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Já nascemos livres

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Ao iniciar meu texto, cito as palavras efusivas de um grupo de protesto do movimento negro, presente à sessão solene da Câmara dos Deputados no dia 14 de maio, em Brasília. O protesto ocorreu por ocasião da comemoração dos 131 anos da Lei Áurea.

À parte do conflito que se instaurou entre defensores da monarquia, sob a égide da princesa Isabel, e os da democracia, sob a bandeira da vereadora carioca Marielle, impõem-se uma questão filosófica pertinente que vem a partir das palavras do deputado Luiz Phillipe de Orléans e Bragança (PSL-SP): “A natureza humana (…) nos leva a esses conflitos de escravizar uns aos outros. Isso faz parte da natureza humana. (…) Como é que combatemos nossa própria natureza na evolução da humanidade? Existem, sim, pessoas com consciência de que a escravidão não é bom. A consciência humana combate a própria natureza humana”.

A questão, independentemente do viés ideológico e/ou partidário que o leitor queira assumir, traz à tona uma velha disputa entre o que construímos histórica e culturalmente e o que trazemos de universal e naturalmente em nossa humanidade. Em quaisquer dos casos, sabemos ser a escravidão algo moralmente repugnante. Sabemos também ser verdadeiro o fato de que, guardadas as devidas determinações de nossa biologia, de espaço e tempo e de contextos familiares e sociais, entre outras, todos nós nascemos livres de todo e qualquer impositivo oriundo de um ser humano sobre outro ser humano.

Então, como libertar o que, em sua natureza, nasceu livre? A resposta, talvez, fique por conta dos erros que cometemos ao longo de nosso caminho evolutivo.

Mônica de Freitas, bacharel em Letras,

professora de Inglês e mestre em Filosofia (PR2 – 55697)

[email protected]

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