Diante do possível pico da pandemia, Argentina endurece quarentena

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Por Sandro Barros

A Argentina ainda tem a pandemia sob controle, mas acende luzes amarelas. Os casos positivos cresceram mais de mil por dia no início de junho e as autoridades sanitárias alertam sobre a pressão no sistema de saúde. Até agora a Argentina atrasou o pico da pandemia, mas já vislumbra que o pior está próximo.

O aumento da inclinação da curva levou ao endurecimento do confinamento na capital Buenos Aires e em seus subúrbios, onde são registrados 96% dos novos casos. A Argentina tem mais de 35.550 casos positivos de covid-19 e cerca de mil mortos. Está muito longe de vizinhos como o Chile, com menos da metade da população e mais de 220.000 infectados, ou o Brasil, que registra mais de um milhão de casos confirmados e mais de 50 mil óbitos.

O confinamento em que os argentinos vivem desde 20 de março conseguiu deter a propagação. Porém, no interior do país, onde a população é menor, os casos são contados às centenas. A estratégia da quarentena, no entanto, dá sinais de esgotamento em Buenos Aires e em sua região metropolitana. Quase metade da população do país vive lá e é onde se concentra o maior problema para as autoridades.

A cidade, governada pela oposição, e a província, em mãos da situação, concordaram em restringir o uso do transporte público aos trabalhadores considerados essenciais. Mas o medo está concentrado na província. “A evidência científica dá conta de uma situação complexa daqui até um mês e meio. Devemos evitar chegar ao ponto a que se chegou no Chile, Brasil e Bolívia, onde as pessoas morrem na rua porque os respiradores estão ocupados”, afirmou o chefe de gabinete da província de Buenos Aires, Carlos Bianco.

Rondado a Casa Rosada

Segundo dados do Ministério da Saúde, 45% dos 11.500 leitos de UTI disponíveis no país estão atualmente ocupados. Em Buenos Aires se teme que, caso a curva de contágio não for reduzida, esse percentual disparará rapidamente até atingir o colapso do sistema.

O problema que as autoridades enfrentam é que o confinamento, aplicado com particular rigor na Argentina, tende a afrouxar naturalmente devido ao cansaço da população. “Sabia-se que, na medida em que as atividades são liberadas, isso resultaria em um aumento dos contágios”, disse Bianco. O secretário da Saúde da cidade de Buenos Aires, Fernán Quirós, disse que se a curva não for achatada é possível que “seja necessário voltar à fase 1 da quarentena”, quando apenas a circulação local para comprar alimentos era permitida.

O fato de o vírus circular mais facilmente em Buenos Aires preocupa o entorno do presidente Fernández. No início de junho, o teste positivo de um prefeito da região metropolitana obrigou o retorno imediato de La Rioja − noroeste do país − do ministro de Desenvolvimento Social, Daniel Arroyo, que havia estado em contato com o político infectado e, naquele momento, acompanhava Fernández em uma viagem pelo interior. O presidente também interrompeu sua agenda e voltou a Buenos Aires.

Dias depois, o teste da ex-governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, deu positivo, contagiada pelo contato com um deputado provincial. A infecção de Vidal colocou em alerta o prefeito da cidade de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, e outros oposicionistas que costumam se reunir para elaborar suas estratégias políticas. Além disso, Rodríguez Larreta mantém contato pessoal com o presidente Fernández.

A evidência de que o vírus já está rondando a Casa Rosada − sede da presidência da República − convenceu os médicos de Fernández de que era hora dele interromper as viagens pelo interior e ficar em casa. Dessa forma, desde o dia 10 de junho o presidente está recluso em Olivos, a residência oficial, e reduziu ao mínimo as reuniões com seus colaboradores. (com informações do El País)

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