‘Invisíveis’ apenas para quem não queria vê-los

Foto: Agência Brasil

Editorial

Membros do governo se disseram surpresos. Os grandes meios de comunicação tiveram que exibi-los como se fossem um furo de reportagem. Nada mais cínico, seja por parte do Palácio do Planalto ou pela mídia comercial. Estamos falando daqueles que foram pejorativamente rotulados de ‘invisíveis’.

Diante da crise econômica, acirrada pela pandemia da covid-19, mais de 50 milhões de brasileiros buscaram o atendimento da Caixa Econômica para terem direito ao pagamento do auxílio emergencial. São jovens e idosos, homens e mulheres, desempregados e informais, todos no mesmo barco de um país onde o trabalho formal, com direitos assegurados, torna-se cada vez mais um artigo de luxo.

Considerada uma das maiores economias do mundo, a nossa caminha a passos largos para ser uma ‘república de camelôs’. E isso não se trata de desmerecer esses trabalhadores honestos, mas apenas para ressaltar o quanto é precário o ato de sustentar famílias daqueles que batalham para isso. Praticamente uma verdadeira ‘Odisseia de Ulisses’.

São milhões de brasileiros que constam nas pesquisas oficiais sobre desemprego, vivem em sua maioria nas periferias, que andam de trem e ônibus lotados todos os dias. São nossos amigos, parentes, vizinhos. Mas agora são taxados de ‘invisíveis’ justamente por quem não queria vê-los. Mas essa numerosa população está aí, mesmo que incomode muita gente, e vai continuar caso não haja uma verdadeira distribuição de renda.

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