Crise da água: Witzel demite diretor e quer privatizar Cedae ainda em 2020

Em meio à crise gerada pelas reclamações quanto ao fornecimento de água no Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel anunciou nesta sexta-feira,17, detalhes sobre como pretende conceder a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) à iniciativa privada.

O serviço prestado pela empresa vem sofrendo críticas pelas alterações de odor e paladar causadas pela presença da substância geosmina na água, e o diretor de Saneamento e Grande Operação da companhia, Marcos Chimelli, foi exonerado nesta sexta-feira. O problema passou a ser investigado pela Polícia Civil, que ouviu hoje funcionários da Cedae na Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados.

O governador levantou a hipótese de que a falha ter sido em razão de interesses contrários ao próprio leilão de concessão. “Por isso, a Polícia Civil está investigando”, disse Witzel por meio de nota.

Em comunicado à imprensa, o governo do estado informou que Witzel se reuniu nesta sexta-feira com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Palácio Guanabara, sede do governo do estado, e discutiu medidas e prazos para a concessão, que deve ser feita ainda este ano.

A forma de concessão proposta pelo BNDES ainda precisa ser aprovada pela Câmara Metropolitana e por prefeituras do interior do estado, com as quais o governador deve se reunir nos próximos dias. Já o banco começará em fevereiro uma rodada de visitas a investidores no exterior para atrair potenciais interessados.

Concessão em blocos

Pelo modelo, a Cedae continuará responsável pela produção de água nos sistemas Guandu, Imunana-Laranjal e Lajes. A empresa estadual vai vender a água tratada para as concessionárias, que farão a distribuição nos 13 municípios da Região Metropolitana do Rio. Os demais sistemas de captação e tratamento de água serão operados diretamente pelas empresas privadas.

As futuras concessionárias devem fazer investimentos de R$ 32 bilhões ao assumir por 35 anos os quatro blocos em que serão divididos os 64 municípios atendidos pela Cedae. Cada bloco também terá uma parte do fornecimento de água na capital.

Os contratos vão exigir que as concessionárias levem 100% de abastecimento de água e 90% de esgotamento sanitário a suas regiões nos primeiros 20 anos de prestação de serviço. Para tal, serão necessários R$ 11,9 bilhões de investimentos em água e R$ 20,7 bilhões em esgoto.

Gosto de terra

Estação Guandu: qualidade da água sob suspeita

Desde o início do ano, moradores da região metropolitana do Rio vêm reclamando da qualidade da água distribuída pela companhia, que já identificou que o problema é causado pela presença de geosmina. A substância produzida por algas não traz prejuízos à saúde, mas altera o gosto e o cheiro da água, que ficam semelhantes aos de terra. Para resolver o problema, a Cedae está se preparando para usar carvão ativado na Estação do Tratamento de Água (ETA) Guandu na semana que vem.

Moradores também têm postado fotos e reclamado de água turva, mas, em uma entrevista coletiva à imprensa, o presidente da companhia, Hélio Cabral, atribuiu o problema à falta de limpeza das caixas d’água dos usuários.

Novos equipamentos com carvão ativado começam a chegar ao Rio

O primeiro dos três caminhões com o maquinário que vai ser utilizado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) para aplicar carvão ativado na água, método para combater a presença de geosmina, chegou na manhã dessa sexta-feira, 17, à Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, na Baixada Fluminense. Mais dois caminhões devem chegar ainda neste fim de semana à estação da Cedae.

Além da montagem dos equipamentos, é necessário esperar também a chegada do carvão ativado, que sairia do estado do Paraná ao meio dia dessa sexta. A utilização do carvão na caixa de chegada da estação de tratamento ocorrerá até a próxima semana.

Fotos: A.Br

.
EDITORIAS