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“Os brasileiros perderam o medo da Covid-19’

 

Por Claudia Mastrange

Enquanto o Brasil enfrenta, em várias regiões do país, um aumento de casos de contaminação e morte por Covid-19 e a vacina ainda esta longe de ser uma realidade no país, o coronavírus já se apresenta em uma nova variante, gerando um alerta mundial. O virologista Raphael Rangel, delegado do conselho de Biomedicina no Rio de Janeiro e coordenador do curso de Biomedicina do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação – IBMR, em entrevista exclusiva ao Diário do Rio, fala sobre a pandemia, seu enfrentamento no Brasil e essa variante, 70% mais contagiosa do coronavírus. Ela já circula na Europa e nos Estados Unidos e, segundo Raphael, já pode ter chegado ao Brasil.

DIÁRIO DO RIO – Como vê a evolução da pandemia no mundo?
RAPHAEL RANGEL – “A pandemia, de uma forma geral, se desenvolveu muito rápido. Países como Estados Unidos e Brasil, por exemplo, demoraram muito para tomarem medidas mais restritivas e tiveram seus governantes negligenciando a Covid-19, com palavras como “É somente um resfriadinho”, “Uma gripezinha” e que logo ia passar. Com isso, acabou enfraquecendo muito o discurso dos cientistas e dos médicos com relação ao coronavírus. As pessoas passaram a não se proteger contra a doença e o resultado disso a gente percebe no número de pessoas infectadas e na infeliz marca de 190 mil mortos”.

DIÁRIO DO RIO – Fale sobre essa variante do vírus. Verdade que é 70% mais contagioso?
No que isso é perigoso para o enfrentamento a pandemia?
RAPHAEL RANGEL – É importante destacar que não é incomum os vírus sofrerem mutações, eles sofrem isso a todo instante. O que nos preocupa nessa variante é que a mutação que ocorreu nela codifica uma região importante do vírus que ele utiliza para entrar na célula hospedeira. Então essa mutação pode deixar o vírus 70% mais contagioso. Não que necessariamente isso já esteja acontecendo, mas ele tem poder para fazer isso.

DIÁRIO DO RIO – Essa variante deve chegar ao Brasil?
RAPHAEL RANGEL – Essa variante já pode estar sim no Brasil, precisamos intensificar o que chamamos de vigilância genômica, que é realizar o sequenciamento do RNA viral dos coronavírus que nós temos aqui no Brasil, identificar para saber se ela já está aqui. Mas, se não tiver, ela pode chegar sem sombra de dúvida.

DIÁRIO DO RIO – O Brasil vive ou uma segunda onda de contágio? Ou não saímos mesmo na primeira ?
RAPHAEL RANGEL – O Brasil vive uma segunda onda, obviamente em regiões específicas como Rio de Janeiro e São Paulo. Uma segunda onda é caracterizada quando tivemos a primeira onda de números de casos e internações, que decaíram. E , de meados de outubro para cá, o número de infectados, internações e mortes também aumentaram, isso caracteriza sim uma segunda onda.

DIÁRIO DO RIO – A que se deve esse aumento significativo na taxa de contágio e mortes?
RAPHAEL RANGEL – “Esse aumento de número de casos vai de encontro com duas questões. A primeira é que os brasileiros perderam o medo da Covid-19, muitas pessoas sem máscara, não praticando o distanciamento social, principalmente os jovens que estão indo para a balada e bares lotados. E a outra questão é que os governantes fizeram medidas de flexibilização e não obedeceram o tempo mínimo para fazer, exemplo do Rio de Janeiro que não esperou de duas em duas semanas que é cada fase de flexibilização. Fizeram até mesmo duas fases em uma semana só. Então essa reabertura que deveria ser gradual. Acontecendo de forma equivocada acaba ajudando também na dispersão da doença.

“O Brasil está
bem longe de conseguir controlar
a pandemia”

DIÁRIO DO RIO – O que achou do Plano Nacional de Vacinação?
RAPHAEL RANGEL – “O plano nacional de vacinação obedece a um script, não é nada surreal. O Brasil, até o momento, não fez nenhum acordo significativo a não ser com a AstraZeneca, e comprou 100 milhões de doses aqui para o nosso país. Mas percebemos que na fila das melhores vacinas, como por exemplo, a da Pfizer, que os Estados Unidos está usando, nem demonstramos interesse de compra. Caso o Brasil vier a demonstrar interesse agora, só conseguiremos algumas doses no final de 2021. Enquanto já passamos da marca de 3 milhões de pessoas vacinadas do mundo, o Brasil segue sem vacina e sem um plano de vacinação fidedigno. Vizinhos como a Argentina já estão vacinando”.

DIÁRIO O RIO – Quando acredita que conseguiremos controlar? Podemos chegar a que número de mortos?
RAPHAEL RANGEL – “Eu diria que o Brasil está bem longe de conseguir controlar a pandemia. Temos uma incapacidade de gerenciá-la no nosso país, muito por conta dos nossos governantes. Estamos passando por uma das piores pandemias que o mundo já viveu, com um ministro da saúde que nem da área da saúde é. Ele é formado em logística. E mesmo assim, tivemos diversos testes estragando, passando da validade em um galpão em São Paulo. Então o Brasil está bem longe de vencer ou controlar a pandemia, essa situação segue no descontrole. Exemplo disso é que todos querem testar vacinas por aqui”.

DIÁRIO O RIO – E quanto ao recontágio? Há como prevenir? Ele acomete algum grupo em especial?
RAPHAEL RANGEL – A reinfecção é possível e tem acontecido. Aas pessoas têm uma falsa ideia de que, uma vez que a pessoa tem a doença, ela nunca mais terá. Isso não é uma verdade. As pessoas que tiveram Covid podem ter novamente, porque os anticorpos, após cinco, seis meses acabam zerando, podendo haver uma nova reinfecção com a doença, e sendo ela suscetível a qualquer um.

Foto: Divulgação

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Na trilha do sucesso: entrevista com o cantor Gustavo Tibí

 

O cantor Gustavo Tibí é um dos grandes sucessos do momento no Brasil. Ele participou da mais recente edição do reality musical da Globo, “The Voice Brasil”, em que o vitorioso na grande final foi Victor Alves. Mas à despeito do programa, Tibí já tem acumulado grandes conquistas. Ele compôs a música “O problema é que você sabe”, sucesso da banda Onze20, que já conta com mais de 1 milhão de visualizações no Youtube, além de ter feito parte da banda Jamz, finalista do programa “Superstar”, da Rede Globo, em 2014.

Agora em carreira solo, Tibí vem lançando músicas autorais. Ele que já conta com seu primeiro álbum solo intitulado “Quase Pop”, um disco pop com influências do R&B, Blues e soul, com nove faixas, sendo sete delas compostas por ele mesmo e duas em parceria com o amigo Cassiano Andrade. Entrevistamos o cantor, que falou um pouco de sua carreira e trajetória na música.

 

DIÁRIO DO RIO A paixão pela música é algo que sempre esteve na sua vida. Qual a sensação de poder viver da música? 

 

GUSTAVO TIBÍ – Desde criança eu digo que gostaria de ser músico. Então eu me sinto muito privilegiado em poder estar vivendo o meu sonho e acima de tudo, amar a minha profissão.

 

DIÁRIO DO RIO Você teve bastante sucesso com a banda Jamz, participando do programa da Globo “Superstar”, indicações ao Grammy Latino, entre outras conquistas. Como foi viver todos esses momentos?

 

GUSTAVO TIBÍ – Eu amo a sensação de ser reconhecido pelo meu trabalho, ganhar prêmios, mas nada se compara ao contato que temos com os fãs. É muito bom ouvir as histórias que eles contam e de como a sua música os ajudaram em algum momento. É uma sensação que não tem preço.

 

DIÁRIO DO RIO  O The Voice é um programa que abre oportunidades para cantores e músicos de todo o Brasil. Você consegue descrever como foi participar dessa temporada do reality musical?

 

GUSTAVO TIBÍ – Me sinto muito honrado de ter chegado até as quartas de final desse programa que eu tanto admiro. Fiquei muito feliz com toda a repercussão que a minha participação gerou e agora estou focado para aproveitar as oportunidades que estão surgindo.

 

DIÁRIO DO RIO Quais são as suas referências na música?

 

GUSTAVO TIBÍ – As minhas maiores referências são: Ray Charles, Stevie Wonder, Djavan, Beatles e Gabriel, O pensador.

 

DIÁRIO DO RIO Além de cantor e músico, você já chegou a atuar algumas vezes. Você pensa em trabalhar como ator também?

 

GUSTAVO TIBÍ – Penso muito! Eu gosto muito de atuar e eu quero muito colocar esse plano para 2021.

 

DIÁRIO DO RIO Sobre o seu primeiro álbum solo, “Quase Pop”, como tem sido o feedback do público? E como foi para você ter seu trabalho solo sendo reconhecido?

 

GUSTAVO TIBÍ – O primeiro álbum na vida de um artista é muito especial, já que é um compilado de tudo que ele compôs até o momento. Não tem nada melhor do que saber que as suas músicas fazem parte da trilha sonora da vida das pessoas. Agora, por conta do The Voice, muita gente tem me enviado mensagens de apoio e perguntar sobre o segundo álbum. Isso me deixa tão feliz e realizado.

 

DIÁRIO DO RIO Quais são os planos e projetos futuros para a sua carreira?

 

GUSTAVO TIBÍ –  O que eu posso revelar no momento é que ano que vem lançarei muitas coisas inéditas e eu estou muito ansioso para conseguir viajar pelo Brasil levando o meu som e conhecendo novas histórias.

Por: Luhan Alves- Com supervisão de Claudia Mastrange 

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“O mundo precisa mudar”

 

Por Claudia Mastrange

Não é à toa que o ator Deo Garcez tem orgulho de sua trajetória. O menino que viveu uma infância pobre em São Luiz do maranhão viu seu sonho virar realidade ao tornar-se um ator nacionalmente reconhecido.  Nada foi fácil: ele fez acontecer. Começou a fazer teatro ainda menino e lá se vão mais de 40 anos e muita história para contar. Representatividade também o define, já que  procura sempre abordar a temática do racismo em seus trabalhos e há 5 anos  encena  ‘Luiz Gama ─ Uma Voz pela Liberdade’. O espetáculo conta a trajetória do ex-escravo, jornalista, poeta, político, advogado autodidata, que foi responsável pela libertação de mais de 500 escravos. Deo está em cartaz  também com o espetáculo online “Anjo Negro”, baseado no texto de Nelson Rodrigues. Em entrevista ao Diário do Rio, ele fala de como se reinventou na pandemia e o que espera para o país e o mundo em 2021.

Diário do Rio-  Quando iniciou o trabalho com Luiz Gama, imaginava esse estrondoso sucesso e essa longevidade do espetáculo?

Deo Garcez – Não imaginava não. Mas de imediato vimos que a aceitação era muito grande e que iríamos fazer esse espetáculo por um bom tempo. Não que fosse vir até aqui, são 5 anos. Sei que continuará a ser feito. Me vejo velhinho de bengala interpretando Luiz Gama (risos). Porque sempre haverá necessidade de se contar a história dele. A importância dele para o Brasil e para o  mundo.

– Qual a importância de abordar esse tema para o país e os negros?

Deo Garcez – A peça recupera a importância fundamental, na construção desse país, da luta por direitos, da luta em especial pela libertação dos escravos no Brasil. Espetáculos como esse trazem pra hoje e faz ecoar a voz dos nossos ancestrais negros e negras que foram invisiblizados ao longo da história brasileira. História que é sempre manipulada do ponto de visa do opressor, do colonizador, dos poderosos…. Há tantos heróis e heroínas que precisam ser recuperados, como Esperança Garcia, no Piauí; Negro Cosme, no Maranhão…. Líderes que tiveram importância fundamental na luta pela abolição. Quem os conhece? Quase ninguém.

– O racismo é um mal que nunca se acabará?

Deo Garcez – Não sei se acabará. Mas torço que minimize. O mal sempre vai existir, mas nós, do bem, estamos aí para combatê-lo.. Me sinto péssimo diante de tantos acontecimentos relacionados ao racismo.a matança da população negra dentro e fora do país. É traumático ser negro no Brasil porque as mazelas da escravidão continuam até hoje. Cada 23 minutos um jovem brasileiro entre 12 e 19 anos é assassinado. Nos presídios, mais de 70% da população é negra. As muheres negras são duplamente marginalizadas., discriminadas. É urgente que esse genocídio acabe. É preciso que falarmos uma revolução, no melhor dos sentidos, para acabar com essa crueldade que é o racismo.

– Porque decidiu encarnar o “Anjo Negro”? 

Deo Garcez – Decidi encarnar  Ismael porque é uma forma diferente de abordar o racismo, na linguagem de Nelson Rodrigues. Fala do auto- preconceito, é bastante polêmico.  Meu personagem é capitão do mato de si mesmo. Remete as pessoas que, diante de tanta crueldade, se sentem inferiores e renegam sua própria etnia. Sabemos que existem os “Sérgios camargos” (atual presidente da Fundação Palmares) da vida que renegam sua ancestralidade, seus heróis negros. É atual. Nelson bota o dedo na ferida, não tem meias palavras, fala do pior dos sentimentos e da maldade humana.

– Qual a função do artista na sociedade e no Brasil  atual?

Deo Garcez – Além de levar entretenimento, o artista tem uma função educativa muito grande. No sentido de desalienar, politizar as pessoas e a sociedade. No Brasil, além da pandemia e da vulnerabilidade que vivemos, há um momento de negação de direitos, da saúde, da educação, da cultura, das relações exteriores… Nós artistas temos que fomentar esse debate e ver que atitudes políticas  possam ser implementadas para que possamos ter direitos iguais, direito à vida.

– São mais de 40 anos de carreira… Como avalia sua trajetória ?

Deo Garcez – Avalio com orgulho, uma felicidade muito grande por ter realizado meu sonho e ter essa trajetória, essa representatividade. Eu que venho de um subúrbio, negro, com dificuldades, que nunca deixei  que fossem obstáculos para realizar meu sonho. Ser artista não é fácil, ainda mais no Brasil. Sempre  procurei, nos meus trabalhos, abordar a temática afrobrasileira , a luta antiracismo. Isso me dá grande reconhecimento, como a medalha Pedro Ernesto, que recebi na Câmara de Vereadores do Rio, por conta de Luiz Gama.

– Como lidou com a pandemia?  O que reavaliou com tudo que o mundo esta enfrentando?

Deo Garcez – Tenho conseguido produzir de forma  proveitosa, através de leituras, reflexões, experimentações artísticas –  como os dois espetáculos em formato online. Estamos nos adequando a tudo. Nesse momento, chega-se à conclusão que o mundo precisa mudar. Cuidar da natureza, da própria vida, da saúde, sermos menos individualistas, pensarmos no bem comum. Deixar o capitalismo um pouco de lado e pensar no bem coletivo.

– Quais os planos e o que espera para 2021, para você, o nosso país e o mundo?

Deo Garcez – Continuarei Luiz Gama, claro. Anjo Negro continua em janeiro, terceiro ato. Tenho outro texto, que é um monólogo, de Ricardo Torres, diretor de Luiz Gama, para o qual já procuro patrocinador. Fala das minorias, da luta pelos direitos, o preconceito de diversas formas; temática necessária. Tem dois curtas e ainda uma outra peça de cunho histórico…. Muitos planos !( risos). Em janeiro também volta ao ar a novela Salve-se que Puder, em que vivo o médico Emir.

Para o Brasil, espero, que nossos governantes pensem e coloquem em prática políticas públicas que favoreçam aqueles que estão à margem e são uma grandíssima maioria. E também combater o racismo que mata nossa população negra. Que nas nossas escolas se conte a verdadeira História do Brasil, que a Lei 10.639  (que obriga o ensino da história da África e a importância dos negros na formação do Brasil) seja colocada em prática. Que se pense realmente num Brasil para todos, com saúde e educação de qualidade, moradia digna e igualdade de direitos de modo geral.

Foto: Vivian Fernandez 

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Mencatto: estilista brasileiro que faz sua moda brilhar nos EUA

 

Por  Claudia Mastrange

Ele nasceu no interior do Paraná, na cidade de Dois Vizinhos, mas ganhou o mundo Aldo Mencatto sempre foi apaixonado por moda e, desde criança confeccionava peças usando sacos rústicos, folha de bananeira  e todo material que o criativo menino de 6 anos pudesse transformar em moda. Hoje, tornou-se um estilista respeitado pelo mundo e há 12 anos vive em Las Vegas, no estado de Nevada, nos Estados Unidos.

Em 2018 foi homenageado como um dos cinco melhores fashion designers do ano nos EUA.  Já vestiu personalidades como Luiza Brunet, Evandro Mesquita e Paloma Bernardi e, em plena pandemia, trabalha em sua fundação e prepara uma nova coleção, que será lançada no Rio de Janeiro em 2021.  “Para mim a moda se define em cada personalidade. O principal ponto em cada um, é o que se define como parte da moda global”, afirma.. Confira a entrevista exclusiva ao Diário do Rio.

Diário do Rio – Desde menino você já curtia moda? Verdade que sua mãe te inspirava? Fale um pouco sobre isso…

Mencatto – Eu cresci no interior do Paraná, em uma família grande. Minha mãe sempre foi uma mulher guerreira, que criou 15 filhos e sempre costurou para toda a família. Cresci ajudando- a a costurar e, com 6 anos comecei a fazer roupas com sacos de batatas, guarda-chuvas velhos, folhas de bananeiras e outras coisas e  sem nem uma informação sobre o mundo. Tudo no interior do Paraná, onde cresci sem televisão e eletricidade.

Diário do Rio – – Quando viu que a a moda era se u caminho profissional?

Mencatto – Com 15 anos nos mudamos para a cidade e comecei a conhecer outro mundo. Comecei na carreira como modelo, mas minha paixåo não era apenas posar e sim criar moda. Em 2003 que resolvi investir na carreira como estilista de moda. Comecei a pensar em minha mãe, que sempre me inspirou, e resolvi seguir minha paixão. Comecei a fazer feiras de moda e vender pra lojas multimarcas.

Diário do Rio –  Qual foi sua primeira peça de sucesso?

Mencatto – Foi um vestido feito para a atriz Paloma Duarte usar no filme “Deus é Brasileiro”, em cena com o ator Antonio Fagundes. Depois comecei a vestir muitas outras celebridades.

Diário do Rio – Como foi a mudança para os Estados Unidos ?

Mencatto – Há 12 anos deixei o Brasil e vim morar em Las Vegas, nos Estados Unidos. Em 2012 fui um dos fundadores do consulado da moda em Las Vegas, e em 2017 recebi o titulo de pessoa do ano pelo Congresso dos EUAS e também pelo Chamber de Commerce do estado de Nevada. Uma grande conquista.

Diário do Rio – Qual a sensação ao conseguir fazer sua primeira coleção em Las Vegas?

Mencatto – A primeira coleção aqui em Las Vegas foi uma sensação de conquista grande. Ao mesmo tempo, estava muito nervoso por estar em outro país, com uma outra língua, outra perspectiva de vida para mim. Mas pensei no que me movia, que era a paixão pela moda e a ideia de ver novamente as pessoas usando minhas roupas.  Um dia, dirigindo aqui nas montanhas, tive uma visão de um vestido vermelho decidi apostar tudo na moda… Aqui não tem o crepe de seda puro, canelado, que é o tecido que mais gosto… Mas busquei outros tecidos para criar a coleção e mandei para Helena, no Brasil. Quando recebi as peças, a sensação foi incrível. Foi um alívio e uma conquista muito grande.

Diário do Rio – E como foi  o lançamento?

Mencatto –  Em 2012 surgiu o convite para lançar no Hotel MGM,  em um desfile beneficente, com renda para a Fundação Three Square ,  que ajuda crianças no mundo inteiro. Foram mais de 600 ingressos vendidos e todo dinheiro foi doado. A sensação foi de vitoria. A partir daí todos os meus desfiles são beneficentes. É uma promessa que fiz, não faço só para mostrar modelos e moda. Faço desfiles viajando para muitos países e na intenção de ajudar hospitais, instituições que tratam de crianças com câncer… No Brasil, ajudo o Instituto do Câncer Infantil de Aracaju.

Diário do Rio – -Como será sua nova coleção?

Mencatto  – A nova coleção está sendo feita toda no Rio de Janeiro por uma das mais competentes costureiras que ja tive: Maria Helena Fernandes. Basta ver meus desenhos e ela entende cada detalhe a ser feito. Vem totalmente glamurosa, a coleção mais luxuosa que já fiz, com 40 peças exclusivas, com tecidos exclusivos. Além do melhor, que é o chifon puro de seda, uso rendas, tudo vindo da Paris. E faço pessoalmente bordados exclusivos para as peças. Me inspiro muito dirigindo em L.V.  As cores, grafismo, luzes, seus grandes telões…. Com a pandemia, as luzes foram embora, mas estão de volta nessa coleção.

Diário do Rio – Como foi produzir em plena pandemia?

Mencatto – Foi bem complicado porque tudo parou e confecciono tudo no Rio. Mas a coleção diz mais sobre a nova etapa da minha vida. Remodelei tudo, com meu filho, meu la. Entendi que é preciso ter tempo para si próprio. Me redescobri, pintei a casa, troquei móveis… Há uma mudança gigantesca em tudo e a coleção reflete isso.

Diario do Rio – Fale sobre sua fundação, a Chris’s Mencatto Children’s Foundation.

Mencatto – Ela é fruto de uma promessa. Realizei o meu maior sonho que é ser pai. Sou um homem realizado. Christopher é a coisa mais importante da minha vida. Então pedi a Deus que o protegesse, e à mãe dele e prometi que dedicaria minha vida a ajudar crianças e buscar tornar melhor a vida das pessoas. Meu filho tem autismo. Está com 7 anos, está  bem. Trato-o com muita coisa natural e pretendo abrir um centro para dar assistência a crianças com autismo, desde apoio médico a aulas de música e pintura. Em Vegas não tem isso. Quero ajudar outros pais. No inicio fiquei frustrado porque não tinha quem me ajudasse Então tudo que faço por ele quero fazer por outras crianças. É meu grande objetivo para 2021.

Foto: Harman House

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O Rio de Janeiro precisa de uma saída socialista

 

Por: Claudia Mastrange

Professor universitário e bancário aposentado, Cyro Garcia milita no movimento sindical desde a década de 70. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da CUT e foi presidente do Sindicato dos Bancários entre 1988 e 1991. Atualmente é o presidente do diretório estadual do PSTU. Ele exerceu mandato de deputado federal durante dez meses, como suplente de Jamil Haddad, em 1993. Agora, Cyro é candidato a prefeito do Rio, em um momento em que a cidade luta contra inúmeras mazelas, casos de corrupção, má gestão e  o descaso com a população por parte do poder público. Conheça as propostas do candidato, que participou de uma live esclarecedora no Instagram do Diário do Rio.

Diário do Rio: Por que se candidatar a prefeito do Rio?

Cyro Garcia: Nosso objetivo é apresentar uma alternativa socialista para as eleições do Rio de Janeiro. Dos candidatos que aí estão, só existem duas propostas.Um grupo é alinhado à direita, em vários níveis, onde os partidos trabalham com a gestão do capital e, com a representação máxima do presidente Bolsonaro. E isso tem os efeitos que temos visto: destruição do meio ambiente, agressões a muheres, negros,….  O outro grupo está alinhado  mais à esquerda,.mas com um discurso conciliador, mas sem propostas concretas de resolução dos problemas da cidade. Nossa proposta é de ruptura com o sistema capitalista, de dar voz aos trabalhadores e moradores da cidade , com uma proposta socialista e revolucionária.

E como isso vai funcionar na prática?

Cyro Garcia: Queremos fazer com que os ricos paguem pela crise. Para  botar ordem na casa e aumentar a arrecadação, vamos trabalhar com em um tripé. O primeiro ponto é a suspender o pagamento da dívida pública, que só serve para repassar dinheiro para os bancos.  Precisamos usar esse dinheiro em obras sociais e nas inúmeras demandas que a cidade e a população tem. A segunda medida é acabar com a farra das isenções fiscais para grandes empresários. Isenção de ISS a grandes empresas, templos… retira dos cofres públicos R$ 10 bihões! Não faz o menor sentido abrir  mão de valores que podem ser direcionados para os bens públicos. E o terceiro ponto  e estabelecer um IPTU com taxas progressivas em termos de valores. Assim, vamos cobrar mais  de quem mora em bairros nobres e isentar os bairros com população de baixa renda.

Diário do Rio: Se eleito, qual sua primeira ação?

Cyro Garcia: Vamos criar conselhos populares formados por locais e trabalho, locais de moradia e locais de estudo Eles, os cidadãos, trabalhadores, usuários do serviço público é que estabelecerão as diretrizes a serem implementadas pela Prefeitura para garantir saúde e educação públicas, gratuitas e de qualidade, bem como os demais serviços essenciais necessários aos moradores o Rio. Eles serão o ponto de apoio de toda a gestão municipal e vão direcionar os recursos, que serão ampliadas com as medidas citadas, como a suspensão da dívida pública. Quero também a estatização dos transportes públicos. Será o fim da máfia dos transportes.

Diário do Rio – Qual sua proposta para a questão da Saúde?

Defendo a estatização de todos os equipamentos de saúde e de todos os hospitais privados, colocando todo a serviço do SUS. Saúde não é mercadoria.  Ainda mais em meio a uma pandemia, todos os leitos precisam estar à disposição de quem necessitar d atendimento. Como podemos ver pessoas morrendo em cadeiras, porque não há leitos nos hospitais públicos, enquanto há vagas ociosas nas UTIs particulares. Mas há inúmeros problemas, bem além da pandemia. É preciso dar condições dignas de saúde ao trabalhadores, possam eles pagar ou não pelo atendimento.

Diario do Rio – Uma boa gestão já resolveria muitos problemas…

Cyro Garcia – Com certeza. Quero acabar com os contratos com as OSs (Organizações sociais), que nada mais é que transferência de dinheiro púbico para os bolsos da iniciativa privada.  E uma porta de entrada para a corrupção. Precisamos direcionar a verba para reequipar hospitais e clínicas da Família, além de contratar mais  funcionários.

Diário do Rio – Contratação gera mais empregos. E o desemprego é um grande problema do Rio e do país, com mais de 13 milhões de desempregados. Como vai enfrentar essa questão?

Cyro Garcia – Uma alternativa é redução da jornada de trabalho, sem que haja perda salarial, e a realização de concursos públicos para contratação, suprindo as vagas que surgirão com a redução da jornada. É preciso também um grande estudo para verificar que obras são realmente necessárias para  atender as demandas da população. E isso vai de saneamento básico à construção de novos hospitais.

Diário do Rio- Algum projeto específico para a população de rua e o problema das drogas?

Cyro Garcia – Em relação à população de rua, acolhimento é fundamental. Quanto às droras, legalizar e descriminalizar é o caminho para pôr fim ao tráfico e à criminalização da juventude pobre. Temos que tratar o consumo de drogas como uma questão de saúde pública!

Diário do Rio – Qual a sua proposta para a Educação?

Cyro Garcia – A busca de soluções segue essa mesma linha: estudar as necessidades desse setor que é a base de tudo. Sou professor, mas todos sabem que tudo começa com uma boa educação. È ali que você forma o cidadão. Além disso, muitas crianças têm ali na escola sua única refeição. Então e preciso dar uma estrutura digna, tanto para os alunos, como uma merenda de qualidade, com alto valor nutricional, como para os profissionais que ali estão. Professores, merendeiras…

DIário do Rio: Nesse foco, como vê o plano de Carreira dos Funcionários da Educação?

É fundamental, pois o profissional da educação precisa ser valorizado.  É preciso aumentar os  salários de professores, e contratar os profissionais terceirizados que já trabalham na rede. Basta regularizar. Tudo e questão de gestão, até para reformar as escolas da rede pública municipal. E vamos estatizar as escolas privadas que estão alegando dificuldades de funcionamento em meio à pandemia. Verbas públicas da educação não podem ser usadas em projetos de parceria com a iniciativa privada, são verbas públicas para uma educação 100% pública sob controle dos trabalhadores, dos profissionais da educação e das crianças e seus pais, que frequentam as escolas.

Diário do Rio – Falando em Educação, o que acha da volta  às aulas, sendo que ainda estamos em uma pandemia?

Cyro Garcia – Sou contra, enquanto não houver vacina. Não deveria acontecer porque  todos se colocam em risco. Mas a verdade é que a quarentena nunca aconteceu para valer, até porque, no  início, o Bolsonaro (Jair Bolsonaro, presidente da República)  ressaltava que era só “gripezinha”. Então os  governos estaduais e municipais implementaram uma quarentena  meia boca. Exemplo disso é que os serviços industriais nunca paralisaram, gerando aglomeração nos transportes públicos e facilitando a circulação do vírus. Só o estritamente necessário deveria funcionar. O isolamento deveria continuar, mas com garantias de que as pessoas não perdessem seus empregos. O auxílio emergencial deveria ser mantido até o fim da pandemia e complementado pela prefeitura até atingir o piso (R$1208,00), para que as pessoas possam ficar em casa em condições dignas,

Qual o maior problema do município?

Um deles é corrupção. E o combate passa  pela interação constante  do governo municipal com os conselhos populares, que serão formados nos bairros, nas fábricas, locais de trabalho, de estudo. O conselho é que vai dar sustentação à gestão pública. Não dá mais para confiar numa democracia em que o poder do empresário elege representantes na Câmara Municipal. Não confiamos mais mecanismos institucionais normais, porque esses mecanismos têm levado a essa série de decepções e corrupção, a começar pelo poder legislativo. E os conselhos serão o contraponto a isso, porque vão estabelecer as prioridades do povo, do usuário dos serviços públicos. Eles vão planejar, direcionar o orçamento e fiscalizar  e execução das propostas de uso desse orçamento. Esse é o caminho.

Foto:Divulgação

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Entrevista com Sabrina Campos, candidata a vereadora do Rio pelo PSL

Sabrina Campos é Advogada Pós-Graduada, cofundadora de Campos e Bastos Advogados, também Árbitra (Juíza Arbitral em Câmara Privada), especialista em Mediação e Conciliação, Comendadora recebedora da Medalha de Honra ao Mérito Juscelino Kubitscheck, escritora premiada pelo TJERJ e voluntária do Projeto Justiceiras.

 

Por que o desejo de vir candidata a vereadora?

Esclareço: não há desejo, há urgência. A motivação nasceu da necessidade em atender à cidade e população do Rio de Janeiro no que há muito tem sido objeto de descaso, desprezo, por parte do Poder Público. Ninguém aguenta mais a situação atual, especialmente a corrupção. Amo a minha cidade natal, cansei de ver pessoas partindo, abandonando sonhos, planos, família, em busca de um lugar melhor para viver. Quero resgatar o Rio de Janeiro, recuperar a cidade da destruição. Todos nós precisamos nos unir em uma só voz para conquistarmos melhor qualidade de vida e voltarmos a admirar a cidade referência no Brasil e no exterior, como o que um dia foi a “cidade maravilhosa”. Que minha voz, há tantos anos sufocada, seja ouvida, e a voz de todos nós ecoe na casa do Povo. Juntos, todos nós insatisfeitos com a velha política e a corrupção no Rio de Janeiro, sejamos UMA SÓ VOZ!

Dentre suas propostas, qual delas você acha a mais importante?

Minhas propostas são muitas, tenho ouvido pessoas de diferentes atuações, formações, escolaridade, classes sociais, regiões, idades, núcleos familiares, suas maiores dificuldades e pleitos. Além de advogada, árbitra (também atuo na função de juíza arbitral em Câmara Privada), sempre trabalhei como voluntária. Há cerca de mais de vinte cinco anos atuo assistindo também vítimas de violência, os mais vulneráveis, como crianças e adolescentes, mulheres, idosos e pessoas com deficiência. Minha proposta principal se dá acerca da Educação. Pretendo que o ensino se dê por período integral, que à criança e ao adolescente haja total atenção e incentivo, a prepará-los com ampla oportunidade de aulas de reforço escolar. Investir no melhor desenvolvimento físico e psicoemocional dos jovens, através de atividades desportivas, artísticas, culturais, nas escolas, reforçar a disciplina, estimular a autoestima. Cursos capacitantes, técnico-formais, preparar o jovem para o mercado de trabalho, independente de decidir cursar faculdade. Parcerias com a iniciativa privada, orientações de direitos trabalhistas, incentivo ao menor aprendiz, feiras, palestras. Manter crianças e adolescentes fora das ruas, diminuir a ociosidade, impedir a evasão escolar.

Se eleita for, qual será a primeira ação?

Se eleita, pela vontade de Deus, agirei para que os Projetos de Lei que já tenho elaborado, com as justificativas que desenvolvi, após muito estudo, pesquisa e trabalho, sejam propostos e sigam à tramitação, em defesa da garantia aos direitos mais básicos do cidadão, como os que citei, também fomentar o empreendedorismo, gerar mais vagas de emprego,  aquecer a economia após essa pandemia, valorizar o turismo, em combate ao tráfico de pessoas, prostituição e exploração sexual infantil.

A população do Rio de Janeiro pode esperar, e terá, uma vereança acessível, canais de comunicação com o cidadão, que é um parceiro nesta empreitada, pois dependo de sua perspectiva do que ocorre ao seu redor, do que a ele e sua família se faz mais necessário, para consiguir atender a coletividade. Que o cidadão do Rio de Janeiro caminhe lado a lado comigo, lutemos juntos por uma cidade livre da violência, sejamos um só!

Qual o principal problema do município hoje?

Acredito que nosso maior problema hoje seja a violência. A pandemia do COVID-19 evidenciou a falta de estrutura e as falhas graves de administrações anteriores. O isolamento resultou na perda do trabalho, dos negócios e investimentos. Portas fecharam, vagas sumiram, imóveis perderam valor, a população de rua cresceu. O estresse e o desgaste emocional afetaram as famílias, a violência doméstica e sexual, especialmente contra mulheres, crianças e adolescentes, cresceu terrivelmente, assim como os suicídios. Como voluntária a assistir a estas vítimas, venho experimentando a relação entre a perda do poder econômico com o aumento da violência. A ociosidade dos jovens, longe das escolas durante a pandemia, expostos às ruas, permite que fiquem à mercê do “recrutamento” pelo tráfico de drogas, a corrompê-los. O vício em drogas também cresceu, muitas “cracolândias” se formam. É preciso acolhimento de imediato, e mais necessário capacitar, treinar, educar e formar para que se tenha plena condição de emprego. Incentivar o empreendedorismo para criar vagas, restabelecer a economia gerando renda e poder de compra.

Sobre o combate ao tráfico de drogas, considero gravíssimo, crianças e adolescentes cada vez mais jovens têm sido corrompidos por criminosos a formar um exército de guerrilheiros, que são convencidos de que suas vidas não têm valor, e, seguem dispostos a morrer sem apreço a nada. Neles mantenho o meu foco, por isso tantos projetos para a Educação – busco proteger a nossa infância e juventude de quem os sacrificam para impor o terror. Quero essas crianças e adolescentes nas escolas, estimuladas a serem o que quiserem, desejarem, sonharem. Incentivadas ao trabalho digno, honesto, que os valores familiares da decência, da honra, sejam cultivados, a desenvolverem a boa-fé, moral e ética. Enquanto a amoralidade psicopática for o padrão de conduta na sociedade, em que tudo é justificável, as piores atrocidades encontram defensores, jamais haverá paz. Há o certo e há o errado. O moral e o imoral. Tolerar a inversão disto é contribuir para a ausência de limites, que tem feito do Rio de Janeiro um inferno onde reina a impunidade.

O que o você gostaria de acrescentar que não foi perguntado

aqui?

Gostaria de acrescentar que o direito ao voto é um dos mais importantes aos cidadãos. Quem vota mediante favores pessoais é tão corrupto quanto o político criminoso. Tal direito foi conquistado com o sangue de muitos que lutaram por este privilégio. Busque conhecer os candidatos, vote em quem se identifica. Eu lhe convido a não reeleger pessoas que não contribuíram para a cidade, mas dar chance a quem, como eu, sempre trabalhou e se doou ao seu próximo e ao Rio. Vamos juntos? Uma só voz!

 

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Destaque Entrevistas Rio

Entrevista com André Quizomba, candidato a vereador do Rio pelo PSB

Por Alessandro Monteiro

 

  1. Por que o desejo de vir candidato a vereador? Qual motivação?

A Política é tão importante que deveria estar presente como matéria no currículo do ensino médio. Desde adolescente me interesso pela política e sempre apoiei e fiz campanha para candidaturas que me traziam esperança. Meu desejo em tornar-me vereador vem dessa paixão pela política junto com minha vontade de transformar o Rio numa cidade melhor pra gente viver. Posso dizer que a minha principal motivação vem da atual situação que o Rio se encontra. Uma cidade abandonada e sem perspectiva de melhora. Precisamos de uma câmara mais fiscalizadora e propositiva. Tenho certeza que, com minha formação acadêmica e artística, posso ajudar com boas propostas e retomarmos a nossa cidade maravilhosa.

 

  1. Dentre suas propostas, qual delas você acha a mais importante?

É difícil dizer. Todos os projetos têm sua relevância. Talvez O Plano Municipal de Cultura seja o mais importante porque será o ponta pé inicial para se desenhar toda a política de Cultura pra cidade. Elaborar esse documento dará diretrizes para as ações futuras do setor.

 

  1. Se eleito for, qual será a primeira ação?

Pensar na retomada do Setor Cultural no Pós-Pandemia, começando pelo Carnaval Carioca que ainda está sem definição para ser realizado. Tenho um Projeto de Lei para regularizar e desburocratizar a maior festa popular do planeta que gera muita renda e emprego para a cidade.

 

  1. O que a população pode esperar da sua vereança?

Pertenço ao PSB, um partido ético e progressista que combate as desigualdades e a corrupção e que busca um estado mais eficiente e que entregue um serviço de qualidade a população. Estou alinhado com as convicções do partido e serei um defensor da Cultura Carioca buscando desenvolver projetos que incentivem o setor.

 

  1. Qual o principal problema do município hoje?

Má gestão. Ruim, ineficiente e corrupta.

 

  1. Algum projeto específico para população de rua e as drogas?

Não tenho projeto específico para a população de rua. Porém, o Projeto Polo Municipal de Cultura poderá ter um braço destinado aos moradores de rua.

 

  1. O que o você gostaria de acrescentar que não foi perguntado aqui?

O compromisso com a juventude da nossa cidade. Estamos num momento difícil quando se fala de oportunidades para nossos jovens. Temos uma evasão escolar próxima de 20% e uma grande parcela que não chega a completar o ensino fundamental ou médio. Os dados mostram que quanto maior o nível de educação menos chance de ficar desempregado. Além de negar um futuro melhor para nossos jovens estamos empurrando uma grande parte dessas gerações para trabalho desqualificado ou para ser cooptado pelo crime organizado. Nesse sentido a Cultura pode ser uma ferramenta junto com a educação para criar novos horizontes.

 

 André Quizomba

Economista, ator, músico e produtor cultural. Fundador do Bloco Quizomba em 2001 e, desde sempre, ativista da Cultura. Nascido no Estácio e amante do Carnaval, acima de tudo, um carioca apaixonado pelo Rio que acredita na Arte e na alegria como potência política.

 

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Entrevistas

Eleições 2020 – Alex Macedo Alex Macedo é candidato a vereador do Rio em 2020 pelo Solidariedade

Por Alessandro Monteiro

Por que o desejo de vir candidato a vereador?

O desejo surgiu após muitos pedidos dos moradores das comunidades que atuo por mais de 20 anos, com meu projeto social. A partir desse momento, mergulhei na problemática diária, os sonhos, o futuro das crianças, a saúde dos idosos, em seguida, olhei o cenário político e tive a certeza, que de fato, eu posso fazer a diferença na vida daquelas pessoas e no município.

Dentre suas propostas, qual delas você acha a mais importante?

Tenho duas importantes. O combate as drogas nas escolas, fato desconhecido por boa parte da população que não tem a vivência. Atualmente muitas escolas foram invadidas pelas drogas, por jovens, pré-adolescentes que se inscreveram no sistema público escolar não para estudar, mas para comercializar.

Minha luta tem mais de 20 anos. Faço palestras não somente no Rio, mas pelo Brasil e no exterior, explicando como funciona o sistema do tráfico, dando relatos e mostrando que é possível transformar esse cenário.

No Rio, já conseguimos tirar muitos jovens das drogas e da criminalidade. Um outro projeto seria instalar escolas e cursos profissionalizantes, com foco na ressocialização desses jovens. Inserindo a força do trabalho, a renda honesta e mostrar que é possível ter o próprio negócio, sustentar a família de forma íntegra e permanecer como um cidadão de bem.

É importante atacar nas crianças e jovens, preparar o futuro. Caso contrário, nunca sairemos desse círculo vicioso de pessoas adultas inoperantes, desempregadas, incapacitada, tendo a droga, o mundo da criminalidade, o tráfico, como a única opção e realidade de vida.

Se eleito for, qual será a primeira ação?

Imediatamente chamar algumas empresas do setor privado para canalizar de forma séria, a inserção de projetos de capacitação de jovens e adultos. Embora saiba que é possível realizar através do Poder Público, mas é demorado, burocrático, mas não impossível. E vamos fazer!

O problema do Rio é droga. Existem casas de recuperação lotadas e quero fazer parceria com eles, que estão cheios de bons talentos e vontade de mudar, mas sem oportunidade.  As ruas lotadas, sendo a maioria negros, moradores de periferia, ociosos e que precisam ser trabalhados urgentemente. Então, esse será um dos pontos iniciais da minha vereança.

 O que a população pode esperar da sua vereança?

Uma vereança transparente, clara, objetiva, com projetos. Não quero ser mais um falastrão, não é meu estilo. Meu objetivo é focar em resultados que possam agregar ao município, a vida das pessoas e mostrar a sociedade, que é possível realizar uma política séria, com foco, sem corrupção e de resultados.

Como pastor, sabemos que a bancada evangélica tem muita força atualmente dentro do Estado. No entanto, é importante criar políticas que possam abranger todas as religiões, não é? Qual o seu olhar? Existirá diálogo, relacionamento e projetos com outras religiões?

Eu sou um pastor que não compactuo com intimidação de credo, cor e raça. Eu tenho uma visão política de igualdade, de sociedade. A bancada evangélica é grande, forte, mas precisa aprender muito. Sou favorável a união de todos. Hoje, vejo a sociedade evangélica bem distante do conceito de sociedade, uma visão singular de um corpo somente. É necessário somar, aproximar e focar no bem comum, independente da religião, opção, escolhas.

Amo pessoas, acredito nelas e acho que o ser humano merece tudo de melhor, porém, somos esmagados por esse sistema criado e liderado por uma minoria que manipula, exclui e destrói. Não é essa, a minha visão de política, sociedade e vida.

O meu desejo é de agregar, juntar, misturar, somar e promover resultados sérios, com base em projetos transparente não só em números, mas na vida das pessoas, que a coisa mais importante que temos.

Qual o principal problema do município hoje?

A infraestrutura, o BRT foi uma ideia muito boa, porém dividiu bairros. Eu sou da Zona Norte, mais precisamente do bairro da Penha, criado no conjunto do Quitungo, uma comunidade que fica entre Vila da Penha, Brás de Pina e Cordovil.

A população sofre com a falta de ônibus, a dificuldade é grande. Os BRTs estão lotados, transbordando de gente. É preciso reavaliar a problemática do transporte urbano. Meses atrás, moradores de vários bairros denunciaram a falta de transporte. Alguns esperam por mais de duas horas no ponto, durante a noite e a escassez aumenta, na madrugada. Como o trabalhador volta para casa?

Até agora, ninguém se debruçou para essa situação. As ruas e estradas esburacadas. Nas comunidades, nem se fala! A quantidade de lixo é enorme, as construções irregulares, outras beirando precipício, crianças, jovens e idosos ali. Temos que dar uma atenção as questões de infraestrutura. Virar os olhos, só acelera o caos.

A sensação é que a cidade parou no tempo. Não aceito a justificativa da pandemia. Isso vem acontecendo por anos e anos. É preciso uma renovação urgente, ou seremos ainda mais espagados e o município afundado em tantas problemáticas que são causadas, pelo simples desinteresse de quem ocupa dos cargos públicos, e se julgam representantes do povo.

O que o você gostaria de acrescentar que não foi perguntado aqui?

A falta de comunicação tanto dos vereadores, do prefeito com a população. Ninguém se fala. Cada um, vive debruçado em seus interesses, canetando o que lhe convém, sem ouvir a população. A dificuldade de falta de mobilização continua, não existem mais protestos, reações. Uma situação jamais vista numa cidade como o Rio. A população parece que desistiu de lutar pela oposição do que está aí, todos anestesiados. ´

Parece que a cidade não tem prefeito, vereador, também quero acrescer a situação da falta de emprego. Cidades menores que nós, já conseguiram se reestruturar, e o Rio não consegue andar, continua nessa panaceia, estático. Uma cidade linda, maravilhosa e funcional para o turista. Para nós, que vivemos aqui, os desafios e os problemas são imensos, mas sou complemente apaixonado por ela.

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Destaque Entrevistas

Cirurgia Robótica – Especialista explica as vantagens em tempos de pandemia

Por Alessandro Monteiro

A cirurgia robótica na urologia é hoje uma técnica importante que reduz o tempo de permanência do paciente em um centro cirúrgico, é menos invasiva e garante uma recuperação mais rápida. O mercado de cirurgia robótica no país apresenta números importantes. No Brasil, em 2018, foram realizados mais de 8 mil procedimentos em todo o território nacional antes 450 cirurgias realizadas em 2011, aponta o estudo da Intuitive Surgical.

Especialista no assunto, o Dr. Raphael Rocha é um dos pioneiros da técnica no país. Rocha participou da implementação da cirurgia robótica no Hospital Samaritano, estabelecendo o pioneirismo da técnica no Rio de Janeiro. Hoje, acumula experiência de mais de 1.000 procedimentos robóticos realizados com total segurança para os pacientes.

  • Quais as aplicações da Cirurgia Robótica na medicina?

A cirurgia robótica hoje basicamente é utilizada para fazer as principais cirurgias das diversas especialidades médicas, entre elas ginecologia, cirurgia geral, coloproctologia, cirurgia torácica e na minha especialidade, a urologia. Essas cirurgias, as principais feitas por robô, são as cirurgias oncológicas e, na urologia, a principal de tratamento de próstata, que é a remoção feita por robô. Mas é uma tecnologia usada para remoção de outros tipos de câncer, como intestino ou útero e cirurgias reconstrutivas dentro da cavidade abdominal e dentro da cavidade torácica.

  •  Afinal, o Robô opera sozinho?

O robô não opera sozinho. Na verdade, ele é um instrumento tecnológico que reproduz com precisão todos os movimentos da mão do cirurgião na ponta de pinças bastante delicadas, além de prover uma visão tridimensional do campo cirúrgico, onde o cirurgião consegue enxergar dentro da cavidade abdominal ou torácica.

  • A Cirurgia Robótica pode ser utilizada em qualquer cirurgia da Urologia?

A cirurgia robótica pode ser usada em câncer de rins, próstata, bexiga, na cirurgia reconstrutiva. Hoje se consegue por meio da cirurgia robótica quase todas as cirurgias da urologia. As únicas que não são feitas por robô são as cirurgias de cálculo renal, que são feitas por via endoscópica.

  • Quais os principais benefícios do uso da Cirurgia Robótica?

Os principais benefícios da cirurgia robótica são, por exemplo, o de promover melhor efeito cosmético se comparado a uma cirurgia convencional, já que são feitos “furos” de oito milímetros no abdômen para o procedimento. Há, claro, o benefício médico, com menor sangramento e menor tempo de hospitalização, além de uma recuperação mais precoce e um retorno mais precoce às atividades laborais. Outro ponto positivo está no fato de haver menos dor, menos chances de hérnia. Nas cirurgias de retirada de próstata temos também trabalhos demonstrando melhor benefício em relação ao retorno precoce dos resultados funcionais.

  • Quais as limitações na utilização desse tipo de cirurgia?

As limitações para esse tipo de procedimento, do ponto de vista de acesso, seriam mais pelo fato de o paciente não ter um convênio que interne em um hospital que tenha o robô e também a limitação de um cirurgião. Existem cirurgias mais complexas e não são todos os cirurgiões aptos a fazer. No meu caso, faço todas as cirurgias que podem ser feitas por robô.

  • É possível destacar alguma outra tecnologia de ponta vindo por aí?

Em relação a tecnologias que estão vindo, vale dizer que o robô é uma plataforma integrativa e não só uma ferramenta cirúrgica. Há uma grande inteligência artificial vindo, plataformas de realidade aumentada, softwares programados para que o exame do paciente seja integrado dentro do robô, de forma que, durante a cirurgia, você consiga ver em tempo real e em sobreposição de imagens, por exemplo, o tumor do paciente, diminuindo a chance de complicações.

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Entrevistas Notícias do Jornal

Poluição: o segundo inimigo invisível a ser combatido

A propagação do coronavírus trouxe à tona um inimigo invisível letal. Mas uma segunda ameaça, muitas vezes impossível de ser vista à olho nu, tem consequências tão graves quanto as de uma pandemia. A poluição emitida diariamente pelos carros, ônibus e caminhões mata anualmente 7 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com a meteorologista, Josélia Pegorim, parece controverso, mas a poeira da poluição em suspensão serve de embrião para formar as gotas de chuva. “As gotículas de vapor de água se depositam sobre os grãos de poeira, de areia ou de sal, no caso de nuvens que se formam no mar, e isto permite a formação e crescimento mais rápido das gotas de chuva”.

 

Josélia Pegorim (Foto: Reprodução)

Josélia lembra ainda que o que acontece em um lugar pode afetar outro, mesmo que ele esteja localizado em um lugar distante do globo. “Há estudos que provam que os grãos de areia que saem do deserto do Saara, e viajam com os ventos da altas camadas da atmosfera, chegam sobre a Amazônia e ajudam a formar as nuvens de chuva por lá.

Além disso, conforme explica, o nascer e pôr do sol que temos em alguns dias, com cores avermelhadas que enchem os olhos, são resultantes da interação da luz do sol com o ar mais carregado de poluição que fica na parte baixa da atmosfera.”

Poluição mata

Isso pode até soar bom de alguma forma, não fosse o fato de que no Brasil são registradas 2.500 mortes prematuras anuais, conforme dados do International Council on Clean Transportation (ICCT), em razão da poluição. Os danos à saúde são irreversíveis. Não há beleza que traga de volta alguém que se foi por respirar um ar sujo.

Não é novidade que a qualidade do ar que respiramos tem impactos diretos na nossa saúde. Nem que os veículos que nos transportam de um lugar para o outro nas cidades são os maiores emissores de poluentes na atmosfera. No Brasil, a maior parte municípios ultrapassa os limites de poluição recomendados pela Organização Mundial da Saúde e essa é causa de não só milhares de mortes prematuras, mas agravante para diversas doenças respiratórias, como a própria covid-19. Alguns estudos chegam a afirmar que a taxa de letalidade da doença causada pelo novo coronavírus é maior entre as populações mais expostas a esses poluentes.

 

Foto: Reprodução

Evitar, trocar, melhorar

Entre os especialistas no assunto, três grandes estratégias são a chave para reduzir as emissões e, consequentemente, melhorar a qualidade do ar. Elas são representadas pela sigla ASI, do inglês: Avoid (evitar), Shift (trocar) e Improve (melhorar). Em resumo, o que eles querem dizer com isso é que precisamos mudar a forma como nos locomovemos – optando por bicicletas ou transporte público, por exemplo – e melhorar os nossos veículos, tornando-os menos poluentes. Nesse sentido, a regulação tem um papel importante, pois é ela que orienta as mudanças na indústria e, consequentemente, os nossos hábitos de consumo.

Mudanças nas normas

As atuais normas asseguram que poderemos respirar melhor a partir de 2022, prazo para entrar em vigor a próxima fase do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que exige melhorias no padrão de emissão dos veículos pesados, os que mais poluem. Passar para essa fase – chamada de P-8 e equivalente ao padrão internacional Euro VI – é urgente porque já estamos atrasados em relação aos principais mercados de automóveis do mundo. E, claro, porque a poluição afeta diretamente a saúde de todos e ainda modifica o clima do planeta.

Apesar disso, alguns representantes da indústria automobilística fazem pressão para adiar o prazo previamente acordado entre as empresas montadoras e o Governo Federal, argumentando que a crise provocada pela pandemia tem impactado o setor. Como isso te afeta? De várias formas.

Cada dólar investido nessa tecnologia geraria 11 dólares de benefícios, contabilizados a partir da redução dos gastos com saúde pública. A estimativa é do ICCT (por nome completo), uma organização que fornece análises técnicas e científicas aos reguladores ambientais. Além disso, os efeitos à saúde não duram apenas três anos do adiamento, que é o pedido das montadoras, mas mais de 30 anos – tempo de vida útil de um caminhão – com veículos de tecnologia defasada circulando nesse tempo todo.

Ainda conforme a organização, os veículos pesados (caminhões e ônibus) representam 5% da frota brasileira, mas, por poluírem mais e percorrerem distância maiores, são responsáveis por mais de 80% das emissões de partículas poluentes no país. A expectativa é que a nova frota exigida pela regulação consiga reduzir essas emissões em 90%. Bom para a qualidade do ar, para a saúde pública brasileira e para o clima.