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Colunas Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Guardiãos x Guardiões

Felipe dirigia tranquilamente para o trabalho enquanto escutava atentamente as notícias pelo rádio. A última notícia era sobre a abertura dos parques da sua cidade. O repórter entrevistava um profissional do parque “Lírio da Paz”.

-Estou aqui com um dos guardiãos do parque “Lírio da Paz”, Sr. Osvaldo. Sua função é proteger e cuidar do parque agora que está voltando a funcionar. O senhor acha que os guardiãos que trabalham nos parques estão prontos para receber a população?

O guardião respondeu:

– Sim. Todos os guardiões dos parques da cidade foram treinados para atender a todas as famílias dentro dos padõres necessários para este momento. Mas, desculpe a minha humilde pergunta, não seriam guardiões?

O repórter falou:

– Não foi o que eu disse? Sim, guardiões. Obrigada pela entrevista, Sr. Osvaldo.

E deu por terminada a entrevista.

Felipe decidiu que iria ao parque “Lírio da Paz” no próximo fim de semana só para conhecer o Sr. Osvaldo.

 

DIRETO AO PONTO

Errado: .Eles são  guardiãos do parque.

Correto:  Eles são os guardiões do parque.

 

O plural de guardião pode ser guardiões ou guardiães.

A grafia guardiãos está errada e não existe no dicionário de língua portuguesa.

Marynês Meirelles é pedagoga e professora de Língua Portuguesa. Pós graduada  em Educação Infantil  e com MBA em Responsabilidade Social (UFF) e Gestão Ambiental (UGF). Mestra na área de saúde e Meio Ambiente (UNIPLI). È sócia proprietária da Essencial Creche Escola na Barra da Tijuca. Trabalha como produtora cultural do programa Sábado é Show na Rádio Bandeirantes onde tem o quadro “Toque Show”, dando dicas da Língua portuguesa.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Projeto ‘Em Tempos de Lives…’

Neste projeto ‘Em Tempos de Lives…’ trarei alguns deslizes que têm sido muito comuns neste período. As lives tornaram-se ferramentas muito utilizadas e atingem o público de uma forma muito simples, rápida e prática. São lives que nos trazem novos conhecimentos ou oportunidades de presenciarmos bate-papos agradáveis, conhecermos outras pessoas, enfim, estreitarmos laços.

Mas, por acontecerem “ao vivo”, as pessoas deveriam tomar alguns cuidados em relação ao nosso Português, mais especificamente, à língua portuguesa. E, para piorar, as lives ainda ficam gravadas, sendo acessadas durante um bom tempo.

Nesta manhã, escutei em uma live sobre harmonização de ambientes a seguinte frase:

─ Você concorda que o seu vídeo SEJE divulgado?

Um vídeo que será divulgado para um número enorme de pessoas e o tal “seje” estará lá!

Portanto, segue aqui o correto:

─ Você concorda que o seu vídeo SEJA divulgado?

Observação: baseado em fatos reais.

DIRETO AO PONTO

Errado: Eu torço para que ele seje feliz!
Correto: Eu torço para que ele seja feliz!

De acordo com o vocabulário ortográfico da língua portuguesa, a palavra ‘seje’, terminada com a letra ‘e’, não existe. Seja é um vocábulo gramaticalmente classificado como verbo. Trata-se do verbo ser, conjugado na 3ª pessoa do singular dos modos subjuntivo e imperativo.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Microondas x micro-ondas

Beatriz Fonseca, nutricionista, neste período de pandemia tem publicado em seu blog muitas receitas práticas e muito gostosas. Receitas que levam poucos ingredientes, rápidas de preparar e que podem contar com a ajuda de crianças. Sua filha Júlia, que está com 12 anos, adora cozinhar e é participante assídua destes momentos de culinária.

Lendo uma das receitas, Julia percebeu que a palavra microondas estava escrita sem hífen. Corrigiu sua mãe:

─ Mãe, microondas não é escrito desta forma. Você precisa corrigir. Muitas pessoas leem o seu blog.

─ Como assim? Sempre escrevi desta forma e ninguém nunca reclamou, disse Beatriz.

─ Mãe, houve algumas alterações na utilização do hífen e esta é uma delas. O correto é micro-ondas. Deixa que eu corrijo.

Direto ao ponto

Errado: colocar no microondas por cinco minutos.
Correto: colocar no micro-ondas por cinco minutos.

Na nova ortografia, usa-se o hífen quando o primeiro elemento (prefixo) termina com a mesma vogal com que começa o segundo elemento: micro-ondas, micro-ônibus, micro-organismo, para-atleta, auto-observação, semi-interno, multi-instrumentista.

Exceção: prefixo ‘co’, geralmente aglutina-se com o segundo elemento iniciado por ‘o’. Exemplos: coobrigação, cooperação, coordenação, etc.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Chego x chegado

Reunião de início de ano na escola de Joaquim. Os responsáveis sentados na sala de reunião aguardando a chegada de um pai que estava estacionando o automóvel. A diretora aguarda para apresentar a equipe. Esbaforido, entra o responsável na sala:

─ Desculpe!Eu tinha chego antes, mas encontrei um amigo e acabei me atrasando!

Olhares trocados! A diretora respira fundo, disfarça e, antes de iniciar a apresentação, diz:

─ Bom dia! Eu vi que você tinha chegado mais cedo, por isso achei melhor esperar um pouquinho.

O pai dá um sorriso meio sem jeito, senta-se e a diretora inicia a reunião.

Direto ao Ponto

Errado: Eu tinha CHEGO antes do horário da reunião.

Correto: Eu tinha CHEGADO antes do horário da reunião.

O particípio do verbo chegar não aceita duas formas, isto é, chegar não é um verbo abundante. A única forma correta, neste caso, é ‘chegado’.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Corona vírus x corona-vírus x coronavírus

Em tempos de pandemia, Carlinhos e Antônia acompanham as notícias e assistem aos programas jornalísticos em diversas emissoras, mudando o canal da tevê constantemente. O controle remoto é o objeto mais disputado. Em tempo de covid-19, não há assunto mais comentado na televisão. Os números da pandemia são divulgados a todo instante. E a audiência sobe a cada momento!

Em uma determinada emissora, Carlinhos verificou que a palavra corona-vírus aparecia escrita de forma separada e com hífen. Em outra, percebeu que estava escrita junta, sem acento.

Carlinhos perguntou para Antônia:

─ Como se escreve esta palavra? Qual emissora está utilizando a palavra de forma correta?

Antônia respondeu:

─ Nenhuma das duas. É uma palavra nova para o nosso vocabulário. Mas, de acordo com as nossas regras gramaticais, o correto é coronavírus, tudo junto, com acento. Precisamos avisá-los! Estão enganados…

Direto ao ponto

Errado: Juntos venceremos a batalha contra o corona-vírus! Juntos venceremos a batalha contra o corona vírus!

Correto: Juntos venceremos a batalha contra o coronavírus!

Na palavra ‘coronavírus’, a sílaba mais forte é a penúltima, ‘ví’. É uma palavra paroxítona terminada em ‘u’ (seguida ou não de ‘s’) e, portanto, segundo a regra gramatical, é acentuada. É exatamente esse o caso de coronavírus.

Outros exemplos: bônus, Vênus.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Se não x senão

A professora Heloísa Helena tinha aplicado a última avaliação do curso de Língua Portuguesa para estrangeiros. A avaliação era uma redação. Já havia corrigido muitas naquela noite. Percebeu que os alunos, ao término do curso, estavam escrevendo e falando muito bem o português. Cometiam poucos erros e isto a deixava muito feliz.

Já quase no final da correção da última redação, deparou-se com a seguinte frase:

“… e para Antônia, minha amiga francesa, a turma preparou uma festa surpresa na varanda da escola. Senão chover, a festa será um sucesso!”.

Heloísa Helena entendeu que ambas as expressões, ‘senão’ e ‘se não’, são semelhantes em relação à pronúncia, mas são distintas na grafia e no sentido. Portanto, é possível que sejam confundidas e aplicadas de forma errada.

Este pequeno engano não comprometeu a redação de Márcia e a aprovação foi imediata.

DIRETO AO PONTO

Errado: Senão chover, a festa será um sucesso!
Correto: Se não chover, a festa será um sucesso!

Escrevemos ‘se não’ separado quando pudermos substituir por ‘caso não’ ou ‘quando não’. Ex: Se não sairmos logo, pegaremos muito trânsito.

Usamos a palavra ‘senão’ (tudo junto) quando significar do contrário, a não ser, porém, de outro modo. Ex: É preciso cuidar das plantas, senão elas não crescerão fortes.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Entre eu x entre mim

Um presidente de um determinado país fez recentemente um pronunciamento na televisão. Todos estavam atentos às suas palavras. Horário nobre, rede nacional.

Em determinado momento, o presidente diz:

─ O povo precisa acreditar nas minhas atitudes até porque entre eu e o povo deste país, não há segredos.

Na mesma hora, o seu assessor engoliu em seco. Escreveu em um cartaz e levantou: “Entre eu, não, entre mim…”.

Mas não adiantou. O presidente voltou a dizer:

─ Entre eu e o povo é preciso haver confiança!

O assessor, que havia escrito o pronunciamento, apenas olhou para o seu colaborador e suspirou.

─ Eu não escrevi assim…

Direto ao ponto

Errado: Entre eu e o povo é preciso haver confiança!
Correto: Entre mim e o povo é preciso haver confiança!

O correto é “entre mim e você”, pois após a preposição usa-se pronome pessoal do caso oblíquo. Da mesma forma será com as demais preposições: para mim e você, para mim e ti, sobre mim e ele, entre mim e ela, contra mim, por mim, etc.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Ínterim x interím

Quem pode, fica em casa. Neste momento, é o que podemos e devemos fazer. Os noticiários apresentam as notícias sobre o coronavírus e aproveitam para passar instruções de como temos que nos prevenir. Entrevistas e mais entrevistas com cidadãos e especialistas.

Em uma das entrevistas, Joice disse:

– É muito difícil ficar em casa. Neste interím, precisamos ter muita paciência e procurar formas de ocupar o nosso tempo.

A repórter tentou consertar:

– Neste ínterim, realmente, precisamos buscar opções para ocupar o tempo. Uma delas pode ser ler e estudar regras da língua portuguesa.

Joice respondeu:

– É verdade. Ótima ideia. Acho que estamos mesmo precisando…

DIRETO AO PONTO

Errado: Neste INTERÍM, ficaremos em casa.
Correto: Neste ÍNTERIM, ficaremos em casa.

ÍNTERIM – Característica do que é interino; provisório, o espaço de tempo entre duas situações e/ou fatos.
Substantivo masculino proparoxítono.
Plural: ínterins.

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Cidadões x cidadãos

Em tempo de corona vírus, um pequeno resfriado pode ser assustador. Em um hospital público, Paula aguardava na fila para ser atendida. Uma funcionária surge no meio da sala de espera e diz: 

─ Os atendimentos estão demorados porque muitos cidadões estão resfriados e nossos consultórios estão lotados. Tenham calma, por favor! 

Paula repetiu, já fazendo a correção:

 ─ Muitos cidadãos estão resfriados, não é isso?

 ─ É, ainda bem que a senhora entendeu. Os cidadões ficam nervosos e querem logo ser atendidos. 

─ Ah, entendi. Os cidadãos ficam nervosos.

 ─ A senhora está com algum problema? Eu já disse isso.

 ─ Ah, está bem. Eu não tinha compreendido…  

DIRETO AO PONTO  

Errado: os cidadões estão doentes.  

Correto: os cidadãos estão doentes.  

O plural de cidadão é cidadãos. O acréscimo apenas do “s”, resultando na terminação ‘ãos’, ocorre em todas as paroxítonas (quando a sílaba tônica, mais forte, da palavra é a penúltima) e em algumas oxítonas (quando a sílaba tônica é a última), inclusive em algumas monossílabas.  

Veja alguns exemplos: órfão – órfãos / bênção – bênçãos / cidadão – cidadãos / irmão – irmãos / sótão – sótãos / mão – mãos / chão – chãos / grão – grãos. 

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Marynês Meirelles | Direto ao Ponto

Aberto x abrido

A festa estava muito animada dentro do apartamento. Criança cantando, alegria, correria. A campainha toca e ninguém escuta. Novamente a campainha toca insistentemente.

Maria grita da cozinha:

– Alguém abre a porta, por favor!

Eliane responde:

– Eu já tinha abrido. Deixei a porta destrancada. Acho que a pessoa não percebeu! Ela não entrou.

Maria gritou:

– Você o quê? Por favor, Eliane, aprenda a falar direito. Eu já tinha aberto a porta!

– Ah, você também tinha abrido? Realmente, a pessoa não percebeu…

 

DIRETO AO PONTO

Errado: Eu tinha ABRIDO a porta.

Correto: Eu tinha ABERTO a porta.

O particípio do verbo abrir NÃO aceita duas formas, isto é, abrir não é um verbo abundante. A única forma correta, neste caso, é aberto.

Marynês Meirelles é pedagoga e professora de Língua Portuguesa. Pós graduada  em Educação Infantil  e com MBA em Responsabilidade Social (UFF) e Gestão Ambiental (UGF). Mestra na área de saúde e Meio Ambiente (UNIPLI).