Dados das capitais brasileiras mostram a relação entre covid-19 e a desigualdade social

Foto e gráfico: Reproduções

Da Redação

Nos últimos meses, as capitais se tornaram o epicentro da disseminação do novo coronavírus no Brasil. 60% das mortes e casos de covid-19 estão nas capitais, onde 22% dos brasileiros moram. A mortalidade nas capitais é quase três vezes maior do que a média do país. Ao mesmo tempo, esses são locais de atração de muitas pessoas que buscam tratamento para a doença, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

Fortaleza, Recife e São Luís são as cidades que, nesta ordem, apresentam a maior taxa de incidência do novo coronavírus. Ou seja, a relação entre o número de casos confirmados e o total da população. São dados que se tornam ainda mais preocupantes quando se observa que essas cidades também têm muitas pessoas morando em favelas e outros assentamentos precários.

Como muitos especialistas vêm alertando, a falta de emprego, renda e acesso a bens e serviços básicos e à infraestrutura urbana de qualidade aumentam substancialmente a vulnerabilidade dessas populações aos efeitos do novo coronavírus.

As capitais brasileiras que têm mais pessoas abaixo da linha da pobreza também apresentam uma elevada taxa de mortalidade por covid-19. Em São Luís, Recife e Manaus, onde mais de 30% da população vive abaixo da linha da pobreza ─ conforme definição do Banco Mundial ─, foram registrados mais de 40 óbitos para cada 100 mil habitantes. Na cidade do Rio de Janeiro foram registrados 35,3 óbitos/100 mil habitantes, sendo que 11,39% viviam em extrema pobreza.

8,2 milhões em vulnerabilidade

Mais de 52 milhões de pessoas (25% da população brasileira) vivem em situação de extrema pobreza. Nas capitais, são mais de 8,2 milhões de pessoas em vulnerabilidade ─ 18% da população dessas cidades. As 16 capitais com o maior percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza concentram 27% dos casos e 28% dos óbitos pela doença no Brasil.

Além disso, a capacidade de atendimento das UTIs também tem relação direta com a mortalidade nas capitais brasileiras. O acesso à infraestrutura dos sistemas de saúde e as grandes distâncias agravam a situação da população onde a oferta de leitos de UTI é menor.

As três capitais com menor oferta de leitos de UTI estão na Região Norte, onde também se concentra grande parte das comunidades tradicionais e indígenas do país.

Boa Vista, Rio Branco e Macapá são as três capitais com a pior relação de leitos de UTI por 100 mil habitantes. Boa Vista é a capital que registrou o maior aumento da mortalidade em apenas um mês: 1.975% entre os dias 27 de abril e 27 de maio. Belém (1.684%) e Porto Velho (1.200%) aparecem em seguida e em Rio Branco o crescimento do número de óbitos foi de 880%.

Programa Cidades Sustentáveis

Durante a pandemia da covid-19, o Programa Cidades Sustentáveis apresenta uma série de dados e indicadores que ajudam a entender a relação entre as causas estruturantes da desigualdade e a doença.

Com o objetivo de sensibilizar e mobilizar as cidades brasileiras para que se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente sustentável, o Programa Cidades Sustentáveis oferece a gestores públicos uma agenda completa de sustentabilidade, com conjunto de indicadores e banco de boas práticas.

Esses e outros dados que fazem parte do ‘Mapa da Desigualdade entre as Capitais – Covid-19’ podem ser acessados no site cidadessustentaveis.org.br.

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