Menos ônibus circulando pode ajudar na propagação do coronavírus, diz FGV

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Sandro Barros

Em meio à pandemia de coronavírus, governadores têm decretado medidas restritivas de mobilidade urbana que têm afetado o dia a dia de pessoas que trabalham em atividades consideradas essenciais. No entanto, essas ações, que visam dificultar a circulação de pessoas, e consequentemente do vírus na sociedade, podem ter efeito contrário, segundo avaliação do coordenador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Transportes, Marcus Quintella. Para o especialista, as medidas têm causado um efeito negativo no combate na propagação do coronavírus.

“Quanto mais escassez de transporte público, mais gente se aglomera, seja no próprio veículo, ônibus, trem ou metrô, ou nos pontos, plataformas e estações, podendo causar superlotação. Menos frota de ônibus nas ruas não evitará aglomerações, pelo contrário, mais pessoas estarão esperando pelo transporte. A proteção e orientação aos motoristas de ônibus são fundamentais nesse momento. Os profissionais de segurança, da saúde, de supermercados e farmácias estão em operação, não podem ser punidos. Tudo tem que ser feito de forma planejada”, explica.

Quintella ainda ressalta que o passe livre, que já está bloqueado aos estudantes beneficiados, deveria ficar suspenso, para desestimular a circulação, dentre eles, dos idosos. “Tem que se criar empecilhos para o acesso aos meios de transporte público daqueles que devem ficar em casa”, afirma.

Ideias para o debate

Documento da FGV traça ações para o transporte público

Uma das medidas mais importantes adotadas pelos governos da maioria dos estados e cidades brasileiras para conter a propagação do novo coronavírus é o isolamento social horizontal voluntário ou mandatório de pessoas. No entanto, para a FGV as medidas de limitação da circulação de pessoas para conter a propagação da covid-19 não podem ser confundidas com a paralisação do transporte público.

Para que muitos possam cumprir as medidas de isolamento social e ficarem em casa, muitos outros precisam continuar trabalhando e necessitam do transporte coletivo para chegar aos seus destinos. Dessa forma, a manutenção dos serviços de transporte enfrenta desafios não apenas agora, mas também após a flexibilização do isolamento social.

Para contribuir com o debate, a FGV elaborou o documento ‘Transporte público e covid-19: o que pode ser feito?’, com objetivo de traçar algumas ações a serem empreendidas por cada um dos atores do transporte público ─ usuários, operadores e poder público ─ durante a pandemia. O download do documento pode ser feito no site da fundação.

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