Categorias
Meio Ambiente Política Rio

Deputado estadual e secretário discutem soluções para Meio Ambiente no RJ

Gustavo Schmidt e Thiago Pampolha trataram de pautas em comum entre Legislativo e Executivo
O presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, deputado Gustavo Schmidt, encontrou-se nesta segunda-feira (8/2) com o secretário de Estado do Ambiente, Thiago Pampolha, para discutir assuntos em comum, que envolvem tanto as ações do Executivo, quanto trabalhos realizados pelo Legislativo em relação à questão ambiental.

Entre os temas discutidos estão a atual situação da Baía de Guanabara e as lagoas de Itaipu e Piratininga, em Niterói, além do sistema lagunar da Barra, no Rio. A situação da Cedae, envolvendo os recentes problemas de qualidade da água e a questão do saneamento básico na Região Metropolitana e Baixada também foi abordada na reunião.

De acordo com Gustavo Schmidt, a Alerj e o Poder Executivo vivem um momento de união e bom relacionamento que podem ser positivos para a resolução de problemas históricos, incluindo questões ambientais. Comenta Gustavo Schmidt.
Vivemos um momento poucas vezes visto em nosso Estado. Temos, na Alerj, uma quase unanimidade em relação à condução da Casa pelo nosso presidente, André Ceciliano, que acaba de ser reeleito e tem demonstrado uma enorme determinação em dialogar com o governador para auxiliar na solução de questões fundamentais para a população. Por outro lado, o Executivo também demonstra estar de portas abertas para a Assembleia. Precisamos aproveitar essa oportunidade e colocar as coisas em ordem.

O encontro entre Schmidt e Pampolha aconteceu na sede da Secretaria de Estado do Ambiente, no bairro da Saúde, no Rio.
Categorias
Brasil Meio Ambiente

Estudo aponta para falsa estabilidade da cobertura florestal nativa na Mata Atlântica

Perda de florestas mais antigas é ameaça à Mata Atlântica

Artigo de pesquisadores brasileiros na revista Science Advances faz alerta sobre a preocupante dinâmica de desmatamento de florestas nativas maduras e aponta desafios para programas de restauração

Artigo publicado por especialistas brasileiros na renomada revista Science Advances mostra que a aparente estabilidade da cobertura florestal nativa na Mata Atlântica desde 2000 esconde uma forte e preocupante dinâmica de perda de floresta natural madura, especialmente em algumas regiões do bioma, o que impacta a sobrevivência de espécies e o fornecimento de serviços ecossistêmicos, como a mitigação das mudanças climáticas.

O grupo – liderado por Marcos Reis Rosa, doutorando na área de Geografia na USP e coordenador técnico do MapBiomas – aponta que, desde 2005, o ganho de floresta natural é superior ao desmatamento. Porém, o desmatamento de floresta madura, mesmo em queda, ainda tem valores muito alarmantes.

“Foi demonstrada a recuperação de florestas jovens, que são essenciais para aumentar a cobertura florestal e criar corredores entre fragmentos isolados, principalmente em Áreas de Preservação Permanente ao longo dos rios. Mas o estudo também comprova o desmatamento contínuo das florestas nativas mais antigas, com maior biodiversidade e carbono estocado, principalmente para ampliação da agricultura e plantio de florestas exóticas. Apesar dessa dinâmica de perda e ganho de florestas nativas ter mantido a quantidade de floresta praticamente estável nos últimos 20 anos, esse rejuvenescimento das florestas pode ser extremamente danoso para a conservação do bioma”, ressalta Rosa.

Ele afirma ainda que, “na atual década da restauração de ecossistemas instituída pela ONU, é necessário ampliar as ações de restauração da floresta nativa, porém é imprescindível buscar o desmatamento zero e manter todos os instrumentos e iniciativas de proteção dos remanescentes florestais existentes”.

Para o ecólogo Jean Paul Metzger, do departamento de Ecologia da USP e que também colaborou com o artigo, “a estabilidade na cobertura de Mata Atlântica passa a falsa impressão que o desmatamento está controlado”. “Infelizmente, não está. A análise separada das taxas de desmatamento e de regeneração mostra que o desmatamento no bioma ainda é significativo e afeta matas maduras, que são as matas mais importantes para conservação da biodiversidade e para a regulação climática e hídrica”, reforça o pesquisador.

Florestas maduras são insubstituíveis para a conservação da biodiversidade tropical, conclui o estudo – já que muitas espécies de animais, plantas e microrganismos são incapazes de recolonizar florestas secundárias e dependem de habitats mais antigos, menos alterados, estruturalmente mais desenvolvidos e biodiversos para persistir.

O artigo indica ainda que a dinâmica de ganho e perda de floresta nativa tem uma forte relação regional. A perda de floresta nativa se concentra na região centro-sul do Paraná e Santa Catarina, especialmente nas Matas de Araucárias, e na divisa entre Minas Gerais e Bahia, principalmente na região das Matas Secas. Já o ganho de floresta nativa é observado no interior do Paraná e de São Paulo, no sul de Minas Gerais e do Espírito Santo, além da região Serrana do Rio de Janeiro e litoral de Pernambuco e Paraíba.

O estudo afirma que a suposta estabilidade na cobertura florestal nativa ocorre, pois florestas maduras que continuam sendo desmatadas estão sendo substituídas por florestas jovens, em recuperação. Foi notada praticamente a mesma quantidade de floresta recuperada e de florestas maduras desmatadas.

Para Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, grande parte desse desmatamento poderia ter sido evitado pela aplicação da Lei da Mata Atlântica, aprovada em 2006. O bioma foi o primeiro no país a contar com uma lei específica, que funciona como uma camada especial de proteção que precisa ser respeitada para que ele continue vivo. “A lei é importante não só para a floresta, mas também para a qualidade de vida da população, já que 72% dos brasileiros vivem em áreas de Mata Atlântica e são beneficiados por ela, com serviços como a regulação do clima, abastecimento de água e turismo”, afirma ela.

Hirota reforça a importância de criar novas Unidades de Conservação, como parques e reservas públicos ou privados, para preservar as florestas maduras. E cabe ainda aos municípios elaborar o Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA), com diretrizes e um plano de ação voltado para projetos de recuperação, pesquisa científica e uso sustentável em remanescentes da floresta atlântica. De acordo com a lei, o PMMA deve ser aprovado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente antes de ser colocado em prática.

Retrocesso

De acordo com o artigo, 11% da cobertura florestal de Mata Atlântica atual são florestas jovens, com menos de 20 anos. Para os pesquisadores, o rejuvenescimento da cobertura florestal nativa representa um retrocesso crítico.

“Uma mensagem fundamental desse artigo é que a manutenção da estabilidade da cobertura florestal, ou até um ganho líquido de floresta, nos últimos anos, parece ser uma notícia boa que deve ser comemorada, mas ainda sim mascara grandes riscos. A recuperação da vegetação nativa deve se dar não apenas em quantidade, mas também em qualidade. Trocar floresta madura por florestas jovens é um risco para a biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas. A recuperação florestal tem que acontecer, especialmente em biomas extremamente desmatados e fragmentados como a Mata Atlântica. Mas essa recuperação florestal tem que vir atrelada à manutenção das florestas maduras. Ou seja, nem sempre a transição florestal, ganho líquido de floresta, é um sinal de melhoria da qualidade ambiental”, afirma Renato Crouzeilles, diretor do Instituto Internacional para Sustentabilidade na Austrália, que também assina o artigo.

No Bonn Challenge, esforço global para restauração florestal, quase 200 milhões de hectares de compromissos de restauração florestal foram prometidos por mais de 60 programas nacionais e subnacionais, a maioria deles localizados em países tropicais em desenvolvimento. “A perda não computada da cobertura florestal nativa madura durante a implementação de programas de restauração nos trópicos globais pode ser ainda pior do que o que observamos na Mata Atlântica, visto que o Brasil é (ou pelo menos foi) globalmente reconhecido por suas políticas e ferramentas de sucesso para reduzir o desmatamento”, afirma Pedro Brancalion, do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG ambiental brasileira criada em 1986 para inspirar a sociedade na defesa da floresta mais ameaçada do Brasil. Atua na promoção de políticas públicas para a conservação da Mata Atlântica por meio do monitoramento do bioma, produção de estudos, projetos demonstrativos, diálogo com setores públicos e privados, aprimoramento da legislação ambiental, comunicação e engajamento da sociedade em prol da restauração da floresta, valorização dos parques e reservas, água limpa e proteção do mar. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.
Categorias
Destaque Notícias

Manchas de óleo ainda representam risco para o mar e à saúde

Há exatamente um ano, manchas de óleo invadiram o litoral brasileiro, afetando mais de 3 mil quilômetros de costa. Mesmo que parte do material poluente tenha sido retirado, especialistas afirmam que os riscos para os ecossistemas marinhos permanecem, podendo causar danos inclusive à saúde humana. Eles defendem a continuidade dos estudos de avaliação dos impactos e o desenvolvimento de tecnologia de monitoramento das águas.

“Embora a imagem degradante das manchas aparentemente tenha sido resolvida, o óleo ainda está lá, gerando impactos pouco visíveis ao olhar comum”, alerta o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexander Turra. “Parte do óleo que atingiu a costa brasileira se acumulou no fundo do mar e se misturou com os sedimentos, formando grumos pegajosos de poucos centímetros que, de tempos em tempos, são lançados nas praias por meio de tempestades e ressacas e seguem liberando compostos químicos no ambiente. O óleo também está presente nos tecidos de organismos marinhos afetados, podendo representar risco para o ambiente e para a saúde humana. Por isso, a continuidade dos estudos é necessária”, alerta.

No final de agosto e início de setembro de 2019, manchas de óleo tomaram boa parte do litoral brasileiro, naquele que se tornou o maior acidente ambiental da história do país. Em junho de 2020, nove meses após o evento, o material poluente ressurgiu na costa de estados como Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A investigação conduzida pela Marinha do Brasil levantou hipóteses de derramamento acidental, intencional, operação ship to ship ou naufrágio de um navio petroleiro, mas a origem do óleo até hoje segue desconhecida. O inquérito, já concluído, apontou que o derramamento ocorreu a 700 quilômetros da costa e viajou submerso por 40 dias.

Segundo o ecólogo e coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Robson Capretz, isso realça a necessidade de monitoramento das águas, considerando a importância do oceano para a manutenção da vida no planeta. “O oceano é responsável pela estabilidade do clima, pela produção de alimentos e estocagem de carbono; além de movimentar a economia, envolvendo setores como transporte, recursos minerais, energia e turismo. Os ambientes marinhos também são fonte de renda e berço de culturas e tradições de populações tradicionais”, destaca.

Turra, que é também responsável pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade dos Oceanos, reforça que acidentes como o que ocorreu em 2019 precisam de respostas imediatas das autoridades para reduzir prejuízos. Isso implica em transparência no diálogo, na divulgação das informações, assim como na comunicação constante com a comunidade científica para a interpretação correta dos eventos.

“É preciso que seja desenvolvida tecnologia para identificar e monitorar em tempo real manchas que se aproximam da costa pela superfície ou abaixo dela e todos os navios que passem ao longo da costa brasileira – em especial os navios-tanque. Também é preciso definir procedimentos e indicadores prévios de alerta, como o desligamento do transponder de um navio ou padrão suspeito de navegação, de forma a permitir ação rápida da Marinha”, aponta Turra.

Os especialistas afirmam ainda que é necessário solicitar ações e procedimentos mais rigorosos de combate a fraudes no sistema de rastreamento de embarcações pela Organização Marítima Internacional (IMO) e de responsabilização por crimes ambientais. “O treinamento de profissionais e voluntários, a implantação de instrumentos de vigilância independentes, a elaboração e implementação de protocolos de reação e a alocação de recursos públicos e privados para a prevenção e contingência de acidentes são outros aspectos que devem ser pensados”, reforça Turra.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a zona costeira do Brasil estende-se por mais de 8.500 quilômetros, abrangendo 17 estados e cerca de 400 municípios, do Norte ao Sul do país. Trata-se de uma área extremamente rica do ponto de vista da biodiversidade, com muitas espécies de fauna e flora ainda desconhecidas da ciência e cuja existência fica comprometida diante de acidentes graves como o do ano passado.

No vazamento de 2019, foram afetadas 906 localidades em 127 municípios de 11 estados. Ao todo, o governo federal informa ter desembolsado R﹩ 172 milhões para conter o avanço das manchas e coletar os resíduos. À época, a Marinha divulgou que havia mobilizado 54 organizações militares, 2.700 membros das forças armadas, 16 navios, duas aeronaves, além de embarcações e viaturas pertencentes às diversas capitanias dos portos, delegacias e agências sediadas ao longo do litoral.

Categorias
Entrevistas Notícias do Jornal

Poluição: o segundo inimigo invisível a ser combatido

A propagação do coronavírus trouxe à tona um inimigo invisível letal. Mas uma segunda ameaça, muitas vezes impossível de ser vista à olho nu, tem consequências tão graves quanto as de uma pandemia. A poluição emitida diariamente pelos carros, ônibus e caminhões mata anualmente 7 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com a meteorologista, Josélia Pegorim, parece controverso, mas a poeira da poluição em suspensão serve de embrião para formar as gotas de chuva. “As gotículas de vapor de água se depositam sobre os grãos de poeira, de areia ou de sal, no caso de nuvens que se formam no mar, e isto permite a formação e crescimento mais rápido das gotas de chuva”.

 

Josélia Pegorim (Foto: Reprodução)

Josélia lembra ainda que o que acontece em um lugar pode afetar outro, mesmo que ele esteja localizado em um lugar distante do globo. “Há estudos que provam que os grãos de areia que saem do deserto do Saara, e viajam com os ventos da altas camadas da atmosfera, chegam sobre a Amazônia e ajudam a formar as nuvens de chuva por lá.

Além disso, conforme explica, o nascer e pôr do sol que temos em alguns dias, com cores avermelhadas que enchem os olhos, são resultantes da interação da luz do sol com o ar mais carregado de poluição que fica na parte baixa da atmosfera.”

Poluição mata

Isso pode até soar bom de alguma forma, não fosse o fato de que no Brasil são registradas 2.500 mortes prematuras anuais, conforme dados do International Council on Clean Transportation (ICCT), em razão da poluição. Os danos à saúde são irreversíveis. Não há beleza que traga de volta alguém que se foi por respirar um ar sujo.

Não é novidade que a qualidade do ar que respiramos tem impactos diretos na nossa saúde. Nem que os veículos que nos transportam de um lugar para o outro nas cidades são os maiores emissores de poluentes na atmosfera. No Brasil, a maior parte municípios ultrapassa os limites de poluição recomendados pela Organização Mundial da Saúde e essa é causa de não só milhares de mortes prematuras, mas agravante para diversas doenças respiratórias, como a própria covid-19. Alguns estudos chegam a afirmar que a taxa de letalidade da doença causada pelo novo coronavírus é maior entre as populações mais expostas a esses poluentes.

 

Foto: Reprodução

Evitar, trocar, melhorar

Entre os especialistas no assunto, três grandes estratégias são a chave para reduzir as emissões e, consequentemente, melhorar a qualidade do ar. Elas são representadas pela sigla ASI, do inglês: Avoid (evitar), Shift (trocar) e Improve (melhorar). Em resumo, o que eles querem dizer com isso é que precisamos mudar a forma como nos locomovemos – optando por bicicletas ou transporte público, por exemplo – e melhorar os nossos veículos, tornando-os menos poluentes. Nesse sentido, a regulação tem um papel importante, pois é ela que orienta as mudanças na indústria e, consequentemente, os nossos hábitos de consumo.

Mudanças nas normas

As atuais normas asseguram que poderemos respirar melhor a partir de 2022, prazo para entrar em vigor a próxima fase do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que exige melhorias no padrão de emissão dos veículos pesados, os que mais poluem. Passar para essa fase – chamada de P-8 e equivalente ao padrão internacional Euro VI – é urgente porque já estamos atrasados em relação aos principais mercados de automóveis do mundo. E, claro, porque a poluição afeta diretamente a saúde de todos e ainda modifica o clima do planeta.

Apesar disso, alguns representantes da indústria automobilística fazem pressão para adiar o prazo previamente acordado entre as empresas montadoras e o Governo Federal, argumentando que a crise provocada pela pandemia tem impactado o setor. Como isso te afeta? De várias formas.

Cada dólar investido nessa tecnologia geraria 11 dólares de benefícios, contabilizados a partir da redução dos gastos com saúde pública. A estimativa é do ICCT (por nome completo), uma organização que fornece análises técnicas e científicas aos reguladores ambientais. Além disso, os efeitos à saúde não duram apenas três anos do adiamento, que é o pedido das montadoras, mas mais de 30 anos – tempo de vida útil de um caminhão – com veículos de tecnologia defasada circulando nesse tempo todo.

Ainda conforme a organização, os veículos pesados (caminhões e ônibus) representam 5% da frota brasileira, mas, por poluírem mais e percorrerem distância maiores, são responsáveis por mais de 80% das emissões de partículas poluentes no país. A expectativa é que a nova frota exigida pela regulação consiga reduzir essas emissões em 90%. Bom para a qualidade do ar, para a saúde pública brasileira e para o clima.

 

Categorias
Sérgio Vieira | Entre Colunas

Pneu feito com óleo de soja

Por Sérgio Vieira
Nos próximos anos, o pneu de caminhão poderá contar com métodos alternativos de fabricação, e o uso do óleo de soja está entre as ideias mais esperançosas.
O primeiro uso comercial de um novo composto de borracha à base de óleo de soja está ajudando a Goodyear a melhorar o desempenho dos pneus em condições de piso seco, chuva e inverno. Uma equipe de cientistas e engenheiros criou um composto de rodagem, ou formulação, usando óleo de soja, que é derivado natural, econômico, neutro em carbono e totalmente renovável.

Ao empregar óleo de soja em pneus, criou-se uma forma de conservar o composto de borracha flexível em mudanças de temperatura. É igualmente importante a conquista de desempenho ao manter e aprimorar a aderência do veículo na superfície das estradas nas estações ao longo do ano principalmente em locais de climas bem definidos e adversos. Isso também melhora a eficiência no processo da fabricação e reduz o consumo de energia.

A comercialização de óleo de soja em pneus como a mais recente inovação tecnológica da Goodyear baseia-se em outras inovações recentes da empresa, como o uso de sílica derivada da cinza da casca de arroz, outro componente que está usando em certos pneus de consumo, além de usos atuais e passados de componentes como fibra de carbono, areia vulcânica e muito mais.

Alguns colunistas sobre esse assunto opinam que; “o emprego de um óleo vegetal resolve os problemas ambientais provocados pelos pneus há de ser meramente mercadológico, haja vista o forte apelo que o tema tem na atualidade. É que o material é renovável, mas não reciclável, que são conceitos diferentes. Renovável porque sua síntese se dá em escala humana de tempo como o álcool, não reciclável porque um pneu usado não se pode transformar em um novo, como acontece com o vidro, o alumínio, o aço ou o papel.”

Todos os problemas ambientais no descarte dos pneus continuarão inalterados. Completa; “os argumentos tecnológicos hão de ser muito mais fortes para um público que entenda minimamente do assunto, seja pelo lado da agricultura, seja pelo lado da ecologia. O fato de esses pneus manterem a flexibilidade e aderência sob temperaturas contrárias, qualquer que seja o piso, com menor resistência de rolagem basta para justificar o investimento.”

Ainda carecem de mais pesquisas ecológicas em conjunto com razoes econômicas para uma avaliação mais exata e conclusivas sobre as vantagens e desvantagens em relação ao meio ambiente porque descartar um pneu feito com composto a base do petróleo deve ser diferente a de um composto de óleo de soja.

Categorias
Destaque Rio

A polêmica ” Lei do Puxadinho” no Rio

A Justiça do Rio liberou a tramitação do projeto de lei na Câmara dos Vereadores que flexibilizaria as regras urbanísticas da cidade. No dia 16, o projeto havia sido suspenso a pedido do Ministério Público.

A proposta, aprovada em primeira discussão, foi encaminhada pela Prefeitura do Rio aos vereadores com um pedido de urgência. Trinta vereadores foram favoráveis e 16 votaram contra o projeto.

Pelo projeto, estariam permitidos o licenciamento e a legalização de construções mediante o pagamento de uma taxa ao município, como mostrou o RJ2.

Lei pode beneficiar a milícia

Responsável por acionar a Justiça com o pedido de suspensão da tramitação do projeto, o Ministério Público (MP) acredita que a mudança pode favorecer as milícias, que têm como um dos braços econômicos as construções irregulares. A informação está na ação civil pública que pede a suspensão da votação.

O projeto é uma versão da chamada “Lei do Puxadinho” e seria um incentivo para o licenciamento e legalização de construções e acréscimos nas edificações.

Para Glaucia Rodrigues, promotora de justiça do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente do Ministério Público (Gaema), o projeto de lei que flexibiliza regras urbanísticas na cidade pode sim facilitar a ação dos criminosos.

Com Informações: G1

Categorias
Tatiana Moraes | Meio Ambiente

Coisa de criança

Parques fechados, praias interditadas, passeios suspensos. A relação com o ambiente é extremamente necessária para o desenvolvimento infantil e aprimoramento educacional quanto à sustentabilidade.

Como fazer, então, com que os pequenos tenham contato com o meio, mesmo estando dentro de casa durante a pandemia?

De fato, não é possível substituir integralmente o contato com a natureza, mas é possível desenvolver estratégias para que essa relação permaneça viva. Vejamos algumas dicas:

− Passeios, trilhas e expedições virtuais: diversos canais, sites e plataformas online estão disponibilizando visitas virtuais em parques, unidades de conservação, florestas e trilhas. E o melhor: é de graça! E é um ótimo programa para ter conexão com as crianças, juntinho com a natureza.

− Livros de histórias, filmes e desenhos infantis sobre natureza e sustentabilidade: entre um programa e outro, que tal uma leitura, um filme ou um desenho infantil com temática ambiental? Ver a natureza e outras crianças em interação com meio ambiente estimula a percepção e o conhecimento sobre a fauna, flora, clima e demais aspectos do meio natural.

− Atividades sustentáveis em casa: começar uma horta em um vaso, fazer coleta seletiva, montar brinquedos com material reciclável, aprender sobre não desperdiçar. Essas e outras atividades podem estimular as práticas de educação ambiental nas crianças em casa.

E para quem está em regiões já com maior flexibilização, manter o distanciamento social ainda é uma necessidade. Nesse caso, dar preferência para locais abertos e áreas verdes, em vez de shoppings e locais fechados, é uma boa solução para o lazer.

Já sabemos que a preservação ambiental possibilita a vida saudável para as presentes e futuras gerações. E, para manter e passar esse legado, a melhor ferramenta é a educação ambiental.

Categorias
Sérgio Vieira | Entre Colunas

Pneu feito com óleo de soja

Nos próximos anos, o pneu de caminhão poderá contar com métodos alternativos de fabricação. E o uso do óleo de soja está entre as ideias mais esperançosas.

O primeiro uso comercial de um novo composto de borracha à base de óleo de soja está ajudando a Goodyear a melhorar o desempenho dos pneus em condições de piso seco, chuva e inverno. Uma equipe de cientistas e engenheiros criou um composto de rodagem, ou formulação, usando óleo de soja, que é derivado natural, econômico, neutro em carbono e totalmente renovável.

Ao empregar óleo de soja em pneus, criou-se uma forma de conservar o composto de borracha flexível em mudanças de temperatura. É igualmente importante a conquista de desempenho ao manter e aprimorar a aderência do veículo na superfície das estradas nas estações ao longo do ano, principalmente em locais de climas bem definidos e adversos. Isso também melhora a eficiência no processo da fabricação e reduz o consumo de energia.

A comercialização de óleo de soja em pneus como a mais recente inovação tecnológica da Goodyear baseia-se em outras inovações recentes da empresa, como o uso de sílica derivada da cinza da casca de arroz, outro componente que está usando em certos pneus de consumo, além de usos atuais e passados de componentes como fibra de carbono, areia vulcânica e muito mais.

Alguns colunistas sobre esse assunto opinam que “o emprego de um óleo vegetal resolve os problemas ambientais provocados pelos pneus há de ser meramente mercadológico, haja vista o forte apelo que o tema tem na atualidade. É que o material é renovável, mas não reciclável, que são conceitos diferentes. Renovável porque sua síntese se dá em escala humana de tempo como o álcool, não reciclável porque um pneu usado não se pode transformar em um novo, como acontece com o vidro, o alumínio, o aço ou o papel”.

Todos os problemas ambientais no descarte dos pneus continuarão inalterados. Completa: “os argumentos tecnológicos hão de ser muito mais fortes para um público que entenda minimamente do assunto, seja pelo lado da agricultura, seja pelo lado da ecologia. O fato de esses pneus manterem a flexibilidade e aderência sob temperaturas contrárias, qualquer que seja o piso, com menor resistência de rolagem basta para justificar o investimento.”

Ainda carecem de mais pesquisas ecológicas em conjunto com razões econômicas para uma avaliação mais exata e conclusiva sobre as vantagens e desvantagens em relação ao meio ambiente, porque descartar um pneu feito com composto a base do petróleo deve ser diferente de um composto de óleo de soja.

Categorias
Nossa Ideia é Notícias do Jornal

Nuvem de gafanhotos é um castigo do capitalismo

Editorial

Uma nuvem de gafanhotos, que devastou plantações no Paraguai e atualmente se concentra na Argentina, pode chegar a regiões agrícolas do Sul do Brasil. A nuvem tem cerca de um km² de área, podendo chegar a 40 milhões de insetos, conforme estimativas de especialistas. De acordo com o governo argentino, eles podem percorrer até 150 km por dia, dependendo da direção dos ventos.

Os insetos têm dizimado plantações de mandioca, milho e cana-de-açúcar nos dois países vizinhos, consumindo diariamente o equivalente ao que um rebanho de duas mil vacas ou 350 mil pessoas comeriam. Apesar da destruição nas plantações e áreas vegetais selvagens, as autoridades argentinas afirmam que os animais não transmitem doenças nem causam lesões aos humanos.

Em janeiro, agricultores do Quênia, Somália e Etiópia também enfrentaram a maior infestação de gafanhotos dos últimos 70 anos. Em maio, foi a vez da praga também atingir regiões na Índia. Segundo o professor Wagner Ribeiro, do Departamento de Geografia e do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), a incidência em diversas partes indica que o fenômeno pode ter relação com a elevação das temperaturas em todo o planeta. Resumindo, seria uma consequência do aquecimento global.

Vivemos um momento de muita dor, sofrimento e mortes devido à pandemia da covid-19, onde a humanidade encontra-se encurralada por um inimigo invisível, porém altamente destruidor. Perplexos quanto a isso, não é difícil imaginar o motivo pelo qual muitos estejam buscando uma explicação religiosa para a atual nuvem de gafanhotos, como se fosse a bíblica Dez Pragas do Egito se repetindo. Assim, seria a mão de Deus a nos castigar novamente.

No entanto, a praga de gafanhotos de agora não é um ato divino, uma punição. Trata-se simplesmente de mais uma consequência do modo predador de exploração capitalista, que destrói o meio ambiente. Somos castigados sim, mas por um sistema econômico que privilegia o lucro em detrimento das esperanças de vida de um povo inteiro e da existência do próprio planeta.

Categorias
Tatiana Moraes | Meio Ambiente

Alguma coisa está fora da ordem

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, diz a Constituição. Afinal, para que serve este equilíbrio ambiental?

Se pensarmos na definição de ecossistema, temos o entendimento quanto à interação entre os organismos vivos e o ambiente em que vivem. No mesmo sentido, o conceito de meio ambiente na legislação se dá como um conjunto de condições, leis, influências e interações que permitem, abrigam e regem a vida (art. 3º, I, da Lei nº 6.938/1981).

Dessa forma, essas interações e conjunto de condições se dão por meio de uma ordenação equilibrada. Quando há interferências que afetam drasticamente essas interações, o equilíbrio ambiental é afetado, gerando consequências.

Tomemos como exemplo o recente caso do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho, Minas Gerais. Houve o derramamento de aproximadamente 12 milhões de m³ de rejeito de mineração na Bacia do Rio Paraopeba, soterrando milhares de espécies da fauna e flora, além da contaminação direta de diversos cursos d’água.

O desequilíbrio ocasionado gerou um alerta da comunidade científica acerca de surtos de doenças como dengue e febre amarela. Basta lembrarmos os conceitos básicos de cadeia alimentar para termos uma pequena noção do desequilíbrio. Diversas espécies de répteis e peixes foram dizimadas e estas espécies se alimentam de larvas e insetos. Dessa forma, larvas e insetos se proliferaram, já que os seus predadores diretos foram abruptamente extintos. E o transmissor da dengue e febre amarela, o mosquito Aedes aegypti, é um inseto.

O mesmo ocorre atualmente quanto ao risco de novas pandemias como a covid-19. O biogeógrafo Jared Diamond, autor de obras como ‘Armas, Germes e Aços’ e ‘Colapso’, alerta para as transmissões de doenças decorrentes de patógenos oriundos de espécies silvestres como consequência da devastação ambiental e do tráfico de espécies. Vale recordarmos a origem de doenças como a malária e o ebola.

Não esqueçamos: para toda ação, uma reação.