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Egili Oliveira: estilo e empoderamento através da arte

 

O ano de 2020 foi de total revolução na vida de Egili Oliveira. Aos 40 anos, a renomada professora de samba e rainha de bateria da Acadêmicos de Vigário Geral, viu na pandemia, uma oportunidade de dar novo foco à carreira.

Impossibilitada de viajar para realizar os workshops que promove ao redor do mundo, Egili aproveitou para tirar projetos da gaveta. “Este foi um ano muito difícil e onde a gente precisou se conectar com a nossa fé, nossa religiosidade, para entender os propósitos de Deus para nós. Eu tinha acabado de inaugurar um estúdio de dança e só consegui dar uma semana de aula antes dele fechar, ou seja, um investimento de tempo e de economias , que tive que parar”, conta.

Formada em teatro, Egili retomou os estudos e resolveu investir na carreira de atriz, fazendo reciclagens e aulas de canto e impostação de voz e se rendeu às aulas online. “Foi muito interessante. Tive que me reinventar. Sempre fui muito discreta e, de repente, estava todo mundo, literalmente, na minha casa. De certa forma, foi algo que me motivou e me ajudou a não entrar em um processo de depressão, já que eu moro sozinha”, comenta.

Foto: Alex Curti

 

Representatividade preta e ações no Dona Marta

Atenta à importância de colocar a representatividade preta em destaque, Egili esbanja estilo e  prioriza sempre o uso de marcas de estilistas e empreendedores pretos, divulgando o trabalho desses profissionais em suas redes sociais. E foi justamente nesse ambiente digital , com essa atividade agora potencializada, que a carreira da atriz tomou novos rumos.

“Com os estudos e as reciclagens que fiz, fui me conectando a artistas de teatro, e dali foram nascendo projetos novos como o Tearteiros do Santa Marta, ( comunidade de Botafogo, bairro onde mora) que atualmente é meu xodó. Além de trocarmos experiências,  são amigos e parceiros que querem trazer para o Santa Marta intervenções culturais e outras ações ligadas à arte, algo que sempre me esforcei muito para trazer aqui para a região”, diz Egili, que estreou nas telas de tv, participando do filme de Luccas Neto ( em exibição nos canais fechados), e foia a estrela do clipe lançado pelo Batuk Digital em homenagem ao Dia da Consciência Negra.

Egili levanta a bandeira de mais equidade nas produções de televisão e teatro.

“É maravilhoso a gente ligar a televisão e se sentir representado de alguma forma,  mas ainda é pouco. Vivemos um ano de 2020 onde foi pujante e urgente essa discussão em torno da nossa representatividade e é isso que tento levar para os jovens do Santa Marta. Nós podemos e devemos ocupar todos os espaços com oportunidades iguais porque somos capazes disto”, finaliza a atriz.

 

Por: Claudia Mastrange