O sonho de ser bailarina pode virar real em todas as idades

Fotos: Divulgação

Por Claudia Mastrange

Umas pedras no caminho que ela foi carregando com dificuldade, mas acabou transformando em um castelo. Assim foi a caminhada da professora de dança Lene Werneck, que comanda o projeto ‘Bailalindas’, com aulas de balé para pessoas de todas as idades. “Há aquelas que sonharam em se tornar bailarinas e que acreditam ‘não ter mais idade’; há quem queira ter uma atividade e se movimentar. E há ainda os que precisam se exercitar para recuperar a saúde… O importante é saber que todos podem”, afirma Lene.

Ela mesma é o maior exemplo de superação. Começou a dançar jazz com 10 anos e, apenas com 15 iniciou o balé. “Fui para o tradicional Centro de Dança Rio, no Méier. Me apaixonei e me dediquei ao máximo para me tornar profissional. O que as meninas se dedicam em vários anos, tive que fazer em dois ou três, já que comecei meio tarde”, conta.

Formada, Lene começou a dançar, mas por volta dos 24, 25 anos começou a se machucar muito. “O corpo sentiu todo aquele esforço. Eu vivia enfaixada. Os médicos nem sabiam mais o que fazer comigo. Tive então que me aposentar aos 26 anos”, conta ela, que foi se dedicar ao teatro e trabalhar com produção e cinema.

O fato é que a vida foi seguindo e Lene enfrentou alguns problemas de saúde. “Diabética, hipertensa, depressiva, desidratada, cheguei a pesar 125 kg e tive que fazer uma cirurgia bariátrica”, lembra. Mas a condição para a cirurgia era manter uma rotina de exercícios após a intervenção. Ela então resolveu voltar à dança. E dando aulas, para não correr o risco de desanimar e começar a faltar.

‘Se faço developé, posso trabalhar na minha empresa’

E a volta beneficiou não só a ela, mas a dezenas de outras pessoas que, ao sonho de fazer dança, uniram aumento da autoestima, alegria, disposição e motivação para novos projetos de vida. “Depois de oito meses de aula, a psicopedagoga Ângela, de 73 anos, me avisou que iria deixar o balé para voltar a trabalhar. Ela disse ‘se levanto a perna e faço ‘developé’, posso trabalhar na minha empresa”, conta Lene.

“O balé adulto, foi, para mim, um reencontro, não só com a criança, aprendiz de bailarina, que ficou tantos anos atrás, mas principalmente com a feminilidade e delicadeza julgadas perdidas com o passar dos anos. Obrigada Lene, por me trazer de volta”, diz Nara Azevedo, 64 anos. Já Setsuko Hashimoto conta que o primeiro contato com o balé foi no momento mais depressivo, quando o seu marido faleceu. “Fiquei apaixonada. Porque me deu autoestima, equilíbrio, movimento corporal, retenção urinária, superação e orgulho de dizer que aos 72 anos estou tendo aula de balé… Algo inimaginável na minha vida. Sou ‘Bailalinda’ e sou feliz”, conta.

Celisa Diuana (esquerda) e Lene Werneck: paixão pela dança

“É muito bom fazer parte de um processo de empoderamento dessas mulheres, ajudá-las a realizar um sonho”, conta Lene, que programa esporadicamente o passeio ‘Natureza com Balé’, com aulas gratuitas ao ar livre, em locais como a pista Claudio Coutinho, Parque Guinle e Praça dos Cavalinhos. “Em março será na Floresta da Tijuca. Só acompanhar pelo nosso Instagram [@soubailalinda]”, conta Lene.

As aulas de balé para adultos acontecem no Espaço Ballet Celisa Diuana (Rua Conde de Bonfim 685, sobreloja 208, Tijuca), no estúdio de propriedade da bailarina Celisa Diuana, formada pela Escola de Danças Maria Olenewa e pela Escola Vaganova em São Petesburgo, Rússia, e que dançou 14 anos no Royal Ballet de Londres. “Nossa missão é trazer a felicidade para as pessoas. Eu com as crianças e a Lene com os adultos. Muitos não tiveram a oportunidade de dançar e agora realizam um sonho. É muito gratificante”, diz Celisa.

 

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