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Foto: Divulgação

Não podemos nos conformar com esse cálculo: 70% da população irão se infectar e 4% desse grupo irão morrer

Por Patrícia Gurgel, médica

Somado a isso, temos o fato que faltam leitos hospitalares, equipamentos de proteção individual para a área de saúde e respiradores. Ou seja, essa previsão de mortalidade pode estar subestimada. E também já percebemos que os casos graves não estão se restringindo ao grupo de risco.

Medidas preventivas podem e devem ser fundamentais em uma pandemia. Diminuir o número e a velocidade de infectados pode ajudar tanto, ou até mais, que as medidas de ponta ─ medicações, respiradores, leitos, etc.. No meu ponto de vista, prevenir é muito mais fácil e viável do que tratar, mas para isso precisamos da colaboração de cada um.

Enquanto não chegam as vacinas para essa prevenção, o que podemos fazer é: respeitar o isolamento social, até que pelo menos tenhamos as condições mínimas para atender os infectados; manter as mãos limpas; respeitar a distância de dois metros sempre que possível; e o uso de máscara e outras proteções faciais quando for necessário sair de casa.

Alguns países adotaram como obrigatório o uso de máscaras em locais públicos ou aglomerados, e acredito que isso tenha feito grande diferença no combate a infecção. Torço para que adotem medidas assim no Brasil. Mas, como não acredito que ocorram, precisamos urgente da conscientização da população. Para que o uso de máscaras funcione efetivamente, a maioria terá que usar, pois sabemos que elas funcionam muito bem como barreira, ou seja, impedindo a transmissão.

Note que o uso de máscara é melhor para prevenir a transmissão do que para a proteção. Porém, mesmo que só a pessoa que quer se prevenir a use, será melhor do que nada. O ideal é que todos no ambiente usem, porque assim um estará protegendo o outro e, juntos, estaremos diminuindo o número de casos novos e participando efetivamente para tentar diminuir o colapso do sistema de saúde. Se a pessoa decidir não se proteger ou ajudar na diminuição da propagação da infecção, que pelo menos tenha a consciência que ao chegar perto de alguém do grupo de risco ela deva estar usando alguma máscara e/ou outra proteção de barreira.

Mas, atenção grupo de risco ou pessoas que realmente não queiram se infectar: não poderemos contar que todos tenham essa consideração. Então caberá a vocês tentar a melhor prevenção possível.

Qual a melhor prevenção possível? 

Uso de máscaras caseiras de tecidos, junto com alguma proteção adicional  de face ─ pode ser acetato, PVC, pet.

Molde para máscara, pode ser feito com elásticos (cerca de 13 cm a alça) ou tiras.
Gosto particularmente desse molde, porque ele veda melhor, e o tecido fica um pouco mais afastado das narinas e boca.

As máscaras de tecido devem ser duplas ou triplas. Já que não poderemos garantir a filtração do vírus por esse ser muito pequeno, temos que garantir que o tecido funcione melhor possível contra as gotículas e aerossol. Para isso, ele deve ser o mais repelente a água possível, mas que ao mesmo tempo seja razoavelmente confortável. Terão que cobrir totalmente nariz e a boca e podem ser feitas com tiras ou elástico laterais. E atenção: elásticos apertados são muito incômodos.

Quanto à vedação, podem ser adicionados arames na parte superior, mas eu aconselho o uso de esparadrapos (micropore), que serão colocados na porção superior da máscara e nariz. Esse esparadrapo garantirá uma boa vedação, melhor fixação da máscara e não deixará seus óculos ou proteções de face embaçar.

Colocação de micropore, esparadrapo. Melhora a vedação da máscara, mantém ela no lugar correto e previne embasamento dos óculos/proteção facial

Eu particularmente prefiro as máscaras com uma costura interna na frente, pois isso garantirá que o tecido fique um pouco distante das narinas e da boca. Assim, se gotículas chegarem à sua máscara, mesmo que o vírus consiga passar pelo tecido ele estará um pouco distante das áreas de risco.

As máscaras deveram ser trocadas sempre que úmidas. Tenha sempre com você máscaras adicionais, cada uma guardada em um saco. Tenha também um saco para guardar as máscaras sujas. As máscaras de tecido podem ser deixadas de molho com água sanitária ou água e sabão por uma hora e depois lavadas com água e sabão e, dependendo do tecido, podem ser passadas a ferro posteriormente. O ideal é que cada pessoa tenha pelo menos seis máscaras, para poder levar adicionais limpas e trocá-las durante o dia.

Os tecidos recomendadas pelo Ministério da Saúde foram tricoline ou algodão, mas você pode testar outros tecidos que tenha em casa com desodorante em aerossol ─ o que menos deixar passar o aerossol fazendo com que esse volte para trás será o melhor, ou com sprays com gotas grandes, ou jogando água observando o que consegue segurar mais. Depois disso é necessário verificar se ele é um tecido confortável para colocar direto na face. Testei lycras duplas e tecidos mais encorpados, como neoprene e jeans, e achei eles mais resistentes à água. Ou seja, teste o tecido, depois teste na face. Consegue respirar? Consegue ficar um período sem mexer na máscara? Algumas pessoas adicionam filtro de papel ou um absorvente. Se você ficar confortável com isso, e não for um motivo de você manipular mais a sua máscara, pode ser uma opção.

Outras proteções de face 

Mesmo que sua máscara seja relativamente impermeável aos aerossóis e gotículas,  não poderemos garantir que ela tenha uma trama adequada para garantir a filtração do vírus. E também não podemos garantir uma vedação adequada na face. Se quiser melhorar sua proteção, poderá adicionar uma proteção de barreira que cobrirá a frente e lateral do seu rosto. Com isso, além de proteger a sua máscara, também protegerá os seus olhos. Essas proteções são parecidas com aquelas que os profissionais de saúde utilizam. Você também pode e deve usar para se proteger melhor.

Podemos encontrar na internet produtos já prontos procurando por máscaras faciais ou face shield, chapéu com proteção facial de plástico removível, etc. Mas também é muito fácil fazer a sua proteção com garrafa pet ou folha de transparência, acetato e PVC cristal. Essas serão presas na testa com elástico, tiara de cabelo ou mesmo um lenço.

O ideal é que se use a máscara por baixo para uma melhor vedação e a proteção de face por cima. Você pode sair de casa já com a sua máscara e levar a proteção adicional para usar apenas nos locais aglomerados onde a distância mínima de dois metros não pode ser garantida. As proteções também deverão ser higienizadas após cada uso.

Antes de manusear a máscara ou as outras proteções, tenha certeza de estar com as mãos limpas. Evite manipular a sua máscara e, se for muito necessário, não faça isso pela frente, porque é a área potencialmente contaminada.

Ao colocar e tirar segure pelo elástico ou tiras e só depois de colocadas ajuste no nariz, pegando apenas na borda superior, com a certeza de estar com as mãos limpas. Se você comprou a sua máscara de alguém, fique atenta de lavar antes de usar a primeira vez.

Treine em casa. No começo parece bem difícil e desconfortável, mas isso melhora muito com a prática. Quanto à sensação de abafamento, lembre-se que ela poderá estar prevenindo a você ou a um familiar de sensações piores de falta de ar causadas pelo vírus.

Vale a pena o sacrifício!  Crianças com menos de dois anos não deverão usar máscaras e as maiores apenas com a supervisão de um adulto.

Você também pode ajudar muito a prevenção divulgando essa ideia e até fornecendo essas proteções para alguns amigos e grupo de risco. Lembrem-se: eu te protejo, você me protege e juntos estaremos colaborando para combater essa pandemia. Disque denúncia aglomeração: 1746.

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