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Profissionais e cidadãos que atuaram na tragédia da Região Serrana de 2011 são homenageados pelo estado

 

Cerimônia em homenagem aos profissionais e cidadãos que participaram do resgate a vítimas e auxiliaram a população durante a tragédia causada pelas chuvas na Região Serrana em janeiro de 2011 foi realizada neste domingo (10), no Quartel do Corpo de Bombeiros de Nova Friburgo. O governador em exercício Cláudio Castro, acompanhou o evento

“A nossa missão é a prevenção. Em agosto do ano passado, determinei a criação do Plano de Contingência para as Chuvas de Verão, que traça protocolos para resposta rápida e integrada a emergências, porque precisamos estar preparados para prevenir tragédias como a que aconteceu há dez anos aqui na Serra. O plano conta com recursos de R$ 280 milhões e beneficia todo o estado. Além disso, vamos investir mais de R$ 500 milhões em contenção de encostas, limpeza de rios e infraestrutura na Região Serrana”, anunciou o governador em exercício.

Três militares que morreram durante suas missões também foram homenageados com uma corbélia de flores: o cabo Flávio Uanderson Rodrigues de Freitas; o 2º sargento Marco Antônio Verly da Conceição; e o cabo Victor Lembo Spinelli.

Governador em exercício homenageou com medalhas profissionais que atuaram no resgate, em 2011

Também foi entregue a Medalha Ordem do Mérito de Defesa Civil para 25 personalidades civis e militares, órgãos e instituições que foram de extrema relevância durante as ações de resposta à tragédia. Serão realizadas outras homenagens em Teresópolis, nesta segunda-feira (11/01), e em Petrópolis, na próxima terça-feira (12/01).

“ Dez anos após o desastre, minhas palavras são marcadas pela reflexão. Na época, o trabalho de resgate dos bombeiros foi incansável. Neste período, evoluímos como profissionais para prevenir novas tragédias desta proporção, com ações como o sistema de alerta e alarme por sirenes, capacitações e a implantação do Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Natural”, afirmou o secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro.

Em memória às vítimas, o governador Cláudio Castro decretou luto oficial em todo Estado do Rio nos dias 10, 11 e 12 de janeiro. Na manhã deste domingo, foi realizado o hasteamento a meio mastro das bandeiras oficiais no Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado..

Retomada das obras do Hospital de Oncologia

Durante o evento, o governador anunciou a retomada das obras do Hospital de Oncologia de Nova Friburgo. Localizada no bairro Ponte da Saudade, a unidade estadual vai ser referência no tratamento de câncer na região. Para dar início às intervenções, as secretarias estaduais de Infraestrutura e Obras e de Saúde estão finalizando o projeto.

Foto: Governo o Estado o Rio

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Vitor Chimento | Serra

Fazenda Santa Cecília

Toda história da nossa região serrana remonta ao ano de 1700, quando o bandeirante Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do ‘Caçador de Esmeraldas’ Fernão dias Paes, partiu do lugarejo de Paraíba do Sul em direção à serra do Tinguá, abrindo pelas montanhas um caminho que reduzisse o tempo de viagem entre as Minas Gerais e a Corte Portuguesa, instalada na cidade do Rio de Janeiro. Acompanhado por mineradores, fazendeiros e escravos, o bandeirante alcançou a Roça do Alferes (hoje Acozelo), seguiu em direção à serra até as localidades de Marco da Costa e Vera Cruz. A partir daí, as tropas de exploração subiram os morros, no sentido da atual Lagoa das Lomtras, de onde desceram para o Porto de Pilar ─ hoje Duque de Caxias ─, seguindo até o porto do Iguaçu, de onde seguiram, via pluvial, para o Rio.

Este caminho ficou conhecido como “Caminho Novo de Minas” e favoreceu, entre outros, dezenas de sesmeiros ─ pessoas que recebiam do magistrado português terras por doação para cultivo ─, que vieram a se estabelecer nas colinas. Dentre os colonizadores da região se destacou Manoel de Azevedo Mattos. Vindo das Minas Gerais, resolveu instalar-se no Morro da Viúva, onde construiu, em 1770, a primeira moradia da Fazenda da Piedade de Vera Cruz (atual Santa Cecília), no estilo colonial, concluída em 1780.

O filho de Manoel, Inácio de Souza Werneck, foi fazendeiro, sargento-mor das milícias do Império e Cavaleiro da Ordem da Rosa, tornando-se um dos personagens mais importantes da região. Ele colonizou Vera Cruz e ampliou as instalações da importante fazenda da Piedade. Da sua união com Francisca das Chagas Werneck teve filhos que se uniram a outras pessoas importantes, deixando assim numerosas famílias de nobres espalhadas pelo Sul Fluminense. Em 1811, ao ficar viúvo, Inácio abraça a carreira eclesiástica, abandonada quando ainda jovem, e no ano de 1813, em cerimônia realizada na própria fazenda, foi ordenado padre. O fazendeiro passou a ser conhecido como padre Werneck de Vera Cruz.

Com a morte de seu pai Inácio, Ana Matilda, casada com o fazendeiro Francisco Peixoto de Lacerda, herda a fazenda da Piedade (atual Santa Cecília). O casal teve somente um filho, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, que recebeu mais tarde, por ordem do Imperador Dom Pedro I, o título de Barão de Paty dos Alferes. O barão, em 1840, realizou, no apogeu do ciclo do café e com a importância histórica da fazenda, uma grande reforma em seu estilo colonial (inicial) para o neoclássico. Foi, sem dúvida, uma grande personagem da história. Homem culto, aristocrata e político, proprietário de grandes plantações de café, de vastas áreas de terras e de um grande número de escravos. Foi de grande importância no desenvolvimento da região, graças ao seu bom relacionamento com a Corte.

A Fazenda Santa Cecília, está localizada no município de Miguel Pereira, distante 15 km do centro da cidade, no Distrito de Vera Cruz. A fazenda possuía uma senzala, um espaço para secagem de café e um moinho de cana. Com as reformas feitas ao longo dos anos, as pedras de secagem do café foram reaproveitadas para fazerem o caminho da piscina. Grande parte de sua arquitetura e mobiliário foram mantidos intactos pelos atuais proprietários. Nos jardins se encontra uma capela dedicada à Santa Cecília, desenhada e projetada pelo arquiteto Oscar Niemayer e presenteada a Maria Cecília, filha de seu grande amigo e proprietária da fazenda, que mantém e preserva com muito zelo este patrimônio histórico de nossa região.

O jornal Diário do Rio agradece as informações cedidas pela Prefeitura e pelos informativos do historiador Sebastião Deister.

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Vitor Chimento | Serra

Quilombo São José da Serra

Entre os séculos XVI e XIX, os negros que conseguiam fugir dos engenhos se refugiavam, com outros em igual situação, em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas. Esses locais eram conhecidos como quilombos. Nessas comunidades eles viviam de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo em comunidade.

Os quilombos representaram uma das formas de resistência e combate à escravidão. Rejeitando a cruel forma de vida, os quilombolas buscavam a liberdade e a dignidade, resgatando suas tradições e a forma de viver que deixaram na África. Tiveram grande importância e significado para a formação da cultura afro-brasileira. Eles surgiram não somente como forma de lutar contra o sistema escravagista, mas também como uma proposta de sociedade onde não existiam divisões de classes e nem um poder absolutista. Uma sociedade antiescravagista e antilatifundiária, onde a todos os quilombolas eram dados direitos e deveres comuns de produzir e adquirir os bens que eram colocados à disposição de todos para a realização plena dos seus membros. Não abrigava apenas negros, mas também brancos marginalizados, mestiços e alguns índios.

O Quilombo de São José da Serra foi formado por descendentes de escravos que vieram do Congo, Guiné e, principalmente, de Angola. É uma das mais antigas comunidades quilombolas do Estado do Rio de Janeiro, formada por volta de 1850. Situado no Vale do Paraíba, ao sul do Estado, na região que historicamente, se tornou conhecida como o ‘Vale do Café’. Localizado em uma área de 476 hectares, na Serra da Beleza, após o distrito de Conservatória, abriga hoje cerca de 150 quilombolas, que mantém as tradições africanas.

O território e o modo de vida são caracterizados pela produção agrícola de subsistência, pelo sincretismo entre umbanda e catolicismo, pelo jongo ─ uma dança que produz uma atitude religiosa de culto à natureza, aos antepassados (pretos velhos escravos) e aos orixás ─, pela pedreira e pela árvore símbolo do São José da Serra ─ o grande Jequitibá, de onde os quilombolas acreditam emanar a força motriz da comunidade ─, pela relação sacra com a paisagem e pela sabedoria sobre as ervas medicinais.

É uma comunidade de matriz africana que, assim como outras existentes no país, se destaca por suas contribuições sobre o conhecimento das plantas e de seus múltiplos usos, na construção de moradias e no tratamento de saúde física e espiritual, todos interligados à busca do bem estar humano. Destaca-se também pela resistência em relação à manutenção de suas tradições, que se refletem nas relações sociais e em seu modo peculiar de vida e no fato da forte ligação da comunidade com fragmentos da floresta atlântica.

Ao som de tambores

O jongo é uma dança de roda tida como uma das origens do samba e considerado pelo Governo Federal como Patrimônio Histórico Nacional. Sua origem remonta às regiões africanas do Congo e Angola e chegou ao Brasil Colônia com os negros. A estruturada festa do jongo segue ritos tradicionais consagrados, como fogueira ao centro e o terreiro rodeado por tochas. Antes de iniciar os pontos, a mulher negra mais idosa é responsável pelo jongo, pede licença aos pretos velhos antigos ─ velhos jongueiros ─ benzendo os tambores sagrados.

É costume dançar o jongo no dia 13 de maio, em homenagem aos ancestrais sacrificados pela escravidão, assim como nos dias de santos católicos de devoção da comunidade, nas festas juninas e em casamentos. Originalmente é dançado ao som de tambores, confeccionados com troncos de árvore e considerados sagrados por seu poder de comunicação com os antepassados, indo “buscar quem mora longe”. Os pontos do jongo costumam retratar o contato com a natureza, fatos do cotidiano, o dia a dia do trabalho braçal nas fazendas e a revolta diante da opressão. Mistura o português com a língua quimbundo, herança dos povos Bantu.

O Quilombo São José da Serra é o berço do jongo e terra natal da lendária jongueira e sambista Clementina de Jesus.

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Vitor Chimento | Serra

Miguel Pereira guarda memória de uma pequena história do Rei do Baião

Em uma sexta-feira, dia 13 de dezembro de 1912, no sopé da Serra do Araripe, na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, a 12 km da área urbana da cidade de Exu (PE), localizada a 610 km da capital Recife. Nasce o segundo dos nove filhos do casal Januário José dos Santos (Mestre Januário) e Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento (Mãe Santana): Luiz (por ser dia de Santa Luzia) Gonzaga (sugestão do padre) Nascimento (por ter nascido em dezembro, mês do nascimento de Jesus Cristo).

Luiz Gonzaga do Nascimento foi soldado, como corneteiro, por dez anos. Recebeu, entre outros, os apelidos de ‘Rei do Baião’, ‘Majestade do Baião’, ‘Velho Lua’, ‘Bico de Aço’, ‘Gonzagão’. Inventor do forró ─ trio pé de serra ─, baião, quadrilha, xaxado, arrasta-pé e xamego. Seu instrumento era um acordeão de 120 baixos.

Hospital que o artista ajudou a construir

Foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras da música popular brasileira. Cantando, acompanhado por sua sanfona, zabumba e triângulo, levou alegria das festas juninas e dos forrós pé de serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra ─ o sertão nordestino ─, para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado. Ganhou notoriedade com as canções ‘Baião’, ‘Asa Branca’, ‘Siridó’, ‘Juazeiro’, ‘Qui nem Jiló’ e ‘Baião de Dois’.

Luiz Gonzaga se referia a Miguel Pereira como a ‘Suíça brasileira’. Era a preferida de todas as serras do Estado do Rio, onde viveu por um período e teve uma relação muito particular com os moradores locais e a cidade, que foi seu refúgio, mais precisamente na Fazenda Asa Branca. Nas festas de Santo Antônio, padroeiro da cidade, era comum ele se apresentar com seus trajes típicos, sua sanfona e cantar os seus sucessos.

Gonzagão e Gonzaguinha

Em 1957, após a emancipação do município, algumas pessoas passaram a se reunir em torno da ideia de construir um hospital. O artista se juntou ao grupo e passou a promover bailes e forrós beneficentes para arrecadar dinheiro e incentivar os cidadãos participarem da construção. Ele chegava, às vezes, ao largo da igreja com um grande lençol, pedia que as pessoas o sustentassem pelas extremidades e carregassem à sua frente. Atrás, ele vinha tocando sua sanfona, cantando seus sucessos e arrecadando tudo que pudesse ser revertido em dinheiro para a construção. O hospital, único da região, leva o seu nome. Já em 1958, sua esposa Helena Gonzaga foi eleita vereadora pela extinta UDN.

Há um grande reconhecimento da população à memória de Luiz Gonzaga. Não só pelo fato de ter contribuído e participado, dentre outras coisas, na construção do hospital, mas também por ter cantado eternizado Miguel Pereira em uma de suas mais conhecidas canções. Fez da nossa cidade parte de sua história e registrou esse laço de amizade com a nossa terra, nossa gente, compondo, em parceria com seu filho Gonzaguinha, a canção ‘Boi Bumbá’. Na música, o Rei do Baião “reparte o boi” aqui em Miguel Pereira com personalidades locais.

BOI BUMBÁ

Pra onde vai a barrigueira?
Vai pra Miguel Pereira
E a vassoura do rabo?
Vai pro Zé Nabo
De que é o osso da pá?
De Joãozinho da Fornemá
E a carne que tem na nuca?
É de seu Manuca
De quem é o quarto trazeiro?
De seu Joaquim marceneiro
E o osso alicate?
De Maria Badulate
Pra quem dou a tripa fina?
Dê para a Sabina
Pra quem mando este bofe?
Pro Doutor Orlofe
E a capado filé?
Mande para o Zezé
Pra quem vou mandar o pé?
Para o Mário Tiburé
Pra quem dou o filé miõn?
Para o doutor Calmon
E o osso da suã?
Dê para o doutor Borjan
Não é belo nem doutor
Mas é bom trabalhador
Mas é véio macho, sim sinhor
É véio macho, sim sinhor
É bom pra trabaiá
Rói suã até suar
Ê boi, ê boi
Ê boi do mangangá.

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Vitor Chimento | Serra

Simples e acolhedor, eis São Sebastião dos Ferreiros

No início, Ferreiros era um simples povoado que foi beneficiado pelo trânsito de caravanas e tropas na serra. Em 1858, foi alçado a distrito de Vassouras. Seu nome se deve à oficina de ferreiros, onde os tropeiros substituíam as ferraduras dos burros das tropas que iam de Minas Gerais ao Rio de janeiro. O lugarejo contava, na época, com uma fábrica de chapéus, padaria, açougue, um farmacêutico homeopata, um armazém que atendia as necessidades do povo e que vendia de tudo um pouco, uma fábrica de queijo, de ração e de carvão, além de dois salões de bailes, um para os “brancos” e outro para os “negros”.

Era um centro de comércio que tinha uma importante peregrinação de agentes comerciais, caixeiros viajantes, missionários, historiadores e tropeiros, que movimentavam um grande volume de negócios e que faziam circular entre freguesias e povoados as notícias da capital, das cidades e vilas do país. O comércio de porta em porta, a agricultura de subsistência, representada pelo café, e a chegada de novos colonos proporcionaram ao povoado um impulso para seu crescimento.

No começo do século XX, ainda sem luz elétrica e nem abastecimento de água, a iluminação era feita com tochas e a água obtida em um chafariz que ficava no centro da praça. A Irmandade de São Sebastião possuía grande parte das terras da localidade, além de bens como a Capela de São Sebastião ─ hoje Igreja da Matriz, de 1858 ─ e o cemitério aberto, construído em 1869.

O Caminho Novo foi fundamental a mudança do eixo econômico da região, já que era zona de circulação dos tropeiros. A estrada tornou-se uma das principais vias para escoar o café. Ao longo dela se desenvolveu São Sebastião dos Ferreiros, lugar que passou a ocupar o status de freguesia devido ao seu número de habitantes.

A região do Vale do Ciclo do Café oferece aos seus visitantes, além de um clima ameno, um passeio pela história do estado, com sua arquitetura rural, as fachadas de seus casarios, fazendas e monumentos, que guardam as lembranças de um período de muita riqueza quando, na segunda metade do século passado, ostentava o título de maior produtora de café do mundo.

São Sebastião dos Ferreiros ainda guarda os encantos de sua época áurea. O povoado é simples e acolhedor. No local não existem hotéis, restaurantes ou outro tipo de comércio que satisfaça as necessidades dos turistas. No entanto, é um lugar ideal para trilhas e passeios, possui pequenas cachoeiras e riachos, além de uma bela paisagem. Está separado da cidade do Rio de Janeiro pela distância de 120 km, de Vassouras por 10 km e de Miguel Pereira por 12 km.

Todos os anos, no dia 20 de janeiro, quando se comemora o dia de São Sebastião, o povoado recebe centenas de romeiros que vêm para pedir e agradecer suas bênçãos e graças alcançadas.