Temporal deixa rastro de destruição e mortes no Rio de Janeiro

Carros e casas destruídos: saldo da enxurrada (Agência Brasil)

Da Redação

As fortes chuvas que atingiram o Rio deixaram mais uma vez, um rastro de destruição e mortes. No total, cinco pessoas perderam a vida durante o temporal que se iniciou na tarde de 29 de fevereiro e seguiu pelo dia 1º de março. Na Baixada de Jacarepaguá, na Zona Oeste, onde as chuvas ocorreram com mais intensidade, foram duas vítimas; uma em Mesquita, na Baixada Fluminense, e outra em Acari, na Zona Norte.

Flávio G. da Silva, de 40 anos morreu quando sua casa desabou no bairro do Tanque, na Zona Oeste, na rua Almirante Melquíades de Souza. Uma descarga elétrica na Estrada do Tindiba, também na Zona Oeste, causou a morte de Vânia R. Nunes, de 75 anos. Mas não havia certeza se a morte estaria diretamente relacionada às chuvas.

Em Mesquita, na Baixada Fluminense, um deslizamento de terra na Estrada Feliciano Sodré soterrou e matou Mizael P. Xavier, de 62 anos. Um homem se afogou em Acari, na Zona Norte e foi levado por moradores para o Hospital Ronaldo Gazzolla, mas a Defesa Civil não havia confirmado o nome da vítima.

E em 3 de março o Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de Marcelo Souza Oliveira, de 21 anos de idade, que havia sido arrastado pela enxurrada no domingo, em Queimados, na Baixada Fluminense. A corporação foi chamada por volta das 7h e encontrou o corpo na região do Parque Industrial.

Lama nos ombros de Crivella

Em meio ao caos, em 1º de março, o prefeito Marcello Crivella se reuniu com secretários, no Centro de Operações Rio (COR-Rio) para criar um plano que diminuísse os efeitos do temporal. Ele fez uma transmissão ao vivo pela rede social e causou polêmica ao dizer que os cariocas optam por morar perto de áreas de risco porque assim gastam menos com ‘cocô e xixi’, pois assim economizam com canos e sistema de esgoto.

No dia seguinte, Crivella esteve em Mesquita, uma das regiões mais atingidas, e acabou sendo atingido por lama no ombro esquerdo após reclamar que os moradores deveriam evitar jogar lixo em rios, encostas e ruas. Novamente, Crivella ironiza com termos pejorativos a população carioca e tenta tirar o corpo fora, tentando isentar de culpa o poder público.

Até o fechamento desta edição, em 3 de março, o Centro de Operações havia registrado cerca de 150 ocorrências, entre quedas de árvores, alagamentos e bolsões d’água. Segundo a Defesa Civil do município houve 349 ocorrências desde o início das chuvas no sábado (29) até segunda-feira, (2) de março. A maioria dos chamados aconteceu nas Zona Oeste e Norte. Foram acionadas também 30 sirenes em 16 comunidades.

Também em 3 de março, o Centro de Operações da prefeitura registrou mais cinco desabamentos no bairro do Acari, Zona Norte, da cidade. Quase três dias após os temporais muitas regiões do estado continuavam alagadas, como Seropédica e vários pontos da Baixada Fluminense. Os moradores se abrigavam em casas de parentes e amigos e tentavam voltar para a casa, ao menos para salvar documentos e alguns objetos pessoais.

Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro

Construções irregulares e acúmulo de lixo

A Defesa Civil ressalta que o grande acúmulo de lixo contribui bastante para situações como essas. No entanto, é importante conter as crescentes construções irregulares em áreas dominadas por milicianos. Também na manhã de 3 de março, retroescavadeiras da Prefeitura iniciaram a demolição de cinco prédios ainda em construção em áreas sinalizadas pela Defesa Civil.

A cidade ainda permanecia em estágio de atenção e com previsão de mais chuvas, aumentando o grau de três para quatro, dos cinco níveis, mantendo as interdições nas pistas centrais da Avenida Brasil, na altura de Irajá, sendo a Linha Vermelha recomendada em situações de enchentes.

Recomendações à parte, se a população deve colaborar evitando jogar lixo e entulho nas ruas e rios, o poder público precisa arregaçar as mangas e agir em regime de urgência. O Estado tem mais de cinco mil desabrigados e desalojados. O secretário estadual da Defesa Civil, coronel Roberto Robaday, informou que o órgão só pode oferecer ajuda caso os prefeitos solicitem. Não é hora de protocolo, mas de ação. Seropédica está há dias debaixo d´água, o município de Trajano de Morais – onde mais de 100 barreiras cederam – declarou estado de calamidade pública e, em Itaguaí, famílias esperavam ajuda há quatro dias na casa de vizinhos. Todas as autoridades têm a obrigação de se unir e buscar soluções de socorro à população, sem burocracia. É hora de agir com responsabilidade e rapidez.

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