Jane Di Castro, morre no Rio aos 73 anos

Foto: Reprodução/Facebook
Morreu, aos 73 anos, nesta sexta-feira (23), a atriz , travesti e pioneira na causa  Jane Di Castro. Ela que é reconhecida por desbravar a causa LTBG desde a ditadura, um grande ícone  da cultura drag no Brasil, estreando  em 1966 o primeiro espetáculo de travestis liberado pela censura. Ela que  foi batizada como Luiz de Castro, estava lutando contra um câncer no fígado desde setembro deste ano e faleceu nesta manhã, no  Hospital de Ipanema, na Zona Sul do Rio.
Foto: Reprodução/ Facebook
Jane integrou o elenco de  ” A Força do Querer”, novela da Rede Globo, escrita por Glória Perez. Nascida e criada em Osvaldo Cruz, Zona Norte carioca, Jane enfrentou desde nova o preconceito por ser travesti. Nos anos 1960, trabalhou como cabeleireira em Copacabana, até que 1966 estreou, no Teatro Dulcina,  o primeiro espetáculo com homens vestidos de mulheres autorizado pela censura, em 1966, o “Les girls em Op Art”. Contudo, durante a ditadura, Jane foi perseguida por realizar shows no Teatro Rival e na Praça Tiradentes.
Jane Di Castro (Foto: André Nizak, Paris, anos 70)
O nome Jane Di Castro foi sugerido por Bibi Ferreira, um dos ícones das artes cênicas que a dirigiu, como fizeram, mais tarde, Ney Latorraca e Miguel Falabella. Em 2001, abriu seu próprio salão em Copacabana, sem jamais deixar a carreira artística de lado. Também estrelou ao lado de Rogéria, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Marquesa, Brigitte de Búzios e Fujika de Halliday, o espetáculo de drags “Divinas Divas”, por dez anos, no Teatro Rival. O show também deu nome ao premiado documentário dirigido por Leandra Leal, lançado em 2016.
Moradora do bairro de Copacabana, Zona Sul do Rio, vizinha do luxuoso Belmond Copacabana Palace, Jane era muito querida e respeitada pelos moradores do bairro, que sempre tietavam a grande diva, que carinhosamente beijava todos com seu batom vermelho.  Também manteve uma união estável por mais de 50 anos com Otávio Bonfim, que morreu em 2018. O casamento foi oficializado em 2014, depois de 47 anos vivendo juntos, em uma cerimônia coletivo que reuniu 160 casais LGBT. Ela que também participou do filme “De perto ela não é normal”, escrito e protagonizado por Suzana Pires, que entra em cartaz nas principais salas de cinema na próxima semana interpretando a personagem Geralda Maltêz. Aqueles que desejarem matar a saudade desse grande ícone das artes, poderá comparecer as principais salas de cinema, a partir da semana que vem, onde o filme estará em cartaz.

 

 

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