Doenças que podem se originar no canteiro de obras

de Maria Martins

Trabalhadores enfermos significam prejuízos, atrasos e outras dores de cabeças para o empregador. E o canteiro de obras é um terreno fértil para a proliferação de doenças. A fórmula é simples: pegue muitas pessoas juntas trabalhando, adicione poeira, substâncias tóxicas, vírus e bactérias e… pronto: as doenças vão fazer a festa no canteiro de obras!

Estudos mostram que 40% dos cânceres originados no ambiente de trabalho correspondem ao ramo da construção civil. Por lá, o índice de vítimas fatais é maior até que o causado por acidentes. O tipo mais comum de câncer no canteiro de obras é o pulmonar, causado pela exposição à sílica e o amianto – que é, de longe, o mais perigoso. O tempo para surgimento da doença pode variar de dez a cinquenta anos.

Construção de túneis, lixamento de superfícies, cantaria e desbaste são algumas das atividades que podem causar doenças respiratórias no canteiro de obras. Entre elas, asma, silicose (causada pela aspiração de pó de sílica) e doenças que obstruem o pulmão e dificultam a respiração. Algumas delas podem ser graves e levar a problemas crônicos, que reduzem a expectativa de vida do trabalhador.

A proliferação do mosquito Aedes Aegypti no canteiro de obras é um dos culpados pelos níveis alarmantes de casos da doença. A razão: água parada em lonas plásticas, calhas, carriolas, baldes e outros recipientes comuns na construção. Já o contato com a água e terrenos alagados expõe o trabalhador ao contágio por leptospirose, uma doença infecciosa causada por bactéria.

Sarampo, catapora, rubéola são doenças infecciosas transmitidas por respiração, tosse ou ambiente infectado. Podem permanecer no ar por até 15 dias antes de surgirem os primeiros sintomas. Ainda que dificilmente causem males mais graves, a proliferação de qualquer uma das três pode tirar muitos trabalhadores do serviço por vários dias.

A sarna é transmissível e pode se espalhar pelo canteiro de obras quando uniformes, botas, luvas e capacetes são compartilhados. Se não tratada em até dez dias, a doença pode se espalhar pelo corpo todo, causando coceira e lesões. Já a dermatite – inflamação da pele – é um risco para quem manuseia o cimento sem usar luvas ou lidar diretamente com substâncias químicas. Já olhos vermelhos e irritados são os sintomas mais básicos da conjuntivite. A transmissão é pelo ar ou pelo uso compartilhado de objetos e, por ser altamente contagiosa, a conjuntivite exige que o funcionário infectado permaneça até cinco dias longe do trabalho.

Foto: Pixabay

Maria Martins – Ass.Sindical e jornalista

maria.martins@diariodorio.com.br

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