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Diante de todo o estigma associado à saúde mental, o que fazer com questões como ansiedade e estresse no pré-vestibular?

Reta final dos estudos e provas costumam causar transtornos nos estudantes; pandemia pode agravar o quadro.

Sensações de incertezas e ansiedade são recorrentes na vida dos estudantes no período pré-vestibular. E o estigma associado a doenças mentais e a pandemia podem agravar esse quadro, pois além do estresse de se preparar para as provas e inseguranças comuns desta fase, as imposições do isolamento social, dificuldades e indefinições, por exemplo, podem levar a mente à exaustão.

“Sabemos que o estigma associado à doença mental é dos mais importantes e difíceis obstáculos para a recuperação e reabilitação do indivíduo; a discriminação pode ser um problema tão grande quanto a própria doença. Neste momento de incertezas, esse quadro pode ser agravado, porque além de lidar com esses preconceitos, os adolescentes estão vivendo um dos períodos mais desafiadores de sua vida, estão tomando uma grande decisão e em um momento sem precedentes, em que os seus sentimentos e transtornos podem estar ainda mais intensos”, afirma o médico de adolescentes e gerente médico da Apsen Farmacêutica, Williams Santos. “O olhar empático e proximidade de amigos e familiares é ainda mais fundamental”, reitera o médico.

Como é possível cuidar da saúde mental, manter a calma e o foco nos estudos finais e na prova, diante de preconceitos e de tudo pelo que estamos passando? Para ajudar os vestibulandos a enfrentar um dos primeiros grandes desafios de suas vidas, reunimos seis dicas de especialistas:

• Apoio familiar: este suporte é um dos pilares mais importantes para os estudantes, que se cobram muito nesta fase. Em vez de pressionar por resultados, os familiares precisam ser uma retaguarda, com apoio psicológico, e respeitar os momentos de estudo. “O isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19 impactou a vida e a saúde mental de todos. No caso dos jovens, o fato de precisar estudar em casa, por exemplo, com seus pais trabalhando no mesmo ambiente muitas vezes, pode prejudicar a manutenção do foco. Por isso, a compreensão, o diálogo e ajuda são essenciais, para dar mais segurança”, reforça a psicóloga e orientadora vocacional, Fabiana Luckemeyer.

• Disciplina, organização e foco: os estudantes costumam ouvir muito essas palavras de seus professores. Não à toa. Um ambiente arrumado, arejado e iluminado, horários estabelecidos de estudos e disciplina para manter a rotina diariamente farão com que os jovens se sintam mais preparados, o que ameniza boa parte do estresse. “Buscar recursos e mecanismos para se organizar pedagogicamente e encontrar qual é a forma de estudar que funciona melhor pode ser um diferencial para bons resultados nas provas e no futuro”, orienta Fabiana Luckemeyer.

• Cuide da mente e do corpo: aplicativos de mindfulness ajudam a manter a atenção e ganharam ainda mais adeptos durante a pandemia. Para os estudantes, que precisam se organizar para as provas e diminuir sensações de ansiedade e estresse, é recomendado, pois ajuda a trabalhar a respiração, abaixar a agitação mental, acalmar os batimentos cardíacos, além de relaxar todo o corpo e soltar o peso dos ombros, por exemplo.

• Alimente-se bem e faça exercícios: buscar uma alimentação saudável, evitando excessos, pode ajudar tanto nos estudos quanto nos vestibulares. “E não se esquecer de beber água com frequência, inclusive durante as provas, pois a desidratação, principalmente antes das provas, pode levar à alteração na memória e falta de atenção. Já as atividades físicas, respeitando as medidas de distanciamento necessárias, devem fazer parte da rotina do estudante, pois ajudam na redução de níveis de ansiedade e estresse e aumentam a sensação de bem-estar. No entanto, é preciso ter cuidado para não se esforçar muito antes das provas”, aconselha o gerente médico da Apsen Farmacêutica, Williams Santos.

• Não dá para fazer tudo, mas faça tudo o que puder: a autoestima e autoconfiança neste momento são importantes aliados, acredite e confie que você terá os frutos daquilo que plantou, de seus esforços… “Busque seus próprios recursos para a véspera e dia da prova, como: massagem, banho gostoso, roupas confortáveis, alimentação leve, muita hidratação como dito anteriormente, ouça uma música bacana para você, enfim, aquilo que trará conforto e tranquilidade para elevar sua confiança e fazer uma boa prova”, finaliza a psicóloga Fabiana Luckemeyer.

• Procure ajuda médica, em caso de necessidade: além do estresse e ansiedade comuns dessa fase, com a pandemia há um maior impacto na saúde mental dos jovens. E um dos fatores que podem contribuir com isso é a conexão do eixo cérebro-intestino. Uma das opções é uma novidade no mercado brasileiro, o uso de psicobióticos, que atuam na microbiota intestinal e auxiliam na melhora destes quadros. “Vale lembrar que cerca de 90% da serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar, é produzida pelo intestino. Então, os pais precisam ficar alertas e, se necessário, buscarem ajuda de um profissional de saúde, para indicar a melhor terapia”, explica o médico Williams Santos.
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Colunas Sabrina Campos | A vida como ela é

INCENTIVO REPOUSA NA IMPUNIDADE

Este é o mês “Setembro Amarelo”: campanha nacional de prevenção ao suicídio. Um período de debate sobre ansiedade, depressão, síndrome do pânico, que podem acometer qualquer pessoa, e, também resultam de estresse pós-traumático em vítimas de violência.

A violência de gênero, por exemplo, continua alcançando altos índices, inclusive o feminicídio, cujas legislações em vigor, protetivas à mulher, crianças e adolescentes, não têm tido o êxito esperado.
Tendo em vista os crescentes casos, especialmente de violência sexual contra meninas e mulheres, em busca de mudança a garantir verdadeira punição que iniba o agressor da prática de crimes desta natureza, segue em tramitação Projeto de Lei de número 3.780/2020, para alterar o Código Penal Brasileiro, e, assim, o Código de Processo Penal.

Tal PL visa impor medidas mais duras aos crimes contra a dignidade sexual, contra a liberdade sexual, e os crimes sexuais praticados contra vulneráveis. Esta legislação foi criada para coibir os atos criminosos através da exemplaridade, determina aumento de mais metade da pena quando os agentes são profissionais das áreas de saúde, educação, ministros religiosos, parentes, vizinhos, amigos da família etc., isto é, quaisquer pessoas que se beneficiem da confiança da vítima e/ou de seus familiares para praticar tais crimes.

Ainda, o PL em questão aumenta a idade máxima limite para a redução da prescrição, que, passará de setenta para oitenta anos. Ou seja, oportuna às vítimas maiores chances de verem processados e punidos eficazmente seus agressores, ao invés do criminoso vir a ser beneficiado com eventual prisão domiciliar ou até ser mantido livre por mera tecnicalidade.

Além disso, a legislação mencionada pretende proteger a vítima de possíveis situações vexatórias, constrangimento, eventuais manifestações que atentem contra a sua dignidade como pessoa, exigindo-lhe o máximo de respeito durante qualquer momento em que faça parte da investigação e do processo judicial.

Importa esclarecer que, para que este PL possa se tornar Lei e, portanto, passar a vigorar em favor das vítimas de crimes sexuais, faz-se necessária tramitação, que, por ora, segue para votação pelo Congresso Nacional. Todo cidadão pode acompanhar este PL através do site da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional, inclusive, opinando a respeito e enviando mensagens aos representantes do estado nas Casas Legislativas. Faça a sua voz ser ouvida!

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Destaque TV & Famosos

Netinho Alves revela como recuperou a alegria de viver

Tristeza, sentimentos de pessimismo, desesperança, culpa, irritabilidade, fadiga e pensamentos de morte que podem levar ao suicídio. Esses são alguns dos sintomas clássicos da depressão, distúrbio que atinge a mais de dois milhões de pessoas no Brasil.

Com a quarentena, esses números podem ter dobrado, além de um aumento de mais de 80% nos casos de ansiedade e estresse. De acordo”’ com uma pesquisa da UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, os problemas de saúde mental cresceram em escala preocupante com o isolamento social. O estudo foi feito por meio de um questionário online durante os dias 20 de março e 20 de abril, em 23 estados e teve mais de 1.400 participantes.

Descuido com a alimentação, ausência de acompanhamento psicológico, sedentarismo, além de doenças preexistentes são os fatores apontados para o crescimento dessa estatística.

A psicóloga Rafaela Rosa destaca o que tem visto no Centro de Atenção Psicossocial em que trabalha: ”O que aparece muito no discurso dos pacientes é uma angústia relacionada ao medo da contaminação, dificuldade financeira, dificuldade em conseguir auxílio governamental, perda de entes queridos e as questões referentes ao isolamento social”.

Para ela, muitas vezes as pessoas banalizam esses sintomas e apagam a dor do indivíduo: “É como se esse sofrimento não fosse legítimo”. A profissional ainda fala sobre a necessidade de não silenciar esses indícios: “para além do que a sociedade considera, é preciso que cada um leve a sério o próprio sofrimento, dê lugar a ele e possa buscar espaços de cuidado”.

 

Famosos também são acometidos pelos transtornos  

Muita gente pensa que o dinheiro, fama e sucesso nos trabalhos podem livrar artistas dos males relacionados à mente. Mas o excesso de exposição, críticas e falta de rotina adequada podem afetar e muito a vida emocional das celebridades. Bruna Marquezine, Anitta, Lucas Lucco, Fernanda Lima e até mesmo o Padre Marcelo Rossi foram alguns dos que já revelaram ter superado a depressão.

No ar em Estrela-Guia, Netinho Alves passou por momentos difíceis na adolescência e chegou a tentar tirar a própria vida: “A doença da depressão e a vontade de suicídio vão muito além da grana. É perder a vontade de viver, é como se tudo fosse preto e branco. Não há vida, não há luz, não há cor, não há esperança”, conta o ator.

Por isso se tornam tão importantes as campanhas de conscientização, como o setembro amarelo. Para Rafaela Rosa, esse é justamente o momento que os famosos podem contribuir, mostrando seus casos de superação. “A campanha colabora com a sensibilização de quem está ao redor, para tornar o social mais acolhedor para com essas pessoas e incentivar a busca por tratamento”, afirma.

Netinho conta que foram os amigos que o ajudaram a superar: “Eu recebi tanto apoio, mas tanto apoio de amigos, que quando pensei que a depressão e a vontade de suicídio iriam agravar, consegui absorver todas as energias positivas e carinho que estavam tendo por mim”, comenta o ator.

Rafaela lembra que uma instituição essencial nesse momento pode ser a Igreja. “A religião também pode dar um lugar importante para muitas pessoas, sendo um coletivo, um espaço de troca e afeto. É preciso considerar que função a religião ocupa para cada sujeito”.

Foi justamente na fé que encontrou o que precisava para superar: “Eu tive que ser forte, seguir em frente. Busquei muitas forças a Deus, porque ele jamais deixaria de ajudar as pessoas que pensam em suicídio, Ele é a vida”.

 

Dicas para manter o corpo e a mente saudáveis:  

 

1) Crie uma rotina, não tente fazer 15 coisas ao mesmo tempo

2) Bateu a pressão do confinamento? Respire por dois minutos, porque vai passar, tudo passa

3) Tente praticar algum exercício leve, alongamento, meditação

4) Evite também o abuso de álcool e drogas, isso vai fazer diferença

5) Tire seus projetos antigos da gaveta, faça coisas que te dão prazer

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Saúde

O lado oculto da depressão

Por Alessandro Monteiro

Está provado que a tristeza pode resultar em depressão. Mas há comportamentos que são típicos de quem está iniciando um processo de depressão sem aparentar tristeza diz o filósofo, psicanalista e especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu.

Para Abreu, não podemos nos enganar pelo disfarce que o nosso inconsciente projeta como mecanismo de defesa. “Nosso inconsciente armazena os problemas da vida pois a emoção causa impacto onde os hormônios com sua produção acentuada ao tipo de emoção entram em conflito com as nossas defesas que tentam conduzir um melhor equilíbrio emocional compensado com a razão.”

 

Fabiano de Abreu (Foto: Reprodução)

Abreu diz que nem toda pessoa deprimida é triste, e um exemplo disso são os sorrisos amigáveis que escondem uma vontade interna de desaparecimento. Confira os 5 comportamentos que para ele podem ocultar o início de uma depressão.

1 – Pensar demais

Os questionamentos do sentido da vida, as conversas profundas consigo mesmo sobre a vida e a morte pode ser um pensamento nato de quem tem uma mente filosófica. Mas pode ser também pensamentos de uma pessoa em estágio de depressão em busca de uma direção. O autoconhecimento torna-se necessário para identificar se esses pensamentos são naturais ou passaram a acontecer.

2 – Compulsões

Ocupar a mente com muitos afazeres criando muitas atividades pode ser um comportamento de um intelectual que sente prazer em adquirir conhecimento. Mas pode ser também o mecanismo utilizado pelo depressivo para não pensar na insatisfação interna, ocupando a mente com pensamentos dedicando-se demais aos passatempos para fugir dos sofrimentos e angústias.

3 – Falta de paciência

Qualquer pessoa pode perder a paciência, mas, se isso for frequente, pode ser um sinal de início de depressão. Nem sempre a depressão se manifesta com tristeza e desânimo podendo ser também mediante a insatisfação contínua.

4 – Alimentação e sono irregular

Dificuldade em padrões regulares para drenar a energia. Sono e alimentação irregular é uma busca de prazeres e acontecimentos que disfarçam a insatisfação. A ansiedade leva a esses fatores na falta da conclusão do que se quer concluir resultando em um comportamento compulsivo.

5 – Medo do abandono

Dificuldade em manter relações interpessoais sustentam um sorriso disfarçado em que a alegria não condiz com a insatisfação que está internamente. Na realidade a pessoa se sente pesada e indesejada e o sorriso é a fórmula de manter as pessoas por perto já que receiam ficar desamparadas quando mais precisam de apoio, mas tem vergonha de dizer e admitir ou, não tem plena consciência do que está sofrendo. O mais perigoso na depressão é ter consciência dela quando se torna extremamente prejudicial.

 

 

 

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Bichos & Cia

Cachorro tem depressão?

Da Redação

 

Se, por um lado, a popularização do termo depressão serviu para aumentar a conscientização sobre a doença, por outro ele acabou sendo banalizado, tornando-se comum encontrarmos quem não leve o problema a sério.

Assim como acontece conosco, é preciso diferenciar o que é, de fato, tristeza, do que é temperamento. “É importante sempre separar o que é um ‘cão calminho’ de um ‘cão deprimido.

Alguns sintomas da depressão canina

Nenhum cachorro é igual a outro. Enquanto algumas raças são conhecidas por serem hiperativas, como border collie, outras, como buldogue inglês, fizeram fama por serem muito preguiçosas.

Dentro de uma mesma raça, porém, os cães também têm temperamentos diferentes, influenciados por fatores como idade e adestramento. Conhecer a personalidade do seu amigo é o primeiro passo para reconhecer a depressão em cães.

Fique atento também aos seguintes sinais:

Perda de apetite;

Perda de peso;

Recusa em brincar com tutores;

Prostração;

Isolamento;

Agressividade repentina;

Olhar perdido, triste e lambedura excessiva (principalmente do focinho);

Bocejos e coceiras frequentes e sem motivo,

Automutilação em extremidades do corpo (cauda e patas).

 

Logo, caso sejam identificados mais de um sintoma, é importante levar seu bichinho ao veterinário de sua confiança para analisar o caso.

 

Foto: Reprodução

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Esportes

Depressão cresce entre atletas do futebol profissional

A depressão vem crescendo entre homens e mulheres que vivem de jogar futebol e os motivos apontados pela Federação Internacional de Jogadores Profissionais (FIFPro) são o isolamento social – medida adotada para travar o avanço da pandemia do novo coronavírus (covid-19) ─ e as incertezas quanto ao futuro. A entidade publicou hoje (20) em seu site oficial o resultado de uma pesquisa, realizada entre 22 de março a 14 de abril, com 1602 atletas em confinamento na Inglaterra, França, Austrália e Estados Unidos.

Dentro do universo pesquisado, foram ouvidas 468 jogadoras de futebol, das quais 22% responderam que apresentam sintomas de depressão. Entre os homens, 13% admitiram manifestações da doença. O transtorno de ansiedade generalizada foi apontado por 18% dos jogadores e 16% das jogadoras.

No início do ano, estudo idêntico já havia sido feito pela entidade, com o apoio de pesquisadores do hospital da Universidade de Amsterdã. Na ocasião, a pesquisa registrou que 11% das mulheres e 6% dos homens reconheceram ter sintomas de depressão.

A FIFPro tem cerca de 63 países filiados. A entidade lembra que muitos profissionais da bola vivem fora dos países onde nasceram, sem suas famílias, e receosos com a aproximação do fim de seus contratos. A entidade pontua que o estudo é uma reflexão social, e por isso não defende a retomada apressada das competições. O retorno, segundo a FIFPro, poderia causar mais preocupação aos atletas diante do medo de serem infectados pela covid-19.

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Saúde

A importância de cuidar do seu emocional em tempos de pandemia

Por Franciane Miranda

O Diário do Rio entrevistou a psicóloga Marina Prado Franco. Formada pela Universidade Federal de Sergipe, ela é especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo CTC VEDA em São Paulo, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e realiza atendimento presencial e online. Possui experiência no atendimento com adolescentes e adultos. A terapeuta conversou sobre os riscos da depressão neste período de isolamento social.

O que é a depressão?
É um transtorno mental ou doença psiquiátrica que pode variar, por exemplo, no seu tempo de duração e intensidade dos sintomas, sendo o tipo clássico aquele que chamamos de Transtorno Depressivo Maior. De maneira geral, esse quadro traz sintomas ligados a uma tristeza recorrente acompanhados de alterações no comportamento e no pensamento do indivíduo.

Você acha que os casos de depressão podem aumentar neste período que passamos?
O período que passamos é de desafios e constantes incertezas, no qual os indivíduos podem não encontrar muito facilmente um sentido para o que estão vivenciando. Por isto, a fase que vivenciamos pode ser por si só um fator que predispõe o surgimento da depressão. Esse transtorno pode surgir como herança de uma predisposição genética ou pela vivência de traumas em contextos ‘desfavoráveis’ − o momento atual poderia ser um ambiente propício. Estes contextos ‘desfavoráveis’ são contextos que não promoveriam o desenvolvimento de uma autoestima e uma perspectiva de futuro positiva.

Quadros depressivos podem ser agravados durante o isolamento social?
O isolamento social, por si só, pode ser um dos fatores que mais agravam um indivíduo que está num quadro depressivo, pois quando nos isolamos podemos não estar atendendo a uma necessidade básica do ser humano: a necessidade de socialização. Além disso, em isolamento, a chance de não obtermos reforçamentos positivos, ou seja, respostas que provocam um maior bem-estar e prazer, é bem maior, o que traz uma visão de si mesma e do mundo cada vez mais negativa.

Como as pessoas que estão isoladas podem identificar se apresentam algum sintoma depressivo?
Para a identificação de sintomas depressivos nas pessoas que estão isoladas, vale observar a presença de algum desses sintomas: perda de interesse em atividades que anteriormente costumavam ser muito prazerosas pro indivíduo e uma tristeza constante e profunda sem causa aparente; alterações no sono (dorme mais ou menos que o comum) e no apetite (como mais ou menos do que comia); falta de desejo de interagir com outras pessoas; fadiga ou cansaço constante; irritabilidade; baixa autoestima e sentimentos constantes de culpa; e dificuldade para pensar, se concentrar e lembrar de algumas coisas.

Psicóloga Marina Prado Franco (Foto: Divulgação)

Por que as pessoas desenvolvem esta doença? Existe alguma explicação científica?
A ciência, atualmente, explica o surgimento da depressão por um conjunto de fatores, entre eles: a maior propensão genética (famílias com pessoas deprimidas aumentam a chance de eu vir a desenvolver depressão); fatores bioquímicos (redução de alguns neurotransmissores que contribuem para o humor positivo, como a serotonina e a dopamina); fatores ambientais como, por exemplo, a vivência de traumas, violências, negligências dos pais quando criança; e fatores ligados à personalidade do indivíduo, se este tem uma autoestima preservada ou não, visão que tende a ser mais pessimista ou otimista das coisas.

Você acha que podemos tomar alguma atitude para nos prevenirmos da doença?
Atitudes que podemos tomar para prevenir a doença envolve buscarmos sempre tarefas e atividades que nos provoquem prazer, tarefas interessantes para cada um de nós. Termos uma boa rede de apoio (amigos com quem podemos dividir nossas alegrias, tristezas e frustrações), nos criticar menos, com a aceitação de nós mesmos com defeitos e qualidades ‘como todos’, não nos compararmos com os outros e aceitar elogios e buscar sempre observar as situações que vivenciamos como oportunidades de aprendizados, entre outras coisas.

O que você acha das iniciativas de canais de ajuda psicológica neste momento de afastamento social?
Os canais de ajuda psicológica nesse momento de crise e pandemia que vivemos serão essenciais para que os indivíduos consigam se fortalecer e buscar recursos para lidar com suas emoções, como medo, ansiedade e tristeza, que podem surgir com mais frequência no momento atual. Um profissional capacitado nos trará a possibilidade de um lugar em que podemos nos sentir seguros, acolhidos e compreendidos diante de um cenário de tantas incertezas.

Qual a dica que você pode passar para a população neste momento?
Nesse momento a população deve estar atenta, se unir, criar rotinas e atualizá-las constantemente, para que consiga manter a sua saúde física e emocional em um funcionamento saudável, dentro do possível. Devemos estar atentos também às pessoas que estão próximas a nós para que possamos observar possíveis mudanças de comportamento e agir em prol de uma ajuda recíproca.