Confira quais países estão liderando as pesquisas de vacina contra o coronavírus

Quando você imaginou que as autoridades do mundo todo iriam implorar para que as pessoas ficassem de quarentena voluntária dentro de suas casas?

Os coronavírus são uma ampla família de vírus, mas sabe-se que apenas seis deles (com o novo descoberto são sete) infectam humanos, o que nos leva ao novo coronavírus, apresentado como SARS-CoV-2.

O novo coronavírus, que de início pode parecer apenas um resfriado, surgiu, até onde sabemos, na China, no início de dezembro de 2019, na província de Wuhan em uma feira de animais e, após os primeiros casos, o vírus, que possui alto grau de contágio, logo se espalhou entre as pessoas do país causando a covid-19, doença que já matou mais de nove mil pessoas ao redor do mundo.

O vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar, e pode evoluir para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave ou ainda, causar insuficiência renal. Sintomas que assustam e mantêm em trabalho pesado empresas farmacêuticas e cientistas do mundo todo em busca de uma vacina capaz de evitar a covid-19.

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que houve grande avanço nos últimos dias. “O primeiro teste da vacina foi realizado apenas 60 dias após o compartilhamento da sequência de genes do coronavírus. Essa é uma conquista incrível”, disse.

Saiba quais os países que estão liderando as pesquisas de vacina contra o coronavírus:

Estados Unidos

Terça-feira (17) o ministro da saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, informou que os Estados Unidos estão realizando testes nas primeiras pessoas a fazerem o uso de uma vacina contra o coronavírus. O ministro disse que as “vacinas não são fáceis, mas são a melhor solução para lidar com vírus“.

Com mais de sete mil casos registrados, as autoridades estadunidenses informaram, nesta segunda-feira (16), que voluntários de Seattle, um dos estados mais afetados pelo coronavírus, começaram a ser imunizados.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), esse primeiro teste faz parte de um estudo que acompanhará 45 voluntários, pessoas saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, e deve durar ao menos seis semanas.

Outra empresa americana, a Inovio, está criando uma vacina baseada em DNA e comunicou que iniciará testes clínicos no próximo mês.

China

De acordo com o Ministério de Defesa Nacional chinês, os cientistas da Academia de Ciências Médicas Militares da China, ligada ao Exército, receberam a aprovação para realizar os primeiros testes clínicos em humanos ainda esta semana.

Segundo o comunicado, a vacina foi aprovada nos quesitos segurança, eficácia e qualidade e as preparações iniciais para produção em massa já foram concluídas sob supervisão da pelo major general bioengenheiro Chen Wei.

Com cerca de 80 mil casos confirmados nesta quinta-feira (19), Chen Wei e sua equipe começaram a trabalhar no final de janeiro em uma nova vacina de subunidade (costumam ter entre 1 a 20 partes do mesmo do vírus), um tipo mais seguro que as vacinas atenuadas ao vivo, as quais possuem o vírus enfraquecido.

Cuba

De acordo com o jornal O Globo, Cuba está trabalhando em um antiviral chamado cigb 210. Além de juntar forças com o governo chinês para a produção do Interferon alfa 2B (IFNrec), um dos 30 medicamentos escolhidos pela Comissão Nacional da China para ajudar na cura do problema respiratório causado pelo coronavírus.

O curioso é que o medicamento desenvolvido em Cuba, o IFNrec não é novo e já é usado no combate a outras doenças virais como o HIV e a hepatite. O Interferon alfa 2B tem sido produzido desde janeiro na fábrica Changheber instalada em Jilinm, na China e conta com o uso da tecnologia cubana.

Segundo o consultor científico da BioCubaFarma, responsável pela fabricação do remédio, a escolha desse medicamento se deu pela sua eficácia contra outros vírus com características semelhantes.

Além do IFNrec, o Centro Cubano de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) está trabalhando em um design de vacina que pode ser usado contra o novo coronavírus.

Utilizando a plataforma da CIGB, onde trabalhos com partículas similares ao vírus já foram realizados, pesquisadores cubanos ganham uma grande capacidade de estimular o sistema imunológico das pessoas infectadas.

O cientista Gerardo Guillén detalhou que levou às autoridades chinesas a proposta de realizar a vacina em conjunto com o centro misto de pesquisa e desenvolvimento, localizado no gigante asiático.

Segundo Guillén, após a pandemia (pela primeira vez, hoje a China não registou novas infecções por coronavírus), a instituição tem experiência em trabalhar com o novo vírus, além de possuir laboratórios de alto nível de contenção.

Brasil

No Brasil, onde há mais de 600 casos e sete mortes confirmadas, a vacina está sendo desenvolvida por pesquisadores na Universidade de São Paulo (USP) desde que se soube do vírus por aqui, graças a estudos prévios sobre outros tipos de coronavírus.

O professor Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), explica que o método usado no projeto da vacina impede a penetração do vírus nas células, por meio de anticorpos bloqueadores.

Com uma partícula muito parecida com o coronavírus, o VLP (virus-like particle, em inglês) é como se fosse um vírus oco, sem o material genético e, portanto, sem a transmissibilidade da doença, o que torna seguro usar em vacinas.

“Colocamos as partes do coronavírus que são importantes para desencadear uma forte resposta do sistema imunológico, para emitir os anticorpos bloqueadores e impedir o vírus de penetrar nas células”, explica.

Alemanha

Com 13 mil casos confirmados, a Alemanha ganhou destaque com a produção de uma vacina contra o covid-19 feito pelo laboratório alemão CureVac, situado no sudoeste do país.

O laboratório, que também tem sede em Boston e Frankfurt, nos Estados Unidos, trabalha hoje na fabricação de uma vacina contra o coronavírus em colaboração com o Instituto Paul Ehrlich, vinculado ao Ministério da Saúde alemão.

A empresa, que recentemente afirmou estar a alguns meses” de ter uma vacina experimental e, em seguida, obter aprovação para testes em pessoas, foi alvo de polêmicas com o presidente estadunidense, Donald Trump.

Segundo o jornal alemão Die Welt, Trump tentou “convocar” os cientistas alemães que trabalham na possível vacina ou obter exclusividade do produto para os EUA através de um investimento na empresa.

Com informações do Opera Mundi

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