América do Sul em luta: chegou a vez da Colômbia

Por Sandro Barros

Após Equador, Chile e Bolívia, chegou a vez da Colômbia registrar grandes manifestações contra o governo. No dia 21 de novembro foi realizada uma greve geral e protestos contra a política econômica do presidente Iván Duque. De acordo com a revista Forum, mais de um milhão de colombianos tomaram as ruas, sendo que as principais mobilizações aconteceram em Medellín, Cali, Barranquila e Bogotá, que reuniram, cada uma, mais de 100 mil pessoas.

As manifestações aconteceram nas principais cidades do país e, diante da insatisfação popular, as Forças Armadas entraram em alerta. Em Cali, houve forte repressão da polícia contra manifestantes e, na sequência, o prefeito decretou toque de recolher.

Segundo algumas das organizações sociais envolvidas na mobilização, a greve tem o objetivo de repudiar a reforma trabalhista de Duque, que avança na redução de salários para os jovens, bem como a reforma previdenciária, que coloca em risco os idosos. Os manifestantes criticam ainda a corrupção no país, as privatizações e a intenção de reduzir impostos sobre grandes empresas, ao mesmo tempo em que o governo pretende aumentar impostos para os trabalhadores.

A greve geral se estendeu até o final da noite com uma série de panelaços. A mobilização para o panelaço foi feita via redes sociais. De acordo com El Tiempo, o panelaço mobilizou novamente vários manifestantes, que voltaram a sair às ruas. Já em Cali, onde um toque de recolher estava vigente desde as 19h, a população saiu nas janelas e varandas das casas para bater panelas sem descumprir a ordem de não sair à rua. E na noite do dia seguinte, 22 de novembro, centenas de pessoas desafiaram o toque de recolher imposto pelas autoridades em Bogotá e realizaram atos em diversos pontos da capital.

As recentes e amplas demonstrações de insatisfação com as políticas do governo levaram o presidente colombiano a convocar um “diálogo nacional” com todos os setores da sociedade, numa tentativa de apaziguar os ânimos. Ao se pronunciar sobre a greve geral, Iván Duque voltou à TV e disse que “hoje, os colombianos falaram. Estamos escutando”. No entanto, quase metade do discurso do presidente foi sobre violência em determinados protestos, em que pese o fato de que foi o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad) da Polícia Nacional quem reprimiu com força algumas das mobilizações.

Desde a paralisação cívica de 1977, os trabalhadores colombianos não faziam greve nacional. E não foi por falta de motivos, já que o país possui um dos salários mínimos mais baixos da América do Sul – e que nem todos os trabalhadores ganham –, desemprego acima de 10% e a informalidade acima de 55%, e menos de 20% dos adultos em idade de aposentadoria tem o benefício.

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