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Povo e bancários da Caixa sofrem juntos pelo pagamento do auxílio emergencial

Fotos: Fotos Públicas
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Da Redação

O enorme caos social gerado pela sobrecarga nas agências da Caixa Econômica causou desespero na população que necessita do auxílio emergencial, além de bancários que estão atuando sob condições precárias de trabalho. A situação se repete em diversas cidades e por vários estados.

A população que não tem garantido o direito ao recebimento do auxílio se revolta. Segundo diversos relatos de sindicatos de bancários, funcionários da Caixa têm sofrido ameaças, tiveram carros amassados e passam por uma situação insustentável. Há caso, como a da agência no Largo do Bicão, Zona Norte do Rio de Janeiro, em que o ‘botão de pânico’ – ferramenta de socorro para o caso de assaltos – foi acionado por trabalhadores que temiam por sua segurança diante de uma multidão indignada.

E a situação piora quando um número imenso de pessoas que procuram as agências não teve o pagamento autorizado, e mesmo entre os que foram considerados aptos a receber, há uma grande dificuldade na realização do saque. São problemas nos aplicativos da Caixa e sobrecarga da capacidade das agências, dos sistemas e problemas no atendimento telefônico.

Mas o que o governo e os grandes meios de comunicação não dizem é que as reestruturações e planos para incentivo de aposentadoria reduziram em cerca de 20 mil empregos na Caixa. Ou seja, mesmo antes da pandemia já havia uma enorme sobrecarga de trabalho. Para agravar a situação, várias unidades foram fechadas após adoecimento de funcionários ou para evitar aglomerações, como medida de prevenção ao contágio pela covid-19.

Condições precárias de trabalho

Fato é que na Caixa Econômica os bancários estão atuando em condições precárias, sem que se garanta a segurança física e sanitária dos trabalhadores, e direitos da categoria estão sendo ignorados. O estabelecimento do trabalho remoto, por exemplo, tem sido denunciado como uma forma de burlar a jornada de trabalho, ampliando o expediente sem o pagamento de horas extras. Inclusive com trabalhadores atuando em agências sem controle de ponto, com o registro de que estariam na jornada remota.

São milhões de trabalhadores inscritos para receber o auxílio de apenas R$ 600 – menos de 60% do atual salário mínimo e cerca de 13% do considerado o mínimo necessário pelo Dieese. Mas além do valor ser muito menor do que o necessário, a concessão não contempla a maioria dos trabalhadores que precisam deste auxílio. Há uma imensa parcela da população que ainda não se cadastrou ou aqueles que perderam seus empregos durante a pandemia. Para os que já tiveram seus cadastros autorizados, restam ainda duas parcelas para receberem. Será mesmo necessário repetir as mesmas situações quando do pagamento da primeira?

Para garantir o fluxo de pagamento a todos os trabalhadores que necessitam deste auxílio, além das demandas de seus próprios clientes, o governo poderia tomar a iniciativa de ampliar a capacidade de atendimento na rede bancária, não deixando isso apenas nas mãos dos funcionários da Caixa. Por que não colocar os bancos para colaborarem com o conjunto da sociedade? E não apenas os bancos públicos, mas todas as instituições financeiras do país. Quantos aos bancos públicos, uma medida emergencial seria a convocação de todos os aprovados em concurso para a posse imediata.

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