Além de uma primeira versão de ‘Bala Perdida, o EP tem ainda ‘Lilá’, ‘Sina de Amor’, ‘O Menino Fernando’ e ‘A Tal Profecia’. O set list de 33 músicas se completa com a participação de Wagner Tiso (em 11 canções). O maestro está na estrada com Tunai desde 2012 com o show ‘Saudade da Elis’, que já chegando à marca das 150 apresentações.

Com a benção de Elis

Não é à toa que Elis Regina está sempre presente em shows ou mesmo nas declarações e todas as referências de Tunai. O cantor considera que a eterna Pimentinha foi a grande responsável por ele engrenar e mesmo optar de vez pela carreira artística. Nos idos dos anos 70, Antônio de Freitas Mucci, mineiro de Ponte Nova, estudava Engenharia e, paralelamente, ia escrevendo suas canções. Tomou coragem e, ao lado do parceiro de sempre, Sérgio Natureza, decidiu mostrar suas composições a Elis, em 1976. “Eu tinha 14 anos quando a vi cantar pela primeira vez e fiquei em choque. Me apaixonei!”. O tempo passou e, em 1979, Elis gravou ‘As Aparências Enganam’, no disco ‘ Essa Mulher’. Foi um estouro!

“Daí pra frente larguei tudo e vi que meu caminho era mesmo a música. Elis foi minha grande avalista. Não só em termos da qualidade musical, para o mercado e o meio artístico, mas para mim mesmo. Ali passei a acreditar em meu potencial como artista”, recorda-se ele. Com esse clássico nas paradas as portas da indústria do disco se abriram de vez para Tunai. Ele emplacou sucessos nas rádios em seus discos solo e nos de artistas como Milton Nascimento (também seu parceiro em ‘Certas Canções’, ‘Rádio Experiência’ e ‘Mar do Nosso Amor’), Nana Caymmi, Gal Costa, Zizi Possi, Simone, Jane Duboc, Elba Ramalho, Emílio Santiago, Maria Rita, Ney Matogrosso, Beto Guedes, Fafá de Belém e Sérgio Mendes.

Às composições citadas acima somam-se, entre outras, ‘Eternamente’, ‘Frisson’, ‘Olhos do Coração’, ‘Trovoada’, ‘Sintonia’, ‘Sempre na Mira’ e ‘Sobrou pra Mim’, que engataram romance com o sucesso e o coração dos fãs. “Só Frisson’ tem mais de 100 gravações. O Roupa Nova gravou duas vezes e Ivete Sangalo gravou ano passado (no DVD Live Experience), dedicando a música ao seu marido Daniel. E a minha gravação, de 1984, toca até hoje. Muito legal esse carinho com a canção”, diz Tunai.

Que venham mais 40 anos de sucesso!

Foto: Luis Adenauer

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