A intensa dança das cadeiras da vereança

Foto: Reprodução

Editorial do Diário do Rio

A princípio, os partidos são associações que representam convicções políticas e que organizam plano de governo de acordo com suas ideologias. Mas, salvo raríssimas exceções, no Brasil isso nunca se deu dessa forma. Açoitado pelo tradicional populismo, onde se acredita que existem indivíduos salvadores da pátria, os partidos são apenas uma necessidade legal para que o candidato possa concorrer à eleição.

Essa visão fútil foi elevada ao extremo recentemente na Câmera Municipal do Rio de Janeiro. No dia 4 de abril, data limite para que os vereadores pudessem mudar de partido sem perder seus mandatos, vimos uma configuração completamente distinta da que foi eleita em 2016. Alguns partidos sumiram, como o NOVO e PHS. Outro que quase desapareceu foi o MDB ─ dos dez eleitos, restou-lhe apenas um. Alguns cresceram, como o Democratas, que subiu de quatro para sete vereadores ─ agora a maior bancada ─, e o PSC, que pulou de dois para seis.

Dos 51 vereadores da Casa, 28 entraram nessa dança das cadeiras. Até Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, entrou nessa, deixando o PCS e indo parar no Republicanos do prefeito Marcello Crivella. Somente o PSOL e o PT não tiveram baixas ou adesões. Nos demais, o troca-troca foi intenso. Nesse troca-troca, inicialmente fica nítido a tentativa de reeleger Crivella e a busca de uma possível bancada forte na Câmara para um pretendido segundo mandato. Quanto ao sucesso dessa estratégia, só mesmo o tempo poderá dizer.

O que mais chama atenção, entretanto, é como os eleitos pelo povo tratam suas legendas: as usam e depois se livram delas tal qual uma peça de roupa. Afinal, não há necessidade de se ter fidelidade partidária já que os partidos são apenas legendas de aluguel. E a Câmara do Rio de Janeiro, que já foi apelidada de “Gaiola de Ouro” e “Gaiola das Loucas” no passado, segue em seu triste caminho de clientelismo. Fica então a pergunta: ainda é possível confiar nesse tipo de político? Cabe a você, caro eleitor, escolher melhor o seu candidato na hora de ir à urna!

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