Coronavírus atinge todos os países da União Europeia

Gregos cipriotas protestam contra fechamento de fronteiras por coronavírus (Foto: Reprodução)

O coronavírus Sars-Cov-2 oficialmente se espalhou por toda a União Europeia (UE). O Chipre confirmou nesta terça-feira (10) os dois primeiros casos de covid-19 – o país insular no Mar do Mediterrâneo era o último do bloco europeu sem casos confirmados.

Trata-se de um médico de 64 anos, que havia retornado recentemente do Reino Unido, e de uma turista alemã de 65 anos, que estava num grupo de 30 turistas vindos de Balingen, no sul da Alemanha, e que haviam chegado ao Chipre no domingo (8).

Os turistas foram colocados em quarentena num hotel em Famagusta, no norte da ilha, segundo comunicado do ministro cipriota turco da Saúde, Ali Pilli, que acrescentou que a turista infectada estava em boas condições e ainda em tratamento médico.

Na Itália, o país europeu mais afetado pelo coronavírus, o governo alocou cerca de 10 bilhões de euros para impulsionar sua economia e combater os efeitos da quarentena imposta em todo o território aos 60 milhões de cidadãos do país. De acordo com o ministro do Desenvolvimento Econômico, Stefano Patuanelli, a medida fará com que o déficit nacional suba para pouco menos de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além disso, o governo italiano anunciou a suspensão dos pagamentos de hipotecas em toda a Itália. “Sim, será esse o caso de indivíduos e famílias”, disse a vice-ministra da Economia, Laura Castelli, em entrevista à Rádio Anch’io, quando questionada sobre a possibilidade.

A Associação Italiana de Bancos (ABI), lobby bancário da Itália, comunicou na segunda-feira (9) que credores que representam 90% do total dos ativos bancários do país oferecerão moratórias de dívidas a pequenas empresas e famílias que enfrentam as consequências econômicas do surto de Sars-Cov-2 na Itália.

Com 9.172 casos registrados e 463 mortes, a Itália figura na segunda colocação mundial na quantidade de infecções confirmadas, atrás apenas da China, que atingiu a marca de 80.924 infecções, segundo dados de segunda-feira da Organização Mundial da Saúde (OMS). O país europeu já era a nação mais letal do coronavírus fora da China e ultrapassou a Coreia de Sul em números de casos. O país asiático espera ter passado do pico de infecções e registra atualmente 7.513 casos.

A companhia aérea britânica EasyJet cancelou a maioria de seus voos com destino e saída de Milão, Verona e Veneza.

O segundo país europeu com mais casos é a França, com 1.412 infecções computadas e 30 mortes divulgadas nesta terça-feira. Em Paris, dois dos principais candidatos nas eleições municipais de domingo cancelaram seus comícios finais em resposta às novas imposições do governo federal, que proíbem aglomerações de mais de mil pessoas. A Grande Mesquita de Paris, por exemplo, comunicou o cancelamento das orações de sexta-feira até novo aviso.

O Ministério do Interior da França incentivou pessoas vulneráveis e isoladas a votar por procuração nas eleições. No leste do país, os locais de votação planejam medidas extras, incluindo limpeza frequente e fornecimento de luvas descartáveis.

A Alemanha é o terceiro país europeu mais afetado pelo surto. Nesta terça-feira, o estado da Saxônia-Anhalt divulgou que há quatro pessoas infectadas com o Sars-Cov-2 na região, o que faz com que agora haja casos confirmados em todos os estados federados alemães. O número de resultados positivos subiu de 1.139 na segunda (8) para 1.218 na terça-feira (9).

O ministro da Saúde, Jens Spahn, afirmou que o surto de coronavírus não atingiu seu auge no país e que outras restrições à vida cotidiana devem ser implementadas. “O objetivo principal é retardar o surto”, escreveu Spahn num artigo como autor convidado para o tabloide Bild, na segunda-feira, dia em que foram confirmadas as duas primeiras mortes por covid-19 na Alemanha.

O presidente do Instituto Ifo de Pesquisa Econômica, uma instituição baseada em Munique, disse que uma recessão relacionada ao coronavírus pode ser “inevitável” na Alemanha. “Há algumas indicações de que uma recessão é iminente”, disse Clemens Fuest, ao diário alemão Augsburger Allgemeine. “Infelizmente, muitos virologistas estão dizendo que o surto pode diminuir no verão, mas voltar no outono. Nesse caso, uma recessão seria inevitável.”

*Com informações da agência Deutsche Welle

EDITORIAS