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Governo do Rio de Janeiro quer desmontar hospitais de campanha até iniciode agosto

O hospital de campanha do Maracanã vai ser fechado no próximo dia 5 de agosto, e o de São Gonçalo encerra suas atividades no dia 12 de agosto. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Alex Bousquet, durante entrevista coletiva.

Mas, para fechar as unidades, o estado vai ter que derrubar uma decisão judicial. Segundo o secretário, a Procuradoria-Geral do Estado está trabalhando para isso.

Alex Bousquet disse que os equipamentos, insumos, medicamentos e também as equipes médicas, de enfermeiros e auxiliares dos hospitais de Campanha do Maracanã e de São Gonçalo serão distribuídas para outras unidades de saúde do estado ou de municípios que necessitem para atuar no combate ao novo coronavírus, como é o caso de Nova Friburgo, na região serrana, e São Sebastião do Alto, no norte fluminense.

Bousquet disse, ainda, não acreditar em uma segunda onda da Covid-19 no estado, mas afirmou que a rede de saúde está preparada para atender a demanda que vier. Ele avalia que novos casos da doença continuarão sendo notificados, mas em um ritmo bem menos intenso do que nos meses de abril e maio, principalmente nas duas primeiras semanas de maio, quando a Covid-19 atingiu o pico no Rio de Janeiro.

Sobre o pagamento de salários, Bousquet reiterou que está em entendimento com o Tribunal Regional do Trabalho para fazer depósitos judiciais e garantir que os colaboradores das Organizações Sociais recebam seus salários.

Outra possibilidade é que os salários dos colaboradores sejam depositados diretamente em suas contas bancárias, como determina um projeto de lei encaminhado à Alerj e que recebeu mais de 100 emendas. A expectativa é que o PL seja votado na próxima semana.

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Destaque Saúde

Fiocruz desenvolve aparelho totalmente nacional para tratamento do ar em UTIs

Da Redação

A Fundação Oswaldo Cruz, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, desenvolveu um aparelho capaz de tratar o ar em UTIs, Unidades de Terapia Intensiva.

O sistema emergencial, desenvolvido em apenas 10 dias, propõe uma solução de baixo custo para reduzir os riscos de infecção em ambiente hospitalar.

O engenheiro mecânico Bruno Perazzo liderou o projeto. Ele ressalta que a ideia surgiu devido à crise sanitária causada pela Covid-19.

O aparelho foi desenvolvido a partir de componentes básicos de fabricação nacional e produção em série. E fornece ar tratado compatível para cada leito de UTI ou para cada 15 metros quadrados de Centro de Terapia Intensivo (CTI), como explica o engenheiro.

Segundo Perazzo, o objetivo agora é viabilizar a produção do aparelho, buscando parcerias com empresas, para ajudar no desenvolvimento do protótipo.

Segundo a coordenadora de Gestão Tecnológica da Fiocruz, Carla Maia Einsiedler, dez empresas já manifestaram interesse em investir no projeto, firmando uma parceria capaz de garantir o fornecimento do aparelho para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A coordenadora ressalta que a parceria entre pesquisadores da fundação, universidades e empresas, vai ajudar a transformar essas invenções em produtos e serviços para a saúde pública brasileira.

A Fiocruz se destaca na formação e na qualificação de recursos humanos para o SUS e para a área de ciência e tecnologia no Brasil.

Na fundação, são executados projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que produzem conhecimento para o controle de doenças.

 

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Destaque Notícias do Jornal Rio

Um Rio que desce ladeira abaixo

Por Alessandro Monteiro

Funcionários do Hospital Estadual Anchieta, organizado para ser referência no tratamento da Covid-19 voltaram a denunciar a falta de salários, auxílio transporte, medicamentos e condições básicas para atendimento aos pacientes infectados.

Parece um caminho sem fim, a incompetência dos governos Estadual e Municipal, quando assunto é Gestão Pública. Além dos esquemas de corrupção denunciados e a dança das cadeiras nos cargos do secretariado público, é gritante as mazelas causadas a população nesses três meses de quarentena.

A falta de transparência de ambos também só gera mais polêmicas e sequelas ao povo que também sofre com o desemprego e fome. Na última semana, os dados oficiais do governo que emite o boletim diário da pandemia foram retirados do ar pela manipulação e a falta de transparência dos números divulgados.

Na última terça-feira (09), a Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar novo esquema de fraudes em licitações do Fundo Municipal de Saúde. A investigação identificou que as fraudes ocorreram em despesas de licitação realizadas para aquisição de medicamentos, EPIs (equipamentos de proteção individual), testes rápidos para detecção do covid-19, locação de equipamentos e insumos hospitalares e contratação de empresa para montagem de hospital de campanha.

Até o momento, o prejuízo aos cofres públicos do estado já ultrapassa R$ 4,7 milhões de reais. Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos na Prefeitura Municipal de Carapebus, na Secretaria Municipal de Saúde e no endereço do Fundo Municipal.
Crivella e Witzel parecem brincar com dinheiro público e elevar ainda mais a crise no Estado. Além de tudo que já falamos nas edições anteriores, essa semana também foram descobertas compras irregulares de medicamentos que conforme análise, não possuem eficácia por terem sido adulterados.

As Upas continuam entregues ao milagre. Nos bairros de Copacabana, Botafogo, Madureira e Barra, falta tudo, desde soro até profissionais para atendimento e consequentemente diagnósticos, exames e encaminhamentos. A falha também acontece nos testes para detecção do coronavírus que escassos, viraram o grande calcanhar de Aquiles do enfrentamento da epidemia pela baixa, comparada a outros países.

A Organização Social (OS) Instituto de Atenção Básico à Saúde (Iabas) foi afastada da construção de hospitais de campanha no Rio de Janeiro na quarta-feira (03), que por determinação de Witzel por meio decreto, anula o contrato e todos os termos aditivos suspeitos de irregularidades.

No início desta semana, 69 deputados da Assembleia Legislativa do Rio votaram favorável pela abertura de um processo de Impeachment com base nas denúncias contra o Estado até o momento e após reunirem novos dossiês na segunda-feira (08), que trazem mais irregularidades de superfaturamento, compras irregulares e desvio de verba pública.

A votação está prevista para aqui um mês e meio. Porém já surgem boatos nos corredores do Palácio Guanabara sobre uma possível renúncia do atual governador Witzel. Aguardamos então, as cenas dos próximos capítulos de mais um esquema milionário de corrupção no Rio.

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Rio

Duque de Caxias tem até o dia 8 para abrir novos leitos de hospital

A Justiça determinou que o estado do Rio de Janeiro e o município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, têm até o dia 8 de junho para abrir 73 novos leitos hospitalares na cidade e até o dia 21 para implantar mais 91. Segundo a decisão do desembargador Wagner Cinelli, da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), foi considerada a alta taxa de mortalidade no município por covid-19.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram que ontem (2) Duque de Caxias ocupava a quinta posição entre as cidades com mais casos de covid-19 no estado, com 1.584 confirmados, e o segundo lugar em número de mortes, com 254, atrás apenas da capital, que tinha registrado 3.828 óbitos.

A determinação ampliou os prazos da liminar concedida em primeira instância pela juíza Amélia Regina Pinto, da 7ª Vara Cível de Duque de Caxias, que se baseou no número de leitos previstos no Plano Estadual de Emergência para o novo coronavírus.

Segundo a decisão, a secretaria previu, até 30 de abril, um hospital de campanha em Duque de Caxias, com 160 leitos gerais e 40 leitos de CTI. “A hipótese, portanto, é de descumprimento pelo estado do Rio de Janeiro de uma política pública por ele mesmo traçada para o enfrentamento da epidemia na Baixada Fluminense”, diz o texto do desembargador.

A juíza Amélia Regina Pinto determinou também que o município de Duque de Caxias informe, no prazo de dois dias, quantos leitos de CTI e de enfermaria estão disponíveis para ocupação por pacientes com covid-19 e atualize diariamente o cadastro dos pacientes que esperam por um leito hospitalar.

O hospital de campanha de Duque de Caxias é um dos que sofreram atrasos na entrega e teve a gestão assumida pelo governo do estado, em decreto publicado hoje (3).

A prefeitura de Duque de Caxias anunciou ontem que fez uma parceria com o governo do estado para abrir 56 leitos dedicados a pacientes de covid-19 no quarto andar do Hospital Municipal Dr. Moacyr do Carmo. A ala será administrada pela SES.

No início de maio, a prefeitura inaugurou o Hospital Municipal São José, exclusivo para pacientes de covid-19, com 128 leitos.

Com informações da Agência Brasil

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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca

A corrida para salvar vidas

O hospital de campanha do Maracanã foi inaugurado neste sábado (9). O hospital, na área externa do estádio, foi construído em 38 dias. A princípio, serão abertos 170 dos 400 leitos. Desse total, 50 são de unidade de terapia intensiva e 120 de enfermaria. A promessa é que mais de mil leitos estejam disponíveis em todo estado, até o final de maio.

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Rio

Familiares sofrem com falta de notícias nos hospitais

Por Franciane Miranda

Nos últimos dias os brasileiros enfrentam um crescimento nos números de casos da covid-19. Este aumento tem sobrecarregado os hospitais de todo o país e nos maiores centros urbanos a situação é crítica. O sistema de saúde caminha para o colapso, que vão além da falta de profissionais da saúde, de leitos, com as emergências e as UTI’s chegando ao limite. E os familiares de pacientes internados vivem outro drama: a falta de comunicação sobre o estado de saúde dos parentes.

No dia 10 de abril, o vigia noturno Valdemiro Abreu da Silva foi internado. O seu filho, Natanael do Nascimento Silva, nos conta que seu pai era dedicado ao trabalho, nunca foi de faltar ao emprego e, por isso, trabalhou alguns dias sentindo dores. Um dia antes da sua internação o senhor havia completado 66 anos. Mas o esforçado vigia apresentou uma piora nos sintomas que vinha sentindo. Natanael relata que ficou muito preocupado, pois o pai apresentava dores nas costas e no estômago. Decidiu levá-lo para o médico mais próximo na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rua Siqueira Campos, localizado em Copacabana.

O jovem nos explica que ao chegar à UPA havia uma tenda onde as equipes estavam separando as pessoas que sentiam algum sintoma da covid-19. Ele lembra que os doentes que não apresentavam problemas ligados ao coronavírus entravam por outro local. Natanael precisou esperar mais de três horas para sair o resultado do exame de sangue que acusou infecção urinária. Mesmo apresentando este problema, Valdemiro foi liberado à noite e, em seguida, saiu direto para o trabalho, que começava às 22h.

Mas o momento difícil estava apenas começando: três dias depois o pai de Natanael começou a sentir falta de ar. A família ficou muito assustada e, na mesma hora, levou ele à mesma UPA. Lá Valdemiro foi levado em uma maca de imediato para uma sala vermelha. O médico que lhe atendeu diagnosticou que sua saturação estava baixa e o internou. Seu quadro era mais complexo, pois ele também tinha outros problemas de saúde como hipertensão e diabetes.

Dura realidade

No dia seguinte, Valdemiro Abreu conseguiu uma vaga no Hospital Regional de Volta Redonda e foi transferido para o local. Neste momento, começou o drama da família para conseguir informações sobre o seu estado de saúde. Natanael nos relatou o quanto foi complicado passar por esta fase sem notícias do seu pai. “Não conversamos com nenhum médico, somente com a assistente social na segunda, quarta e sexta-feira”, detalha.

Triste, Natanael relembra o descaso e afirma que ficaram três dias sem nenhuma notícia do seu querido pai. “Porque não conseguíamos ligar. E quando atendiam, às vezes desligavam na nossa cara”. Ao atender as ligações depois de várias tentativas e muitas dificuldades, a informação sobre o estado de saúde era a mesma. “Grave, porém estável, necessitando de respirador mecânico. Nunca melhorou e nem piorou”, explica.

Ele também deixa claro que nunca falou com nenhum doutor que acompanhava o seu pai, apenas com uma assistente que comunicou sobre o tratamento. “Falaram que estavam dando pra ele cloroquina e hidroxicloroquinina”. Infelizmente, o senhor Valdemiro Abreu não resistiu e faleceu no dia 25 de abril, deixando cinco filhos e uma esposa.

Este a é um exemplo da nossa atual dura realidade. A população, além de sofrer com seus parentes doentes e a falta de estrutura da saúde, precisa também enfrentar mais uma dor: a da falta de notícias.

Fotos: Reproduções

 

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Destaque Saúde

Profissionais da saúde: a dura realidade por trás dos heróis

Por Franciane Miranda

O Diário do Rio entrevistou a doutora Adriana da Silva Diaz André, pediatra especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. A médica falou sobre a difícil rotina dos profissionais da saúde e a falta de valorização da categoria, que trabalha na linha de frente da pandemia.

O que os médicos estão enfrentando todos os dias?
Os médicos e profissionais de saúde de um modo geral estão enfrentando dias difíceis, com uma sobrecarga de trabalho, o estresse de lidar com uma doença pouco conhecida, além do medo de adoecerem e também transmitirem a doença para seus familiares.

Qual a verdadeira realidade por trás dos heróis?
Por trás dos heróis existem seres humanos que sofrem, que têm medos e ansiedades como todos, existem suas famílias. E uma coisa que ninguém fala é que quase todos trabalham sem garantias trabalhistas.

Eles possuem algum direito trabalhista quando são afastados por motivo de saúde?
Na verdade, a relação trabalhista dos profissionais de saúde não é homogênea. Alguns poucos trabalham com suas carteiras assinadas e gozam dos seus direitos, como o afastamento remunerado em caso de doença. Mas o que vem acontecendo já há algum tempo é a contratação desses profissionais na forma de pessoa jurídica (PJ).

E o que acontece com eles?
Eles são obrigados a abrirem uma firma e assim prestar serviços para os hospitais e empresas de saúde. Com isso, o hospital se isenta de pagar os direitos trabalhistas. Na prática, existem alguns acordos que são feitos como um valor às vezes maior do salário, férias, décimo terceiro, todos acordados entre o hospital e o profissional. Acontece que, como não existe obrigação legal, cada hospital age de uma maneira, uns não pagam nada mais além do salário, outros pagam uma parte em caso de afastamento e outros pagam integral. Essa falta de estabilidade gera um estresse ainda maior porque, além do medo de adoecer e ter uma evolução desfavorável. Existe também o medo de não poder cumprir com seus compromissos financeiros em caso de afastamento.

Faz tempo que isso acontece?
Essa situação já vem acontecendo há algum tempo não só com médicos, mas também outros profissionais de saúde, como enfermeiros e fisioterapeutas. Isso me chama mais atenção nesse momento e me deixa indignada porque não vejo ninguém defender melhores salários para estes profissionais que deveriam estar ganhando, no mínimo, o dobro nesse momento. Parece que as pessoas pensam que aplausos e homenagens são suficientes.

E na rede pública?
Na rede pública existem duas situações: a dos médicos concursados, que são os estatutários, e a dos médicos contratados. As contratações normalmente são feitas por Organizações Sociais (OS), que têm parcerias com o poder público. Particularmente vejo isso como a relação do atravessador. Normalmente os estatutários, que estão em extinção, já que praticamente não existem mais concursos para esta situação, recebem salários menores e gozam das garantias do servidor público. No caso dos contratados, o tratamento é semelhante ao que ocorre na rede privada, ou seja, o salário é melhor, mas se adoecer não recebe nada.

Qual a solução?
Acho que a solução para toda essa problemática será a aprovação do plano de cargos e salários para os médicos, que já está para aprovação, mas ninguém se interessa. Medicina tinha que ser carreira de Estado. Nós, médicos, precisamos trabalhar inteiramente para nossos pacientes e não para empresários. Nem falei da burocratização da Medicina, com excesso de exigências e protocolos que nos engessam cada vez mais, e que é uma das principais causas do Burnout entre os médicos do mundo inteiro.

E o que é Síndrome de Burnout?
É um tipo depressão por esgotamento físico e psíquico que leva muitos médicos a serem infelizes na profissão, chegando ao suicídio em alguns casos.

Já faltam médicos nos hospitais?
Atualmente não acho que estejam faltando médicos. O que vem acontecendo é que, como vários médicos estão adoecendo, alguns plantões são desfalcados. Mas normalmente se consegue algum substituto. Eventualmente algum médico precisa dobrar o plantão, o que aumenta o estresse.

Como os médicos estão lidando com esta pressão?
Na verdade, acho que nesse momento ninguém está parando para pensar. Todos só trabalham, trabalham e pronto! É triste ouvir alguns comentários como: ‘não tem jeito, ninguém vai fazer nada mesmo’. Uns ainda dizem: ‘pelo menos o valor do salário é maior’. Só que ninguém consegue enxergar que isso é um tratamento injusto e desumano. Não conseguem pensar que, enquanto estão produzindo, tudo vai bem. Mas se adoecerem ou até mesmo diminuírem sua produção pelo próprio envelhecimento, o que irá acontecer? E em caso de falecimento, como ficarão suas famílias? Me parece que os médicos estão sendo explorados de uma maneira cruel sem perceber.

Qual sua mensagem que aos profissionais que estão passando por esta situação difícil?
A mensagem que deixo é de coragem. Que sejam corajosos, que procurem fazer o melhor pelos pacientes, que cumpram honrosamente e amorosamente seus juramentos, mas não se esqueçam que são seres humanos como qualquer outro e com as mesmas necessidades e fraquezas. Todo conhecimento e capacitação são frutos puramente de sua dedicação e esforço. Não se deixem explorar pelos ‘empresários’ da Medicina. Exijam seus direitos, seus EPIs adequados e cuidem-se! Todos precisam de vocês. Que Deus os abençoe e proteja! Finalizo com um poema de Eduardo Alves da Costa para reflexão: ‘Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, roubam-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada’.

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Rio

Justiça do Rio dá prazo para que leitos comecem a funcionar

A Justiça do Rio de Janeiro aumentou para cinco dias o prazo para que a prefeitura da capital e o governo do estado liberem todos os leitos livres existentes nas redes estadual ou municipal para atender os pacientes com covid-19.

Decisão anterior, que saiu no plantão judiciário do dia 9 deste mês, atendendo pedido do Ministério Público e da Defensoria Pública, tinha fixado em 48 horas o prazo para cumprimento da liminar e determinado multa diária de R$ 10 mil para o governo do estado e a prefeitura, em caso de descumprimento.

Antes de analisar os pedidos de efeito suspensivo nos recursos interpostos pelo município e pelo estado, o colegiado da 25ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, seguiu o voto da relatora, Isabela Pessanha Chagas, e decidiu intimar as partes envolvidas no processo para, no prazo de três dias, apresentarem os esclarecimentos necessários.

“Trata-se de caso extremamente complexo, que envolve questões sociais, bem como questões públicas de saúde, em momento crítico de uma pandemia mundial sem precedentes, razão pela qual são necessários mais elementos e esclarecimentos para análise da possibilidade de concessão do efeito suspensivo”, destacou a relatora Isabela Pessanha.

Por enquanto, continua em vigor o prazo de 10 dias para que o estado, o município, o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) e o Rio Saúde desbloqueiem e coloquem em operação todos os leitos destinados a Síndrome Respiratória Aguda Grave dos hospitais de campanha do Riocentro e do Maracanã. Os leitos deverão ser estruturados para receber os pacientes da covid-19.

Em caso de descumprimento também está prevista multa diária no valor de R$ 10 mil para cada um dos réus.

Respostas

Em nota, a secretaria municipal da Saúde diz que não há leitos livres na rede municipal e que, por isso, vai recorrer da decisão. “Os leitos que aparecem como ‘livres’ na plataforma da regulação estão em unidades especializadas, como maternidades, psiquiátricas e pediátricas — e não podem ser usados para covid-19.”

Segundo a secretaria, desde o início da pandemia, foram abertos 722 leitos para tratamento da covid-19, 249 deles neste mês. A nota acrescenta que, com a chegada de 306 respiradores e outros insumos, em até 10 dias, o hospital de campanha do Riocentro e o Ronaldo Gazolla, em Acari, estarão em funcionamento pleno.

Também em nota, a Secretaria estadual de Saúde informa que, até o momento, 1.129 leitos foram abertos em todo o estado, dos quais 972 em hospitais de referência para o tratamento de coronavírus, 437 em unidades de terapia intensiva (UTIs) e 535 em enfermarias.

O comunicado informa que também existem 157 leitos, dos quais 100 de UTI, para tratamento da covid-19 em áreas isoladas de outras unidades estaduais. Além disso, há 30unidades de pronto atendimento (UPAs) espalhadas pelo estado, sendo 16 na capital.

Com informações da Agência Brasil

 

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Rio

RJ: rede pública no estado pode ter déficit de 25 mil vagas nos hospitais

Por Sandro Barros

Diante do aumento do número de pessoas contaminadas pela covid-19, o governo estadual do Rio de Janeiro fez uma projeção assustadora para as duas primeiras semanas de maio: haverá a necessidade de 21 mil leitos de enfermaria e sete mil de UTI. No entanto, a rede pública espera ter ao todo, entre enfermarias e UTIs, 3,4 mil leitos. Isso pode gerar um déficit de 25 mil vagas nos hospitais.

No final de abril a fila por uma vaga somava mais de 300 pessoas. O Rio é o segundo estado com mais casos da doença, atrás apenas de São Paulo.

Com essa nova projeção, o governador Wilson Witzel (PSC) estendeu a quarentena no estado até 11 de maio. Na capital, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) estendeu o isolamento social para 15 de maio. As decisões foram publicadas em Diário Oficial no dia 30 de abril. Na vizinha Niterói, o isolamento foi prorrogado para o dia 20.

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Defensoria alerta para colapso no sistema de saúde do Rio

O sistema de saúde da cidade do Rio de Janeiro está com 93,9% dos leitos de unidades de terapia intensivas (UTIs) ocupados e pode entrar em colapso muito em breve. O alerta foi feito pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ) e pelo Ministério Público estadual (MPRJ), que ajuizaram ação coletiva para que medidas emergenciais sejam adotadas.

Na ação, as instituições pedem o desbloqueio de 155 dos 287 leitos destinados aos pacientes com coronavírus na capital, conforme previsto no Plano de Contingência à Covid-19, e solicitam que sejam mantidas as medidas de distanciamento social até que todos os leitos estejam funcionando.

De acordo com o levantamento, feito na sexta-feira (17) pela plataforma do Sistema de Regulação (Sisreg), o governo do estado e a prefeitura destinaram ao município 749 leitos de UTI para tratamento de covid-19, incluindo os hospitais de campanha, ainda não inaugurados. A coordenadora de Saúde e Tutela Coletiva da DPRJ, Thaisa Guerreiro, destaca que, do total de leitos, 287 são de hospitais estaduais e municipais da cidade e 155 deles ainda não entraram em operação.

“Neste momento, em que se aproxima o pico da epidemia, é fundamental que todos os leitos de UTI, programados pelos próprios gestores para o tratamento digno da população, estejam em pleno funcionamento, sobretudo porque não há possibilidade de escoamento desses pacientes na rede existente, já notoriamente deficitária em leitos intensivos.”

A defensoria aponta que há 61 leitos inoperantes no Hospital Estadual Anchieta; oito no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla; 71 no Hospital Universitário Pedro Ernesto; e cinco no Instituto Estadual do Cérebro. No Hospital das Clínicas (IESS), não foram identificados os 10 leitos previstos no plano de contingência.

Foto: Agência Brasil

Ocupação

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), nas unidades da rede estadual, 60% dos leitos de enfermaria e 74% de UTI estão ocupados. Há 10 dias, as taxas de ocupação eram de 41% para enfermarias e de 63% para leitos de UTI.

Nas unidades dedicadas ao tratamento de pacientes com covid-19, a secretaria informou que as taxas de ocupação estão em 90,9% dos leitos de UTI no Instituto Estadual do Cérebro; 42,8% de UTI e 42,6% de enfermaria no Hospital Estadual Anchieta; 66,6% de UTI e 30% de enfermaria no Hospital Universitário Pedro Ernesto; e 44,3% de UTI e 55,4% de enfermaria no Hospital Regional do Médio Paraíba.

A secretaria informou que abriu 548 novos leitos exclusivos para pacientes com o novo coronavírus em todo o estado e que vai disponibilizar na capital, na Região Metropolitana e no interior um total de 3.414 leitos, sendo 2.000 em hospitais de campanha. As primeiras unidades de campanha a serem abertas são as do Leblon e do Maracanã.

De acordo com a secretaria, os hospitais privados também cumprem papel importante e, juntos, as redes pública, federal e privada somam 32 mil leitos de enfermaria e 6.500 leitos de terapia intensiva no estado.

Prefeitura

A Secretaria Municipal de Saúde informou que trabalha para abrir novos leitos de unidade de terapia intensiva para casos de coronavírus, mas que ainda depende de 806 equipamentos que a prefeitura comprou antes da pandemia e que devem chegar entre os dias 27 de abril e 27 de maio. Segundo o órgão, a rede municipal abriu, até o momento, 315 leitos exclusivos para atender pacientes de covid-19, sendo 109 de UTI.

No fim de semana, a prefeitura anunciou a abertura de mais 16 leitos no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, sendo cinco de UTI. Com isso, a unidade de referência da rede municipal para o novo coronavírus passa a contar com 186 leitos, sendo 65 de terapia intensiva e 121 de clínica médica. Mais vagas estão previstas para os próximos dias, podendo chegar a 381 leitos, sendo 201 de terapia intensiva com respiradores.

O hospital de campanha do Riocentro ficou pronto no domingo (19) e dispõe de 400 leitos de clínica médica e 100 de UTI, mas a unidade só começará a receber pacientes quando a ocupação dos leitos disponíveis no Ronaldo Gazolla chegar a 70%. Os equipamentos para o hospital de campanha devem chegar da China nos últimos dias do mês.

A Secretaria de Saúde está contratando profissionais para atendimento nas unidades de referência para a covid-19. São 1.049 vagas para as especialidades de intensivista, intensivista pediátrico, infectologista e clínico geral. O salário chega a R$ 15.693,95, de acordo com a especialidade e a carga horária, mais os benefícios. A inscrição para o processo seletivo simplificado pode ser feito pela internet.

A prefeitura anunciou que vai contratar leitos em hospitais privados, caso a ocupação da rede municipal chegue a 100%.

Com informações da Agência Brasil