Destruíram um pedaço da memória da aviação brasileira

A destruição do DC-3 VBF na área industrial do Galeão ocorreu no último dia 31 de janeiro, hoje considerado o dia da vergonha. Uma execução considerada criminosa, lamentável e covarde que junto sepultou parte do início da história da aviação brasileira. A sentença de morte desta aeronave foi decretada em um oficio datado de 29 de novembro de 2019, que doava este equipamento histórico da VARIG para o MUSAL (Museu da Aeronáutica).

O Museu responde nesse ofício que internamente, sem ouvir de nenhum outro setor da sociedade, “foi decidido que não há interesse nessa aeronave aposentada devido ao alto custo de recuperação. Contudo, se for descartada para reciclagem poderia, talvez, considerar algumas partes. ”

Reciclagem? Como se recicla uma história? Se essa é a resposta e atitude de quem seria o maior interessado em manter a biografia da aviação brasileira… Toda a destruição dessa peça histórica se deu em 24hs. Aos amantes da aviação é admissível considerar que tenha sido uma execução sumaria de uma parte da história.

Recentemente um avião P-47 B4 foi completamente restaurado, com o motor funcionando, tudo com o suporte de contribuições de civis, provando que a parceria monetária privada existe e que é totalmente possível sim a recuperação de uma aeronave.

 

Além do Estado existem outras formas de contribuição financeira para manter o histórico da aviação brasileira, como: empresários privados, aposentados da aviação, voluntários, ex-combatentes, além de doações de civis e de todos  os interessados em manter viva essa memória.

Mas por que gastar dinheiro com isso? Se há tanta gente com fome… Todo o fato histórico está intrinsecamente ligado à educação, que é a responsável pelo fomento no interesse dos jovens famintos em sair da miséria. Não investir na história pelo custo financeiro é um pensamento mesquinho, pequeno, de quem quer ver o nosso pais pequeno. Felizmente é uma minoria que pensa assim.

Alguns burocratas só têm o poder da caneta, são incapazes de criar, não conhecem absolutamente nada de coisa alguma. Foram os responsáveis pela destruição da Arte com a perda da história da humanidade no incêndio do Museu Nacional da Quinta da Boavista, no Rio, e agora também na aviação, destruindo uma ilustre, sublime, eximia peça de engenharia.

Os responsáveis devem ser punidos, se assim for o entendimento das regras jurídicas. Mas essa não é a mais efetiva solução. Em relação a nossa Aeronáutica, que carrega no sangue a constante evolução, é preciso que haja mudanças e correções na condução da nossa sociedade e também militar, que carrega com mérito tantos elogios, para que essas aberrações jamais aconteçam novamente.

Deixem os nossos aviadores e demais profissionais da aviação cuidarem da história dos aviões aqui no Brasil.

Foto: Reprodução

 

Sérgio Vieira – Engenheiro e Jornalista – MTb 38648RJ

sergio.vieira@diariodorio.com.br

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