Bloco da Favorita abre o de carnaval no Rio, mas festa termina com tumulto

Festa de abertura dos 50 dias do Carnaval Rio 2020 na praia de Copacabana

A festa oficial de abertura do Carnaval do Rio, que teve como grande atração o Bloco da Favorita foi recheada de samba e alegria, mas o terminou com tumulto no domingo, dia 12, na Praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. O evento começou às 15h e a confusão foi registrada cerca de uma hora depois do fim do show, que atraiu cerca de 300 mil pessoas. A multidão acompanhou na maior empolgação os shows de Preta Gil e Sandrá de Sá, além da eleição do Rei Momo e a corte do Carnaval.

Segundo relatos, o problema começou quando a Polícia Militar e a Guarda Municipal chegaram para dispersar o público que ainda estava na areia. Pessoas começaram a atirar garrafas de vidro e pedras em direção aos veículos das corporações. Os agentes responderam com bombas de lacrimogêneo e houve correria e confusão. Circulam na mídia e nas redes sociais, informações, inclusive, sobre pessoas desaparecidas, como a jovem Ana Clara Santos, de 15 anos. Ela estava com amigos na altura do Copacabana Palace e, até a manhã desta segunda, 13, a família e amigos não tinham notícias de Ana. Mas ,em conversa com o Diário do Rio, já na tarde do dia 13 de janeiro, a mãe da jovem informou que ele já havia aparecido. “Nem sei onde ela se meteu desde ontem. Não tive cabeça pra saber ainda. Que susto essa menina me deu. É preciso ter cuidado com os jovens em meio a esses blocos. Muito tumulto”, declarou Joseane Santos.

A cantora Sandra de Sá, se apresenta na festa de abertura dos 50 dias do Carnaval Rio 2020, na praia de Copacabana

O Bloco da Favorita, que tem o funk como seu ritmo predominante, desfilou pela primeira vez no Rio de Janeiro em 2013. Em suas apresentações, há sempre convidados especiais. Neste ano, subiram ao palco as cantoras Preta Gil e Sandra de Sá, o cantor Toni Garrido, a Banda de Ipanema e variados MCs. O bloco também está agendado para o carnaval de São Paulo, no dia 15 de fevereiro. Detalhes dessa apresentação ainda são mantidos em sigilo. “Teremos algumas surpresas”, diz a empresária e promoter do bloco, Carol Sampaio.

Carol se disse realizada com a oportunidade de poder abrir o carnaval carioca. “É uma honra. Acho que nunca sonhei ter o palco do réveillon de Copacabana só para o Bloco da Favorita e seus convidados poderem fazer uma festa para a cidade. Sou apaixonada pelo Rio”.

Rei Momo, Rainha do Carnaval e princesas

Antes do início dos shows, foram apresentados os candidatos que chegaram à final do concurso da Corte Real da Folia, com a escolha do Rei Momo, da Rainha do Carnaval e das duas princesas. Os votos dos jurados foram apurados enquanto o funk já agitava do público e o resultado foi anunciado por volta de 18h, durante intervalo dos shows. Foi a primeira vez que a final do concurso ocorreu na praia. Geralmente ele é realizado na Cidade do Samba, acompanhado por um número bem menor de pessoas.
Foram eleitos Djeferson Mendes como Rei Momo, Camila Silva como Rainha do Carnaval, Deisiane Conceição de Jesus e Cinthia Aparecida Martins de Oliveira como princesas. Os candidatos foram avaliados em diversos quesitos como desembaraço, sociabilidade, simpatia, espírito carnavalesco e domínio da arte de sambar. A premiação prevista era de R$30 mil para Rei Momo e Rainha do Carnaval. Já as duas princesas levam R$ 22,5 mil e o Vice-Rei fica com R$ 3,5 mil.

A cantora Preta Gil agitou a multidão na Praia de Copacabana

Veto e liberação

A atração chegou a ser vetada. Há cerca de uma semana, a Secretaria Estadual de Polícia Militar negou à organização do bloco a autorização para que o desfile parado ocorresse. O embargo foi justificado com base no Decreto Estadual 44.617/2014, que exige o protocolo com 70 dias de antecedência dos requerimentos de autorização para a realização de eventos de grande porte. A pasta, no entanto, voltou atrás e anunciou na última quarta-feira (8) que a atração estava liberada após o bloco atender algumas exigências.

Houve ainda uma tentativa de suspensão do evento por parte do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Foi pedida uma liminar por meio de uma ação civil pública ajuizada na sexta-feira (10). Na ótica do MPRJ, a realização do evento não cumpria requisitos legais, o que poderia acarretar riscos ao patrimônio público e à integridade física.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), no entanto, indeferiu o pedido de liminar. O juiz Marcelo Martins Evaristo, titular da 9ª Vara de Fazenda Pública, considerou não ser habilitado para apontar ilegalidade ou insuficiência das medidas adotadas pelas autoridades competentes com vistas à garantia da segurança do evento.

O Bloco da Favorita já não havia desfilado no ano passado por falta de acordo com os órgãos públicos sobre o local da apresentação. Para a empresária e promoter do bloco, Carol Sampaio, com diálogo, foi possível achar uma solução neste ano. Ela avalia que o prazo de 70 dias exigido é muito rigoroso. “É humanamente impossível para qualquer evento. É muito antecedência muito grande e precisamos de liberação da prefeitura e do governo. Não é um processo unificado. Nesse caso, nós fomos convidados para fazer esse evento em dezembro. Então não era nem possível dar entrada no pedido em tempo útil”. Também presente no evento, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, disse que a estatal municipal “respeita todos os órgãos públicos que são soberanos na questão de segurança”.

Fotos: ABr.

.
EDITORIAS