Máquinas com cérebros

de Sérgio Vieira

Inteligências artificiais e robóticas estão minando os sistemas que os humanos têm alimentado por milhares de anos. Ao criar novos meios de formular e responder a questões fundamentais, se dá um processo de transformar a natureza do conhecimento, nossa relação com as máquinas e a identidade humana. Empresas tentam entender as pessoas que constroem essas máquinas, o escopo dessas mudanças e as empresas que se beneficiam de um mundo cada vez mais robótico.

E como é andar em um carro de autocondução avançado? Wuhu é uma cidade no leste chinês, com aproximadamente três milhões de habitantes. Bastante antiga, foi criada no século 2 A.C. e, em breve, poderá se tornar uma das mais futuristas do planeta. Isso porque Wuhu deverá ser a primeira cidade a funcionar completamente com carros autônomos.

A ideia é da Baidu, normalmente chamado de “Google da China”, empresa que pretende colocar carros, vans e ônibus autônomos na cidade durante os próximos anos. Inicialmente, os carros deverão circular sem passageiros e apenas em algumas regiões especiais para o teste. Em algum momento, essas áreas serão expandidas e os carros poderão levar pessoas.

Duas empresas automobilísticas autônomas estão atualmente testando sua tecnologia em Guangzhou, uma das cidades mais congestionadas da China, onde as bicicletas e os pedestres atravessando as ruas lutam constantemente contra carros e, às vezes, contra o tráfego.

Talvez um dos maiores desafios que os interessados em carros autônomos enfrentem nem seja de ordem tecnológica, mas sim jurídica. Afinal, o debate para regular o sistema, envolve discussões novas, cheias de nuances, e temas polêmicos, como a moral da inteligência artificial.

No final de maio de 2016 aconteceu uma tragédia com um veículo semiautônomo da Tesla, nos Estados Unidos. Ele estava no sistema de autopiloto do Model S, quando um caminhão fez uma curva para a esquerda à sua frente, em um cruzamento, e os sensores dos veículos não perceberam, fazendo com que ele entrasse embaixo da carreta. O passageiro morreu na hora.

Esse foi o primeiro acidente do tipo. Pesquisas mostram que os automóveis autônomos podem reduzir em 90% dos acidentes de trânsito. No entanto, nos 10% restantes, os veículos deverão decidir, por exemplo, se sacrificam o passageiro ou alguém na rua.

Se os fabricantes optarem por proteger o passageiro, poderão colocar a vida de mais pessoas em risco. No entanto, se colocarem o passageiro em risco, menos pessoas poderão comprar os carros autônomos e, consequentemente, a tal redução nos acidentes de trânsito não aconteceria. Hipoteticamente, menos vidas seriam salvas. Por essa e por outras questões, o debate está só começando.

pt Português
X
EDITORIAS