Produtores de tomates de Paty do Alferes adotam o cultivo em estufas

de Vitor Chimento

 

Apesar da sua popularidade na Itália, o fruto tem suas origens nas Américas − é nativo da região andina, englobando Peru, norte do Chile e Equador. Pertence a uma extensa lista de alimentos da América Pré-Colombiana desconhecidos do Velho Mundo antes das grandes navegações, da qual fazem parte o milho, vários tipos de feijão, batatas e frutos − abacate, cacau, sapoti, entre outros. Sua condição de planta ornamental começou a mudar a partir do século XIX, quando passou a ser reconhecido como alimento.

O tomate é um fruto que possui uma dezena de variedades, está presente em todos os lugares dos quatro cantos do mundo e consumido de todas as formas, desde sucos, saladas e molhos. Podendo ser preparado de diversas maneiras: frito, assado, cozido e refogado. É também um dos líderes, juntamente com o morango, na lista de alimentos naturais que mais utilizam agrotóxicos.

É uma planta relativamente sensível, exigindo diversos cuidados no processo de cultivo, desde a atenção ao preparo do solo até os tratos necessários para garantir a qualidade final do produto. Por ser uma cultura suscetível ao ataque de pragas e doenças, muitas das vezes são utilizados agrotóxicos para o combate. Produtos estes que são, em sua maioria, prejudiciais à saúde do produtor, consumidor e dos insetos polinizadores.

Após enfrentarem muitos altos e baixos com o preço do fruto, os agricultores da região serrana do Rio de Janeiro decidiram investir em outra técnica: o cultivo protegido. Nesse sistema, o fruto é produzido dentro de estufas. O tomateiro é plantado em vasos que ficam suspensos sem haver o contato com o solo, evitando, com isso, a contaminação e proliferação de pragas e doenças, reduzindo em quase zero a utilização de agrotóxicos. Também é possível controlar a velocidade do vento, umidade relativa, temperatura ambiente e proteção contra as chuvas fortes.

A produção nesse tipo de lavoura dura, aproximadamente, 60 dias desde a preparação até a colheita, diferentemente do sistema tradicional em que o ciclo de colheita dura, em média, três meses. Como a plantação está protegida, continua produzindo por até oito meses.
Além de fortalecer os conceitos de qualidade e competividade por melhores produtos no mercado, a técnica de plantação protegida (em estufas) trás para os produtores a certeza que a safra trará retorno.

Vitor Chimento, biólogo e jornalista
MTb 38582RJ

vitor.chimento@diariodorio.com.br

EDITORIAS