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Cultura Fica a Dica Rio

Peça literária NA SALA COM CLARICE, com Odilon Esteves, encerra temporada (online e de graça) pelo CCBB

O projeto patrocinado pelo Banco do Brasil segue os moldes de um acontecimento gastronômico, oferecendo ao público um “cardápio literário” com entrada, prato principal e sobremesa, representados pelos contos e crônicas da autora. Serão oferecidas 15 opções para cinco serem escolhidas e apresentadas na sequência. A peça tem duração de 60 a 90 minutos, variando em função das escolhas do dia.

A cada rodada da apresentação, que é gratuita, alternam os elementos oferecidos ao público para estimular sua escolha: leitura de pequenos trechos; apresentação das sinopsesexposição de objetos relacionados aos textos, sem que o público conheça sequer seus títulos.

O critério de seleção das obras seguiu uma linha afetiva “Escolhi primeiramente textos que me atravessam, que me intrigam, alguns que me divertem, muitos que me emocionam, outros que me questionam, uns que me colocam diante do espelho ou à beira do mistério indizível. Depois tive que abrir mão de muitos contos, porque queria quase tudo. Meu critério era muito amplo, quase uma falta de critério. Então cortei da lista, primeiro, os contos mais extensos que, sozinhos, já dariam uma peça. Mas fui me dando conta de que a seleção estava diversa, uma espécie de panorama de muitas das facetas de Clarice e achei bom que assim fosse. Primeiro porque a obra dela é mesmo multifacetada e sempre me chegou de formas igualmente diversas. E porque todos nós somos mesmo muito vastos, cheios de nuances e contradições. E especialmente Clarice nunca se furtou de procurar conhecê-las, de mostrá-las, de mergulhar nelas”, conta Odilon.

Esse caráter interativo possibilita que o público se posicione subjetivamente diante do leque de opções que lhe é oferecido, contribuindo para que haja um entrelace dos imaginários comuns dos espectadores reunidos naquela sessão. Um formato que visa aproximar ainda mais o público do acontecimento cênico-literário, implicando-lhes em sua construção e considerando cada dia como um percurso único.

A proposta deste projeto é apresentar alguns de seus textos na íntegra, oralizando a palavra escrita com vistas a potencializar o encontro desta com o público. Um trabalho que pretende ser acessível e convidativo, mas sem simplificações. O espectador será munido de ferramentas para acessar outras camadas da obra de Clarice, praticamente sem cortes no seu original.

A aplicação do método das Ações Vocais (de Constantin Stanislavski), que Odilon Esteves vem estudando desde 2002, aproxima o espectador do texto e das imagens propostas pela autora. O minimalismo da encenação visa concentrar-se no essencial, descartando tudo o que seja supérfluo no cenário e figurino, ou redundante e ilustrativo no movimento e na ação física, para dar espaço à imaginação do espectador e jogar com ela. A escuta como lugar de potência.

Clarice aos olhos do ator

“A escrita de Clarice já reverberou em mim de muitas formas. A primeira obra que conheci foi “A hora da estrela”, na adolescência. E Macabéa me doía, porque eu conheci várias Macabéas no norte de Minas Gerais, onde nasci. Porque eu amo várias Macabéas que cuidaram de mim quando criança ou trabalharam para minha família, e muitas morreram antes de eu saber o que fazer por elas.

Quantas vezes as contradições humanas nos textos de Clarice me convidaram a encarar as minhas próprias! Quantas vezes me senti estrangeiro, mesmo na cidade onde nasci! Tenho fotos em que pareço triste, mas na lembrança tenho certeza de que estava alegre, a despeito de não estar sorrindo. Em seus livros, encontro mundos onde caibo. E onde cabem meus amigos, minha família, e todo o mundo que desconheço.

Além do mais, seu dia a dia ordinário tem aura de realidade mítica. Clarice teve algum convívio, foi lida e admirada por muitos dos meus ídolos: Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Carlos Drummond de Andrade.

E junto do seu amor por Recife, tem também uma relação forte com Minas. A proximidade com tantos mineiros, a admiração profunda por Lúcio Cardoso, a amizade com Fernando Sabino, a carta em que fala sobre “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa… Na crônica “Das vantagens de ser bobo”, que é um estandarte contra a cultura da esperteza, essa doença do “levar-vantagem-em-tudo-e-a-qualquer-custo” tão recorrente  no Brasil, ela descreve o bobo como a antítese do esperto, e afirma que há lugares que facilitam ser bobo, e Minas Gerais é um exemplo disso. Enfim… queria ter sido contemporâneo dela, mas só nasci onze meses após sua morte. E no entanto, abraçado a seus livros, atravessei a pandemia na companhia de Clarice.”

| CCBB, CENTENÁRIO DE CLARICE e TEATRO ON-LINE|

O CCBB começou as comemorações do centenário de Clarice em março de 2020 com a estreia, no Rio de Janeiro, do musical “A HORA DA ESTRELA – O Canto de Macabéa”, protagonizado por Laila Garin. Uma semana depois, a temporada teve que ser suspensa em função do isolamento físico. Para não dar uma pausa a essa comemoração tão importante, NA SALA COM CLARICE chega para uma celebração via streaming.

“O CCBB sempre fomentou novos formatos, sabe da importância disso. Como espectador e frequentador deste espaço vi a renovação acontecer muitas vezes. Além disso a celebração do centenário de Clarice Lispector não podia parar. “NA SALA COM CLARICE” continua a festa começada com “O CANTO DE MACABÉA” e, segundo o próprio CCBB, este musical volta à cena em 2021, quando as condições sanitárias permitirem”, comenta Odilon.

Atualmente os 4 CCBBs reabriram, mas continuam ofertando programação digital, como forma de permitir às pessoas uma alternativa cultural aos eventos presenciais.

| SINOPSE |

NA SALA COM CLARICE – peça literária on-line, em celebração ao centenário de Clarice Lispector, em que o público escolhe, a partir de um cardápio de textos da autora, quais gostaria de ouvir naquela sessão. Obras que compõem um panorama de suas múltiplas facetas, incluindo narrativas em que podemos perceber a própria Clarice em diferentes fases da vida.

| FICHA TÉCNICA |

Textos: Clarice Lispector. Concepção e atuação: Odilon Esteves. Codireção e direção de arte: Fernando Badharó. Trilha sonora: Barulhista. Iluminação:Lucas Pradino. Intérprete de Libras: Marcella Alves de Sousa. Produção Executiva: Ricelli Piva. Direção de produção: Juliana Sevaybricker. Produção: Agentz Produções

Duração: de 60 a 90 minutos (dependendo das escolhas do público)

Classificação etária: 12 anos

Ingressos gratuitos pelo sitehttps://www.sympla.com.br/nasalacomclarice

Lotação: 995 pessoas

| TEMPORADA + PALESTRAS|

Apresentações: 06 a 20 de dezembro | 09 a 31 de janeiro | sábados às 20h e domingos às 19h

Sessão especial “Centenário de Clarice”: 10/12 (quinta-feira) às 20h

Sessões com intérprete de LIBRAS: 18/12 e 29/01 (sextas-feiras) às 20h

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Notícias do Jornal O Rio que o Carioca Não Conhece

Belas esculturas de escritores, cantores, compositores, jornalistas e músicos compõem a beleza da orla carioca

Por Alessandro Monteiro

Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Tom Jobim, Zózimo Barroso do Amaral e Dorival Caymmi estão entre as personalidades que possuem suas estátuas em bronze ao longo da orla carioca. Além do amor pela cidade, todos fizeram história por aqui. Imortalizados em estátuas de bronze, em tamanho real, incorporam o cenário da cidade que é considerada uma das mais bonitas do mundo.

 

Carlos Drummond de Andrade

Foto: Alessandro Monteiro

É considerado um dos mais influentes poetas do século XX. Sua estátua se tornou a mais famosa do Rio. Sentadinho, num banco do Posto Seis, na Avenida Atlântica, o local é outro belo convite para conhecer, sentar-se e fotografar em boa companhia, a praia mais famosa do mundo.

 

Clarice Lispector

Foto: Alessandro Monteiro

Discreta, e com vista privilegiada, a imagem da escritora Clarice Lispector está localizada no Posto 1, bem no início da Pedra do Leme. Uma continuação da Praia de Copacabana que termina numa formação rochosa, com quiosques e ideal para relaxar e tirar belas fotografias com a família.

 

Dorival Caymmi

Foto: Alessandro Monteiro

Localizada no Posto Seis, mais precisamente ao lado da Vila de Pescadores, está a escultura de Dorival Caymmi, sorrindo com seu violão e fazendo relembrar as belas canções aos que passam ali. Músico e compositor de várias músicas de grande sucesso popular como: Maracangallha, Marina, O Mar, Suíte do Pescador e a lendária “O que é que a Baiana Tem” dentre várias outras sucessos que fazem parte do acervo da MPB, este baiano cantou como ninguém as belezas da Bahia e do mar.

 

Millôr Fernandes

Foto: Alessandro Monteiro

O Largo do Millôr Fernandes está localizado na praia do Arpoador, um pouquinho depois de Copacabana, no sentido Leblon. Um ponto entre a Praia do Diabo e a Pedra do Arpoador, a escultura em formato de silhueta, transpassa o prazer que o cartunista tinha em ver o pôr do sol de verão ali.

Tom Jobim

Foto: Alessandro Monteiro

O compositor está representado por sua escultura em Ipanema, na Avenida Viera Souto, bem coladinho ao Arpoador. De terno branco, caminhando e carregando seu violão, instrumento esse, que tocou belas canções e embalou para da noite Bohemia do bairro, também é disputado para belas fotografias, naquele cenário de tirar o fôlego.

 

Zózimo Barroso do Amaral

Foto: Alessandro Monteiro

Foi um grande jornalista e colunista político de importantes jornais cariocas. Sua estátua, localizada no Posto 12, no final da Praia do Leblon, próximo a subida da Avenida Niemeyer. Inaugurada em 25 de novembro de 2001 foi feita pelo artista plástico Roberto Sá.