Nós temos vírus dormindo dentro de nós e o voo espacial os acorda

de Sérgio Vieira

O voo espacial surpreende quando você considera o fato de que nossos corpos não evoluíram para o espaço. Ainda com dificil adaptação da microgravidade e vivendo em quartos confinados, o nosso sistema imunológico sofre, deixando-nos mais suscetíveis a infecções e doenças, à medida que passamos mais tempo no espaço.

Um novo estudo publicado na revista ‘Fronteiras em Microbiologia’ relata que os vírus herpes que estão dormentes dentro do corpo tornam-se reativados em mais da metade dos astronautas enviados ao espaço.

Os cientistas da NASA estudam os efeitos do vôo espacial no sistema imunológico por mais de 20 anos,

Vírus adormecidos não são novos fenômenos em que muitas vezes nunca são totalmente erradicados do corpo. Em vez disso, são subjugados pelo sistema imunológico. O vírus da herpes permanece em nossas células da medula espinhal por toda a vida.

Estudiosos descobriram que quatro dos oito vírus da herpes reativaram e ressurgiram nos voos espaciais. Especificamente, 53% dos astronautas submetidos a missões de ônibus espaciais e 61% dos astronautas que passaram longas estadias.

Importante saber que o derramamento viral indica uma reativação do vírus, mas certamente não indica doença.

Não há dúvidas de que as novas descobertas levantam algumas preocupações. A NASA foca em entender como esses vírus se comportam e em desenvolver contramedidas para proteger os astronautas em missões de maior duração no espaço.

A contramedida ideal é a vacinação, mas, até agora, isso só está disponível contra alguns virus. As vacinas contra herpes nunca mostraram muito sucesso. Além disso, o estudo ressalta o quão precário é o sistema imunológico no espaço. No último outono, foi revelado que as superbactérias tinham conseguido colonizar a estação espacial. Quando você está doente no espaço, tem que se contentar com o que você já tem.

Enquanto estamos investindo mais recursos no estudo da imunidade humana no espaço, estamos limitados pelo fato de que não há muitos astronautas para estudar. Existe, no entanto, um ambiente na Terra que poderíamos usar como um campo de testes: a Antártida, onde os humanos que passam o inverno para fins de pesquisa experimentaram imunidades deprimidas, juntamente com a reativação do vírus do herpes. Afinal, será difícil vender ingressos para uma viagem espacial de seis meses até Marte se houver um medo agudo de lidar com isso.

Sérgio Vieira – Engenheiro

e Jornalista – MTb 38648RJ

sergio.vieira@diariodorio.com.br

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