UFRJ agoniza, sofre e pode ficar ‘inacessível’

A UFRJ é a universidade federal com mais alunos no Brasil. São mais de 68 mil estudantes matriculados entre graduação, pós e demais especializações. Também é a que mais recebe verba do MEC entre as federais. Apesar disso, vive dias sombrios devido ao corte do orçamento. Dinheiro que saiu da Educação, assim como o quase R$ 1 bilhão que o governo remanejou para bancar emendas parlamentares visando aprovar a ‘reforma’ da Previdência na Câmara dos Deputados.

A reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires de Carvalho, declarou que certas atividades da universidade podem ser paralisadas ainda em agosto por conta dos contingenciamentos orçamentários. Segundo ela, em julho a UFRJ recebeu R$ 15 milhões para despesas consideradas discricionárias – aquelas de custeio, como luz, água e infraestrutura – quando, na verdade, deveria receber R$ 25 milhões. Isso significa que 49% das verbas para custeio foram contingenciadas, assim como 89% das destinadas a investimentos.

A universidade agoniza. Os serviços de manutenção são suspensos quando ficam três meses sem receber. A luz foi paga, mas as despesas de custeio estão com atraso de dois meses. Se esse dinheiro não entrar, os serviços param. E se isso acontecer, atividades como cirurgias realizadas pelo hospital universitário estariam sob risco por conta da eletricidade do local.

A universidade sofre. Em nota, a UFRJ disse que o novo padrão de liberação de verbas exercido pelo MEC a partir de julho piorou a situação já dramática dos bloqueios, já que limitou o orçamento mensal de custeio a 5%. Dessa forma, a universidade está sob o risco de ter vários serviços paralisados ao longo do mês de agosto e, certamente, no mês de setembro. Caso o cenário não mude, é previsto um novo plano de contingência “com a redução drástica dos serviços oferecidos”. A universidade pode se tornar inacessível, não só no nível ambulatorial, mas também dos pacientes internados. São muitas cirurgias por dia que podem ser descontinuadas, caso a alimentação também tenha que ser descontinuada.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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