Planejamento financeiro: é possível suprir as necessidades do presente, de olho no futuro

Sabe aquela história de que sempre sobra mês no fim do salário? Pois é, a frase é comum, mas o resultado dessa matemática está longe de ser o ideal. Sabemos que, em tempos de crise, achatamento salarial, desemprego que passa dos 12% da população brasileira, é difícil ter uma ‘sobra’ de dinheiro no fim do mês. Então, se acordo com especialistas, a palavra chave é planejamento.

De acordo com a economista e especialista em finanças Janaína Calvo, é preciso reprogramar nosso cérebro, tanto para lidar com números − coisa com as quais nossos pais normalmente também não estavam acostumados − para dimensionar o real valor das coisas. “Uma pessoa que ganha R$ 50 mil por mês e gasta R$ 70 mil não vai dormir direito, certamente não vive feliz. Mas conheço uma pessoa, por exemplo, que ganhava R$ 2 mil, pagava seu aluguel, poupava uma parte, pagava suas contas e vivia bem, com alegria e paz. A novidade é que dá pra ser feliz com pouco. Precisamos aprender a nos organizar”, afirma.

Economista Janaína Calvo

E em tempos de redes sociais, ostentar felicidade e conquistas, por vezes materiais, acaba gerando gastos desnecessários. “Você realmente ‘precisa’ ter um I Phone de última geração? Ah… mas é importante postar isso com um baita sorriso. Será? Temos que definir o que é realmente prioridade”, diz Janaína, que comemora o fato de que a matéria planejamento financeiro, por decisão do MEC, será inserida no currículo da rede de ensino básico.

Para a economista, a orientação dos pais e da escola em relação à questão financeira é fundamental para que as futuras gerações consigam dar um destino mais consciente ao dinheiro e, consequentemente, valorizem o trabalho, que é a origem natural do que se ganha. “Estamos educando muito mal nossos filhos. Claro que queremos dar o melhor, mas nada do que vem muito fácil é valorizado. Lutamos muito para construir nosso legado. Se os jovens não aprendem a lutar para ter, não teremos sequer o direito de morrer”, acredita.

Cauê Campos

O jovem ator Cauê Campos, de 17 anos, que viveu o Feijão na novela ‘Sétimo Guardião’, valoriza muito o seu dinheirinho suado. “Eu guardo quase tudo. Na verdade eu tiro uma partezinha beeem pequena pra pagar algumas coisas e pra ter um pouquinho pro mês, caso eu dê uma saída ou algo assim. E quero muito começar a investir! Mas, por enquanto, sigo apenas guardando e planejando gastar o mínimo sempre”, diz o ator, que recebe as sábias orientações da mãe, Fátima, também mãe do ator Cadu Paschoal, de 22 anos.

Cauê e sua mãe, Fátima

“Sempre ensinei a eles que nem tudo que a gente vê precisa comprar. Eu vivia com muito menos que eles têm hoje e sempre fui muito feliz. Os dois investem muito nas carreiras deles, fazendo cursos relacionados à profissão, inglês… E, por lei, 40% de tudo que ganham vai para a poupança. Gastam com um cinema, uma saída, são jovens. É normal. Mas são bem conscientes”, conta.

Janaína Calvo explica que o primeiro passo é fazer ‘a conta fechar’. “Cortar mesmo. Não tem jeito, pois é mais fácil deixar de gastar do que ganhar mais. Diminui o plano do celular, troca a TV a cabo por uma assinatura basicona do Netflix… Se você economiza 10% do que ganha durante um ano, esta economizando um ano de sua vida. É a sua liberdade financeira. E só após esse período podemos realmente começar a investir. Menos que um ano é pura especulação. E investir em causas sociais é um alimento para a alma. É preciso deixar algo para o mundo, o exercício da doação é primordial”, ensina.

Lucas e Franciely Freduzeski

Mãe precavida, atriz Franciely Freduzeski abriu uma conta bancária para o filho Lucas, hoje com 16 anos, assim que o menino nasceu. Quando foi crescendo, cada vez que ia pagar uma compra, ela o ensinava a contar o dinheiro e o deixava pagar algumas coisas para o menino entender os valores, além de ressaltar a importância de ter uma casa própria, plano de saúde, priorizar a educação… De gastar, mas também poupar. “Hoje ele joga futebol na base do Atlético Paranaense, recebe um salário, administra seu dinheiro muito bem, guarda mais da metade e tem noção do que é prioridade”, conta.

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