Doces Morro Azul

Fotos: Vitor Chimento / Diário do Rio

Uma receita de mais de 60 anos e com um ingrediente principal: perseverança   

Morro Azul é um pequeno distrito do município de Engenheiro Paulo de Frontin − na divisa com a cidade de Miguel Pereira −, que no período do Ciclo do Café viveu um momento de expansão. Neste período, várias fazendas foram construídas e que produziam, entre outras iguarias, doces e licores. Sempre despertou a atenção de turistas nacionais e estrangeiros que chegavam à região em busca das belezas naturais  e da tranquilidade.

Foi neste pacato local que, nos anos 50, com apenas 10 anos de idade, Zezinho, acompanhado de sua família, desembarcaram vindos de Minas Gerais. Começou como ajudante numa fábrica de doces caseiros feitos em grandes tachos de cobre e que pertencia a uma parente próxima. Ajudava na produção e na distribuição dos doces por toda a região usando a Maria Fumaça− que fazia a ligação Governador Portela a Vassouras − e que passava às portas da casa de Doces Morro Azul. Começava uma história de muito sucesso, de perseverança e de tradição.

Foto: Vitor Chimento / Diário do Rio

Aos 20 anos, Sr. Zezinho, como já era conhecido, tocava sozinho o negócio e acreditava na continuidade de um sonho, construindo a segunda sede de Doces Morro Azul, respeitando exatamente a receita original e aumentando, assim, sua produção. Contava apenas com a ajuda da família, principalmente de Dona Nair, sua companheira.

Nos anos 70, Doces Morro Azul teve sua produção aumentada devida a uma grande demanda, tendo assim que contratar pessoas para poder atender aos pedidos. Mas não perdeu com isso o espírito de empresa familiar que sempre dominou a fábrica.

Dos três filhos que teve, Sr. Zezinho encontrou em sua filha Nara a cúmplice ideal. Seguindo os passos do pai, com dedicação, empenho e empreendedorismo, Nara ampliou, inovou e construiu a terceira sede e um empório, onde seus produtos são expostos para venda. Ela contou ao jornal Diário do Rio que se emociona todas as vezes em que uma nova etapa de produção se inicia, nos mesmos moldes de como era feito pelo há mais de 60 anos.

Fotos: Vitor Chimento / Diário do Rio

Os doces produzidos, além das normas básicas exigidas de qualidade e higiene, trazem um sabor especial da roça, o cheiro da infância e a satisfação de ver e comprovar que a receita de perseverança, de amor e respeito aos ensinamentos do grande mestre doceiro, o Sr. Zezinho, não tem como dar errado.

Morro Azul está a 100 km da cidade do Rio de Janeiro e fica na Travessa João Batista Goulart, nº 41. Todos que forem lá serão recebidos por Nara, que tem um grande prazer em contar essa história e mostrar como se dá o processo de fabricação, além de também poder adquirir seus produtos.

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