Pat Metheny: sua guitarra é como fosse extensão de seu corpo

Por Claudio Camillo

Quando ouço Pat Metheny é como estivesse ouvindo todos os grandes do jazz, do blues, do pop, do rock, do jazz rock, do clássico, do new age…, dado a sua força e inteiração por todos esses caminhos. Sua música tem algo de metafísico que aguça o meu espiritual.

Guitarrista estudioso e de uma competência absurda, toca como se a guitarra fosse uma extensão de seu corpo. Fico pensando: o que se passa na cabeça ou na alma de uma pessoa dessa, quando descarrega improvisos que são verdadeiras odes à boa música.

Nasceu Patrick Bruce Metheny em Kansas City, Missouri (EUA), em 12 de agosto de 1954. Começou aos oito anos com o trumpete e aos 12 migrou para a guitarra. Aos 15 já tocava profissionalmente com grandes músicos de jazz do Kansas, adquirindo experiência em bandas desde muito jovem.
Seu primeiro sucesso internacional foi ‘BrightSize Life’ (1976), seu primeiro álbum. Segundo a crítica, Pat reinventou o som tradicional da guitarra e é referência para jovens guitarristas. Sempre atento a novas tecnologias e ávido por novos caminhos, trabalha constantemente no aprimoramento técnico e de improvisação.

Vejo Pat no correr dos anos somando e trocando experiência com músicos diversos, como Steve Reich, Ornette Coleman, Herbie Hancock, Brad Mehldau, Jim Hall, JacoPastorius, Joni Mitchell, Milton Nascimento, Toninho Horta e David Bowie… Segundo os críticos Richard Cook e Brian Morton, “Pat Metheny tornou-se uma figura-chave na música instrumental dos últimos 20 anos”.

O trabalho de Pat inclui composições para guitarra solo, instrumentos elétricos e acústicos, grandes orquestras e peças para balé, com obras que vão do modern jazz ao rock e ao clássico. Aos 19 anos foi o professor mais novo da história na BerkleeCollegeof  Music, onde recebeu também o título de doutor honorário vinte anos mais tarde, em 1996.

Pat Metheny ganhou vários concursos: melhor guitarrista de jazz, discos de ouro para os álbuns ‘Still Life (Talking)’, ‘Letterfrom Home’ e ‘SecretStory’. Ganhou também vinte prêmios Grammy Awards sobre várias categorias, incluindo Best Rock Instrumental e Best Contemporary Jazz Recording. O Pat MethenyGroup ganhou sete Grammies consecutivos em sete álbuns.

Estou ouvindo, nesse momento, minha preferida entre suas obras primas: ‘Always andForrever’, com seu violão inconfundível na voz absurdamente linda  da incrível cantora polonesa Anna Maria Jopek.

5 álbuns importantes

Brightsizelife (1976)
Estreia do guitarrista, quase todo autoral. Gravado com o baixista JacoPastorius e o baterista Bob Moses.

Firstcircle (1984)
Seu trabalho mais definido enquanto estilo. Em formato de grupo, traz o baixista e vocalista argentino Pedro Aznar que contribui com vocais personalíssimos e também com uma canção.

Imaginaryday (1997)
Cada vez melhor, nesse álbum ele domina vários instrumentos, como o violão Pikasso (de 42 cordas) e a guitarra sem trastes, à frente de um grupo competente.

Beyond the Missouri Sky (1997)
Pat Methenyaoviolão e Charlie Haden no baixoacústico. O talento na concepção de melodias e harmonias fica ainda mais forte e perceptível nesse registro unplugged.

Orchestrion (2010)
Instrumentos que tocam em resposta às notas que Metheny faz soar na guitarra. Essa é a base do disco, que o artista gravou “sozinho”.

Foto: Pixabay

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