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No Barquinho da Paciência

Cerol: o maior perigo é a falta de consciência e a certeza da impunidade

Da Redação

Um perigo quase invisível e que pode ser fatal. Assim são as terríveis linhas chilenas, ainda utilizadas – apesar de proibidas – por muitos que soltam pipa para se divertir, sem levar em conta que colocam vidas em risco. No último dia 27 de dezembro, o cabo da marinha Vítor de Melo Batista, de 27 anos, passava de moto pela Linha Amarela, na altura da saída 4, em Pilares, quando foi atingido no pescoço por uma linha com cerol. Ele chegou a ser levado por outros motoristas para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu logo após dar entrada na emergência.

Durante o enterro do militar, o movimento Cerol Mata fez um protesto e pediu às autoridades uma fiscalização mais rigorosa da comercialização e uso do cerol e da linha chilena. “Trabalhamos pela conscientização. Não somos contra pipa, apenas contra os aditivos que são utilizados nela porque são fatais. A gente pede hoje a criminalização de quem vende e usa. Hoje temos um exemplo muito forte. Quantas pessoas ainda precisam morrer?”, questionou o idealizador da campanha, Léo Ferreira.

Flagrante da moto ensanguentada do militar após o acidente

Os casos são absurdamente recorrentes. Em 31 de março de 2019, a menina Eloáh Oliveira Macedo, de 8 anos, precisou ter uma perna amputada após ser atingida por uma linha chilena ao atravessar uma passarela em Realengo, zona oeste Rio. Ela feriu as duas pernas na altura do joelho, ao correr, atravessando a rua. Rompeu a veia femoral da perna esquerda e foi internada na UTI do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo.

Data de julho de 2019 há lei estadual que proíbe a venda, o uso, o porte e a posse de cerol ou de linha chilena – linha com vidro moído e cola ou quartzo moído, algodão e óxido de alumínio. A multa para quem for pego usando o produto é de R$ 342. Ao longo do ano a Linha Verde, braço do Disque Denúncia que recebe ligações sobre o uso ilegal o cerol, recebeu 291 denúncias. A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal do Rio criou o Disque Linha Chilena/Cerol (0800.285.2121). Os casos são encaminhados aos órgãos responsáveis pelo combate a esse tipo de crime, como a Polícia Civil.

Já que a conscientização passa longe dos que insistem em criminosamente usar esse tipo de material, um descaso absurdo com a vida de seus semelhantes, resta-nos denunciar e torcer punições mais severas. Haja paciência!

Fotos: Reproduções da internet

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Cadê a Linha 3 do VLT que deveria estar ali?

O abandono da Linha 3 do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que ligaria a Central do Brasil ao Aeroporto Santos Dumont, pela Avenida Marechal Floriano, no Centro do Rio, já completou nove meses. A estagnação do projeto, cuja obra foi concluída no dia 15 de dezembro do ano passado e só não foi inaugurada ainda por falta de autorização da Prefeitura, prejudica passageiros e comerciantes, além de colocar em risco o futuro do transporte.

Enquanto isso, o VLT acumula prejuízos que ultrapassam R$ 80 mil relativos a furtos de equipamentos no trecho sem utilização. Quarenta mil pessoas deixam de ser transportadas por dia, e os comerciantes estimam que cerca de 50 lojas fecharam na Marechal Floriano desde o início das obras da Linha 3.

Depois que o impasse foi denunciado, a Prefeitura do Rio prometeu regularizar uma dívida com a concessionária e inaugurar o trecho até fevereiro. De acordo com o Consórcio VLT Carioca, os pagamentos atrasados, relacionados ao retorno do investimento feito durante as obras, previsto em contrato, já ultrapassam os R$ 160 milhões. Em maio, a empresa pediu autorização para inaugurar a Linha 3 antes mesmo da regularização, mas a Prefeitura decidiu não liberar a operação enquanto não renegociar o contrato. Desde julho, a empresa tenta entregar a concessão na Justiça.

A população, que paga essa conta, espera pela inauguração da Linha 3 do modal. Haja paciência!

Foto: Reprodução