Um Rio à deriva

Foto: Barbara Dias

Por Alessandro Monteiro

Como denunciado anteriormente, o esquema bilionário de corrupção envolvendo a pasta da saúde no governo estadual parece não ter fim. O governo de Witzel, que deveria ser marcado pela excelência, recebe novas denúncias de favorecimento as prefeituras com liberação de valores especiais do Fundo Municipal de Saúde, destinado para atender as demandas emergenciais de saúde dos municípios.

As verbas cedidas pelo governo do estado parecem não corresponder às demandas dos municípios e sim, as relações pessoas do governador Witzel, como por exemplo o repasse feito à prefeitura de Duque de Caxias, que recebeu mais de R$ 1milhão de reais, em relação a prefeitura do Rio em tão pouco tempo.

É perceptível a forte de relação de amizade de Witzel e Washington Reis, atual prefeito de Duque de Caxias, e tudo indica que essa aproximação e apoio de Reis ao governo do Rio, favorece bastante o caixa.

Relembrando, que o município de Caixas, cruzou os braços para ações de controle da pandemia do novo coronavírus, tendo Reis, como seu maior incentivador que estaria tudo no controle.

Os municípios de Valença, Volta Redonda também foram beneficiados com verbas especiais, reforçando ainda mais a certeza do “coronelismo” instalado no governo.

Witzel que tenta sobreviver ao processo de impeachment instaurado na Assembleia Legislativa do Rio, tenta ganhar fôlego negociando cargos de secretarias do estado e buscando estabelecer também uma relação mais próxima com André Ceciliano, atual presidente da Alerj.

Na última terça-feira (28), a Alerj recorreu a decisão do ministro Dias Toffoli (STF), que desmontou a comissão especial formada para analisar o processo de impeachment de Witzel. O ministro entendeu que 25 deputados formado para elaborar um parecer sobre o afastamento desrespeitou entendimentos estabelecidos pela Corte.

 

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O relator do pedido na Corte é o ministro Luiz Fux, que é carioca e tem boa interlocução com a classe jurídica fluminense – Witzel é ex-juiz.

“A Casa vai argumentar que o rito estabelecido pela Lei 1079/50 (Lei do Impeachment) está sendo respeitado, com a representação de todos os partidos na comissão especial que analisa a denúncia e a garantia da ampla defesa do governador”, afirmou a Alerj, em nota. “Uma reunião entre os líderes partidários será realizada na tarde de hoje para definir a data em que será impetrado o recurso.”

Em rápida análise, a decisão do ministro retroage o processo, que retorna a fase inicial, exigindo a formação de uma nova comissão e mais fôlego para Witzel, que bom conhecedor das leis e estrategista, luta para não ter a cabeça cortada de vez, que para população, seria um alívio e a certeza da eficácia da justiça, em resposta aos esquemas de corrupção.

Um Rio de mazelas

Importante relembrar também a compra que a compra milionária de equipamentos importados da China pela Organização IABAS para atender a demanda dos hospitais não serviram para nada, permanecem encaixotados no Aeroporto Internacional Tom Jobim, que logo se tornaram sucatas do dinheiro público.

Na última quarta-feira (29), o Governo do Estado anunciou que até 12 de agosto, todos os hospitais de campanha serão desativados e não informou qual destino terão os equipamentos, leitos e tudo mais que tenha sobrado desse pesadelo.

Por outro lado, profissionais do SAMU denunciaram a precariedade no atendimento a população, a falta de salário que entra no quarto mês, a falta de manutenção das ambulâncias e insumos básicos para atendimento à população. No início da sexta-feira (31), os funcionários anunciaram a paralização e decidiram lutar para reaver salários, exigindo melhores condições de trabalho e manutenção dos equipamentos.

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Os repasses foram interrompidos por suspeitas de fraudes nos repasses a empresa Ozz Saúde – Eireli, responsável pela operação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) na cidade do Rio. A ordem partiu do ministro João Otávio de Noronha, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que após analisar parte do processo, ficou surpreso com o aumento num contrato emergencial sem licitação, passa de R$ 27 milhões para R$ 166 milhões durante a pandemia.

Tantos esquemas bilionários envolvem cada vez mais a cidade em escândalos e transformam o cenário de belezas naturais, num buraco sem fundo, que políticos usam o artifício de só “passar o anel”, sendo responsável por centenas de óbitos e graves deficiências no sistema e gestão governamental. Para muitos, uma fonte de renda, para outros milhares, a certeza de estagnação, impunidade e a interrupção de famílias, sonhos e o mínio de qualidade de vida.

A política atual do Brasil, serve apenas para beneficiar aqueles eleitos pelo povo, prevalecendo os interesses pessoais, sendo todos dominados pelo “vil metal”. Não seria difícil reunir todos esses poderes, com objetivo único, de melhorar e amenizar tantos impactos negativos e sofrimento a população, que agoniza.

O prefeito Marcelo Crivella resolveu liberar o banho de mar nas praias da cidade e também a venda de produtos industrializados por ambulantes no sábado (1). As medidas fazem parte da quita fase de flexibilização. Em alguns pontos da cidade, pessoas aglomeradas não cumpriam as recomendações de distanciamento, fato que preocupa bastante a direção da Fiocruz, que publicou na semana passada, um boletim com números expressivos ao novo processo de contaminação.

Caso tenhamos uma “segunda onda” de contágio, o sistema público de saúde de fato, entrará em colapso por tantas deficiências, pela corrupção e a grande falta de responsabilidade e respeito com a população. É necessário estreitar os diálogos entre os governos para que efetivamente, o estado consiga se reerguer, ao contrário disso, “seja lá, o que Deus quiser”.

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