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    Renda passiva sustenta a família quando ninguém quer operar, descreve o advogado Rodrigo Pimentel

    Aurora ValdiniPor Aurora Valdinioutubro 1, 2026Nenhum comentário4 Min de leitura
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    Rodrigo Gonçalves Pimentel
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    O Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, especialista em estruturação patrimonial internacional, aponta que, em um contexto marcado por sucessões sem herdeiro disposto a operar, a renda passiva deixa de ser plano alternativo. A pergunta muda de figura. Em vez de escolher quem vai tocar a operação, a família decide se a operação precisa continuar existindo daquele jeito.

    Manter uma indústria funcionando exige presença diária, decisão rápida e apetite por risco. Sem alguém com esse perfil dentro de casa, o negócio passa a depender de terceiros para tudo, e o patrimônio corre atrás de um comando que não existe mais. A alternativa não é vender às pressas, porque existe caminho intermediário entre operar e liquidar.

    Operar deixa de fazer sentido quando ninguém quer a cadeira

    Uma fábrica parada por indecisão vale menos a cada trimestre. Máquina envelhece, cliente migra, equipe técnica se dispersa. A conversão em ativo de renda preserva o que ainda tem valor de mercado, porque transfere a operação para quem vive dela e mantém com a família a propriedade do imóvel, da marca ou da terra.

    Conforme detalha Sideni Soncini Pimentel, a escolha entre operar e alugar precisa considerar o retorno real do negócio, e não apenas o faturamento que impressiona na conversa de família. Operação que entrega margem apertada e consome capital de giro raramente supera o aluguel previsível do mesmo galpão locado a um operador logístico.

    Como um ativo operacional vira fluxo de aluguel?

    O caminho depende do setor e do tipo de ativo que a família controla. Planta industrial vira galpão locado, rede de lojas vira licenciamento de marca com royalties, fazenda vira contrato de arrendamento de longo prazo. Em todos os casos, o desenho contratual carrega o resultado, com prazo, índice de reajuste, garantias e regra de rescisão definidos antes da assinatura.

    Rodrigo Gonçalves Pimentel
    Rodrigo Gonçalves Pimentel

    Contrato longo sem trava de correção transforma renda em prejuízo silencioso ao fim de alguns anos. Na ótica de Rodrigo Gonçalves Pimentel, a negociação do reajuste e das garantias vale tanto quanto o valor inicial acordado, já que a família viverá daquele fluxo por décadas, sem o amortecedor de um novo ciclo de vendas.

    O risco que sai junto com a operação

    Quem opera responde por acidente de trabalho, passivo ambiental, recall de produto e disputa trabalhista. Quem aluga responde pelo imóvel e pelas obrigações do contrato. A diferença de exposição jurídica entre as duas posições costuma pesar mais na conta final do que a diferença de receita bruta entre elas.

    Na avaliação do advogado Sideni Soncini Pimentel, desembargador aposentado que atua de forma consultiva e estratégica após mais de quatro décadas na magistratura, processos trabalhistas e ambientais alcançam sócios com frequência maior do que a família imagina ao manter a atividade em funcionamento sem gestão profissional no comando.

    Renda menor e previsível supera resultado incerto

    Ser dono de dez por cento de um ativo que rende com regularidade costuma ser melhor do que carregar cem por cento de uma operação deficitária. A comparação incomoda o fundador, porque reduz o tamanho aparente do império construído, embora aumente o que efetivamente chega à conta dos herdeiros todo mês.

    Conforme dimensiona Rodrigo Gonçalves Pimentel, a desmobilização bem conduzida não encerra a história da família no mercado, e sim troca o esforço operacional por um patrimônio administrável à distância. Quem quiser empreender depois faz isso com capital próprio, sem a obrigação de reanimar um negócio herdado.

    Sobre os especialistas

    Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado, empresário e sócio do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Sua atuação envolve questões empresariais, patrimoniais, societárias e sucessórias relacionadas a empresários e famílias empresárias.

    Sideni Soncini Pimentel é advogado, desembargador aposentado e integrante do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Após uma trajetória de mais de quatro décadas na magistratura, iniciou uma nova fase profissional na advocacia, com atuação consultiva e estratégica.

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