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Conceição Evaristo: dama das letras e do ativismo

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No mês em que celebramos o Dia da Consciência Negra, é importante voltar nossos olhares para brasileiros que se destacam por sua bagagem e sua luta pela causa negra. Conceição Evaristo é uma delas. E as armas com que essa escritora, ativíssima aos 73 anos, encara essa batalha são as palavras. Ou seja, não há tiros, nem mortes, apenas ensinamento, cultura e uma trajetória de vida que só tem a engrandecer a história brasileira.

Conceição Evaristo nasceu em 29 de dezembro de 1946 na favela Pendura Saia, da zona sul de Belo Horizonte, Minas Gerais. Filha de uma lavadeira que, assim como Carolina Maria de Jesus, matinha um diário em que anotava as dificuldades de um cotidiano sofrido, Conceição cresceu rodeada pela escrita. “’A nossa casa vazia de bens materiais era habitada por palavras. Mamãe contava, minha tia contava, meu tio velhinho contava, os vizinhos e amigos contavam. Tudo era narrado, tudo era motivo de prosa-poesia, afirmo sempre”, contou ela, que precisou conciliar os estudos com o trabalho como empregada doméstica, até concluir o curso Normal, em 1971, já aos 25 anos. E não parou mais. Tornou-se Mestre em Literatura Brasileira pela PUC/Rio e Doutora em Literatura Comparada pela UFF.

Seu primeiro poema foi publicado em 1990, no décimo terceiro volume da série Cadernos Negros, editado pelo grupo Quilombhoje, de São Paulo. Seu primeiro livro foi Ponciá Vicencio (2003), de um total de sete já publicados, entre eles o vencedor do prêmio Jabuti, Olhos D’água (2015), Cinco deles foram traduzidos para o inglês, o francês, espanhol e árabe. Ou seja, uma das principais expoentes da literatura Brasileira e Afro-brasileira atualmente, Conceição o tornou-se também uma escritora negra de projeção internacional.

Famosa por suas “escrevivências”, conceito que se refere à experiência vivida como motor da produção literária, tendo a memória e a contação de histórias como fontes primordiais. E traz em sua literatura profundas reflexões acerca das questões de raça e de gênero, com o objetivo claro de revelar a desigualdade velada em nossa sociedade, de recuperar uma memória sofrida da população afro-brasileira em toda sua riqueza e sua potencialidade de ação.

“O racismo que permeia as instituições brasileiras é muito cruel. Estão no imaginário do brasileiro algumas competências para o sujeito negro. Acredita-se que ele saiba dançar, cantar, e principalmente no caso das mulheres, cozinhar. Mas as competências intelectuais, principalmente as literárias, não. Quando se trata da literatura, talvez porque ela use o maior bem simbólico da nação, que é a língua, essa escrita negra não é acreditada”, declarou em entrevista.

Conceição tem cuidado de abrir espaços para outras mulheres negras se apresentarem no mundo da literatura e esta sempre atuante, além de em sua escrita, por meio de lives, seminários e encontros, como o Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, evento online realizado em 9 de novembro pela ABPN. Sabedoria e ativismo em uma admirável trajetória.

Foto: Reprodução da Internet

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