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Carlos Augusto | Opinião Notícias do Jornal

O massacre da corrupção no Brasil

 

Não dá para ficar calado. Muito embora o desvio de dinheiro público pelos políticos malfeitores encastelados nas prefeituras, nos estados, no Congresso e no Judiciário role solto nessa pandemia, fazendo a riqueza de alguns, afetando a saúde de centenas de vitimas pela Covid, inclusive com dezenas de óbitos, não se vê mais notícias sobre a “Lava Jato”. Sumiu, escafedeu-se, foi contamina pela impunidade.

A toda hora setores da imprensa dita “burguesa”, que hora pende para um lado hora para outro, de acordo com suas prioridade e necessidades econômicas, dão conta diariamente, 24 horas por dia noticiando as centenas de vítimas da pandemia, imputando em grande parte a culpa ao Governo Federal.

Entendo que todos nós temos culpa quando grande parte do povo ignora a gravidade do vírus, quando não usa máscaras ou quando não respeita as regras sanitárias do isolamento social.

Mas não dá para ignorarmos o fato de que o ex-ministro da Saúde, com apoio de setores da imprensa, levou a óbito centenas de brasileiros quando orientaram, por exemplo: “não use máscaras”, “fique em casa”, “só vá ao hospital se tiver com sintomas graves, tais como: febre, falta de ar, dores musculares, cansaço, perda de olfato e de paladar, dores abdominais, vômito e  diarreia, ou seja: procure os hospitais quando não tiver mais solução para cura.

Sabemos que essas medidas, na verdade, foram a solução salomônica encontrada pelos políticos para conter a avalanche de idas aos hospitais e clínicas que não tinham e ainda não têm estruturas sanitárias para atender milhões de infectados.

Aliás, infelizmente isso não acontece apenas no nosso país, dito de Terceiro Mundo. Nos países de primeiro mundo, tais como Holanda, Estados Unidos  da América, Alemanha, França, Portugal, Reino Unido, todos os demais, com exceção do Japão e da China (ao que parece), estão enfrentando as mesmas situações que nosso o país enfrenta, ou seja, estruturas hospitalares insuficientes para atender a população.

Agora é a guerra das vacinas que estão faltando. Mais uma vez a culpa é do governo federal. Também nesse caso temos que observar que os países ricos, com mais poderes econômicos, avançaram nas vacinas, adquirindo milhares de doses em detrimento dos países mais pobres como Brasil, África, Venezuela, México, entre tantos outros. A situação, nesse caso, está tão agravante, que OMS, e demais organismos internacionais estão criticando essa voracidade, registrando ainda que a vacina é para todos e que não adianta vacinar de um lado e deixar o outro sem vacina. Obviamente o vírus não tem cor, ele é invisível.

Mas, voltando à corrupção que, junto com o vírus fabrica milhares de óbitos, não podemos ignorar e a grande imprensa não divulga que, segundo as estatísticas da Central de Informações do Registro Civil – CRC Nacional, no ano de 2020 foram registrados cerca de 1.355.570 óbitos no Brasil, dos quais 195.643 foram por Covid.

Pelas estatísticas, os números das mortes causadas pela Covid superam todos os demais, sem sombra de dúvidas. Porém é preciso zerar essa conta. Acredito que essa meta será possível com as vacinas. Mas também precisamos cobrar de nossos governantes mais empenho contra a corrupção.  Não se pode mais admitir que pessoas paguem com a vida para que os corruptos covardemente se locupletem do erário público.

É fundamental que os nossos governantes sérios e honestos se apresentem com mais empenho. Está passando da hora das implementações de políticas sociais com forte investimento financeiro na saúde dos hospitais, na educação, no emprego, na moradia e no saneamento básico, para que possamos dizer em alto e bom som que nos orgulhamos de sermos brasileiros.

 

CARLOS AUGUSTO (Carlão)

Sindicalista, advogado e jornalista – MTb 38577RJ

 

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Brasil Destaque

Covax anuncia que Brasil deve receber 10,6 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 no 1º semestre

 

A iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir o acesso de forma justa às vacinas contra a Covid-19, a aliança Covax, anunciou nesta quarta-feira (3) que o Brasil deve receber 10,6 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford no primeiro semestre deste ano.

A entrega está programada para começar no final de fevereiro, mas a Covax explica que o valor é um indicativo de distribuição e depende de uma série de fatores, como disponibilidade das vacinas, lista de emergência da OMS, aceitação dos países e questões de logística. No sábado (30), o Ministério da Saúde informou que o Brasil receberia de 10 a 14 milhões de doses da vacina de Oxford a partir de fevereiro.

A Covax Facility é uma união de mais de 150 países criada para impulsionar o desenvolvimento e a distribuição das vacinas contra a Covid-19. O Brasil é um dos participantes.

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Fica a Dica Notícias do Jornal

#FICA A DICA…

 

Nelson Gonçalves de volta aos palcos

Ele voltou… O boêmio voltou novamente! Após algumas temporadas de sucesso pelo Brasil o espetáculo “Nelson Gonçalves, o Amor e o Tempo”  volta ao Rio de Janeiro. Visto por mais de 20.000 pessoas, o espetáculo está em cartaz, até 30 de janeiro, no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea (Marquês de São Vicente, 52) para continuar a celebração do centenário de um dos maiores cantores do Brasil.

A montagem homenageia de forma singela e emocionante a trajetória de um dos maiores ídolos da música brasileira, que vendeu mais de 80 milhões de discos em sua longa carreira. O espetáculo é idealizado e produzido por Guilherme Logullo, que interpreta o protagonista ao lado da atriz e cantora Julie, e tem texto de Gabriel Chalita. A direção é de Tânia Nardini, direção musical de Tony Lucchesi, cenografia de Doris Rollemberg e figurinos de Fause Haten.

Foto: Divulgação

 

Fernando Malt lança EP romântico

O cantor e compositor Fernando Malt acaba de lançar seu segundo EP, ‘Teu’, com cinco faixas que contam uma história única, nas plataformas digitais. Quatro dessas músicas são conhecidas dos fãs já que foram lançadas como singles anteriormente. A quinta canção é a inédita ‘Mais uma vez’.

Malt é natural do ABC Paulista. Nas suas canções, traz energia e sentimento em um ritmo envolvente que permite ao ouvinte traduzir suas próprias emoções.  “É um sentimento lindo de gratidão saber que emociono e inspiro outras pessoas fazendo o que amo. É algo que também me inspira a sempre melhorar, tanto na vida, quanto na música”, afirma o músico.

Foto: Divulgação

 

Para quem vive “Criando Asas”

Estão a todo vapor s preparativos para a estréia do espetáculo infantil “Criando Asas”, ,prevista para o dia 7 de fevereiro no Teatro Miguel Falabella, Rio de Janeiro. A produção do espetáculo está respeitando todas as exigências impostas pela OMS – Organização Mundial de Saúde. A compra de ingressos já pode ser feita através da plataforma Sympla.

Foto: Divulgação

O musical gira em torno de uma dupla de amigos, a formiga Zelda e o sapo Clementino, figuras centrais do espetáculo que tratam das relações do nosso cotidiano: a busca pelos sonhos, os obstáculos e muitas aventuras fazem parte desse contexto indicado para todas as idades. O espetáculo conta com músicas ao vivo para encantar crianças e adultos, de uma maneira lúdica.

Por: Claudia Mastrange

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Mundo Notícias do Jornal

Mutação do Coronavírus faz mais de 40 países fecharem fronteiras aéreas com o Reino Unido

 

Uma nova mutação da Covid-19 observada no Reino Unido acendeu outra preocupação para com a doença no mundo, e já fez com que ao menos 40 países fechassem suas fronteiras, proibindo voos originados do epicentro na região da Europa. Na América latina, países como Argentina, Colômbia, Chile e Peru também fecharam suas fronteiras aéreas para o Reino Unido.

Aumento de casos de coronavírus no sudeste e leste inglês, incluindo Londres, está ligado à disseminação desta nova cepa, embora ela já seja encontrada em todo o país, de acordo com o governo britânico. Isso fez com que o primeiro-ministro Boris Johnson anunciasse medidas mais rígidas de isolamento para 20 milhões de pessoas na Inglaterra e em todo o País de Gales.  “É realmente muito cedo para dizer… Mas pelo que vimos até agora, está crescendo muito rapidamente, está crescendo mais rápido do que [uma variante anterior] jamais cresceu, mas é importante ficar de olho”, disse Boris, apos uma palestra

A nova variante, surgida no Reino Unido após mutações, se tornou a forma mais comum do vírus em algumas partes da Inglaterra em questão de meses. O governo britânico diz que há motivos para acreditar que ela seja bem mais contaminante, possivelmente 70% mais transmissível.

Segundo a epidemiologista da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, é importante ressaltar que ainda não é possível prever nenhum impacto nas vacinas desenvolvidas contra a doença. Também  não foi constatado se a cepa apresenta aumento na severidade da doença, informou. “Há estudos sobre isso em curso. O vírus apresenta mutações o tempo inteiro. Mas o que é interessante desta cepa específica é que é uma combinação de mutações: é mais de uma”, explicou a epidemiologista.

Até o momento, ao menos outros quatro países identificaram casos ligados à nova variante: Austrália, Dinamarca, Holanda e Bélgica.  No Reino Unido, a variante pode ter surgido em meados de setembro no sudoeste do país. Desde esse período, foi observado um aumento de 1.1 para 1.5 na taxa de transmissibilidade.

Amazônia pode ser porta de entrada

O Ministério da Saúde da Argentina convocou a reunião de emergência para avaliar a situação dos países vizinhos, especialmente do Brasil, onde o número de contágios voltou a crescer, alarmando os governos da região. É possível que o país endureça as medidas de controle.

No Brasil, o virologista e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca comentou sobre a possibilidade de essa variante cegar ai país pela Amazônia.  Para evitar essa situação, seria necessário monitorar a pandemia com maiWor precisão no estado. “Existe uma possibilidade, por isso temos que ficar monitorando. Aqui no Amazonas já identificamos oito linhagens, mas existem centenas no mundo todo. Todas são derivadas de duas linhagens principais, chamadas de A e B”, explicou o especialista.

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Brasil Destaque

O papel das tecnologias no combate à segunda onda da Covid-19

Após a comprovação do aumento de casos na Europa nos últimos meses e volta do lockdown em diversos países do continente, é a vez do Brasil encarar a crescente de infectados e uma provável segunda onda da pandemia da Covid-19. Diferentemente da primeira – que nunca cessou de fato, dessa vez estamos um pouco mais preparados e adaptados ao isolamento social e às tecnologias que fizeram com que não precisássemos nos expor em idas ao mercado e, inclusive, ao médico.

Cadu Lopes, CEO da Doctoralia (https://doctoralia.com.br), maior plataforma de agendamento médico do mundo, explica como funcionam as tecnologias que facilitaram a vida de profissionais e pacientes durante o primeiro ápice da pandemia e como elas seguem sendo importantes para a segunda onda e, inclusive, no pós-pandemia.

Telemedicina

A ferramenta é destaque desde março de 2020, quando seu exercício foi autorizado e regulamentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde como medida emergencial. Com ela é possível realizar consultas sem sair de casa, com diversos profissionais de saúde, e obter diagnósticos precisos sem necessidade de exposição em uma clínica ou hospital, os ambientes mais temidos pela população em 2020.

Por ter sido aprovada às pressas, muitas pessoas ficaram receosas e estranharam esse formato de consulta. Porém, oito meses depois, a aderência comprova a eficácia dessa ferramenta que já era estudada e esperada pelo sistema e profissionais de saúde brasileiros há alguns anos.

Na Doctoralia já são mais de 500 mil teleconsultas realizadas desde a liberação e 15 mil profissionais de saúde atendendo via plataforma nessa modalidade.

Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP)

Longe de ser novidade, o PEP é uma ferramenta bem disseminada em clínicas e hospitais ao redor do país, mas que ainda necessita de melhorias e aprimoramento para abrigar de maneira prática e integrada as informações de saúde dos milhões de brasileiros. Seu objetivo é que toda e qualquer informação útil sobre o histórico médico do paciente, independente do hospital e localidade do Brasil em que ele vá utilizar o serviço de saúde, esteja disponível. Aprimorando diagnósticos e evitando repetição desnecessária de exames, por exemplo.

Prescrição eletrônica

Recomendada pelos mais importantes órgãos de saúde do Brasil, Anvisa, Ministério da Saúde, Conselho Federal de Medicina e Conselho Federal de Farmácia, está diretamente ligada às tecnologias anteriormente citadas. É um diferencial no prontuário eletrônico e a conclusão da telemedicina.

Um benefício principalmente ao paciente, não só por nos poupar da temida “letra de médico”, mas por evitar a necessidade de exposição quando há prescrição de medicamentos controlados, principalmente para os idosos. Hoje, as grandes redes de farmácia aceitam prescrição eletrônica para o delivery de remédios. É outra realidade que esperamos manter no pós-pandemia.

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Destaque Saúde

Covid-19: Vacinação em massa não deve ocorrer em 2021 no Brasil, diz vice-diretora da OMS

Vice-diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mariângela Simão afirmou nesta terça-feira (13) que o Brasil não terá vacinação em massa contra a Covid-19 em 2021. Em entrevista para a CNN Brasil a médica brasileira falou sobre as expectativas para os imunizantes que são desenvolvidos no país.

“Não vai ter vacina suficiente no ano que vem para toda a população, então o que a OMS faz é orientar que haja uma priorização: vacinar profissionais de saúde e pessoas acima de 65 anos ou que tenham alguma doença”, disse para o canal.

No melhor cenário, a médica afirmou que até o fim de 2021 é provável que o país tenha até três vacinas aprovadas para a Covid-19. “O importante agora não é imunizar todo mundo num país, o que é impossível. [Importante é] imunizar aqueles que precisam, em todos os países”.

São Paulo

O secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, falou sobre a campanha de vacinação da Coronac, a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, no dia 5 de outubro.

A previsão é que em 15 de dezembro a vacinação se inicie com os profissionais da área da saúde. Em seguida, os educadores da rede pública e privada e em terceiro, portadores de doenças crônicas. O imunizante está ainda na terceira e última fase de testes, onde a vacina é aplicada em uma grande quantidade de voluntários: 9 000 brasileiros devem receber a Coronavac ou placebo até o fim desta etapa.

Caso a vacina passe por esta fase sem problemas, precisa ainda da aprovação e do registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No dia 30 de setembro, Doria assinou um contrato para o recebimento de 46 milhões de doses da vacina. Até dezembro a empresa vai enviar ao Brasil 6 milhões de doses da vacina e outras 40 milhões serão fabricadas no estado. O valor do contrato é de 90 milhões de dólares.

Com informações: VejaSP

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Destaque Notícias

África surpreende com baixas taxas de covid-19

Passados oito meses do início da pandemia de covid-19, com a marca de 1 milhão de pessoas mortas pela doença em todo o mundo e 33,5 milhões de casos, o Continente Africano chama a atenção por sua relativa baixa taxa de contaminação e mortes. Após atingir o pico dos registros por semana no fim de julho e ter a expectativa de se tornar o novo epicentro da pandemia, depois das Américas, os casos na África vêm diminuindo desde então.

O continente como um todo tem população de 1,2 bilhão de pessoas e registra, até o momento, cerca de 1,5 milhão de casos de covid-19, segundo dados do Africa Centres for Disease Control and Prevention (CDC África). O número é menos de um terço do registrado no Brasil, que tem 210 milhões de habitantes, população seis vezes menor. Ou seja, a África está com uma taxa de incidência da doença de 125 casos por 100 mil habitantes, enquanto no Brasil a taxa é de 2.258, segundo dados do Ministério da Saúde.

Nos óbitos pela doença, os registros na África estão perto de 36 mil, pouco mais do que no estado de São Paulo, que tem população de 46 milhões. A taxa de mortalidade por covid-19 no Brasil está em 67,6 por 100 mil habitantes e a letalidade da doença é de 3%. No Continente Africano, a mortalidade por covid-19 é de 3 por 100 mil habitantes e a letalidade da doença de 2,4%.
Explicações
De acordo com o pesquisador do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cris-Fiocruz) Augusto Paulo Silva, já é um consenso mundial que a situação da covid-19 na África é peculiar e surpreendente. Ele credita a baixa taxa de contaminação no continente a pelo menos quatro fatores, um deles a capacidade de resposta a epidemias.

“Há várias hipóteses, não são explicações assertivas. Mas uma das explicações mais plausíveis é que muitos países africanos já vêm enfrentando outras epidemias, em algumas partes é o cólera, outras o ebola, que até recentemente estava na República Democrática do Congo, em 2014 houve ebola na Libéria, Sierra Leoa e na Guiné Equatorial. Com isso, essas grandes epidemias fizeram com que muitos países africanos tivessem planos de emergência”.

Outra explicação, de acordo com o pesquisador, é a imunidade da população, afetada por outras doenças. “Porque as pessoas que sofrem daquela forma acabam por criar certas imunidades, por causa do tratamento de doenças como a malária, que tem muita prevalência na região, e de outras”.

A terceira possibilidade é o fator etário, ou seja, a população africana é mais jovem do que a média mundial e a covid-19 tem demonstrado uma incidência maior entre pessoas mais velhas. Silva lembra também o baixo desenvolvimento de muitos países, principalmente na região central do continente, o que leva essas regiões a terem poucas conexões internacionais.

“A quarta explicação é que muitos países não têm aquela intensidade de comunicação e contato com o exterior. Se for ver o número de casos nesses países, são mais elevados nos que têm maior índice de desenvolvimento, como a África do Sul, o Egito, a Argélia. O que significa que o nível de desenvolvimento permite o contato com o exterior e o contágio é feito por meio dessas ligações e comunicações com o exterior, acho que são essas as explicações”.

De acordo com a OMS/Afro, foram implantadas com sucesso na região as medidas de saúde pública para “encontrar, testar, isolar e tratar as pessoas com covid-19, rastrear e colocar em quarentena os seus contatos”. Apesar da perspectiva de queda na curva de contágio, o pesquisador destaca que não há espaço para relaxar na vigilância, já que se trata de um vírus novo sobre o qual ainda não há conhecimento consolidado.

“Em qualquer epidemia são várias fases. No Continente Africano entramos na fase de abertura, então não sabemos se aquela curva vai continuar descendente ou não. Temos que ver aqueles países que não foram muito afetados, se essas curvas vão aumentar por causa dessa abertura. Não se pode fechar os países durante muito tempo. Então aí a questão do rastreio vai ser fundamental para poder seguir, tem que ficar vigilante”.

Além da covid-19, Silva destaca que no dia 25 de agosto ocorreu de forma virtual a 70ª sessão do Comitê Regional Africano da OMS, na qual foi celebrada a erradicação do Poliovírus Selvagem na África. Também durante a pandemia, a República Democrática do Congo recebeu o certificado de erradicação do ebola.

Panorama mundial
Segundo o último boletim Panorama da Resposta Global à Covid-19, do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cris-Fiocruz), o número de mortes tem diminuído devido à maior experiência no manejo clínico-terapêutico da doença. Porém, o centro destaca que a prioridade ainda é “conter a pandemia”, que impôs um quadro “quase apocalíptico” em oito meses de duração até o momento.

“Bilhões de pessoas em isolamento social, economias paralisadas e em declínio, bilhões sem trabalho, amplificação da pobreza e das desigualdades, empresas destroçadas, ameaças de crise alimentar, poucas esperanças no horizonte propiciadas pela ciência: ainda nenhum medicamento, nove vacinas em finalização, mas sem certezas quanto à sua eficácia. O mundo tenta se reinventar, mas a prioridade ainda é conter a pandemia”, destaca o boletim.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de covid-19 registrados por semana apresentou em setembro um leve declínio nas Américas, mas se mantendo estável em um nível ainda muito alto e permanecendo como epicentro da pandemia. Em julho e agosto, a região registrou 64% das mortes por covid-19 no mundo, embora responda por apenas 13% da população global. O vírus aumentou a circulação no Caribe em agosto e, nas últimas semanas, em alguns países da América do Sul, como Colômbia e Argentina, além do aumento da taxa de mortalidade no México.

O Sudeste Asiático segue com aumento crescente desde julho, com a Índia atualmente em segundo lugar no número total de casos, atrás dos Estados Unidos e passando o Brasil, e em terceiro em número de mortes. A Europa registrou diminuição no ritmo de contágio entre junho e julho e, a partir de agosto, vê os casos aumentarem rapidamente, com a proximidade do inverno no Hemisfério Norte, podendo indicar o início da segunda onda da pandemia no continente.

Na África, o pico dos contágios ocorreu no fim de julho e a tendência atual é de queda nos registros. Segundo Silva, o CDC África, lançou, em parceria com o Projeto de Melhoria do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) da Saúde Pública de Inglaterra (PHE), a ferramenta AVoHC Net, que vai facilitar a implantação e administração de um grupo de trabalho para emergências de saúde pública em todo o continente. O mecanismo foi autorizado após o surto de ebola em 2014 e vai auxiliar na emergência da covid-19.

Quanto aos óbitos totais globais, o pico de registros por semana ocorreu no começo de abril, segundo os dados consolidados da OMS, tendo caído até o início de junho e voltado a subir a partir de então, se mantendo em níveis altos, mas sem atingir novamente o pico.

Com Informações: Agência Brasil

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Destaque Saúde

Após seis meses, o que se sabe sobre a covid-19?

Por Sandro Barros

As autoridades chinesas anunciaram pela primeira vez que um novo vírus estava se propagando na cidade de Wuhan na segunda semana de janeiro desse ano. Passados seis meses, trazemos um levantamento sobre a evolução do vírus Sars-Cov-2 em pandemia e os esforços para debelar a covid-19.

A origem

Quando as autoridades anunciaram a existência do vírus, a primeira infecção de uma pessoa por um vertebrado já havia acontecido há várias semanas.

Inicialmente, as autoridades aparentemente tentaram eliminar pistas. Até hoje, não está claro exatamente quando e onde o vírus passou de um animal para humanos. É possível que a transmissão tenha acontecido de um morcego para um hospedeiro intermediário, talvez um cão-guaxinim, e depois para os humanos.

O vírus

Os virologistas chineses decodificaram as informações genéticas do patógeno em tempo recorde. Já em 21 de janeiro, eles publicaram a estrutura do genoma e, três dias depois, uma descrição exata do vírus. Isso permitiu que médicos e microbiologistas em todo o mundo começassem o desenvolvimento de remédios e vacinas.

A característica do vírus é a enzima conversora de angiotensina ACE-2 ─ sigla do nome em inglês ‘angiotensin-converting enzyme 2’ ─, que está em sua superfície. Essa proteína é crucial para a ligação à célula hospedeira. Por isso, grande parte da busca por medicamentos e vacinas concentra-se na forma de tornar esta proteína ineficaz.

A transmissão

Estudos concluíram que o vírus se aloja particularmente na garganta e nos pulmões. Os maiores riscos de contaminação são o contato e aerossóis. Especialmente sistemas de ar condicionado são perigosos. Também salas fechadas com muitas pessoas devem ser evitadas. É por isso que as medidas de isolamento, com o fechamento de locais de entretenimento, o cancelamento de feiras e eventos importantes, também foram utilizadas para conter a epidemia. As cadeias de infecção maiores podem ser rastreadas até os chamados eventos de contaminação super-rápida ─ ‘superspreader’, do inglês.

O uso da máscara bucal foi adotado em quase todos os países do mundo. No entanto, muitos médicos questionam se a maioria das pessoas é realmente capaz de usá-la na vida cotidiana de forma a impedir uma possível transmissão do vírus. Lavar as mãos com frequência, manter distância de outras pessoas e ventilar os locais em que nos encontramos continuam sendo medidas importantes. Mesmo que alguns animais de estimação, como gatos, possam se contaminar com humanos, eles não desempenham um papel relevante nas cadeias de infecção.

Sintomas e grupos de risco

Inicialmente, circulou a tese de que o novo coronavírus não é mais perigoso do que uma gripe sazonal. Hoje, no entanto, sabe-se que a covid-19 se assemelha à devastadora gripe espanhola de 1918. Embora muitas pessoas contaminadas não apresentem sintomas da doença, a infecção por Sars-Cov-2 pode atingir outros pacientes de forma arrasadora, causando sua morte. Os grupos de risco são pessoas com doenças anteriores, idosos, portadores do grupo sanguíneo A e homens.

Patologistas que examinaram as vítimas de covid-19 confirmaram que pressão alta, diabetes, câncer, insuficiência renal, cirrose hepática e doenças cardiovasculares estão entre as doenças pré-existentes mais perigosas.

Curso da doença

Formas leves de covid-19 podem se manifestar como um resfriado. Típicos são dor de garganta, problemas respiratórios e perda do olfato e do paladar. Por outro lado, os casos mais graves podem levar a uma falência múltipla dos órgãos. Estes geralmente levam à septicemia, uma reação exagerada do sistema imunológico, atacando os próprios tecidos e órgãos.

No decurso grave da doença, é muito importante de que forma o sistema imunológico reage ao patógeno.

O tratamento

No início da pandemia de coronavírus, muitos pacientes graves foram colocados em máquinas respiratórias precocemente e mesmo assim morreram. Atualmente, as unidades de terapia intensiva abdicaram da ventilação padrão porque os pneumologistas viram que a respiração artificial sob pressão nos pulmões mais prejudica do que ajuda. Enquanto os pacientes conseguem respirar, eles recebem oxigênio sem serem conectados a um aparelho respiratório. A intubação é apenas uma opção em emergências extremas.

Em muitos casos, se os rins forem severamente danificados pela covid-19, torna-se necessária a hemodiálise. Os cuidados intensivos exigem uma atenção maior também aos outros órgãos atingidos.

Em clínicas especializadas, a cura pode ser acelerada com a administração de anticorpos do sangue de pacientes que se recuperaram de covid-19. Nesse caso, o sistema imunológico inicia a luta contra o vírus no corpo do paciente que recebeu o sangue. Basicamente, após o tratamento intensivo, os pacientes ainda precisam passar por longas medidas de reabilitação personalizadas, que também consideram as doenças prévias específicas e possíveis danos aos órgãos.

A medicação

Para muitos infectologistas, o único remédio que consegue encurtar o curso da doença é o Remdesivir, que por isso ficou muito concorrido no mercado farmacêutico. Ele consegue reduzir em alguns dias o processo de cura em pacientes que recebem oxigênio, mas isso não quer dizer que ele aumente as chances de sobrevivência.

Entre outros medicamentos em teste estão o anti-inflamatório Dexametasona, o antiviral Avigan e o medicamento para malária cloroquina. A eficácia e a segurança dos dois primeiros medicamentos ainda não foram comprovadas de maneira conclusiva, e ainda existem fortes dúvidas sobre o terceiro.

Quando ocorre a imunidade de grupo?

Cada vez mais gente em volta do mundo está sendo infectada. No final de junho, eram cerca de dez milhões de pessoas. Entretanto, a população mundial de 7,8 bilhões de habitantes ainda está muito longe de uma imunidade relevante.

Também não está claro se os pacientes recuperados permanecerão imunes ao vírus para sempre, mas ao menos um teste sanguíneo ou com a saliva podem fornecer clareza sobre se alguém tem a doença ou se pode contagiar outras pessoas.

Em busca da vacina

Pelo menos 160 pesquisas com vacinas foram iniciadas em todo o mundo até 29 de junho de 2020. Eles são essencialmente divididos em três tipos de vacina: vacinas vivas, vacinas mortas e vacinas de ácido ribonucleico (ARN), baseadas em genes. Este último, no entanto, é um estudo pioneiro porque ainda não existem vacinas permitidas nesse campo.

Há ainda uma vacina contra tuberculose já aprovada, que, no entanto, não é direcionada especificamente contra o Sars-Cov-2, mas fortalece a imunidade básica inata dos seres humanos. Cientistas do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções, em Berlim, estão otimizando geneticamente esta vacina.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de junho, cinco vacinas estavam na primeira fase de testes em humanos em todo o mundo. A fase 1 é a que trata da segurança da vacina. Sete estão em testes combinados de fase 1 e fase 2, em que também é testada a resposta imune. E apenas uma vacina já está na fase 3, que trata de demonstrar a eficácia contra o patógeno na prática.

Mas quando ela chegará?

Os otimistas esperam que uma vacina viável esteja no mercado até o final do ano. Outros acreditam que isso só acontecerá no próximo ano. De fato, ainda não está claro se e quando será lançada uma vacina contra a covid-19 que seja adequada ao maior número possível de pessoas.

Assim que uma vacina é aprovada, outro desafio é a produção em massa. E aí as vacinas ARN, baseadas em genes, têm a vantagem de poderem ser produzidas relativamente rápido. Empresas farmacêuticas relevantes, como a Serum Institute of India, já estão preparando maiores capacidades de produção, mesmo que ainda não saibam qual ingrediente ativo irão fabricar. (com informações da agência estatal alemã Deutsche Welle)

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Saúde

Saiba mais sobre o polêmico uso da cloroquina em pacientes com covid-19

Da Redação

Em meio à polêmica sobre o uso da hidroxicloroquina para tratar pacientes com o novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu suspender os estudos com a droga. Segundo a organização, o objetivo é reavaliar sua segurança antes de retomar as pesquisas.

A decisão ocorreu depois de a revista científica Lancet ter publicado pesquisa com 96 mil pessoas internadas com coronavírus em 671 hospitais de seis continentes, mostrando que o uso de hidroxicloroquina e cloroquina estava ligado a um risco maior de arritmia e de morte. Cientistas de universidades como Harvard (EUA) e Heart Center (Suíça), responsáveis pelo estudo, também constataram que não houve benefício no uso das drogas após o diagnóstico de covid-19.

Nos últimos dois meses, a OMS vem coordenando o estudo internacional Solidarity em 18 países para avaliar a segurança e a eficácia de diferentes drogas para combater o coronavírus. Além de hidroxicloroquina, medicamentos como cloroquina, remdesivir, lopinavir com ritonavir e essas duas drogas combinadas com interferon beta-1a estão sendo testados.

De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a suspensão dos estudos sobre a hidroxicloroquina foi feito por precaução, devido ao fato de o estudo da Lancet ter sido feito com um número expressivo de pacientes e após questionamentos feitos por agências de saúde de vários países.

Segundo ela, será feita uma revisão e o conselho do Solidarity, formado por dez dos países participantes ─ o Brasil não faz parte da lista ─ vai decidir, nas primeiras semanas de junho, se retoma ou não os estudos com a droga. Seja qual for o resultado, a OMS diz que, por enquanto, cloroquina e hidroxicloroquina só devem ser usadas em experimentos, em hospitais e sob supervisão médica.

O estudo publicado na Lancet é um dos maiores já publicados. As descobertas são semelhantes a de outras pesquisas divulgadas nas revistas médicas BMJ, Jama e New England Journal of Medicine. Todas não apontaram benefício e mostraram possíveis danos no uso desse medicamento.

E no Brasil?

Mayra Pinheiro

Apesar da decisão da OMS, o Ministério da Saúde brasileiro decidiu que vai manter as orientações que ampliam o uso da cloroquina. Em maio, o órgão, após determinação do presidente Jair Bolsonaro, alterou o protocolo vigente para permitir que o medicamento seja usado também por pacientes com sintomas leves do novo coronavírus. Até então, seu uso era restrito a pacientes graves e críticos e com monitoramento em hospitais.

A médica Mayra Pinheiro, secretária de gestão em trabalho na saúde e coordenadora da elaboração do protocolo, informou, em 25 de maio, que o governo seguirá as diretrizes do documento. “Ela [recomendação do Ministério da Saúde] segue uma orientação feita pelo Conselho Federal de Medicina que dá autonomia para que os médicos possam prescrever essa medicação para os pacientes que assim desejarem. Isso é o que vamos repetir diariamente. Estamos muito tranquilos a despeito de qualquer entidade internacional cancelar seus estudos com a medicação”, disse.

Pinheiro também falou que o estudo da Lancet, na qual a OMS se baseou para tomar sua decisão, “não se trata de ensaio clínico, é apenas um banco de dados coletado de vários países. Isso não entra como critério para servir como referência a nenhum país do mundo”, disse.

“Nesses estudos, a forma de seleção dos pacientes, onde não havia uma dose padrão, uma duração padrão e medicação padrão para que possa ser considerado como ensaio clínico, nos faz refutar qualquer possibilidade de usar como referência para o Brasil recuar na sua orientação”, acrescentou.

Pinheiro destacou ainda que a decisão do Ministério da Saúde segue princípios de autonomia para pacientes. Mas ressalvou que o órgão pode rever sua posição se houver novos resultados de estudos. “Estamos conduzindo pesquisas, e o próprio ministério ajudará na condução de ensaios clínicos. E se constatarmos que não há uma comprovação, podemos recuar da nossa decisão”, disse.

Além de Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também é um ferrenho defensor da hidroxicloroquina e chegou a dizer que tomava uma dose diária do medicamento como forma de prevenção. No entanto, declarou depois que deixaria de fazer uso da droga. (com informações da BBC Brasil)

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OMS alerta sobre fim precipitado de isolamento

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, alertou, nessa quarta-feira (6), sobre os riscos de ser necessário retornar ao confinamento, caso os países que estejam deixando as restrições para combater a pandemia de coronavírus não administrem as transições “com muito cuidado e em uma abordagem em fases”.

Ele listou uma série de medidas necessárias antes que os países afrouxem medidas destinadas a controlar a propagação da covid-19, doença respiratória do provocada pelo coronavírus, como controles de vigilância e preparação do sistema de saúde.

“O risco de retornar ao bloqueio permanece muito real se os países não administrarem a transição com muito cuidado e com uma abordagem em fases”, afirmou ele em um briefing online em Genebra.

Tedros, que chegou a ser criticado pela forma de lidar com o surto, disse que fará uma análise da resposta dada pela agência, mas que vai aguardar até que a pandemia recue.

“Enquanto o fogo está aceso, acho que nosso foco não deve ser dividido”,afirmou.

O diretor defendeu o protocolo da OMS de alerta sobre o potencial de transmissão de pessoa para pessoa do novo coronavírus, lembrando que informou o mundo disso no início de janeiro.

A organização, com sede em Genebra, tem sido acusada pelo seu principal doador, os Estados Unidos (EUA), de ser “centrada na China”. Os EUA têm cortado o financiamento ao órgão.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, vem afirmando que tem “evidências” de que o novo coronavírus surgiu em um laboratório em Wuhan, na China, enquanto os cientistas têm informado à OMS que a origem é animal.

*Agência britânica de notícias