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Diário do Rio Responde

Diário do Rio Responde

MATHEUS AUGUSTO LUNDBERG NEVES, ADVOGADO
[email protected]

O empregado que recebeu o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda terá direito ao seguro-desemprego quando for demitido sem justa causa?
Jonas Marques, Campo Grande

DIÁRIO DO RIO – Sim. Esse benefício, o Beper, é independente do seguro-desemprego, sendo que este último é apenas utilizado como base de cálculo.

O empregador pode fechar a empresa por alguns dias sem conceder férias coletivas?
Denise Maia, Todos os Santos

DIÁRIO DO RIO – Sim. Todavia, neste caso, os salários devem ser pagos. Pode ser acordada individualmente a compensação de jornada. Segue exemplo: se a empresa ficar um mês fechada, o funcionário terá crédito de 220 horas de trabalho, que deverão ser compensados em até 18 meses subsequentes.

RÔMULO LICIO DA SILVA, ADVOGADO
[email protected]

Dei entrada em minha aposentadoria por tempo de contribuição considerando os dois períodos em que recebi o seguro-desemprego como período contributivo. Porém o INSS não os considerou. Está correto?
Cássio Lima, Nova Iguaçu

DIÁRIO DO RIO – É lamentável, mas está correto o que o INSS fez. Isso porque os meses em que você recebeu o seguro-desemprego, embora este seguro também seja um benefício previdenciário, não é considerado para fins de contribuição e carência a ser utilizado em qualquer tipo de aposentadoria. Porém, é considerado como prova para fins de aumento do período de graça para 24 meses, ou seja, o período em que o trabalhador mantém a qualidade de segurado junto à Previdência Social, mesmo sem realizar qualquer tipo de contribuição. Para que o trabalhador aproveite os meses em que recebeu o seguro-desemprego como tempo de contribuição, deverá no mesmo período contribuir para a Previdência Social como segurado facultativo.

Tive um sério problema de saúde enquanto era empregado de uma empresa e, por essa razão, fiquei afastado pelo INSS por oito anos consecutivos. Quando o INSS me considerou apto para o trabalho, retornei à empresa e fui imediatamente demitido. Meses após a demissão, entrei em depressão por não conseguir novo emprego e voltei a receber auxílio-doença por mais dois anos. Atingi a idade para aposentar, porém o INSS indeferiu meu pedido ao desconsiderar todo o período em que estive no auxílio-doença. Sempre soube que o período do auxílio-doença era utilizado no cálculo da aposentadoria. O que devo fazer?
Carlos Sampaio, Andaraí

DIÁRIO DO RIO – O entendimento que prevalece no Judiciário é de que o tempo de gozo de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez que não sejam decorrentes de acidente de trabalho somente deve ser computado para fins de tempo de contribuição e carência caso seja intercalado com períodos de contribuição, independentemente do número e de que título foram realizadas. Como você foi dispensado após o retorno ao trabalho, certamente na dispensa ocorreu algum tipo de recolhimento previdenciário pelo cálculo das verbas rescisórias. Verifique sua rescisão, pois este fato permitirá que todo o período de gozo de auxílio-doença seja utilizado para fins de carência de sua aposentadoria por idade.

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Tatiana Moraes | Meio Ambiente

Coisa de criança

Parques fechados, praias interditadas, passeios suspensos. A relação com o ambiente é extremamente necessária para o desenvolvimento infantil e aprimoramento educacional quanto à sustentabilidade.

Como fazer, então, com que os pequenos tenham contato com o meio, mesmo estando dentro de casa durante a pandemia?

De fato, não é possível substituir integralmente o contato com a natureza, mas é possível desenvolver estratégias para que essa relação permaneça viva. Vejamos algumas dicas:

− Passeios, trilhas e expedições virtuais: diversos canais, sites e plataformas online estão disponibilizando visitas virtuais em parques, unidades de conservação, florestas e trilhas. E o melhor: é de graça! E é um ótimo programa para ter conexão com as crianças, juntinho com a natureza.

− Livros de histórias, filmes e desenhos infantis sobre natureza e sustentabilidade: entre um programa e outro, que tal uma leitura, um filme ou um desenho infantil com temática ambiental? Ver a natureza e outras crianças em interação com meio ambiente estimula a percepção e o conhecimento sobre a fauna, flora, clima e demais aspectos do meio natural.

− Atividades sustentáveis em casa: começar uma horta em um vaso, fazer coleta seletiva, montar brinquedos com material reciclável, aprender sobre não desperdiçar. Essas e outras atividades podem estimular as práticas de educação ambiental nas crianças em casa.

E para quem está em regiões já com maior flexibilização, manter o distanciamento social ainda é uma necessidade. Nesse caso, dar preferência para locais abertos e áreas verdes, em vez de shoppings e locais fechados, é uma boa solução para o lazer.

Já sabemos que a preservação ambiental possibilita a vida saudável para as presentes e futuras gerações. E, para manter e passar esse legado, a melhor ferramenta é a educação ambiental.

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Sérgio Vieira | Entre Colunas

Pneu feito com óleo de soja

Nos próximos anos, o pneu de caminhão poderá contar com métodos alternativos de fabricação. E o uso do óleo de soja está entre as ideias mais esperançosas.

O primeiro uso comercial de um novo composto de borracha à base de óleo de soja está ajudando a Goodyear a melhorar o desempenho dos pneus em condições de piso seco, chuva e inverno. Uma equipe de cientistas e engenheiros criou um composto de rodagem, ou formulação, usando óleo de soja, que é derivado natural, econômico, neutro em carbono e totalmente renovável.

Ao empregar óleo de soja em pneus, criou-se uma forma de conservar o composto de borracha flexível em mudanças de temperatura. É igualmente importante a conquista de desempenho ao manter e aprimorar a aderência do veículo na superfície das estradas nas estações ao longo do ano, principalmente em locais de climas bem definidos e adversos. Isso também melhora a eficiência no processo da fabricação e reduz o consumo de energia.

A comercialização de óleo de soja em pneus como a mais recente inovação tecnológica da Goodyear baseia-se em outras inovações recentes da empresa, como o uso de sílica derivada da cinza da casca de arroz, outro componente que está usando em certos pneus de consumo, além de usos atuais e passados de componentes como fibra de carbono, areia vulcânica e muito mais.

Alguns colunistas sobre esse assunto opinam que “o emprego de um óleo vegetal resolve os problemas ambientais provocados pelos pneus há de ser meramente mercadológico, haja vista o forte apelo que o tema tem na atualidade. É que o material é renovável, mas não reciclável, que são conceitos diferentes. Renovável porque sua síntese se dá em escala humana de tempo como o álcool, não reciclável porque um pneu usado não se pode transformar em um novo, como acontece com o vidro, o alumínio, o aço ou o papel”.

Todos os problemas ambientais no descarte dos pneus continuarão inalterados. Completa: “os argumentos tecnológicos hão de ser muito mais fortes para um público que entenda minimamente do assunto, seja pelo lado da agricultura, seja pelo lado da ecologia. O fato de esses pneus manterem a flexibilidade e aderência sob temperaturas contrárias, qualquer que seja o piso, com menor resistência de rolagem basta para justificar o investimento.”

Ainda carecem de mais pesquisas ecológicas em conjunto com razões econômicas para uma avaliação mais exata e conclusiva sobre as vantagens e desvantagens em relação ao meio ambiente, porque descartar um pneu feito com composto a base do petróleo deve ser diferente de um composto de óleo de soja.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Projeto ‘Em Tempos de Lives…’

Neste projeto ‘Em Tempos de Lives…’ trarei alguns deslizes que têm sido muito comuns neste período. As lives tornaram-se ferramentas muito utilizadas e atingem o público de uma forma muito simples, rápida e prática. São lives que nos trazem novos conhecimentos ou oportunidades de presenciarmos bate-papos agradáveis, conhecermos outras pessoas, enfim, estreitarmos laços.

Mas, por acontecerem “ao vivo”, as pessoas deveriam tomar alguns cuidados em relação ao nosso Português, mais especificamente, à língua portuguesa. E, para piorar, as lives ainda ficam gravadas, sendo acessadas durante um bom tempo.

Nesta manhã, escutei em uma live sobre harmonização de ambientes a seguinte frase:

─ Você concorda que o seu vídeo SEJE divulgado?

Um vídeo que será divulgado para um número enorme de pessoas e o tal “seje” estará lá!

Portanto, segue aqui o correto:

─ Você concorda que o seu vídeo SEJA divulgado?

Observação: baseado em fatos reais.

DIRETO AO PONTO

Errado: Eu torço para que ele seje feliz!
Correto: Eu torço para que ele seja feliz!

De acordo com o vocabulário ortográfico da língua portuguesa, a palavra ‘seje’, terminada com a letra ‘e’, não existe. Seja é um vocábulo gramaticalmente classificado como verbo. Trata-se do verbo ser, conjugado na 3ª pessoa do singular dos modos subjuntivo e imperativo.

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Helainy Araujo | Saúde Capilar

Água dura e seus efeitos nos cabelos

Se você já sentiu que, não importa o quanto hidrate o cabelo, ele não reage, ou a hidratação não dura até a próxima lavagem, a água dura pode ser a culpada.

Algo acontece quando você sai de férias, principalmente se sua viagem for para regiões diferentes do planeta: seu cabelo muda! Já percebeu? Mas como isso acontece, se você continua usando os mesmos produtos? Há algo na água.

O excesso de calcário na água, assim como acontece na maioria dos países europeus, pode causar estragos na pele e no cabelo.

Do eczema exacerbado aos cabelos opacos e ‘sem vida’, a água dura pode ser a culpada por uma infinidade de problemas de beleza.

Mas o que é água dura?

É a qualidade mineral que afeta a dureza. A presença de calcário e giz deixa depósitos de cálcio e magnésio. Por outro lado, a água macia é praticamente livre de minerais ─ como a chuva que cai, por exemplo.

Alguns são os sinais reveladores da água dura: o sabão não ensaboa o suficiente; suas roupas parecem ásperas ao toque; um aumento de resíduos nas torneiras; e uma espécie de ‘filme’ nas portas do chuveiro ou banheiras.

Como a água dura afeta seu cabelo?

Se você está lutando contra um couro cabeludo escamoso e irritado e cabelos sem brilho e sem vida, o seu banho diário pode ser o culpado. Seu couro cabeludo é apenas pele ─ ele precisa de tanta hidratação quanto o resto do corpo. As pessoas geralmente condicionam os comprimentos de seus cabelos, mas o couro cabeludo não recebe o mesmo alimento, o que faz a secura realmente algo comum. Além disso, a porosidade do cabelo e a barreira física que ele cria no couro cabeludo significam que a água dura fica ‘presa’ um pouco, deixando minerais lá.

A água dura pode irritar até o couro cabeludo mais oleoso. Mesmo que você acha que tem cabelos muito finos que precisam ser lavados diariamente para evitar a aparência oleosa, a água dura pode secar o couro cabeludo até o ponto em que fica desidratado e ainda mais oleoso. Da mesma forma, se o seu couro cabeludo já estiver ligeiramente seco, a água dura poderá ressecá-lo ainda mais e causar descamação. Água dura também corrói a elasticidade do cabelo e deixa o cabelo muito áspero, pois levanta a cutícula.

A melhor opção para reverter o dano, é usar uma máscara própria para o couro cabeludo semanalmente. Para ajudar a remover quaisquer vestígios minerais, usar um xampu suave e depois termine com um tônico de couro cabeludo para hidratar e acalmar.

Se você deseja suavizar a água permanentemente e proteger toda a sua casa, recomendo que um profissional encaixe em um sistema de filtragem onde a água entra em sua residência, o que talvez seja muito oneroso. Por outro lado, existem algumas opções de solução rápida, como a instalação de filtros de água de carvão ativado diretamente sob uma torneira ou dentro do chuveiro.

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Fernanda Haddock Lobo | Comer Bem

Bolo de paçoca

Ingredientes massa
─ 3 ovos.
─ 1 colher e meia (sopa) de manteiga.
─ 1 xícara de açúcar.
─ 1/2 xícara de leite.
─ 1 xícara de farinha de trigo.
─ 5 paçocas esfareladas.
─ 1 colher (sopa) de fermento.

Ingredientes cobertura
─ 1 lata de leite condensado.
─ 1 colher (sopa) de manteiga.
─ 4 paçocas esfareladas.

Modo de preparo massa
─ Bata na batedeira as gemas, manteiga e açúcar.
─ Acrescente o leite, farinha de trigo e a paçoca. Bata até ficar uma massa homogênea.
─ Acrescente o fermento e misture.
─ Bata as claras em neve e acrescente a massa, misturando com um fouet.
─ Coloque em forma untada e enfarinhada.
─ Leve ao forno pré-aquecido por, aproximadamente, 30 minutos.

Modo de preparo cobertura
─ Leve os ingredientes em fogo baixo, mexendo sem parar até atingir o ponto de brigadeiro mole.
─ Assim que o bolo esfriar, desenforme-o e cubra-o com o brigadeiro. Em seguida coloque a paçoca esfarelada por cima.

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Vitor Chimento | Serra

Fazenda Santa Cecília

Toda história da nossa região serrana remonta ao ano de 1700, quando o bandeirante Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do ‘Caçador de Esmeraldas’ Fernão dias Paes, partiu do lugarejo de Paraíba do Sul em direção à serra do Tinguá, abrindo pelas montanhas um caminho que reduzisse o tempo de viagem entre as Minas Gerais e a Corte Portuguesa, instalada na cidade do Rio de Janeiro. Acompanhado por mineradores, fazendeiros e escravos, o bandeirante alcançou a Roça do Alferes (hoje Acozelo), seguiu em direção à serra até as localidades de Marco da Costa e Vera Cruz. A partir daí, as tropas de exploração subiram os morros, no sentido da atual Lagoa das Lomtras, de onde desceram para o Porto de Pilar ─ hoje Duque de Caxias ─, seguindo até o porto do Iguaçu, de onde seguiram, via pluvial, para o Rio.

Este caminho ficou conhecido como “Caminho Novo de Minas” e favoreceu, entre outros, dezenas de sesmeiros ─ pessoas que recebiam do magistrado português terras por doação para cultivo ─, que vieram a se estabelecer nas colinas. Dentre os colonizadores da região se destacou Manoel de Azevedo Mattos. Vindo das Minas Gerais, resolveu instalar-se no Morro da Viúva, onde construiu, em 1770, a primeira moradia da Fazenda da Piedade de Vera Cruz (atual Santa Cecília), no estilo colonial, concluída em 1780.

O filho de Manoel, Inácio de Souza Werneck, foi fazendeiro, sargento-mor das milícias do Império e Cavaleiro da Ordem da Rosa, tornando-se um dos personagens mais importantes da região. Ele colonizou Vera Cruz e ampliou as instalações da importante fazenda da Piedade. Da sua união com Francisca das Chagas Werneck teve filhos que se uniram a outras pessoas importantes, deixando assim numerosas famílias de nobres espalhadas pelo Sul Fluminense. Em 1811, ao ficar viúvo, Inácio abraça a carreira eclesiástica, abandonada quando ainda jovem, e no ano de 1813, em cerimônia realizada na própria fazenda, foi ordenado padre. O fazendeiro passou a ser conhecido como padre Werneck de Vera Cruz.

Com a morte de seu pai Inácio, Ana Matilda, casada com o fazendeiro Francisco Peixoto de Lacerda, herda a fazenda da Piedade (atual Santa Cecília). O casal teve somente um filho, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, que recebeu mais tarde, por ordem do Imperador Dom Pedro I, o título de Barão de Paty dos Alferes. O barão, em 1840, realizou, no apogeu do ciclo do café e com a importância histórica da fazenda, uma grande reforma em seu estilo colonial (inicial) para o neoclássico. Foi, sem dúvida, uma grande personagem da história. Homem culto, aristocrata e político, proprietário de grandes plantações de café, de vastas áreas de terras e de um grande número de escravos. Foi de grande importância no desenvolvimento da região, graças ao seu bom relacionamento com a Corte.

A Fazenda Santa Cecília, está localizada no município de Miguel Pereira, distante 15 km do centro da cidade, no Distrito de Vera Cruz. A fazenda possuía uma senzala, um espaço para secagem de café e um moinho de cana. Com as reformas feitas ao longo dos anos, as pedras de secagem do café foram reaproveitadas para fazerem o caminho da piscina. Grande parte de sua arquitetura e mobiliário foram mantidos intactos pelos atuais proprietários. Nos jardins se encontra uma capela dedicada à Santa Cecília, desenhada e projetada pelo arquiteto Oscar Niemayer e presenteada a Maria Cecília, filha de seu grande amigo e proprietária da fazenda, que mantém e preserva com muito zelo este patrimônio histórico de nossa região.

O jornal Diário do Rio agradece as informações cedidas pela Prefeitura e pelos informativos do historiador Sebastião Deister.

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Destaque Saúde

Após seis meses, o que se sabe sobre a covid-19?

Por Sandro Barros

As autoridades chinesas anunciaram pela primeira vez que um novo vírus estava se propagando na cidade de Wuhan na segunda semana de janeiro desse ano. Passados seis meses, trazemos um levantamento sobre a evolução do vírus Sars-Cov-2 em pandemia e os esforços para debelar a covid-19.

A origem

Quando as autoridades anunciaram a existência do vírus, a primeira infecção de uma pessoa por um vertebrado já havia acontecido há várias semanas.

Inicialmente, as autoridades aparentemente tentaram eliminar pistas. Até hoje, não está claro exatamente quando e onde o vírus passou de um animal para humanos. É possível que a transmissão tenha acontecido de um morcego para um hospedeiro intermediário, talvez um cão-guaxinim, e depois para os humanos.

O vírus

Os virologistas chineses decodificaram as informações genéticas do patógeno em tempo recorde. Já em 21 de janeiro, eles publicaram a estrutura do genoma e, três dias depois, uma descrição exata do vírus. Isso permitiu que médicos e microbiologistas em todo o mundo começassem o desenvolvimento de remédios e vacinas.

A característica do vírus é a enzima conversora de angiotensina ACE-2 ─ sigla do nome em inglês ‘angiotensin-converting enzyme 2’ ─, que está em sua superfície. Essa proteína é crucial para a ligação à célula hospedeira. Por isso, grande parte da busca por medicamentos e vacinas concentra-se na forma de tornar esta proteína ineficaz.

A transmissão

Estudos concluíram que o vírus se aloja particularmente na garganta e nos pulmões. Os maiores riscos de contaminação são o contato e aerossóis. Especialmente sistemas de ar condicionado são perigosos. Também salas fechadas com muitas pessoas devem ser evitadas. É por isso que as medidas de isolamento, com o fechamento de locais de entretenimento, o cancelamento de feiras e eventos importantes, também foram utilizadas para conter a epidemia. As cadeias de infecção maiores podem ser rastreadas até os chamados eventos de contaminação super-rápida ─ ‘superspreader’, do inglês.

O uso da máscara bucal foi adotado em quase todos os países do mundo. No entanto, muitos médicos questionam se a maioria das pessoas é realmente capaz de usá-la na vida cotidiana de forma a impedir uma possível transmissão do vírus. Lavar as mãos com frequência, manter distância de outras pessoas e ventilar os locais em que nos encontramos continuam sendo medidas importantes. Mesmo que alguns animais de estimação, como gatos, possam se contaminar com humanos, eles não desempenham um papel relevante nas cadeias de infecção.

Sintomas e grupos de risco

Inicialmente, circulou a tese de que o novo coronavírus não é mais perigoso do que uma gripe sazonal. Hoje, no entanto, sabe-se que a covid-19 se assemelha à devastadora gripe espanhola de 1918. Embora muitas pessoas contaminadas não apresentem sintomas da doença, a infecção por Sars-Cov-2 pode atingir outros pacientes de forma arrasadora, causando sua morte. Os grupos de risco são pessoas com doenças anteriores, idosos, portadores do grupo sanguíneo A e homens.

Patologistas que examinaram as vítimas de covid-19 confirmaram que pressão alta, diabetes, câncer, insuficiência renal, cirrose hepática e doenças cardiovasculares estão entre as doenças pré-existentes mais perigosas.

Curso da doença

Formas leves de covid-19 podem se manifestar como um resfriado. Típicos são dor de garganta, problemas respiratórios e perda do olfato e do paladar. Por outro lado, os casos mais graves podem levar a uma falência múltipla dos órgãos. Estes geralmente levam à septicemia, uma reação exagerada do sistema imunológico, atacando os próprios tecidos e órgãos.

No decurso grave da doença, é muito importante de que forma o sistema imunológico reage ao patógeno.

O tratamento

No início da pandemia de coronavírus, muitos pacientes graves foram colocados em máquinas respiratórias precocemente e mesmo assim morreram. Atualmente, as unidades de terapia intensiva abdicaram da ventilação padrão porque os pneumologistas viram que a respiração artificial sob pressão nos pulmões mais prejudica do que ajuda. Enquanto os pacientes conseguem respirar, eles recebem oxigênio sem serem conectados a um aparelho respiratório. A intubação é apenas uma opção em emergências extremas.

Em muitos casos, se os rins forem severamente danificados pela covid-19, torna-se necessária a hemodiálise. Os cuidados intensivos exigem uma atenção maior também aos outros órgãos atingidos.

Em clínicas especializadas, a cura pode ser acelerada com a administração de anticorpos do sangue de pacientes que se recuperaram de covid-19. Nesse caso, o sistema imunológico inicia a luta contra o vírus no corpo do paciente que recebeu o sangue. Basicamente, após o tratamento intensivo, os pacientes ainda precisam passar por longas medidas de reabilitação personalizadas, que também consideram as doenças prévias específicas e possíveis danos aos órgãos.

A medicação

Para muitos infectologistas, o único remédio que consegue encurtar o curso da doença é o Remdesivir, que por isso ficou muito concorrido no mercado farmacêutico. Ele consegue reduzir em alguns dias o processo de cura em pacientes que recebem oxigênio, mas isso não quer dizer que ele aumente as chances de sobrevivência.

Entre outros medicamentos em teste estão o anti-inflamatório Dexametasona, o antiviral Avigan e o medicamento para malária cloroquina. A eficácia e a segurança dos dois primeiros medicamentos ainda não foram comprovadas de maneira conclusiva, e ainda existem fortes dúvidas sobre o terceiro.

Quando ocorre a imunidade de grupo?

Cada vez mais gente em volta do mundo está sendo infectada. No final de junho, eram cerca de dez milhões de pessoas. Entretanto, a população mundial de 7,8 bilhões de habitantes ainda está muito longe de uma imunidade relevante.

Também não está claro se os pacientes recuperados permanecerão imunes ao vírus para sempre, mas ao menos um teste sanguíneo ou com a saliva podem fornecer clareza sobre se alguém tem a doença ou se pode contagiar outras pessoas.

Em busca da vacina

Pelo menos 160 pesquisas com vacinas foram iniciadas em todo o mundo até 29 de junho de 2020. Eles são essencialmente divididos em três tipos de vacina: vacinas vivas, vacinas mortas e vacinas de ácido ribonucleico (ARN), baseadas em genes. Este último, no entanto, é um estudo pioneiro porque ainda não existem vacinas permitidas nesse campo.

Há ainda uma vacina contra tuberculose já aprovada, que, no entanto, não é direcionada especificamente contra o Sars-Cov-2, mas fortalece a imunidade básica inata dos seres humanos. Cientistas do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções, em Berlim, estão otimizando geneticamente esta vacina.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de junho, cinco vacinas estavam na primeira fase de testes em humanos em todo o mundo. A fase 1 é a que trata da segurança da vacina. Sete estão em testes combinados de fase 1 e fase 2, em que também é testada a resposta imune. E apenas uma vacina já está na fase 3, que trata de demonstrar a eficácia contra o patógeno na prática.

Mas quando ela chegará?

Os otimistas esperam que uma vacina viável esteja no mercado até o final do ano. Outros acreditam que isso só acontecerá no próximo ano. De fato, ainda não está claro se e quando será lançada uma vacina contra a covid-19 que seja adequada ao maior número possível de pessoas.

Assim que uma vacina é aprovada, outro desafio é a produção em massa. E aí as vacinas ARN, baseadas em genes, têm a vantagem de poderem ser produzidas relativamente rápido. Empresas farmacêuticas relevantes, como a Serum Institute of India, já estão preparando maiores capacidades de produção, mesmo que ainda não saibam qual ingrediente ativo irão fabricar. (com informações da agência estatal alemã Deutsche Welle)

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Destaque Sociedade

Mudança de comportamento humano é chave contra crises

Da Redação

Diante das crises mundiais, um grupo de pesquisadores das ciências humanas e sociais divulgou recentemente o lançamento de uma iniciativa intitulada Painel Internacional de Mudanças no Comportamento (IPBC, na sigla em inglês). O objetivo da iniciativa é ajudar a enfrentar, ao longo do tempo, as crises sociais e ambientais atuais e futuras.

Para o professor Eduardo Bessa, membro da diretoria do IPBC e professor de Comportamento Animal da Universidade de Brasília (UnB), a pandemia da covid-19 está incentivando a sociedade a repensar diversas ações. “Talvez seja o momento de aproveitar para mudar outros tipos de atitude que nos possibilitem um mundo melhor, tanto em termos ambientais quanto sociais”, explica o professor.

A ideia do projeto é obter resultados por meio de relatórios com informações recentes e importantes sobre como aplicar novos hábitos no dia a dia e atualizações sobre gatilhos e obstáculos que podem aparecer durante um processo de mudança de comportamento. “Nos relatórios faremos uma síntese do que se sabe sobre o assunto e desenvolveremos estudos para preencher as lacunas sobre o que ainda não se sabe”, esclarece Bessa.

O painel, que já conta com o apoio de 1.023 pesquisadores de mais de 75 áreas e 76 países, ouvirá a sociedade civil e os tomadores de decisões para produzir os relatórios. Para Eduardo Bessa, o diferencial do projeto é a atuação direta no comportamento das pessoas.

“Existem outros painéis focados em problemas ambientais na Organização das Nações Unidas (ONU), como o IPCC, sobre mudanças climáticas, e o IPBES, sobre biodiversidade. Ambos são excelentes em apontar os problemas e até as mudanças necessárias para reduzi-los, mas para realizar essas mudanças é fundamental atuar nos comportamentos das pessoas. Isso é o que nos propomos a fazer”, acrescenta.

    Membros do IBPC: painel já conta com o apoio de 1.023 pesquisadores (Foto: Divulgação)

Mundo mais sustentável

O Painel Internacional de Mudança de Comportamento é, dessa forma, composto não só pelos cientistas que irão gerar os produtos, mas também por empresas, pela sociedade e associações, que auxiliarão a focar o conteúdo dos produtos de forma que sejam relevantes para todos. Esses grupos não são membros oficialmente dentro do IPBC, mas a eles está delegada a missão importante de expressar o que a sociedade precisa, como educação, saúde, agricultura, etc. “Ter as ferramentas certas para promover isso é o que espero do IPBC”, diz Bessa, que revela também ter grandes expectativas com o projeto contra as crises.

O painel surgiu após o lançamento de um manifesto pela criação de um grupo formado por especialistas em torno da necessidade de mudanças comportamentais para um mundo mais sustentável em âmbito econômico, ambiental e social.

O IBPC, entidade internacional, interdisciplinar, independente e apolítica, hoje é formada por profissionais dos mais diversos campos, como psicologia, neurociências, sociologia, economia, ciência política, comportamento animal, biologia, ciências da saúde, educação, direito, marketing e administração.

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Destaque Economia

Com pandemia, entregadores de app têm mais trabalho, menos renda e maior risco à saúde

Por Sandro Barros

Ao reivindicarem melhores condições de trabalho nos serviços de entrega por aplicativos no dia 1º de julho, os trabalhadores que atuam no setor representaram as demandas de uma categoria que tem crescido em número e perdido qualidade de vida nos últimos anos. Realizando manifestações, os entregadores prometiam “parar” o serviço de entregas em boa parte do país, setor comandado principalmente por três empresas: iFood, Rappi e Uber Eats.

Tomando como base os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode se confirmar a realidade das demandas da categoria: remuneração menor, jornadas longas e aumento de entregadores, principalmente pela migração de profissionais qualificados de outras áreas durante a pandemia. Junte-se a isso o alto risco de contágio pela covid-19 que os trabalhadores enfrentam durante as entregas.

Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com outras instituições, aponta que, durante a pandemia os entregadores continuaram a enfrentar longas jornadas de trabalho, mas em condições que se tornaram piores: passaram a enfrentar um alto risco de contágio e adotarem medidas de precaução na maioria custeadas por eles mesmos, além de registrarem queda na remuneração pelos serviços.

Outro dado importante: levantamento feito pela plataforma de estudos e vagas no ensino superior Quero Bolsa, com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), aponta que, em maio desse ano, 42 mil brasileiros com ensino superior (graduação e pós-graduação) se declararam como “entregador de mercadorias (de restaurante, de farmácia, de loja, aplicativo, etc.)”, o que representa 0,15% dos 27 milhões de brasileiros com ensino superior.

“Diversos profissionais foram afastados de seus respectivos empregos e tiveram que procurar outras fontes de renda para se sustentar. Uma delas foi a de entregador, seja diretamente com o estabelecimento ou através de aplicativos de delivery”, indica o levantamento.

Aumenta número de entregadores

O grande aumento de novos entregadores trouxe, como consequência, a redução das chamadas individuais para entregas. Então, para manter a remuneração, os entregadores passaram a trabalhar mais horas. Associado a isso, houve redução de períodos com tarifas dinâmicas e redução de oferta de prêmios.

Segundo os cálculos da Análise Econômica Consultoria, o percentual de pessoas que trabalharam para aplicativos de entrega ou transporte de passageiros representa 15% de todos os informais ─ aproximadamente 4,7 milhões de pessoas ─ até maio de 2020. Em 2019, os números eram de, aproximadamente, 26,2 milhões e 3,6 milhões.

Já quando se trata especificamente dos ciclistas e motoboys que fazem entregas, embora não haja dado preciso na Pnad, a estimativa é de que os trabalhadores de aplicativos de entregas de refeições eram 250 mil em 2019, mas até junho de 2020 já somam mais de 645 mil. Portanto, uma taxa de crescimento de aproximadamente 158% só até o primeiro semestre de 2020.

Foto: Reprodução

Perfil dos entregadores

Segundo pesquisa da BBC News Brasil, os homens se revelaram a maioria dos trabalhadores (94,6%); 83,9% se reconhecem como brancos ou pardos, com idades entre 25 e 44 anos (78,2%). Já 70,5% dos entrevistados disseram que trabalhavam para duas ou mais plataformas e, entre estes, 5,7% afirmaram estarem inscritos em quatro delas ─ iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi.

A pesquisa apontou que mais de 57% dos respondentes afirmaram já trabalhar normalmente mais de nove horas diárias, percentual que subiu para 62% durante a pandemia. Durante a pandemia, 51,9% dos entrevistados afirmaram trabalhar os sete dias da semana, enquanto 26,3% deles, seis dias.

A maioria dos entrevistados (58,9%) relatou queda na remuneração durante a pandemia, quando comparado com o momento anterior. No universo de 270 respondentes, 47,4% declararam rendimento semanal de até R$ 520 ─ o que corresponderia a, aproximadamente, R$ 2.080 mensais. Destes, 17,8% declararam remuneração de até R$ 260 por semana, aproximadamente R$ 1.040 mensais. E, durante a pandemia, a parcela de entregadores que tem remuneração inferior a R$ 260 semanais praticamente dobrou, passando a compor 34,4% dos entrevistados.

57,7% dos entrevistados afirmaram não ter recebido nenhum apoio das empresas para diminuir os riscos de contaminação existente durante a realização do seu trabalho. A utilização de álcool em gel durante o trabalho foi a forma preventiva mais apontada pelos entregadores para evitar a contaminação, sendo adotada por 889% dos entrevistados; 74,8% indicou fazer uso de máscaras e 54,4% fazer entrega sem contato direto com os clientes.