Dessa água não beberei…

Foto: Reprodução da internet

Da Redação

Era só o que faltava. Além de a população do Rio ter que se desviar das balas perdidas, andar alerta para não ser vítima de violência e lutar para conseguir atendimento médico no caos atual do sistema de Saúde, ainda precisa gastar dinheiro com algo que deveria ser um direito básico: a água. Por conta da qualidade da água que a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) tem fornecido nos últimos dias, são fortes as suspeitas de contaminação, já que o líquido — que deveria ser inodoro e incolor — tem apresentado, em vários bairros e municípios, aspecto turvo, gosto de terra e até exalando cheiro forte.

De acordo com a Cedae, o problema foi causado pela presença da geosmina, substância orgânica produzida por algas, e que, segundo a companhia, não representa nenhum risco à saúde dos consumidores. No último dia 9 e janeiro, a empresa garantiu que “todos os testes realizados apontam que a água está dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde, e própria para o consumo”. Ainda assim, informou que adotaria, em caráter permanente, a aplicação de carvão ativado pulverizado — mais eficaz na filtragem — no início do tratamento.

Muitas pessoas têm relatado episódios de diarreia e náusea, entre outros sintomas. “Acredite na sua percepção. Coloque a água em um copo transparente e observe. Se ela possuir cor ou odor estranhos, não beba. Essa água não é potável”, explica o professor Gandhi Giordano, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Faculdade de Engenharia da UERJ, pesquisador do controle da poluição e tratamento da água.

O especialista recomenda o consumo de água mineral até que a situação seja normalizada. “Dependendo do estado da água, até escovar os dentes pode conter riscos de contaminação”, alerta. As doenças mais comuns ligadas à contaminação da água são a gastroenterite, verminoses e doenças de pele.

Escaldada com tantos problemas, a população vem seguindo essa orientação e recorre ao consumo de água mineral. E aí, além do gasto extra, ainda se vê à mercê dos espertalhões, que se aproveitam da situação para aumentar indiscriminadamente o preço do produto, que já começa a faltar em muitas prateleiras de mercados. Ou seja, a via crucis da população só aumenta e a posição dos gestores públicos quanto ao fornecimento de serviços básicos continua num misto de irresponsabilidade e descaso. Haja paciência!

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