Fernanda Montenegro, a nossa grande dama do teatro e da teledramaturgia

 

Por Sandro Barros

A atriz Fernanda Montenegro completou seus 90 anos de vida no último dia 16 de outubro. A nossa grande dama do teatro e da teledramaturgia tem mais de sete décadas de carreira, marcada por grandes atuações no rádio, no teatro, no cinema e na televisão.

Seu nome de batismo é Arlette Pinheiro Esteves da Silva. Filha de uma dona de casa e um mecânico, nascida no bairro do Campinho, zona norte carioca. Com oito anos, a menina Arlette estreou como atriz, participando de uma peça na igreja. Aos 15 anos, a jovem foi contratada como redatora, locutora e radioatriz da rádio MEC. Ali Arlete ficou dez anos. Porém, quando começou a escrever, ela própria inventou o pseudônimo de Fernanda Montenegro.

Fernanda Montenegro foi a primeira atriz contratada da TV Tupi, no Rio de Janeiro, em 1951. Na emissora, participou de cerca de 80 peças. No teatro, estreou em dezembro de 1950. Em 1953 Fernanda se casou com Fernando Torres, seu colega. Anos mais tarde, em 1959, com o marido e alguns amigos, fundou a companhia Teatro dos Sete, que durou até 1965. A atriz estreou em 1963, na TV Rio, atuando em novelas de Nelson Rodrigues. Também participou da extinta TV Excelsior.

Para além da televisão, Fernanda investiu muito na atuação no teatro e fez algumas participações no cinema. Ela chegou a concorrer ao Oscar pela atuação no filme ‘Central do Brasil’ (1998), de Walter Salles Jr. Até hoje foi a única brasileira indicada a esse badalado prêmio internacional.

Falando em prêmio, Fernanda Montenegro acumula inúmeros ao longo de sua carreira, sejam eles nacionais ou internacionais. Ao todo, são mais de 80. Seu primeiro prêmio, Saci, foi recebido em 1955. Um ano depois recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos Teatrais. Em 1958, foi a vez do Prêmio Governador de Estado de São Paulo. Em 1959, Fernanda leva para casa o Prêmio Padre Ventura do Círculo Independente de Críticos de Arte. Quatro anos mais tarde, acumula também o prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Em 1964 é premida no Festival Internacional do Rio por sua atuação no filme ‘A Falecida’. Dois anos depois, tem a felicidade de ser agraciada com o Prêmio Molière, que irá receber novamente alguns anos mais tarde.

Lançou em 2018 o livro ‘Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico’, organizado por ela mesma e que narra sua trajetória artística ao longo das décadas, reunind uma série de fotos de acervo pessoal. E ela promete que vai lançar outro livro, totalmente autobiográfico, pela Cia. Das Letras. “Aí já não é tanto essa documentação, é como se fosse uma entrevista da minha vida”, disse Fernanda em entrevista coletiva em maio do ano passado.

Foto: Reprodução

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