Política Carioca e a corrupção na mão grande

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Recentemente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou uma pesquisa do impacto da pandemia nas empresas. De acordo com Instituto, de 1,3 milhão dos negócios que fecharam (temporária ou definitivamente) na primeira quinzena de junho, 522,7 mil (39,4%) encerraram suas atividades por causa da Covid-19.

Os fortes efeitos negativos foram percebidos por 70,1% das empresas de pequeno porte, 66,1% das de médio porte e 69,7% das de grande porte. No Rio, a realidade é mais drástica e parece sem salvação. Até o momento, já foram registradas mais de 9,7 mil lojas fechadas e empresários investindo pesado na segurança. Segundo apuramos, os valores passam de R$ 1 bilhão.

Com a pandemia, a violência urbana tomou conta das ruas “bem as claras”. O isolamento trouxe além da escassez do dinheiro, o baixo consumo e a facilidade para quadrilhas especializadas agirem com tranquilidade. O desemprego incorporado ao cotidiano da população, também é uma problemática que merece atenção.

Batizada como a “Pandemia da Pobreza”, é fácil perceber esse crescimento ao percorrer as principais ruas da cidade, sem uma pesquisa atualizada do governo para viabilizar qualquer alternativa de reintegração social desse grupo que vive perambulado à em situação deplorável. Talvez, seja essa, a principal justificativa para o aumento da violência nas ruas.

Moreira Franco, Garotinho, Pezão, Rosinha ainda respondem por desvios de dinheiro público, acordos que beneficiaram seus interesses e por aí vai. No entanto, tudo ainda corre lento na justiça, que de vez em quando, volta prender e soltar algum deles, como afirmação de que tudo está sendo cumprido. Será? E o Picciani?

O quarteto fantástico mira da justiça (Foto: Reprodução)

Sérgio Cabral, foi essa vergonha, que abraçava causas da terceira idade, usou programas sociais para fazer campanha e jurava salvar o estado. Pezão, ainda na corda bamba, de tornozeleira pra lá e pra cá, e nenhuma ação da justiça é concretizada. Como sabemos, a Saúde do Rio está no limbo e agora, Wilson Witzel que durante a campanha defendeu acabar com esquema de corrupção no estado, entra para o álbum dos indiciados, conforme denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro.

Diariamente surgem mais e mais denúncias de negligência do poder público e desvios de verbas e fraudes nos esquemas licitatórios. Segundo o Ministério Público, esses esquemas vinham desde 2012, comandado pelo empresário Mário Peixoto, que continua preso.

Seguindo a novela dos hospitais de campanha, que geraram um rombo que ultrapassa 1 bilhão de reais, tivemos o episódio do ex-secretário Edmar Santos com as licitações, os R$ 8,5 milhões e a delação premiada que movimentou desde o MP até o STF, mas que por determinação do STJ, na última sexta-feira (28), afastou o atual governador Wilson Witzel por 180 dias do cargo.

Ele que buscava ganhar tempo negociando cargos com o atual presidente da Alerj André Ceciliano, como tentativa de evitar o impeachment, vira alvo da operação “Operação Tris in Idem”, um desdobramento da Operação Placebo, que investiga atos de corrupção em contratos públicos do governo do Rio de Janeiro.

André Ceciliano, atual presidente da Alerj também acusado de integrar esquema de corrupção no Rio (Foto: Reprodução)

Os mandados foram cumpridos no Palácio Laranjeiras, no Palácio Guanabara, na residência do vice-governador, na Alerj e em outros endereços nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, de São Paulo, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais e no Distrito Federal. O pastor Everaldo, considerado braço forte do governo, foi preso, juntamente com seus dois filhos, também na sexta-feira (28), indicado como braço forte de Witzel e grande articulador do governo.

Segundo o MPF, o principal mecanismo dos grupos era o direcionamento de licitações de organizações sociais e a cobrança de um percentual sobre pagamentos das empresas fornecedoras do estado, feito mensalmente a agentes políticos e servidores públicos da Secretaria de Saúde. Entre as operações suspeitas está a contratação da Organização Social Iabas para gerir os hospitais de campanha montados para atender pacientes da covid-19.

Também existem suspeitas do uso do poder judiciário para beneficiar os agentes públicos, por meio de um esquema montado por um desembargador do Trabalho que beneficiaria organizações sociais do grupo por meio do pagamento de dívidas trabalhistas.

A primeira-dama Helena Witzel, também foi apontada nas investigações e ainda existem indícios que o governador Wilson Witzel, tenha usado o escritório da esposa, para lavar dinheiro. A Procuradoria-Geral da República, continua insistindo que o escritório de advocacia da primeira-dama recebeu dinheiro desviado de quatro contratos um pouco mais de R$ 500 mil, até o momento. É bem provável, que ainda sejam encontrados documentos que confirmem novas transações.

Por sua vez, a Alerj parece não acertar nas escolhas dos representantes da casa. Entre 1997 e 2020 muitos já foram presos e arrolados em processos judiciais por corrupção e fraudes licitatórias. André Siciliano, atual presidente da casa, tem uma ficha não muito positiva. Ele que já foi preso na operação “Furna da Onça”, muitos representantes da casa tomaram posse dentro dos presídios, para vergonha dos cidadãos de bem da cidade.

Importante ressaltar também, que até o atual momento, a comissão de Ética da Alerj, não seguiu com o processo de cassação desses deputados, que ocupam lá seus cargos, decidem assuntos importantes da cidade e ainda embolsam algum. Talvez essas operações da PF, de certa forma, confortam a nossa moral diante de tanta lama que por anos, sobrepõe uma cidade tão maravilhosa.

As eleições estão programadas para novembro e novo álbum de figurinhas é idealizado e preenchido para uma nova história. Não é ironia, mas a realidade. A política carioca é composta por personagens, que vão e vem, de longe ou perto realizando a dança das cadeiras com objetivo único de lesar o povo, os cofres e o estado, que naufraga nesse mar de corrupção.

A lucidez do voto, é fundamental para que o cenário mude, se refaça e renasça. Porém, com tantos pontos negativos e outros que saltam nossos olhos como o desemprego e fome, é difícil controlar os esquemas de compra de votos. Atentos, esperamos que a justiça seja eficaz em mais um escândalo comprovado de corrupção carioca.

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