Delação aponta caixa dois na campanha de Witzel a governador

Foto: Fotos Públicas

Da Redação

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi citado em uma delação premiada no âmbito da Operação Calvário, que mira em um suposto esquema de corrupção na Paraíba e abriu frentes de investigação na política do Rio e de São Paulo. Os relatos foram publicados no jornal O Estado de São Paulo em 10 de janeiro.

Um acordo de colaboração premiada citou um suposto caixa dois de R$ 115 mil na campanha do chefe do Executivo fluminense, além de propinas aos ex-deputados Cândido Vaccarezza (Avante) e Leonardo Picciani (MDB), que envolveram o lobista Jorge Luz, delator da Operação Lava Jato. O lobista disse ter estabelecido uma “relação de confiança” com Robson dos Santos França, o Robinho, então assessor do senador Arolde de Oliveira, ex-secretário de Transportes do Rio, e teria tratado com ele “em diversos períodos eleitorais sobre ajuda financeira”.

Em outubro de 2018, no segundo turno, o delator afirmou que foi procurado por Robson, que pediu recursos à campanha de Witzel. “Ouvi Robinho pedir a Daniel uma ajuda para a campanha de Wilson Witzel (ou seja, mais dinheiro), que ele seria muito grato, pois estava na reta final da campanha e precisando muito de recursos”, narra. “Me recordo que, naquele ano, Robson me ajudou a receber de maneira mais célere créditos junto àquela Secretaria [Transportes]”, afirmou. O Núcleo de Imprensa do governo do Rio negou a veracidade das denúncias.

O envolvimento do nome de Witzel acontece em um momento de tensão entre ele e Jair Bolsonaro. O presidente vem acusando o governador do Rio de ter envolvido seu nome e o de seus filhos na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, além de ter vazado informações. Há ainda uma disputa eleitoral, uma vez que Witzel também quer concorrer à presidência em 2022.

No Rio de Janeiro, onde vários ex-governadores já foram presos por corrupção, o eleitor votou no ex-juiz Witzel apostando em alguém que não estivesse envolvido em transações ilícitas. Cabe agora a apuração rigorosa da denúncia contra ele e, caso confirmada, que ele seja punido exemplarmente.

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