É melhor comprar saco de lixo ou usar sacola do mercado?

de Sérgio Vieira


As sacolas de supermercado são feitas de um filme com resina de baixa densidade (PEBD). Tipos de plástico são: o PVC feito de policloreto de vinila; o PET feito de tereftalato de polietileno, um tipo de plástico mais reciclado pela indústria; o PEAD, um polietileno de alta densidade; PP ou polipropileno; PS ou poliestireno. São todos polímeros de plástico não biodegradável.

O saco de plástico é muito utilizado pelo homem, pois serve de transporte para alimentos, mercadorias e objetos diversos. São práticos, porém péssimos para o ambiente. O objetivo do saco para lixo é único: compra, coloca o lixo e o descarta. Já a sacola com a sua distribuição gratuita nos supermercados tem seu primeiro uso como embalagem, depois no acondicionamento dos resíduos domésticos encerrando seu ciclo de vida. A questão das sacolas não é então um problema de química, mas de educação com relação ao descarte. O papel, por exemplo, leva pelo menos três meses para se decompor, enquanto as latas de alumínio demoram quase 500 anos. As sacolas plásticas, muito utilizadas em supermercados e lojas em geral, levam até 400 anos para se decompor.

Calcula-se que cerca de 90% dos sacos de plástico acabam a sua vida em lixeiras. Na verdade, estes objetos ocupam apenas cerca de 0,3% do volume acumulado. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 1,5 milhões de sacolas de plástico são distribuídas diariamente. O destino da grande maioria delas é virar saquinho de lixo, e depois esse saquinho vai para o aterro. Dada a sua extrema leveza, poder sair voando e ir parar na copa de uma árvore ou ser confundido com alimento boiando na água, prejudicando peixes e outros animais marinhos, provocando outros tipos de poluição.

A Assembleia Legislativa (Alerj), além de decretar o fim deste tipo de embalagem prejudicial ao meio ambiente, determinou que os supermercados estarão obrigados a fazer uso apenas de dois tipos de sacolas: as biodegradáveis ou as reutilizáveis, que podem ser gratuitas ou vendidas ao consumidor a preço de custo.

Foram desenvolvidos materiais plásticos biodegradáveis que prometem resolver o problema ambiental causado pelos sacos comuns. Em São Paulo, empresas produzem o plástico biodegradável a partir de polímeros do álcool. O setor de biotecnologia do IPT desenvolveu um plástico derivado, por ação de uma bactéria, do açúcar de cana. Outro exemplo, o fungo Pestalotiopsis microspora é capaz de alimentar materiais plásticos compostos a base de poliuretano.

Uma grande alternativa contra o consumo excessivo de sacolas de plástico é a utilização de sacolas retornáveis ou sacolas ecológicas, confeccionada em sua maioria em algodão cru e outros tecidos. Lembrando que, neste caso, é intensamente orientado que use uma sacola para cada tipo de produto. Evitar misturar verduras com sabão, assim como higienizar as que detêm restos orgânicos.

Tem o plástico biodegradável, o PLA, que se decompõe depois de dois meses de descarte e é digerido por microorganismos. O problema é que esse tipo de plástico precisa ser rejeitado e processado corretamente para se decompor. Se apenas descartado em um lixão comum pode acabar também produzindo metano.

Tem sacolas de bioplástico, feitas de amido de milho, biodegradáveis e de baixo custo. Tem o polietileno verde, ou plástico verde. Ele é feito de etanol da cana-de-açúcar. Esse material captura o CO2 da atmosfera ajudando na redução dos gases do efeito estufa. Cada quilo de plástico verde produzido captura 2,5 quilos de gás carbônico. Contudo, não é biodegradável, então tem que ser reciclado. Se meramente despejado num aterro, vai ficar por lá por muito tempo junto com o plástico comum.

Há plásticos orgânicos feitos de resinas de amido de milho e mandioca. Esse se decompõe em até 120 dias e o que sobra ainda pode ser usado como adubo. Essas resinas naturais são misturadas ao plástico sintético no processo da produção. Então, depois que o amido dissipar vão sobrar migalhas de plástico, que decantando nos rios podem ser comidos por peixes.

Tem o plástico oxibiodegradável, que usa um aditivo químico para estimular o processo de degradação. A vida útil dessa sacola é de dois anos e os fabricantes garantem que, ao final da decomposição, o que sobra é água, húmus e CO2. De todos, esse parece o mais promissor, mas ainda faltam pesquisas que garantam a eficiência.

Depois disso tudo a impressão que dá é que não tem solução fácil. A verdade é que cada uma dessas sacolas tem vantagens e desvantagens. Na realidade atual, os oceanos recebem oito milhões de toneladas de plástico por ano. O que está esquecido de mencionar é que as sacolas não são o item em maior quantidade e peso. Existem garrafas PET, alimentos ensacados com plástico como feijão, fubá, arroz, farinha, pipoca, açúcar, sal e etc. Temos embalagens plásticas para todos os tipos de consumo, as fechadas a vácuo para inúmeros produtos: frutas, legumes, produtos de farmácia, como frascos de shampoo, remédios e vitaminas. E outros infinitos tipos de utilização.

Será que somente as sacolas para supermercados devem ser eliminadas?

Nos países ricos e desenvolvidos não há intenções em eliminar, e sim em substituir, o plástico pelos acima citados porque já existe um sistema de tratamento vigente. Nos países em desenvolvimentos, cogita-se eliminar porque não existe ainda sistemas de tratamento do lixo que nem sequer são mencionados nos debates.

No Brasil, existem concepções e tratamentos obrigatórios que bizarramente não são exercidos por muitos, e mesmo os que parcialmente cumprem não atendem satisfatoriamente à Lei Federal 12.305, de 02/08/2010 que instituiu o Programa Nacional de Resíduos Sólidos, e ao Decreto Presidencial nº 7.404, de 23/12/2010, que regulamentou a obrigação dos municípios de elaborarem o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos sob pena de não acessar recursos da União (empreendimentos destinados a limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos no seu art. 18). Lembrando que já se constituía crime ambiental sob a Lei nº 9.605, de 12/02/1998, para vazadouros que geram poluição ao meio ambiente.

A solução da sacola plástica está na educação pública do cidadão com relação ao descarte do lixo, o meio ambiente e a coleta seletiva, na substituição por embalagens adequadas e, principalmente, caberá um investimento público ou público/privado ao Plano Municipal de Gestão Integrada, orientando o tratamento e a destinação final dos resíduos sólidos, ajustada às legislações vigentes e também às exigências de caráter social. Ou seja, aquelas que podem desintoxicar o meio ambiente, assegurar emprego, rentabilidade financeira para o município, promovendo a inclusão social e cidadania.
Eliminado o plástico do meio ambiente sem ter que simplesmente eliminá-los das suas utilidades é jogar a conta e a dificuldade para a população.

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