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60 anos do Parque da Tijuca: Veja recantos ainda pouco explorados

Por Alan Alves

Encravado no coração do Rio de Janeiro e sob os pés do Cristo Redentor, o Parque Nacional da Tijuca completa 60 anos em 2021. O espaço detém o título de o mais visitado do país, recebendo cerca três milhões de pessoas por ano, mas alguns recantos no meio da floresta seguem ainda pouco explorados por brasileiros e estrangeiros.

O parque foi criado em 1961, inicialmente na área do Maciço da Tijuca (Paineiras, Corcovado, Tijuca, Gávea Pequena, Trapicheiro, Andaraí, Três Rios e Covanca) e depois, em 2004, incorporando também o Parque Lage, a Serra dos Pretos Forros e o Morro da Covanca. Hoje, com mais de 39 km², a unidade de conservação tem opções de diversão para todos os públicos, com áreas para piquenique, churrasco, voo livre, escalada, trilhas e outras atividades.

Parque é rico em cachoeiras. (Foto: Divulgação/ICMBio)

O parque foi implantado na área da Floresta da Tijuca, a primeira replantada do mundo e hoje uma das maiores florestas urbanas do planeta que além da beleza, ajuda no equilíbrio do clima — sua reserva tropical faz a temperatura da cidade ter o clima até 4 graus mais ameno, segundo especialistas — e contribui para a redução do nível de metais pesados no ar, sobretudo os lançados por veículos.

Recantos pouco explorados

O parque é rico em fauna e flora e dividido em três setores de visitação: Floresta, Pedra Bonita/Pedra da Gávea e Serra da Carioca, onde ficam o Corcovado e a estátua do Cristo Redentor, que completa 90 anos em 2021. Há acessos pela zona norte (Tijuca), zona oeste (pela Barra da Tijuca) e da zona sul (pelo Jardim Botânico e Gávea).

Muitas pessoas mal sabem que alguns recantos são tão belos quanto os pontos mais frequentados do parque e deixam de explorar esses espaços. Um deles é o Mirante da Guanabara, que possibilita visão privilegiada da Baía de Guanabara, Serra dos Órgãos, Região Central do Rio e da Ponte Rio-Niterói. O acesso se dá a poucos metros do Centro de Visitantes Paineiras, no Alto da Boa Vista.

Tucano no bico preto é um dos moradores da floresta da Tijuca. (Foto: Divulgação/ICMBio)

Pela Rua Amado Nervo, também no Alto da Boa Vista, é possível chegar a outro ponto de vista panorâmica: a Pedra da Proa. São 633 metros de altitude, com vista da Lagoa Rodrigo de Freitas, das praias da Zona Sul, do Morro Dois Irmãos, do Corcovado e do Pão de Açúcar.

Outra boa opção é o Circuito das Grutas. Sao oito, com formações rochosas provenientes de deslizamentos por movimentos tectônicos. Entre elas está a Gruta dos Morcegos, com 22m de altura e mais de 100m de profundidade.

Para quem quer se refrescar, o parque oferece a tranquilidade da Cascata da Baronesa, que fica próximo ao Circuito das Grutas, e a Cascata do Engenho, com acesso por trilha a partir do Jardim Botânico. Nesse trajeto, também é possível acessar o Poço Temiminó, outro ponto para banho no parque.

Outros pontos a serem explorados sao a Cachoeira das Almas, o Pico da Tijuca, a Pedra do Conde, o Morro do Anhanguera, o Bico do Papagaio e o Lago das Fadas, todos no setor Floresta da Tijuca, a Estrada das Paineiras e a Mesa do Imperador, ambas no Setor Serra da Carioca.

A cuíca-lanosa é outra moradora da floresta. (Foto: Divulgação/ICMBio)

Visitações e restrições

Por causa da pandemia, medidas restritivas foram adotadas pela gestão do parque, entre elas a limitação do número de visitantes. No setor floresta, por exemplo, a capacidade foi reduzida para 1,5 mil pessoas por dia. No site do Parque Nacional da Tijuca, o visitante pode se informar sobre as regras e ainda sobre os horários de funcionamento.

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Brasil Meio Ambiente

Estudo aponta para falsa estabilidade da cobertura florestal nativa na Mata Atlântica

Perda de florestas mais antigas é ameaça à Mata Atlântica

Artigo de pesquisadores brasileiros na revista Science Advances faz alerta sobre a preocupante dinâmica de desmatamento de florestas nativas maduras e aponta desafios para programas de restauração

Artigo publicado por especialistas brasileiros na renomada revista Science Advances mostra que a aparente estabilidade da cobertura florestal nativa na Mata Atlântica desde 2000 esconde uma forte e preocupante dinâmica de perda de floresta natural madura, especialmente em algumas regiões do bioma, o que impacta a sobrevivência de espécies e o fornecimento de serviços ecossistêmicos, como a mitigação das mudanças climáticas.

O grupo – liderado por Marcos Reis Rosa, doutorando na área de Geografia na USP e coordenador técnico do MapBiomas – aponta que, desde 2005, o ganho de floresta natural é superior ao desmatamento. Porém, o desmatamento de floresta madura, mesmo em queda, ainda tem valores muito alarmantes.

“Foi demonstrada a recuperação de florestas jovens, que são essenciais para aumentar a cobertura florestal e criar corredores entre fragmentos isolados, principalmente em Áreas de Preservação Permanente ao longo dos rios. Mas o estudo também comprova o desmatamento contínuo das florestas nativas mais antigas, com maior biodiversidade e carbono estocado, principalmente para ampliação da agricultura e plantio de florestas exóticas. Apesar dessa dinâmica de perda e ganho de florestas nativas ter mantido a quantidade de floresta praticamente estável nos últimos 20 anos, esse rejuvenescimento das florestas pode ser extremamente danoso para a conservação do bioma”, ressalta Rosa.

Ele afirma ainda que, “na atual década da restauração de ecossistemas instituída pela ONU, é necessário ampliar as ações de restauração da floresta nativa, porém é imprescindível buscar o desmatamento zero e manter todos os instrumentos e iniciativas de proteção dos remanescentes florestais existentes”.

Para o ecólogo Jean Paul Metzger, do departamento de Ecologia da USP e que também colaborou com o artigo, “a estabilidade na cobertura de Mata Atlântica passa a falsa impressão que o desmatamento está controlado”. “Infelizmente, não está. A análise separada das taxas de desmatamento e de regeneração mostra que o desmatamento no bioma ainda é significativo e afeta matas maduras, que são as matas mais importantes para conservação da biodiversidade e para a regulação climática e hídrica”, reforça o pesquisador.

Florestas maduras são insubstituíveis para a conservação da biodiversidade tropical, conclui o estudo – já que muitas espécies de animais, plantas e microrganismos são incapazes de recolonizar florestas secundárias e dependem de habitats mais antigos, menos alterados, estruturalmente mais desenvolvidos e biodiversos para persistir.

O artigo indica ainda que a dinâmica de ganho e perda de floresta nativa tem uma forte relação regional. A perda de floresta nativa se concentra na região centro-sul do Paraná e Santa Catarina, especialmente nas Matas de Araucárias, e na divisa entre Minas Gerais e Bahia, principalmente na região das Matas Secas. Já o ganho de floresta nativa é observado no interior do Paraná e de São Paulo, no sul de Minas Gerais e do Espírito Santo, além da região Serrana do Rio de Janeiro e litoral de Pernambuco e Paraíba.

O estudo afirma que a suposta estabilidade na cobertura florestal nativa ocorre, pois florestas maduras que continuam sendo desmatadas estão sendo substituídas por florestas jovens, em recuperação. Foi notada praticamente a mesma quantidade de floresta recuperada e de florestas maduras desmatadas.

Para Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, grande parte desse desmatamento poderia ter sido evitado pela aplicação da Lei da Mata Atlântica, aprovada em 2006. O bioma foi o primeiro no país a contar com uma lei específica, que funciona como uma camada especial de proteção que precisa ser respeitada para que ele continue vivo. “A lei é importante não só para a floresta, mas também para a qualidade de vida da população, já que 72% dos brasileiros vivem em áreas de Mata Atlântica e são beneficiados por ela, com serviços como a regulação do clima, abastecimento de água e turismo”, afirma ela.

Hirota reforça a importância de criar novas Unidades de Conservação, como parques e reservas públicos ou privados, para preservar as florestas maduras. E cabe ainda aos municípios elaborar o Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA), com diretrizes e um plano de ação voltado para projetos de recuperação, pesquisa científica e uso sustentável em remanescentes da floresta atlântica. De acordo com a lei, o PMMA deve ser aprovado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente antes de ser colocado em prática.

Retrocesso

De acordo com o artigo, 11% da cobertura florestal de Mata Atlântica atual são florestas jovens, com menos de 20 anos. Para os pesquisadores, o rejuvenescimento da cobertura florestal nativa representa um retrocesso crítico.

“Uma mensagem fundamental desse artigo é que a manutenção da estabilidade da cobertura florestal, ou até um ganho líquido de floresta, nos últimos anos, parece ser uma notícia boa que deve ser comemorada, mas ainda sim mascara grandes riscos. A recuperação da vegetação nativa deve se dar não apenas em quantidade, mas também em qualidade. Trocar floresta madura por florestas jovens é um risco para a biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas. A recuperação florestal tem que acontecer, especialmente em biomas extremamente desmatados e fragmentados como a Mata Atlântica. Mas essa recuperação florestal tem que vir atrelada à manutenção das florestas maduras. Ou seja, nem sempre a transição florestal, ganho líquido de floresta, é um sinal de melhoria da qualidade ambiental”, afirma Renato Crouzeilles, diretor do Instituto Internacional para Sustentabilidade na Austrália, que também assina o artigo.

No Bonn Challenge, esforço global para restauração florestal, quase 200 milhões de hectares de compromissos de restauração florestal foram prometidos por mais de 60 programas nacionais e subnacionais, a maioria deles localizados em países tropicais em desenvolvimento. “A perda não computada da cobertura florestal nativa madura durante a implementação de programas de restauração nos trópicos globais pode ser ainda pior do que o que observamos na Mata Atlântica, visto que o Brasil é (ou pelo menos foi) globalmente reconhecido por suas políticas e ferramentas de sucesso para reduzir o desmatamento”, afirma Pedro Brancalion, do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG ambiental brasileira criada em 1986 para inspirar a sociedade na defesa da floresta mais ameaçada do Brasil. Atua na promoção de políticas públicas para a conservação da Mata Atlântica por meio do monitoramento do bioma, produção de estudos, projetos demonstrativos, diálogo com setores públicos e privados, aprimoramento da legislação ambiental, comunicação e engajamento da sociedade em prol da restauração da floresta, valorização dos parques e reservas, água limpa e proteção do mar. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.
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Colunas Vitor Chimento | Serra

RESERVA BIOLÓGICA DE ARARAS – UM LUGAR MÁGICO E PERFEITO PARA CONEXÅO E INTERAÇÃO COM A NATUREZA

A Reserva era área reconhecida como floresta protetora da União, pelo Império do Brasil. Em seguida, passou a ser considerada horto florestal até, em 1977, se tornar Reserva Biológica. Abrange, principalmente, o Município de Petrópolis e o Município de Miguel Pereira.

É constituída de uma área geográfica delimitada, dotada de atributos naturais excepcionais, inserida no bioma Mata Atlântica e possuindo em seus limites ecossistemas bastantes significativos. Ela tem cobertura vegetal formada, principalmente, por floresta ombrófila densa montanha e submontana (chamada também de floresta tropical pluvial) e vegetação rupícola (vegetação das encostas e regiões íngremes).

As estrelas da região (Foto: Reprodução/Internet)

As matas são compostas por vegetação secundária nos estágios avançados e médio de sucessão e com grande presença de magníficos afloramentos rochosos. A área que era destinada à produção de frutas e madeira, no passado, não chega a 10% de seu tamanho original, sendo o restante de floresta densa em excelente estado de conservação, refúgio seguro para inúmeras espécies típicas da Mata Atlântica fluminense.

Seu relevo fortemente acidentado faz com que ela abrigue, também, rica vegetação rupícola, e nos topos das montanhas graníticas que a compõem encontramos campos de altitude bem preservados e a bela e rara flor conhecida como rabo-de-galo (Worsleya rayneri), espécie endêmica da Serra das Araras. Destacando-se vertentes rochosas íngremes, com declividade de 50% a 70% e com variações de altitude entre 910 a 1766 metros (Pico do Couto).

 

O florescimento do lindo Ipê-Branco, muito típico da região (Foto: Reprodução/Instagram)

A Reserva Biológica de Araras tem como objetivo, desde a sua criação, assegurar a preservação integral dos remanescentes de Mata Atlântica e demais atributos naturais presentes no chamado Corredor da Serra do Mar; ampliar o potencial de conservação da Região Serrana Fluminense, assegurando a perpetuidade dos benefícios ambientais relacionados a diversidade biológica; manter populações de animais e plantas nativas e oferecer refúgio para espécies raras, vulneráveis, endêmicas e ameaçadas de extinção da fauna e flora nativas; preservas montanhas, rios e demais paisagens notáveis contidas em seus limites; e assegurar a continuidade dos serviços ambientais.

O charme e a tranquilidade de Araras (Reprodução/Instagram)

Com seus 3.862 km, a Reserva permite, apenas, visitas com objetivos educacional e a realização de pesquisas científicas mediante prévia autorização. Para chegar até a reserva existem três maneiras: a estrada entre Araras e Vale das Videiras, com 44 km de extensão, liga o Município de Paty do Alferes à localidade de Araras; a estrada Caminho do Ouro, ao sul da reserva, ligando Petrópolis a Miguel Pereira em estrada de chão; e o trecho Rio-Petrópolis da Br-040 que corta o sudoeste da reserva e o acesso se dá na saída do Km 65 para Araras.

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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca

Livro com com sons da natureza é lançamento para bebês

Foto:: Divulgação

 

 

Como é uma coruja? Como faz o sapo? Essas e outras perguntas as crianças encontram no livro “A Natureza”, da Catapulta Editores. A obra faz parte da coleção Toque e escute e é indicada para apresentar a leitura e novas experiências aos bebês, com sons e texturas.

As páginas coloridas e cheia de detalhes vão atrair a atenção dos pequenos, que poderão tocar e apertar em determinados pontos do livro. O título traz elementos da natureza, como animais, vento e água, e os apresenta às crianças de forma lúdica e divertida.

 

 

O livro compõe a coleção que já tem outros três títulos – Os Pets, A Floresta e A Fazenda. Todas as obras estão disponíveis nas principais livrarias do país, em lojas físicas e online, pelo preço sugerido de R$ 69,90.