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Jovens sentem mais falta de amigos e da escola no isolamento, diz pesquisa

Da Redação

O isolamento social está afetando de forma significativa o comportamento e expectativas de jovens e adolescentes, principalmente aqueles com até 25 anos de idade. Sem poder ter contato com familiares e amigos, tampouco ir à escola, a maioria está ansiosa, deixou de praticar exercícios físicos e está mais desconfiada em relação às informações recebidas pelo governo, como mostra pesquisa realizada pela rede de escolas de informática Microcamp.

A pesquisa foi feita entre os dias 13 e 19 de junho, com 6.041 alunos da rede, em 59 municípios de cinco estados brasileiros. A maioria dos entrevistados é do sexo feminino (51,3%), tem idade a partir dos 10 anos, sendo a maioria entre 15 a 19 anos (51,5%) e está cursando o Ensino Médio (51,5%).

Apesar de ser uma geração que nasceu após o surgimento da internet, os jovens e adolescentes dizem que do que eles mais têm sentido falta nesse período de isolamento é do contato físico com os amigos e familiares, segundo 43,1% dos entrevistados. Já para 25,9% é de ir à escola e 24,4% de ir ao cinema, clube, jogos de futebol e shopping. E por mais acostumados que estejam à tecnologia, quando se trata de estudo no ensino regulamentar, a maioria (86,2%) prefere as aulas presenciais, contra 7,5% online e 6,2% semipresenciais.

Para 57,9% dos entrevistados, com a mudança das aulas presenciais para virtuais a tendência é piorar o aprendizado dos alunos, enquanto 30,2% acham que o nível do aprendizado será mantido, e 12,2% consideram que haverá melhorias. Isso, apesar da pesquisa ter apontado que a adaptação das aulas presenciais para o sistema virtual feita pelas instituições de ensino regular foi considerada boa para 36% dos entrevistados, regular para 35,5%, precária para 14,5% e muito boa para 14,4%.

Ansiedade e solidão

Para uma geração que tem como característica o convívio com diversos grupos, viver isolada e privada de fazer o que mais gosta trouxe consequências emocionais. E a pior delas, apontada por 56% dos entrevistados, foi a ansiedade, seguida pela solidão, citada por 23,1% dos participantes.

Na pesquisa, a maioria dos entrevistados (52,8%) disse se informar e saber muito sobre pandemia do coronavírus, contra 34,5% que afirmou ter muitas dúvidas sobre o assunto e 12,8% admitiu que não se informa. A maioria (40,8%) também afirmou acreditar que os números de infectados e mortos no Brasil são inferiores aos divulgados pelo governo, já 30,2% pensam que são verdadeiros e 29,1% acham que são superiores. Sobre a mídia, 90,5% disseram acreditar em parte do que é noticiado, 5,4% acreditam em tudo e 4,2% não confiam em nada.

Embora a maioria dos entrevistados (76,4%) seja a favor do isolamento, 50,3% disseram que o têm respeitado parcialmente, enquanto 48,7% totalmente e 1% admite não respeitar. Em relação à alimentação, 55,5% dos entrevistados assinalaram que permaneceram com mesmos hábitos alimentares, 27,7% disseram que se descuidaram e estão comendo mais e pior, e 16,8% garantiram estar se alimentando melhor e com mais qualidade.

Menos compras, mais lives

Mas nem os mais de três meses de isolamento afrouxaram os hábitos de compras dessa geração. A pesquisa apontou que 61,5% não têm hábito de comprar pela internet, 25,6% manteve a frequência de compra online e 12,9% cedeu à tentação e passou a comprar mais pela internet.

Para ocupar o tempo durante o isolamento, 57,7% têm assistido a séries, filmes e lives, enquanto 17% têm se dedicado aos estudos e novos cursos, 13,4% estão se dedicando à arrumação da casa, e 6,9% têm optado pelas vídeo chamadas com amigos e familiares. Os entrevistados também se destacaram no uso das redes sociais, sendo que o Youtube ainda é o preferido de 39,5% deles. Já 22,5% acessam mais o Instagram, 14,5% outras opções, 11,4% o Facebook, 7,1% o Tik Tok e 4,9% o Tweeter.

Na opinião de 50,1% dos respondentes, o que falta para as pessoas enfrentarem melhor a pandemia é responsabilidade, já 15% disseram solidariedade e 14,2% respeito. Em relação ao comportamento das pessoas pós-pandemia. Para 45,3% dos entrevistados, o comportamento será o mesmo porque o ser humano tem memória curta. Já os otimistas (40%) acreditam que vai melhorar porque as pessoas tirarão lições importantes de solidariedade nesta crise. E os pessimistas (14,7%) acham que vai piorar porque a tendência é as pessoas se tornarem mais individualistas e egoístas.

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Distanciamento social reduziu casos de síndrome respiratória no Rio

Um relatório divulgado ontem (12) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que houve uma queda de novos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Rio de Janeiro na segunda quinzena de maio deste ano e na primeira semana de junho. De acordo com o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do sistema Infogripe, que traz o levantamento, a diminuição ocorrida no período se deve às medidas de distanciamento social adotadas no estado devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Segundo dados do Infogripe, na semana epidemiológica iniciada em 15 de março, os casos de SRAG no estado do Rio cresceram quase três vezes em relação à semana anterior, passando de 1,46 por 100 mil habitantes para quatro casos por 100 mil.

Nas semanas seguintes, os casos cresceram até chegar ao ápice de 17,81 casos de SRAG por 100 mil habitantes na semana epidemiológica iniciada em 26 de abril. Desde então, houve quedas semanais até chegar aos 10,43 casos por 100 mil na semana iniciada em 31 de maio.

“A atualização referente ao período de 31 de maio a 6 de junho mostra que a segunda quinzena de maio foi de queda sustentada, ou seja, de sequência de semanas consecutivas de queda no número de novos casos semanais no estado do Rio de Janeiro. Porém, os casos semanais continuam bem acima do limiar de atividade muito alta para o estado, que é baseado no padrão histórico”, informou o coordenador do sistema.

Na comparação com os valores 2019, os dados de 2020 são considerados ainda muito altos. Na semana epidemiológica iniciada em 2 de junho do ano passado, por exemplo, os casos eram de 0,66 por 100 mil habitantes no estado.

O coordenador do InfoGripe alerta que, apesar da queda nas últimas semanas, é importante manter o distanciamento social, até que se confirme a sustentabilidade da queda nas próximas semanas e também para se evitar o colapso do sistema de saúde.

A SRAG é um dos sintomas graves de pacientes com covid-19, mas nem todos casos de síndrome respiratória aguda grave se referem à doença. Os dados mais recentes do Infogripe mostram que, no ano, pelo menos 39% dos casos de SRAG no país foram provocados por covid-19 e mais 21% aguardam confirmação laboratorial.

Com informações e foto da Agência Brasil

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Rio aumentará ações em praias e shoppings para reduzir coronavírus

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, disse que, a partir de agora, seis comboios com agentes de fiscalização e ordenamento urbano, farão todos os dias vistorias em praias, shoppings e em diferentes pontos da cidade para evitar aglomerações.

As ações serão intensificadas também no comércio de rua, que ainda não está autorizado a reabrir. Como nos dias anteriores, as praias do Rio estiveram ontem (12) cheias em um desrespeito à manutenção do isolamento social. As operações vão se concentrar para evitar aglomeração de banhistas.

A Meteorologia prevê para hoje (13) céu claro, com a temperatura máxima podendo chegar aos 35 graus Celsius (ºC), um veranico em pleno outono. Apenas o surf e a prática do nado individual estão permitidos no mar.

A prefeitura intensificará as medidas para orientar a população sobre o distanciamento social e as regras nas praias da cidade. Equipes farão a fiscalização do decreto de flexibilização, que proíbe atividades na faixa de areia e obriga o uso da máscara facial.

O subsecretário executivo da Secretaria de Ordem Pública (Seop), Alessandro Carraceno, disse que “o objetivo é conscientizar a população para a necessidade da manutenção do distanciamento social e de regras, que, mais do que protocolos de higienização, tornaram-se medidas fundamentais para salvar vidas. O apoio de todos é muito importante, e não podemos relaxar nesta fase de retomada”.

Total de mortes tem queda

O prefeito Crivella informou que, no dia 11 deste mês, pela primeira vez desde o início da pandemia, o número de óbitos em um dia foi menor do que o registrado na mesma data no ano anterior.

No dia 11, houve 197 óbitos, e um ano antes, na mesma data, 201. O prefeito fez um apelo para que moradores do Rio ajudem a manter os bons resultados obtidos até agora contra a covid-19, obedecendo regras de afastamento social e cuidando da higiene.

Segundo Crivella, “com o esforço de todos nós, estamos vencendo a crise. Chegamos até aqui depois de 70 dias de sofrimento. Não vamos recuar. Vamos perder tudo que já conquistamos por desobedecer regras? Estamos sepultando menos, pela primeira vez, e vamos jogar isso fora, depois de tanto sacrifício?”, afirmou.

Público nos shoppings

O prefeito apresentou um balanço das ações de fiscalização que começaram na quinta-feira (11), quando os shoppings reabriram.

Foram 29 inspeções, cinco interdições e 26 multas por infrações consideradas gravíssimas em shoppings e algumas lojas.

Segundo dados da Vigilância Sanitária, as multas aplicadas somaram R$ 13 mil, mas podem ultrapassar R$ 50 mil em caso de reincidência.

Crivella disse que “estamos autuando lojas e alguns shoppings. Não temos prazer em multar ou cassar alvará, mas adotaremos sempre as medidas necessárias. Estamos procurando fazer um processo pedagógico. Temos que entrar no ritmo para não ter que voltar para trás”.

Com informações e foto da Agência Brasil

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Rio de Janeiro cria protocolo para flexibilizar isolamento social

O governo do Rio de Janeiro anunciou nesta quarta-feira (20) o protocolo de flexibilização do isolamento social. O Pacto Social pela Saúde e pela Economia estabelece três bandeiras: vermelha, amarela e verde para a liberação das atividades econômicas e o retorno da população às suas rotinas. As bandeiras serão determinadas pela curva endêmica da doença e pela taxa de ocupação de leitos em UTI nos hospitais públicos. As bandeiras serão atualizadas às sextas-feiras.

Assim, o estado fica em bandeira vermelha (situação atual) quando a ocupação dos leitos de UTI foi superior a 90% ou se a ocupação for de 70% e a curva de contaminação estiver crescente.

O estado entra em bandeira amarela quando a taxa de ocupação de UTIs ficar entre 70% a 90% e a curva de contaminação estiver decrescendo ou com a taxa de ocupação em UTIs inferior a 70% e a curva endêmica subir. Apesar disso, apenas dois dos 10 hospitais de campanha previstos estão funcionando.

Na bandeira amarela, o uso de máscara por toda a população será obrigatório. Restaurantes e bares podem reabrir com 50% da capacidade ocupada e espaço de dois metros entre as mesas. Exceção para os restaurantes self-service que continuam proibidos. Transporte intermunicipal será liberado, mas passageiros terão de medir temperatura nas rodoviárias. Shoppings voltam a funcionar e lojas devem receber um cliente por cada dez metros quadrados. Não será permitido o acesso de menores de 12 anos. Academias também poderão ser reabertas nesta fase com um cliente por dez metros quadrados, mas as piscinas permanecerão fechadas.

Cinemas e teatros, com 50% de capacidade, poderão reabrir na bandeira amarela, shows, no entanto, permanecerão suspensos. Praias, parques e equipamentos turísticos não devem ser utilizados.

As competições esportivas serão retomadas na bandeira amarela, preferencialmente em ambientes abertos, e os torcedores terão aferição de temperatura na entrada do estádio.

Escolas, universidades, áreas de lazer públicas, shows, restaurantes e bares em plena capacidade voltam a funcionar na bandeira verde.

Com informações da Agência Brasil

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Rio

No Rio, relógios de rua passam a informar nível de isolamento

Os relógios digitais que informam temperatura e hora em ruas do Rio de Janeiro passaram ontem (6) a exibir também a redução na circulação de pessoas em alguns bairros. A medida é uma parceria entre o Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR) e as empresas Clear Channel e Cyberlabs.

Os dados exibidos já eram monitorados com um método que combina o uso de câmeras de trânsito do COR e a inteligência artificial da Cyberlabs. A partir das imagens, o software é capaz de comparar a movimentação atual com os níveis anteriores à quarentena e exibir o resultado em tempo real nos relógios digitais.

Os relógios mostravam, por exemplo, que Copacabana tinha nesta quarta-feira (6) redução de 67% de pessoas nas ruas. O bairro foi o que confirmou o maior número de casos de coronavírus (367) e tinha até ontem o segundo maior número de mortos (39).

Os dados do isolamento social se tornaram motivo de preocupação para a Prefeitura do Rio de Janeiro, uma vez que o monitoramento indica aumento do fluxo de pessoas nas ruas. Nos últimos 15 dias, a redução de movimento nos bairros monitorados caiu de 79% para 74%.

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MP do Rio dá prazo até dia 7 para governantes apresentarem estudo de lockdown

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deu prazo, até quinta-feira (7), para o Estado e à Prefeitura da capital apresentem estudo técnico que avalie a necessidade de adoção do lockdown. A Recomendação foi realizada após reunião, na tarde de ontem (5), envolvendo o governador Wilson Witzel, o próprio MPRJ e outros órgãos.

Durante o encontro reunião, o procurador-geral de Justiça Eduardo Gussem, que representou o MPRJ, ressaltou que na segunda-feira (4), o órgão expediu recomendação ao Estado do Rio de Janeiro, na pessoa do Governador do Estado, para que apresente ao MPRJ estudo técnico devidamente embasado em evidências científicas e em análises sobre as informações estratégicas em saúde, vigilância epidemiológica, mobilidade urbana, segurança pública e assistência social a justificar a tomada de decisão sobre a adoção ou não do bloqueio total (lockdown), como medida extrema do distanciamento social e de nível mais alto de segurança de natureza não farmacológica contra a disseminação do novo coronavírus, com a suspensão expressa de todas as atividades não essenciais à manutenção da vida e da saúde.

Semelhante recomendação foi expedida nesta terça-feira ao Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. As recomendações conferem prazo até a próxima quinta-feira para resposta. Ao final do prazo, de acordo com o teor das manifestações a serem apresentadas pelos gestores estadual e municipal, bem como com as demais respostas, como, por exemplo, ofício expedido à Presidência da Fiocruz, o MPRJ, em conjunto e em atuação articulada com a DPRJ, adotará as medidas extrajudiciais e/ou judiciais cabíveis.

Ao abrir a reunião, o governador Wilson Witzel explicou as dificuldades e desafios para que os agentes públicos conseguissem promover uma fiscalização eficiente das medidas de isolamento social em diferentes níveis, como no caso de carreatas, estabelecimentos comerciais, calçadão das praias, etc.

O MPRJ registrou seu entendimento no sentido da necessidade de recrudescimento e ampliação das medidas de isolamento social, inclusive estudar a possibilidade de se decretar o chamado lockdown: a instituição de novas medidas de assistência social para que a população social e economicamente vulnerável possa ficar em casa sem passar privações; o fomento de campanhas de conscientização e educação da população para respeitarem as medidas de isolamento social; o aparelhamento do sistema de saúde para conseguir acolher a demanda que lhe for apresentada.

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O direito de ir e vir no isolamento social em debate

Por Sandro Barros

O instituto Datafolha divulgou, em 29 de abril, uma pesquisa em que mostra que 52% dos brasileiros apoiam o isolamento social para combater a propagação do novo coronavírus. No entanto, revela que a defesa da quarentena caiu 8% em relação à pesquisa realizada de 1º a 3 de abril, que registrou 60% de apoiadores. O levantamento mostra ainda que o percentual de brasileiros que defendem que as pessoas não idosas ou com doenças crônicas deveriam sair para trabalhar aumentou: de 37% no início de abril, passou para 46%.

Os dados coletados pelo instituto ─ que entrevistou por telefone 1.503 brasileiros adultos, em todos os Estados do país, em 27 de abril ─ reforçam os argumentos de quem defende o equilíbrio entre as medidas de proteção à saúde e de retomada da economia. A ideia é apoiada pelo atual ministro da Saúde, Nelson Teich, que já anunciou que a pasta fará uma nova diretriz para as localidades que queiram abrandar o isolamento ou abandoná-lo, ainda que não haja nenhuma orientação para o fim da quarentena total.

Na base do aumento de pessoas que desejam o fim ou o abrandamento do isolamento ─ mesmo com o alerta feito pela comunidade médica de que ainda não ultrapassamos sequer o pico de contaminação do novo coronavírus e que ficar em casa é a melhor forma para evitar a sua propagação ─ está justamente a pressão pelo retorno das atividades econômicas. E não é difícil de entender isso, pois empresas, empregos e renda estão cada vez mais e mais à deriva.

Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, publicado em 25 de março, afirmava que havia bloqueios de transportes e trânsito de algum tipo em, pelo menos, 22 estados brasileiros. Obviamente, a maioria das restrições afetavam ─ e ainda afetam, apesar de alguns governantes já terem ‘afrouxado’ o isolamento social, com autorização de abertura de comércios ─ o direito de ir e vir. Houve o fechamento total de divisas, proibição do transporte de passageiros interestadual e o bloqueio físico à entrada de várias cidades. Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, interveio até mesmo nos aeroportos, proibindo voos provenientes de certos países ou estados.

Debate jurídico

Fotos: Agência Brasil

A Constituição Federal brasileira assegura ─ em seu Art. 5º do Capítulo I, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos ─ que “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. Esse direito, como vários outros, é imprescritível, isto é, não se perde com o tempo mesmo que não utilizado. Em essência, o direito à liberdade.

Entretanto, a Lei 13.797/20, votada enquanto se fazia esforços para repatriar brasileiros que estavam na China, afirma que as autoridades, “no âmbito de suas competências”, poderiam adotar “restrição excepcional e temporária de entrada e saída do país, conforme recomendação técnica e fundamentada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por rodovias, portos ou aeroportos”.

Em 20 de março, através da Medida Provisória 926, que a Presidência da República incluiu a “locomoção interestadual e intermunicipal” entre as atividades sujeitas a restrição. Governadores e prefeitos viram na MP um sinal verde para fechar divisas e acessos, e simplesmente ignoraram a necessidade de recomendação da Anvisa.

Por fim, em 23 de março, o governo capitulou e publicou resolução assinada pelo diretor-presidente da Anvisa, delegando às Vigilâncias Sanitárias estaduais a capacidade de elaborar pareceres que embasassem os bloqueios e, na prática, validando um ‘cada um por si’. No dia seguinte, o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou no debate, quando o ministro Marco Aurélio Mello decidiu liminarmente manter o poder de estados e municípios sobre os respectivos acessos. As recentes decisões, no entanto, jogam mais lenha na fogueira e não calam a seguinte pergunta: o direito constitucional de ir e vir não está sendo indevidamente restringido?

Preparação fundamental

Mais que as considerações a respeito de leis inconstitucionais, medidas provisórias ou resoluções, o que deve nortear a discussão é a conscientização de que é preciso que todos zelem pelas suas vidas e às dos outros.

O isolamento adotado como forma de reduzir a velocidade de contágio do coronavírus é uma medida necessária, sem dúvida, mas teremos que nos preparar para o seu fim ─ ou o seu maior abrandamento. Os cidadãos continuam e continuarão a ter suas necessidades e seus motivos para se deslocarem. Então, como fazer isso com segurança à saúde é a questão com a qual as autoridades precisam se debruçar para o retorno à vida coletiva. E rapidamente, pois a pandemia não dá trégua.

Governo do Rio estuda utilizar bloqueio total

Em nome da defesa da quarentena, governantes do Rio de Janeiro cometeram diversos exageros. Uso da força para retirar banhistas de praias cariocas e a presença de um grande efetivo policial no acesso à estação das barcas de Niterói são alguns exemplos. Até interdições de ruas ao trânsito, como a Pinheiro Machado, que fica em Laranjeiras e onde está localizada a sede do governo estadual (Palácio Guanabara), foram adotadas sem que a população saiba a necessidade disso.

Agora, o governo do Rio de Janeiro, através do seu secretário de Saúde, Edmar Santos, manda um novo recado: estão sendo estudadas medidas de isolamento social ainda mais drásticas caso as pessoas não respeitem a quarentena e o número de casos confirmados, e consequentes mortes ocasionadas pela covid-19, sigam crescendo,

Uma das medidas em análise seria o bloqueio total, o ‘lockdown’, que além de proibir a circulação, interromperia todas as atividades, ainda que por curto período de tempo. Trata-se de uma imposição e, para tanto, teria que ser determinada por lei ou por decisão judicial. Caso este tipo de bloqueio seja adotado, seria necessário utilizar a força policial para que seja respeitado. E as consequências, sejam boas ou ruins, nós já podemos imaginar.

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RJ: rede pública no estado pode ter déficit de 25 mil vagas nos hospitais

Por Sandro Barros

Diante do aumento do número de pessoas contaminadas pela covid-19, o governo estadual do Rio de Janeiro fez uma projeção assustadora para as duas primeiras semanas de maio: haverá a necessidade de 21 mil leitos de enfermaria e sete mil de UTI. No entanto, a rede pública espera ter ao todo, entre enfermarias e UTIs, 3,4 mil leitos. Isso pode gerar um déficit de 25 mil vagas nos hospitais.

No final de abril a fila por uma vaga somava mais de 300 pessoas. O Rio é o segundo estado com mais casos da doença, atrás apenas de São Paulo.

Com essa nova projeção, o governador Wilson Witzel (PSC) estendeu a quarentena no estado até 11 de maio. Na capital, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) estendeu o isolamento social para 15 de maio. As decisões foram publicadas em Diário Oficial no dia 30 de abril. Na vizinha Niterói, o isolamento foi prorrogado para o dia 20.

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Witzel vai reavaliar isolamento social no RJ na próxima quinta-feira

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), vai se reunir com secretários na próxima quinta-feira (23), para avaliar o quadro de isolamento social contra o novo coronavírus no estado. As atuais medidas estão em vigor até o dia 30, quando poderão ser parcial ou totalmente renovadas, ou ainda flexibilizadas.

Witzel quer receber informações seguras de seus auxiliares, inclusive com relação aos hospitais de campanha, para analisar uma saída segura e gradual da quarentena. Segundo fonte próxima ao governador, não há ainda nenhuma decisão tomada quanto a esse processo.

Witzel integra a frente formada por governadores, a maioria de oposição ao presidente Jair Bolsonaro, como o tucano João Doria (SP), em defesa das medidas de isolamento social para retardar a contaminação pela doença.

A medida é recomendada por médicos e cientistas, para evitar uma sobrecarga nos sistemas de saúde por excesso de pacientes em curto espaço de tempo, o que levaria os hospitais a um colapso. O governador é crítico da postura de Bolsonaro, que defende o rápido fim da quarentena para que a economia não seja prejudicada.

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Prefeitura de Niterói prorroga quarentena até 30 de abril

A Prefeitura de Niterói vai prorrogar o período de isolamento social na cidade até 30 de abril. O anúncio foi feito prefeito Rodrigo Neves em seu pronunciamento diário nas redes sociais. Outra medida importante é a ampliação da restrição da circulação com municípios vizinhos a partir da próxima quinta-feira, dia 23. Só poderão entrar Niterói pessoas que trabalharam na cidade em atividades essenciais.

De acordo com o prefeito, as decisões foram tomadas após reuniões com especialistas em saúde pública da Fiocruz, UFF e UFRJ, além de empresários e representantes do MP.

“Seria imprudente neste momento não estender a quarentena até o dia 30. Não podemos colocar em risco todo o esforço feito até agora com o isolamento social e outras medidas que estão fazendo com que Niterói esteja vencendo essa guerra contra o coronavírus”, afirmou Rodrigo Neves.

O prefeito Rodrigo Neves ressaltou que foi criado um grupo de trabalho formado por técnicos da Prefeitura de Niterói, especialistas em saúde pública e representantes de entidades empresariais para que nos próximos dias seja montado um plano para a retomada das atividades econômicas na cidade. “Mas deixo claro que isso será feito de forma gradual e segura, com responsabilidade”, disse.

Em seu pronunciamento, o prefeito reiterou também que, a partir de quinta-feira (23), será obrigatório o uso de máscaras na cidade. E reforçou o apelo para que as pessoas só saiam às ruas em caso de extrema necessidade.

“Contaremos com os agentes de segurança pública neste trabalho e orientação e conscientização da população sobre o uso da máscara. É importante destacar que o uso é um hábito que teremos que incorporar, mesmo quando retomarmos a atividade econômica da cidade”, enfatizou Rodrigo Neves.

Rodrigo Neves, prefeito de Niterói

Restrição na circulação

O plano de restrição de circulação com municípios vizinhos entra numa nova etapa a partir desta quinta-feira (23). Com isso, só poderão entrar no município pessoas vindas de outras cidades que exerçam atividades profissionais em Niterói. Os empregados precisarão apresentar crachá, contracheque ou carteira de trabalho com o endereço do empregador em Niterói. No dia 4 de abril, foi instituída a restrição de acesso de ônibus intermunicipais a 30% da frota e proibida a circulação de táxis de outros municípios. E, no dia 11, a restrição de acesso à Niterói foi ampliada para transportes por aplicativo de outros municípios. Essas medidas estão valendo até o próximo dia 2 de maio.

Foi anunciada também que será aberta uma janela, entre os dias 23 e 30 de abril, para uma série de atividades. Poderão funcionar serviços médicos e odontológicos, óticas, lojas de material hospitalar, atividades relacionadas à manutenção de eletrodomésticos e eletromecânicos, comércio de conserto de bicicletas e bancas de jornal.

“Todos esses estabelecimentos deverão determinar providências para que não exista aglomeração em seus espaços, exigir o uso de máscaras e disponibilizar álcool em gel para que o serviço funcione de forma segura”, afirmou o prefeito.

Com informações de O Fluminense