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Avenida Niemeyer é reaberta após nove meses de interdição

Após nove meses de interdição, a Avenida Niemeyer, que liga os bairros do Leblon à São Conrado, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, foi reaberta no sábado, 7 de março. A reabertura ocorreu por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), expedida na noite de sexta-feira (6) pelo presidente do órgão, ministro João Otávio de Noronha.

A via estava fechada desde o dia 28 de maio de 2019, quando a Justiça do Rio determinou o fechamento após um temporal que atingiu a cidade. No trecho do Vidigal, houve deslizamento de pedras e muita lama, o que provocou o fechamento da Niemeyer por medida de segurança. A decisão foi da 3ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Antes do fechamento, a Avenida Niemeyer representava 25% do fluxo de veículos entre a zona sul e a zona oeste, com cerca de 36 mil veículos circulando pela via diariamente.

Obras

Ao todo, a prefeitura do Rio informou que investiu mais de R$ 34 milhões em 56 intervenções ao longo da Avenida Niemeyer. Entre as obras realizadas, destaca-se a colocação de drenos profundos, o restabelecimento do sistema de drenagem, a eliminação de contribuição de esgoto, e a instalação de muros de contraforte, telas grampeadas, chumbadores e cortinas atirantadas.

Foram demolidas 34 casas em situação de risco ao longo da avenida e 34 famílias recebem aluguel social atualmente. Mais 17 construções, em que moram 30 famílias, também serão demolidas.

As intervenções, de acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação garantem a segurança da via para veículos, pedestres e moradores. A avenida será fechada em caso de chuvas de 38 milímetros em uma hora, com ventos de até 70 quilômetros por hora (km/h).

Segundo a Prefeitura, o novo parâmetro está bem abaixo do volume suportado pela via, de 110 milímetros de chuva por hora, com ventos de 130 km/h.

Disputa judicial

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, participou da reinauguração. “Todas as obras foram realizadas e, em caso de chuvas acima de 38 milímetros, o protocolo de segurança para o fechamento da Niemeyer será feito. Eu tenho certeza que o carioca está feliz”, disse.

A via foi interditada, por ordem judicial, a pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Desde então, a prefeitura vinha tentando a reabertura da Avenida Niemeyer na Justiça. A Procuradoria-Geral do Município do Rio de Janeiro foi ao STJ pedir a reabertura imediata da via.

De acordo com a Prefeitura, o fechamento trazia enorme prejuízo não só à mobilidade urbana como também à economia da cidade.

Na reabertura, Crivella elogiou a decisão do STJ, que determinou a reabertura. “O tribunal disse que houve uma interferência indevida em matéria de competência da prefeitura. É importante dizer isso, porque ninguém entende mais de Niemeyer que os técnicos da Geo-Rio, que estão aqui todos os dias e não só aqui, como em todas as encostas da cidade. Essa foi uma decisão que cria uma jurisprudência importantíssima para a cidade”.

Em nota, o TJRJ lamentou a declaração do prefeito. “O Tribunal de Justiça lamenta as declarações do Sr. Prefeito do Município do Rio de Janeiro, uma vez que, no momento do deferimento da liminar, a situação de fato exigia a garantia da integridade física e do direito à vida da população carioca, ante omissão de setor da administração pública municipal, reafirmando o direito fundamental de acesso à Justiça”.

O TJRJ disse ainda que não vai se manifestar sobre a reabertura da Niemeyer e afirmou que cabe ao Ministério Público entrar ou não com recurso.

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Copacabana agoniza em meio ao caos

Por Alessandro Monteiro

Um dos bairros mais conhecidos mundialmente, que já teve a beleza cantada ao mundo na voz do saudoso Dick Farney, agoniza!

Copacabana, que possui aproximadamente 148.000 habitantes, sendo um terço de idosos, sofre com o descaso do poder público. Calçadas quebradas, praças abandonadas e o crescente número de moradores de rua fazem do bairro um dos mais perigosos da Zona Sul.

Atualmente existem 10 cracolândias espalhadas no bairro e relatos diários de assaltos, uso de arma branca por menores e muita violência. Em fevereiro, a Prefeitura do Rio implementou o serviço Copacabana Presente. No entanto, moradores ainda reclamam da falta de policiamento e afirmam um crescente quando o assunto é segurança nas ruas do bairro.

Copacabana recebe, entre os meses de dezembro e março, quase 2,5 milhões de turistas nacionais e estrangeiros, gerando mais de 12 milhões em receitas para o município. Há cerca de um mês Embratur compartilhou em suas redes sociais, um relato de turista que afirmava ter sido assaltada e não recomendava visita à cidade.

Foto: Reprodução

Tony Teixeira, presidente da AMACOPA (Associação de Moradores de Copacabana) relata as situações mais críticas do bairro atualmente. Confira!

Atualmente, quais os problemas mais graves do bairro?
Os moradores de rua, em sua grande maioria dependentes químicos, que utilizam a rua como dormitório, onde é possível encontrar muitos deles fazendo suas necessidades fisiológicas em plena luz do dia, provocando forte odor de urina e fezes. O excesso de ambulantes, a falta de Iluminação na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, as centenas de calçadas esburacadas e o abandono das praças.

Como é o relacionamento da associação de moradores com a prefeitura e o batalhão local? Estão sempre acessíveis a tratar os assuntos do bairro?
Nosso relacionamento com o 19° Batalhão é o melhor possível, já há vários anos com vários comandantes. Eles estão sempre prontos a atender nossas demandas e os pedidos dos moradores, fazem tudo que podem em combater a criminalidade em Copacabana. Só temos a agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil que atuam no bairro.

Apostaria em algumas ações emergenciais de melhoria?
Sim, iluminação extra na Av. Copacabana. Conserto das Calçadas da Av. Copacabana. Acolhimento compulsório dos dependentes químicos para abrigos, conforme o prefeito já autorizou, com acompanhamento médico. Porém, é importante que sejam abrigos decentes! Não locais que possam tornar a rua um local melhor que lá.

É nítido perceber o aumento da violência e a quantidade de moradores de rua por metro quadrado no bairro. Como a associação trata esse assunto?
Estamos sempre cobrando da Prefeitura a melhoria dos abrigos, pois entendemos que a rua não cura e nem trata ninguém… A rua piora a vida dessas pessoas. Eles precisam ser resgatados do abandono e da dependência química. Atualmente vivem como ‘zumbis’ surtados pelo alto consumo de drogas, ameaçando moradores e turistas.

Reunião da AMACOPA (Divulgação)

Onde a AMACOPA está localizada? Tem sede própria? Quantos associados possui hoje?
A associação tem dois anos, não possui sede própria. Na verdade, o endereço é na minha própria residência, com 3.500 associados.

A chegada do Copacabana Presente pode melhorar alguma coisa em relação à segurança no bairro?
Sim, melhorou. No entanto, é necessário mudar as Leis. Porque enquanto elas não fizerem os criminosos ficarem presos jamais iremos diminuir de fato a insegurança pública do Rio e do Brasil! Somente com a reforma do Código Penal e Lei de Execução Penal teremos sim, de fato, uma mudança!

Um bairro cuja concentração maior é de idosos, as calçadas quebradas, buracos, camelôs ocupando cada metro quadrado… Como vocês têm buscado resolver isso?
Sempre estamos cobrando da Prefeitura todas as soluções para as essas questões, mas parece que a Prefeitura não entendeu o que representa Copacabana para cidade. Um bairro que representa mundialmente, o símbolo da cidade!

Poderia relatar sua visão atual do bairro hoje?
Deprimente! Copacabana hoje parece uma cidade abandonada! Lotada de moradores de rua coagindo as mulheres, idosos, crianças e turistas! Os moradores têm medo de circular! Neste exato momento da entrevista, algum deles pode estar sofrendo alguma tentativa de violência. É difícil conseguir entender a que ponto chegamos…

AMACOPA
Site: www.amacopa.com.br
Telefone: (21) 97014-5527

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Pelos Bairros Rio

Moradores de Santa Teresa reclamam da falta de ônibus à noite

Por Franciane Miranda

Voltar para casa deveria ser algo fácil, mas no bairro de Santa Teresa, área central do Rio, a tarefa é mais difícil do que se imagina. O motivo é o transporte público da região que não atende às demandas da população à noite. Quando chove, e aos finais de semana, a situação fica mais complicada. Mas o drama é ainda pior, pois muitos motoristas de aplicativos e taxistas recusam com frequência a viagem.

As pessoas que trabalham à noite, ou que saem tarde do serviço, são as que mais sofrem com este descaso. Após um dia de trabalho e cansados, muitos não querem esperar tanto tempo pelo ônibus. A grande maioria acaba tendo um gasto extra com transporte, o que fica bem complicado para quem recebe um salário mínimo. A maior parte dos moradores residem em comunidades do bairro e este gasto a mais faz toda diferença no orçamento familiar.

A vendedora Aline Maciel destaca sua insatisfação com os serviços prestados pela companhia. “Quero dar ênfase no quesito serviço, pois a empresa Transurb [responsável monopolista pelo transporte em Santa Teresa], na verdade presta um desserviço, agindo de forma negligente, arbitrária, desrespeitosa, sem idoneidade moral para com os passageiros há anos”. Outras reclamações são com relação à falta de fiscalização e conservação dos veículos.

A moradora Rejane Sousa classifica a qualidade do transporte público como péssima. A autônoma explica que sempre pega o ônibus no período da noite e leva em média uma hora na volta para casa. Quando não consegue, usa táxi para retornar.

Os moradores já fizeram até grupo no Whatsapp para facilitar o dia a dia e ajudar os moradores que precisam do ‘bacurau’ (nome dado ao veículo que presta o serviço à noite). “Nele é possível saber os horários, onde está, quanto tempo vai demorar para chegar em determinado ponto, se foi retirado pela empresa ou mandado para a garagem por avaria, se está circulando com muitos atrasos devido à superlotação, entre outros”, afirma Aline.

A vendedora explica que após os últimos ônibus serem retirados, o ‘bacurau’ circula superlotado, com atrasos e não há horário certo para chegar em casa, principalmente quando o carro quebra. “Sou obrigada a depender de transportes alternativos, se tiver dinheiro para isso, ou esperar até 5h na rua pelo primeiro ônibus de cada linha que irá começar a circular; Já aconteceu isso comigo, não é invenção, nem mentira, afinal não é sempre que tenho dinheiro para pagar outro transporte, uma vez que preciso utilizar o Bilhete Único obrigatório oferecido pelas empresas e aceito apenas nos transportes coletivos credenciados”, conta.

Alguns taxistas que conhecem a dificuldade dos moradores começaram a fazer o trajeto do ônibus. Cada passageiro paga R$ 5 para voltar para casa. O que tem ajudado muito, mas não é a solução do problema, pois eles não aceitam o Bilhete Único e as pessoas continuam gastando dinheiro extra com transporte. O cenário não muda nos aplicativos e o usuário perde muito tempo tentando achar algum motorista que confirme a corrida. Vários aceitam, mas quando percebem que o destino é a região acabam recusando.

Os taxistas também não gostam de frequentar o bairro. São muitos os motivos da recusa: os trilhos do bondinho; reclamam que não existe sinal de área quando o pagamento é com cartão; ou o local é considerado área de risco. Muitas vezes, o passageiro precisa parar vários taxistas para conseguir seguir viagem. Os que confirmam a corrida revelam que aceitaram, pois já conhecem à área.

A reportagem do Diário do Rio entrou em contato com a empresa. Em nota e por mensagens via Whatsapp, a Transurb informa que as linhas 007 (Silvestre x Central), 507 (Largo do Machado x Silvestre), 014 (Paula Matos x Castelo) e 006 (Castelo x Silvestre) operam em dias normais das 4h às 23h, e aos finais de semana e feriados das 5h às 22h. Disse ainda que segue o acordo determinado pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). A empresa esclarece que os passageiros busquem a linha SN 006 (Silvestre x Castelo), que opera com regularidade das 23h às 4h.

A Transurb e a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) precisam ouvir a população para entender a real necessidade do bairro e, juntos, criarem um plano que atenda a todos. “Precisamos de ajuda dos órgãos competentes urgentemente”, finaliza Aline, que pede o devido apoio.

Fotos: Diário do Rio