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Plataforma gratuita criada por brasileiros ajuda na busca por emprego

Daniela Lana e Gregório Salles desenvolveram a plataforma online. (Foto: Divulgação)

Dois brasileiros que vivem na Austrália criaram uma plataforma digital gratuita que ajuda na busca por emprego e promove inclusão financeira e economia colaborativa, para amenizar os impactos da pandemia. A startup, chamada de “RestartUs – Recomeçando Vidas”, já iniciou sua fase de pré-cadastro no Brasil.

Inspirada em modelos como o do LinkedIn e já presente na Austrália, Portugal, Estados Unidos e Angola, a plataforma promoverá, em sua primeira fase, vagas de emprego, desenvolvimento de pequenos negócios e acesso a conteúdo de capacitação gratuito para a população carente.

Usuários, empresários e parceiros podem fazer o pré-cadastro no site: www.recomecandovidas.com.

Daniela Lana (fundadora e cientista social)

Uma das idealizadoras do projeto é a cientista social Daniela Lana, ex-sargento feminina da polícia militar brasileira. Ela faz questão de enfatizar que a plataforma não tem caráter exclusivo, mas sim inclusivo.

“Qualquer pessoa sabe que ali é um lugar sem julgamentos ou preconceitos, seja um jovem desempregado da periferia, uma pessoa de baixa renda querendo começar um pequeno negócio, uma mãe solteira com problemas financeiros, ou até uma empresa querendo contratar trabalho remoto, por exemplo”.

Para as próximas fases de lançamento da plataforma estão previstas soluções de apoio financeiro baseado no modelo Fintech e Blockchain, além de uma solução de Marketplace que facilitará a empreendedores e autônomos oferecerem seus serviços e produtos a toda a comunidade da plataforma. Para isso, a empresa está buscando atualmente investidores sociais e parcerias estratégicas.

Estudos conduzidos pela própria startup mostram que das cerca de 4,6 bilhões de pessoas atualmente conectadas na internet pelo mundo, mais de 3 bilhões não têm acesso a oportunidades de emprego e educação online.

Para mudar essa realidade, a ideia é usar os recursos de inteligência artificial, Blockchain, realidade virtual e Internet das Coisas (IoT) como facilitadores da transformação, inclusive em áreas que não têm acesso à internet.

A empresa também idealizou um programa de recompensas para o aumentar o engajamento dos participantes.

“Criamos um sistema de pontos que irá recompensar todos os envolvidos, que se ajudam mutuamente como em um videogame da vida real, elemento crucial para engajar os mais jovens também. Pretendemos ampliar a inclusão digital com parceiros de setor Telecom, já que a falta de um pacote de internet suficiente é a reclamação mais recorrente do grupo social que estamos beneficiando na plataforma”.

Gregório Salles (fundador e empreendedor)

Um dos idealizadores do projeto é Gregório Salles, um empreendedor com vasta experiência em startups de inovação social e tecnologia. Ele diz que, assim como sua sócia no projeto, percebeu que as atuais plataformas online não engajam a população de baixa renda.

“Eles se sentem intimidados pela sua classe social, escolaridade e até o local em que residem. Um jovem que mora em uma comunidade do Rio de Janeiro ou na periferia de Fortaleza muitas vezes precisa esconder de seu empregador o bairro onde vive, um fenômeno também recorrente na maioria dos países emergentes. Mesmo na Oceania e América do Norte, por exemplo, trabalhadores são rotulados por raça, sobrenomes estrangeiros ou até condições de saúde. Fora aqueles que tiveram algum problema com a justiça no passado,e acabam marcados e excluídos. São muitas famílias afetadas. Não resta mais lugar para isso no atual cenário global em que a força de trabalho e o empreendedorismo vão formar a matriz determinante para os países superarem a crise e seguirem crescendo com mais igualdade”.

Ainda conforme Salles, um levantamento da empresa apontou que cerca de 45% das empresas sofre com falta de mão de obra, seja qualificada ou não, e que falta entre as grandes empresas de tecnologia uma que seja voltada para o verdadeiro impacto social, com o intuito de mudar essa realidade.

“Nossa plataforma agiliza o caminho que conecta as duas pontas, para que os dois lados saiam ganhando num grande cardápio de recompensas. Ofereceremos também um conteúdo educacional gratuito que ajuda esses candidatos, por exemplo, preparando-os para o momento da entrevista, ou os fazendo conhecer um museu com óculos de realidade virtual. O que queremos é a realização pessoal de cada um que usa a plataforma, nos comprometendo a investir a maior parte do nosso lucro na realimentação desta rede de treinamento e desenvolvimento de capital social”.

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60 anos do Parque da Tijuca: Veja recantos ainda pouco explorados

Por Alan Alves

Encravado no coração do Rio de Janeiro e sob os pés do Cristo Redentor, o Parque Nacional da Tijuca completa 60 anos em 2021. O espaço detém o título de o mais visitado do país, recebendo cerca três milhões de pessoas por ano, mas alguns recantos no meio da floresta seguem ainda pouco explorados por brasileiros e estrangeiros.

O parque foi criado em 1961, inicialmente na área do Maciço da Tijuca (Paineiras, Corcovado, Tijuca, Gávea Pequena, Trapicheiro, Andaraí, Três Rios e Covanca) e depois, em 2004, incorporando também o Parque Lage, a Serra dos Pretos Forros e o Morro da Covanca. Hoje, com mais de 39 km², a unidade de conservação tem opções de diversão para todos os públicos, com áreas para piquenique, churrasco, voo livre, escalada, trilhas e outras atividades.

Parque é rico em cachoeiras. (Foto: Divulgação/ICMBio)

O parque foi implantado na área da Floresta da Tijuca, a primeira replantada do mundo e hoje uma das maiores florestas urbanas do planeta que além da beleza, ajuda no equilíbrio do clima — sua reserva tropical faz a temperatura da cidade ter o clima até 4 graus mais ameno, segundo especialistas — e contribui para a redução do nível de metais pesados no ar, sobretudo os lançados por veículos.

Recantos pouco explorados

O parque é rico em fauna e flora e dividido em três setores de visitação: Floresta, Pedra Bonita/Pedra da Gávea e Serra da Carioca, onde ficam o Corcovado e a estátua do Cristo Redentor, que completa 90 anos em 2021. Há acessos pela zona norte (Tijuca), zona oeste (pela Barra da Tijuca) e da zona sul (pelo Jardim Botânico e Gávea).

Muitas pessoas mal sabem que alguns recantos são tão belos quanto os pontos mais frequentados do parque e deixam de explorar esses espaços. Um deles é o Mirante da Guanabara, que possibilita visão privilegiada da Baía de Guanabara, Serra dos Órgãos, Região Central do Rio e da Ponte Rio-Niterói. O acesso se dá a poucos metros do Centro de Visitantes Paineiras, no Alto da Boa Vista.

Tucano no bico preto é um dos moradores da floresta da Tijuca. (Foto: Divulgação/ICMBio)

Pela Rua Amado Nervo, também no Alto da Boa Vista, é possível chegar a outro ponto de vista panorâmica: a Pedra da Proa. São 633 metros de altitude, com vista da Lagoa Rodrigo de Freitas, das praias da Zona Sul, do Morro Dois Irmãos, do Corcovado e do Pão de Açúcar.

Outra boa opção é o Circuito das Grutas. Sao oito, com formações rochosas provenientes de deslizamentos por movimentos tectônicos. Entre elas está a Gruta dos Morcegos, com 22m de altura e mais de 100m de profundidade.

Para quem quer se refrescar, o parque oferece a tranquilidade da Cascata da Baronesa, que fica próximo ao Circuito das Grutas, e a Cascata do Engenho, com acesso por trilha a partir do Jardim Botânico. Nesse trajeto, também é possível acessar o Poço Temiminó, outro ponto para banho no parque.

Outros pontos a serem explorados sao a Cachoeira das Almas, o Pico da Tijuca, a Pedra do Conde, o Morro do Anhanguera, o Bico do Papagaio e o Lago das Fadas, todos no setor Floresta da Tijuca, a Estrada das Paineiras e a Mesa do Imperador, ambas no Setor Serra da Carioca.

A cuíca-lanosa é outra moradora da floresta. (Foto: Divulgação/ICMBio)

Visitações e restrições

Por causa da pandemia, medidas restritivas foram adotadas pela gestão do parque, entre elas a limitação do número de visitantes. No setor floresta, por exemplo, a capacidade foi reduzida para 1,5 mil pessoas por dia. No site do Parque Nacional da Tijuca, o visitante pode se informar sobre as regras e ainda sobre os horários de funcionamento.